
Sinfonia da Pele
A chuva batia contra as janelas de vidro do apartamento de Gabriel, criando uma cortina isolante entre eles e o mundo barulhento lá fora. Dentro, o único som era o da respiração pesada de Mirelle, que estava encostada na porta recém-fechada. O ar entre eles parecia carregado de eletricidade estática, daquelas que fazem os pelos do braço se arrepiarem antes mesmo do primeiro toque.
Gabriel não se moveu de imediato. Ele a observava sob a luz suave do abajur da sala, os olhos escuros percorrendo cada detalhe do rosto dela, parando nos lábios entreabertos que ele desejava desde o momento em que se viram naquela noite.
— Você demorou a chegar — disse ele, a voz rouca, vibrando em um tom que fez o ventre de Mirelle se contrair.
— O trânsito estava horrível — respondeu ela, dando um passo à frente, diminuindo a distância entre os dois. — Mas agora que estou aqui, não pretendo ir embora tão cedo.
Gabriel sorriu, um sorriso lento e predatório que não chegava a ser gentil. Ele cruzou o espaço que os separava com passos decididos e envolveu a cintura dela com as mãos, puxando-a para perto até que seus corpos se colassem. Mirelle soltou um suspiro baixo, as mãos subindo pelo peito largo dele, sentindo o calor através da camisa de linho fino.
— Eu passei o jantar inteiro pensando em como seria tirar esse vestido de você — sussurrou Gabriel, aproximando o rosto do pescoço dela.
Ele depositou um beijo úmido logo abaixo da orelha de Mirelle, e ela sentiu um calafrio percorrer sua espinha.
— Então por que ainda está perdendo tempo falando? — desafiou ela, inclinando a cabeça para trás para dar a ele mais acesso.
Gabriel não precisou de outro convite. Seus lábios encontraram os dela em um beijo urgente, faminto, que carregava toda a tensão acumulada das últimas semanas. As línguas se encontraram em uma dança frenética, e Mirelle enroscou os dedos nos cabelos da nuca dele, puxando-o para mais perto, querendo fundir sua pele à dele.
As mãos de Gabriel desceram para as coxas dela, levantando a barra do vestido de seda esmeralda. Ele a suspendeu no ar com facilidade, e Mirelle envolveu as pernas ao redor da cintura dele, sentindo a rigidez por baixo da calça dele pressionando contra sua intimidade. O gemido que escapou da garganta dela foi abafado pela boca dele.
— Quero você agora — murmurou ele entre beijos, levando-a em direção ao quarto sem romper o contato visual.
— Não ouse me fazer esperar — retrucou ela, a voz carregada de desejo.
Ao chegarem ao quarto, Gabriel a depositou suavemente sobre os lençóis de cetim escuro. A luz da lua, filtrada pelas nuvens, banhava o ambiente em tons de prata e sombra. Ele se posicionou sobre ela, os braços sustentando o peso do corpo enquanto a devorava com o olhar.
— Você é a coisa mais linda que já vi — disse ele, as mãos descendo para o zíper nas costas do vestido.
O som do metal deslizando foi o único ruído além da respiração acelerada de ambos. Com um movimento habilidoso, Gabriel removeu o tecido, revelando a pele âmbar de Mirelle e a lingerie de renda preta que parecia ter sido desenhada especialmente para torturá-lo.
— Sua vez — disse ela, puxando a camisa dele para fora da calça.
Gabriel se livrou das próprias roupas com uma pressa impaciente, jogando-as em qualquer lugar do chão. Quando ele voltou para os braços dela, o contato pele com pele foi como uma explosão. Mirelle gemeu ao sentir o peso do corpo dele sobre o seu, a masculinidade dele pulsando contra sua perna.
Ele começou a beijar o caminho de seu pescoço até os seios, contornando a renda do sutiã com a língua antes de abocanhar um dos mamilos por cima do tecido. Mirelle arqueou as costas, as unhas cravando-se nos ombros largos de Gabriel.
— Gabriel... por favor — suplicou ela, a voz falhando.
— Calma, meu amor — sussurrou ele, a voz vibrando contra a pele dela. — Eu quero saborear cada centímetro.
Ele desceu os beijos pelo abdômen dela, parando para desamarrar as laterais da calcinha de renda. Quando ela finalmente ficou nua sob ele, Gabriel parou por um segundo, admirando a perfeição das curvas de Mirelle. Ele usou os dedos para acariciá-la, encontrando-a já úmida e pronta para ele.
Mirelle soltou um grito abafado quando ele encontrou o ponto exato, movendo os dedos em um ritmo que a levava à beira do abismo. Ela fechou os olhos, perdendo-se nas sensações, os quadris movendo-se instintivamente contra a mão dele.
— Você está tão molhada para mim — observou Gabriel, a voz carregada de luxúria.
— Eu estou queimando, Gabriel... Me possui logo — pediu ela, abrindo as pernas e puxando-o para cima.
Ele se posicionou entre as coxas dela, guiando-se para a entrada dela. Quando ele entrou, em um movimento lento e profundo, ambos soltaram um suspiro de alívio e prazer. A sensação de preenchimento era avassaladora. Gabriel parou por um momento, deixando que seus corpos se acostumassem à união, a testa encostada na dela.
— Você é minha — afirmou ele, os olhos fixos nos dela.
— Sempre — respondeu ela, selando a promessa com um beijo.
Gabriel começou a se mover, primeiro com estocadas lentas e deliberadas que faziam Mirelle gemer o nome dele como uma prece. A cada movimento, ele ia mais fundo, explorando cada canto dela, sentindo as paredes internas de Mirelle se apertarem ao redor dele em espasmos de prazer.
O ritmo acelerou. O som dos corpos se chocando e os suspiros pesados preenchiam o quarto. Mirelle envolveu os ombros dele com os braços, puxando-o para baixo enquanto suas pernas se fechavam ao redor das costas dele, intensificando o contato. Ela podia sentir o clímax chegando, uma onda de calor que começava na base da espinha e se espalhava por todo o corpo.
— Gabriel, eu vou... eu estou quase... — ofegou ela, a cabeça jogada para trás, os cabelos espalhados pelo travesseiro.
— Vem comigo, Mirelle. Não para — encorajou ele, aumentando a velocidade, a suor brilhando em sua pele sob a luz fraca.
Ele a atingiu no ponto certo repetidamente, e Mirelle sentiu o mundo desaparecer. Uma explosão de cores e sensações tomou conta dela quando seu corpo se contraiu em um orgasmo intenso e prolongado. Segundos depois, Gabriel soltou um rosnado baixo e deu as últimas estocadas profundas, derramando-se dentro dela enquanto seu próprio prazer o dominava.
Eles ficaram ali por longos minutos, os corpos ainda unidos, as respirações tentando voltar ao normal. Gabriel se deitou ao lado dela, puxando-a para o seu peito e cobrindo ambos com o lençol.
— Isso foi... — começou Mirelle, mas as palavras pareciam insuficientes.
— Incrível — completou ele, beijando o topo da cabeça dela. — E eu ainda não terminei com você.
Mirelle sorriu contra a pele dele, sentindo o coração de Gabriel batendo forte contra seu ouvido.
— Bom saber — murmurou ela, as mãos começando a vagar novamente pelo peito dele. — Porque eu também não terminei com você.
A chuva continuava a cair lá fora, mas dentro daquele quarto, o único clima que importava era o calor que emanava de seus corpos, prometendo uma noite que estava apenas começando. Eles se perderam novamente em beijos e carícias, explorando um ao outro com a curiosidade de quem acabara de descobrir um tesouro, transformando o desejo em uma sinfonia de pele e prazer que ecoaria até o amanhecer.
