
Estrelas
Fandom: Mundo real
Criado: 08/08/2026
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Entre o Gelo e o Rock n' Roll
A cobertura de Kuro Hatake em Vancouver era o tipo de lugar que parecia ter sido projetado para fotos de revistas de arquitetura, mas que, naquele momento, cheirava a pizza e ao perfume floral suave de Tatsuyo. As luzes da cidade brilhavam através das enormes janelas de vidro que iam do chão ao teto, refletindo-se no piso de madeira escura.
Kuro estava jogado no sofá de couro, sua estrutura de 1,80m e músculos bem definidos ocupando quase todo o espaço. Ele vestia apenas uma calça de moletom cinza, deixando o abdômen trincado à mostra — o resultado de anos de treinos exaustivos no gelo como o prodígio do melhor time de hóquei da cidade. Ele girava o celular entre os dedos, os olhos castanhos brilhando com uma mistura de ansiedade e diversão.
— Você tem certeza de que está pronta para isso, Tatsy? — perguntou ele, a voz rouca e carregada de um carinho que ele só reservava para ela. — Sabe que, assim que eu apertar esse botão, as "Kurettes" vão entrar em colapso e os seus fãs de rock progressivo vão tentar analisar a métrica da nossa legenda.
Tatsuyo Nakamura, sentada ao lado dele com as pernas encolhidas, apertou as mãos nervosamente. A pele parda contrastava com o preto profundo de seus cabelos ondulados que caíam pelas costas. Ela era a força da natureza no palco, a mente brilhante por trás das letras profundas e viscerais da sua banda de rock, mas ali, no silêncio da cobertura, ela era apenas a garota de 1,63m que tinha pavor de ser o centro das atenções fora dos seus termos.
— Eu não sei se alguém está realmente pronto para a internet, Kuro — respondeu ela, soltando um suspiro longo. — Mas eu estou cansada de entrar pela garagem de serviço ou de fingir que somos "apenas bons amigos" quando alguém nos vê jantando. Eu quero poder segurar sua mão no rinque depois de um jogo.
Kuro sorriu, aquele sorriso ladino e convencido que derretia o gelo e o coração dela. Ele se inclinou, deixando o celular de lado por um momento, e puxou-a para mais perto.
— Você é a mulher mais corajosa que eu conheço. Escreve músicas que fazem marmanjos chorarem, mas tem medo de um monte de comentários no Instagram? — Ele roçou o nariz no dela, o tom ficando mais baixo e provocador. — Além disso, olhe para mim. Eu sou um troféu. Você deveria estar exibindo esse tanquinho para o mundo.
Tatsuyo revirou os olhos, embora um sorriso estivesse brincando em seus lábios.
— O seu ego é maior que a arena Rogers Arena, sabia?
— E é todo seu — rebateu ele, dando um selinho rápido nela antes de voltar a atenção para a tela do celular. — A foto ficou perfeita. O ângulo valorizou meus bíceps e, o mais importante, mostra o quanto você fica minúscula e fofa nos meus braços.
Eles olharam juntos para a tela. A foto fora tirada por um amigo comum na semana anterior. Era uma imagem em tons quentes, tirada de perfil. Kuro estava com as mãos firmes na cintura de Tatsuyo, puxando-a para si com uma possessividade suave. Ela, por sua vez, tinha uma mão mergulhada nos cabelos brancos e repicados dele, enquanto a outra repousava espalmada contra o peito largo do jogador, sentindo o batimento cardíaco que agora pertencia a ela. Eles estavam no meio de um beijo, o tipo de beijo que dizia que o resto do mundo não importava.
— A legenda... — Tatsuyo leu em voz baixa. — "Algumas jogadas são planejadas, outras são destino. E ela é a minha melhor pontuação. Um mês de nós, e o resto da vida pela frente." Kuro, isso é... surpreendentemente romântico vindo de alguém que passa o dia empurrando pessoas contra paredes de vidro.
— Ei! Eu tenho alma de poeta, só que escondida sob 15 quilos de equipamento — ele brincou, mas seus olhos mostravam a verdade. Ele estava completamente bobo por ela. — E a sua legenda? Deixe-me ver.
Tatsuyo mostrou o seu celular. Ela tinha optado por algo mais sutil, condizente com sua personalidade, mas não menos intenso. "Entre o caos das notas e o silêncio do gelo, eu encontrei meu ritmo. 1/12 de um ano que mudou tudo."
— Profundo. Misterioso. Rock n' roll — comentou Kuro, aprovando. — No três?
— No três.
Eles contaram juntos, os corações batendo em sincronia. No "três", ambos clicaram em "Compartilhar".
O silêncio que se seguiu na sala foi quase ensurdecedor. Por alguns segundos, nada aconteceu. Então, como uma avalanche, os celulares começaram a vibrar freneticamente. Notificações de curtidas, comentários e marcações subiam pela tela como códigos de computador em alta velocidade.
— Meu Deus — sussurrou Tatsuyo, bloqueando a tela do celular e jogando-o no outro canto do sofá como se ele estivesse pegando fogo. — Eu não quero ver. Eu não quero ler nada.
Kuro riu, pegando o celular dela e o dele, colocando-os na mesa de centro, virados para baixo.
— Então não olhe. O mundo pode esperar. Agora somos só nós dois aqui.
Ele se aproximou mais, o olhar mudando de brincalhão para algo mais intenso e carregado. Kuro tinha 21 anos e uma energia inesgotável, e Tatsuyo sabia muito bem que o lado "tarado" de seu namorado não demoraria a dar as caras agora que a tensão do anúncio tinha passado.
— Sabe, Tatsy... — começou ele, passando a mão pelo braço pardo dela, sentindo os arrepios que causava. — Agora que todo mundo sabe que você é minha, eu sinto que deveria comemorar de um jeito mais... privado.
Tatsuyo sentiu o rosto esquentar.
— Kuro, acabamos de postar! As pessoas estão provavelmente criando teorias da conspiração agora mesmo sobre como o "Golden Boy" do hóquei conheceu a "Rainha do Rock Alternativo".
— Deixe que eles teorizem — disse ele, a voz descendo uma oitava enquanto ele a puxava para o seu colo. — Eu prefiro a realidade. A realidade onde você está na minha cobertura, o cheiro do seu cabelo está me deixando louco e eu não preciso me preocupar com nenhum paparazzi nos seguindo.
— Você é impossível — ela murmurou, mas já estava entrelaçando os braços no pescoço dele, os dedos se perdendo naqueles fios brancos macios que ela tanto amava.
— Sou persistente — corrigiu ele, beijando a linha do maxilar dela. — E muito, muito apaixonado.
— Eu também — admitiu ela, a timidez dando lugar à entrega. — Embora eu ainda ache que suas fãs vão querer minha cabeça em uma bandeja.
— Se elas tentarem, eu as coloco no banco de punição — brincou Kuro, antes de silenciá-la com um beijo profundo.
Diferente do beijo da foto, este era lento e exploratório. Kuro a segurava como se ela fosse a coisa mais preciosa de sua vida, mas com a força de um atleta que sabia exatamente o que queria. A mão dele subiu pela lateral do corpo dela, parando na curva da cintura, apertando levemente.
Tatsuyo soltou um suspiro contra os lábios dele. Ela sempre se surpreendia com o contraste entre eles. Ele era o gelo, a força bruta, a luz branca dos holofotes. Ela era a sombra, a melodia complexa, a introspecção. Mas, ali, eles se encaixavam perfeitamente.
— Kuro... — ela tentou falar, mas ele a interrompeu com beijos curtos pelo pescoço.
— Só mais uma coisa — disse ele, afastando-se apenas o suficiente para olhá-la nos olhos. — Amanhã, quando você for ao ensaio da banda, o baixista ainda vai estar tentando entender por que você namora um "bruto do esporte"?
Tatsuyo riu, lembrando-se das conversas com seus companheiros de banda.
— A Sarah acha que você é um projeto de estudo. O baterista, o Kenji, quer saber se você consegue arranjar ingressos VIP para a final. E o guitarrista... bem, ele só quer saber se você vai me inspirar a escrever uma balada romântica ou um heavy metal de ódio se brigarmos.
— Diga a eles que a balada está garantida, mas o ódio vai ter que esperar — Kuro sorriu, pegando-a no colo e levantando-se do sofá com uma facilidade invejável. — Porque eu não pretendo deixar você ir a lugar nenhum.
Ele começou a caminhar em direção ao corredor dos quartos, a silhueta deles recortada contra a vista deslumbrante de Vancouver.
— Kuro! A pizza ainda está na mesa! — exclamou Tatsuyo, embora não estivesse realmente tentando descer.
— A pizza pode esfriar, Tatsy. Eu, por outro lado, estou apenas começando a aquecer.
Ela escondeu o rosto no ombro dele, rindo baixinho. A jornada que viria a seguir — o escrutínio da mídia, os fãs curiosos, as agendas lotadas entre jogos e turnês — certamente seria um desafio. Mas, enquanto estivessem dentro daquela bolha, protegidos pelas paredes de vidro da cobertura e pelo sentimento que crescera tão rápido em apenas um mês, ela sentia que podia enfrentar qualquer tempestade.
Kuro a colocou suavemente sobre a cama e se inclinou sobre ela, os olhos brilhando com aquela centelha de desejo e travessura que ela conhecia tão bem.
— Feliz um mês, minha estrela do rock — sussurrou ele.
— Feliz um mês, meu jogador favorito — respondeu ela, puxando-o para baixo para mais um beijo, deixando que o mundo exterior desaparecesse completamente, uma notificação por vez.
Lá fora, a internet estava em chamas. Milhares de comentários inundavam as fotos. Alguns chocados, outros encantados, muitos invejosos. Mas, na cobertura silenciosa, Kuro e Tatsuyo não ouviam nada além da respiração um do outro. O segredo havia acabado, mas a história de verdade estava apenas começando, escrita não em legendas de redes sociais, mas em cada toque, cada letra de música e cada vitória no gelo que agora teria um novo significado.
Kuro Hatake sempre fora bom em marcar gols, mas ele sabia, sem sombra de dúvida, que Tatsuyo Nakamura era o único prêmio que ele realmente fazia questão de manter para sempre. E Tatsuyo, que sempre encontrara refúgio nas palavras escritas, descobriu que o melhor capítulo da sua vida não precisava de rimas, apenas daquele garoto de cabelos brancos e sorriso atrevido que a amava mais do que qualquer fã jamais poderia imaginar.
