
Rock n' Roll
Fandom: Mundo real
Criado: 08/08/2026
Tags
Acordes de Distorção e Lençóis de Cetim
O sol de fim de tarde entrava pelas enormes vidraças da cobertura, pintando o chão de madeira escura com tons de laranja e dourado. Localizado no coração pulsante da metrópole, o apartamento era o refúgio de Kuro Hatake e Tatsuyo Nakamura, um santuário de luxo e silêncio que contrastava violentamente com o caos ensurdecedor dos palcos que eles dominavam.
Tatsuyo estava sentada no parapeito interno da janela, com um caderno de couro velho apoiado nos joelhos e uma caneta entre os lábios. Seus cabelos pretos e lisos caíam como uma cascata noturna sobre os ombros, emoldurando o rosto de traços delicados e pele parda. Ela estava concentrada, os olhos pretos fixos em uma estrofe que parecia não querer se encaixar. Para o mundo, ela era a frontwoman indomável da Iron Resonance, a banda de rock que estava revivendo o gênero com letras profundas e solos viscerais. Para Kuro, ela era apenas a sua Tatsuyo.
O som de passos leves ecoou pelo ambiente amplo. Kuro apareceu na porta da sala, secando o cabelo branco e curto com uma toalha. Ele estava sem camisa, exibindo o físico que fazia as fãs delirarem nos shows: 1,80m de altura, ombros largos, braços musculosos marcados por algumas veias e um abdômen definido que parecia esculpido em mármore.
Ele parou por um momento, apenas observando-a. O olhar castanho escuro de Kuro brilhou com aquela mistura de adoração e desejo que ele nunca fazia questão de esconder. Ele era o guitarrista da banda, o homem que traduzia a dor e a poesia de Tatsuyo em riffs pesados, mas, em casa, ele era o namorado que não conseguia ficar cinco minutos sem tocá-la.
— Você vai acabar furando o papel se continuar olhando para ele desse jeito — comentou Kuro, com um sorriso de canto, a voz rouca e provocadora.
Tatsuyo nem sequer desviou os olhos do caderno.
— O refrão está muito "limpo", Kuro. Precisa de mais peso, de algo que doa na alma, não apenas nos ouvidos.
Kuro jogou a toalha no sofá de couro e caminhou até ela. Ele se posicionou atrás da namorada, envolvendo-a com seus braços fortes e apoiando o queixo no ombro dela. O calor da pele dele era instantâneo, e o perfume de sabonete e testosterona invadiu os sentidos de Tatsuyo, fazendo-a finalmente soltar a caneta.
— Deixe a dor para o ensaio de amanhã com a loira e o baterista — sussurrou ele, beijando a curva do pescoço dela. — Agora, eu só quero que você sinta outra coisa.
Tatsuyo soltou um suspiro curto, sentindo o arrepio percorrer sua espinha. Ela fechou o caderno e se virou nos braços dele, passando as mãos pelo peito firme de Kuro.
— Você é um tarado incurável, sabia? — disse ela, com um sorriso pequeno, mas genuíno.
— Sou — admitiu ele, aproximando o rosto do dela. — Mas sou um tarado exclusivamente seu. E, tecnicamente, sou seu maior fã. Isso me dá privilégios, não dá?
— Depende do privilégio que você está buscando, Hatake.
Kuro riu, aquele som vibrante e sacana que Tatsuyo tanto amava. Ele a pegou pela cintura e a levantou do parapeito como se ela não pesasse nada, colocando-a no chão, mas mantendo-a prensada contra seu corpo.
— Eu estava pensando em algo que envolvesse menos roupas e mais... inspiração física.
— Kuro, eu realmente preciso terminar essa letra. A gravadora está pressionando e...
— A gravadora que se dane — interrompeu ele, a mão descendo perigosamente pelas costas dela. — A Iron Resonance é grande porque você escreve com verdade. E a verdade agora é que você está exausta e precisa de uma distração. Eu sou uma ótima distração, você sabe.
Tatsuyo olhou nos olhos dele. Kuro era o tipo "engraçadinho", sempre pronto com uma piada ou um comentário de duplo sentido, mas havia uma lealdade feroz nele. Ele a apoiava em cada nota, em cada crise criativa. Ele era o porto seguro dela no meio da tempestade da fama.
— A baixista ligou? — perguntou ela, tentando manter o foco no trabalho por mais alguns segundos.
— A loira? Ligou. Disse que o pedal novo dela chegou e que está pronta para explodir os tímpanos do baterista amanhã — Kuro respondeu, roçando o nariz no dela. — Mas chega de falar da banda. Vamos falar de nós.
Ele a beijou. Foi um beijo profundo, que começou lento e logo se tornou urgente, carregado da paixão que os dois nutriam há anos. Kuro a conduziu em direção ao quarto principal da cobertura, um espaço minimalista dominado por uma cama king-size e uma vista deslumbrante da cidade.
Ao entrarem no quarto, Kuro a soltou por um momento apenas para fechar as cortinas automatizadas, mergulhando o ambiente em uma penumbra sensual. Quando se voltou para ela, a expressão brincalhona tinha dado lugar a algo mais intenso.
— Você é a mulher mais incrível que eu já conheci, Tatsuyo — disse ele, a voz baixinha. — Às vezes eu olho para você no palco, cantando aquelas letras que saíram do fundo da sua mente, e eu mal consigo acreditar que você volta para casa comigo.
Tatsuyo caminhou até ele, desabotoando os primeiros botões da camisa de seda preta que usava.
— Eu não estaria em lugar nenhum sem você, Kuro. Você é a música por trás das minhas palavras.
Kuro sorriu, puxando-a para mais perto.
— Então vamos compor algo novo agora. Sem instrumentos, só a gente.
Ele a pegou no colo com facilidade, a força dos seus braços musculosos fazendo Tatsuyo se sentir pequena e protegida. Ele a deitou na cama e se posicionou sobre ela, sustentando o peso nos cotovelos para não esmagá-la. O tanquinho de Kuro roçava no corpo dela, e Tatsuyo não pôde evitar passar as unhas levemente pela pele dele, ouvindo o rosnado baixo de aprovação que ele soltou.
— Sabe — começou Kuro, voltando ao seu tom engraçadinho enquanto distribuía beijos pelo colo dela —, eu acho que o segredo do nosso sucesso é que eu sou louco por você. As pessoas sentem a química.
— Ou elas só gostam de ver você suado tocando guitarra — brincou ela, puxando o cabelo branco dele para trazer sua boca de volta à dela.
— Também — ele riu entre os beijos. — Mas o suor é todo seu depois do show.
A noite caiu sobre a cidade, e as luzes dos arranha-céus começaram a brilhar lá fora, mas dentro daquela cobertura, o mundo exterior não existia. Não havia turnês, não havia contratos, não havia críticos de música. Havia apenas o ritmo de dois corações que batiam na mesma frequência, uma melodia que só eles sabiam tocar.
Horas depois, Tatsuyo estava aninhada no peito de Kuro, ouvindo a respiração dele voltar ao normal. O cabelo branco dele estava bagunçado, e ele tinha um braço jogado por cima dela, prendendo-a em um abraço possessivo e carinhoso.
— Kuro? — chamou ela baixinho.
— Hum?
— Eu acho que terminei o refrão na minha cabeça.
Kuro soltou uma risada abafada e a apertou mais forte.
— Sério? Eu acabei de te dar o melhor momento da sua semana e você está pensando em trabalho?
— Não é trabalho — disse ela, levantando a cabeça para olhar para ele. — É sobre isso. Sobre como é bom ter para onde voltar quando o barulho lá fora fica alto demais.
Kuro suavizou o olhar. Ele inclinou a cabeça e beijou a testa dela com uma ternura que poucos teriam a chance de ver no guitarrista rebelde da banda.
— Então escreve, meu amor. Escreve tudo. Eu vou estar bem aqui quando você terminar.
Tatsuyo sorriu, sentindo-se completa. Ela sabia que, na manhã seguinte, eles estariam no estúdio, enfrentando a pressão, lidando com a energia explosiva da baixista loira e a batida frenética do baterista. Eles seriam astros do rock, ícones de uma geração. Mas ali, naquele momento, no silêncio da cobertura, eles eram apenas dois jovens de 20 e poucos anos, perdidamente apaixonados, vivendo a música mais bonita de todas: a vida que construíram juntos.
Kuro bocejou, a mão descendo para dar um tapinha leve e brincalhão no quadril dela.
— Mas só para constar — disse ele, recuperando o brilho tarado nos olhos —, se a música for um sucesso, eu quero créditos extras. Talvez uma fantasia nova?
Tatsuyo revirou os olhos, rindo enquanto lhe dava um soco leve no ombro.
— Você não tem jeito, Kuro Hatake.
— E é por isso que você me ama — finalizou ele, puxando o lençol sobre os dois e fechando os olhos, com um sorriso vitorioso no rosto.
