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Off love

Fandom: Off campus

Criado: 09/08/2026

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O Gelo que Queima

A risada de Hannah preencheu a sala de estar, um som cristalino e genuíno que, para Clara Logan, soava como unhas arranhando um quadro-negro. Sentada no canto do sofá, Clara fingia um interesse profundo na tela do seu celular, embora não estivesse absorvendo uma única palavra do artigo de moda que tentava ler.

Garrett Graham estava com o braço jogado casualmente sobre os ombros de Hannah. Ele parecia o epítome do capitão do time de hóquei relaxado: sorriso fácil, postura confiante e aquele brilho nos olhos que Clara conhecia bem demais. O brilho que, meses atrás, era direcionado exclusivamente a ela nos cantos escuros das festas ou no silêncio do seu quarto de dormitório.

— Sério, Garrett, você não consegue passar cinco minutos sem mencionar o seu próprio ego? — Hannah brincou, empurrando-o levemente.

— É um ego de tamanho profissional, Wells. Precisa de manutenção constante — Garrett respondeu, e então seus olhos cinzentos vagaram pela sala até encontrarem os de Clara. O sorriso dele mudou. Tornou-se afiado, quase cruel. — Não é mesmo, Clara? Você sempre teve muito a dizer sobre a minha autoconfiança.

Clara sentiu o sangue subir pelo pescoço. Ela ajustou a barra da sua blusa, sentindo-se desconfortável sob o olhar dele. Ser a irmã de Logan significava estar constantemente naquela casa, mas ser a ex-amante secreta de Garrett Graham tornava cada visita um campo minado.

— Eu diria que "autoconfiança" é um eufemismo generoso para o que você tem, Garrett — Clara retrucou, a voz carregada de um veneno que ela não conseguia esconder.

Logan, que estava entrando na sala com um pacote de salgadinhos, soltou um suspiro pesado.

— Lá vamos nós de novo. Vocês dois não conseguem ficar no mesmo ambiente sem se atacarem? É exaustivo.

— Ela que começou, Logan — Garrett disse, dando de ombros com uma indiferença fingida que fez o estômago de Clara revirar. — Mas a Clara sempre foi assim, não é? Desiste das coisas quando elas ficam um pouco complicadas demais. Como quando ela decidiu terminar o que quer que a gente... bem, você sabe.

O coração de Clara falhou uma batida. O segredo deles estava seguro apenas porque a blogueira da faculdade — que por acaso era uma das poucas pessoas que sabia da proximidade deles através de Logan — tinha prometido manter o sigilo em troca de um favor futuro. Mas Garrett adorava flertar com o perigo, jogando indiretas que só os dois entendiam.

— Eu não desisti de nada — Clara disse, levantando-se, a voz tremendo levemente de raiva. — Eu apenas parei de perder meu tempo com alguém que não sabe o significado de compromisso.

— Engraçado — Garrett levantou-se também, a tensão entre eles agora tão palpável que Hannah franziu a testa, confusa. — Eu lembro de ter sido você quem disse que "isso não ia a lugar nenhum" e bateu a porta.

— Porque não ia! — ela gritou, ignorando o olhar curioso de Hannah e o suspiro de derrota de seu irmão. — Você é um egocêntrico que só pensa no próximo jogo e em quem vai te adorar depois dele.

— E você é uma covarde que teve medo de sentir algo real! — Garrett deu um passo em direção a ela, a distância entre eles diminuindo perigosamente.

— Chega! — Logan interveio, colocando-se entre os dois. — Clara, vai esfriar a cabeça. Garrett, foca na sua namorada e para de cutucar minha irmã.

Clara não esperou. Ela girou nos calcanhares e marchou em direção ao corredor, subindo as escadas para o segundo andar. Ela precisava de um momento, de ar, de qualquer coisa que não fosse o cheiro do perfume de Garrett ou a visão da mão dele na cintura de Hannah. Ela entrou no banheiro social e trancou a porta, apoiando as mãos na pia e encarando seu reflexo.

Ela odiava o fato de que ainda se importava. Odiava que, mesmo sendo a "irmã gordinha e inteligente" que Logan sempre protegia, ela tivesse se permitido cair nos encantos do maior pegador da Briar. E odiava ainda mais que Garrett fizesse questão de lembrá-la, todos os dias, que ela o havia deixado antes que ele pudesse deixá-la.

Passaram-se apenas dois minutos antes que a maçaneta girasse violentamente.

— Está ocupado! — Clara gritou.

— Sou eu. Abre essa porta, Clara.

A voz de Garrett era baixa, rouca e carregada daquela autoridade irritante que ele usava no gelo.

— Vá embora, Garrett. Vá ficar com a sua namorada perfeita.

— A gente não terminou a conversa lá embaixo. Abre a droga da porta antes que eu a arrombe e seu irmão venha ver o que está acontecendo.

Clara bufou, mas sabia que ele não estava brincando. Ela destrancou a porta e a abriu apenas uma fresta. Garrett a empurrou para trás, entrando e fechando a porta com um clique seco, trancando-a novamente.

O espaço era pequeno. O calor que emanava dele era quase insuportável.

— O que você quer? — ela sibilou, cruzando os braços sobre o peito. — Quer me lembrar de novo que eu terminei com você? Parabéns, Garrett. Você ganhou o troféu de memória curta.

— Eu quero que você pare de agir como se eu fosse o vilão da história — ele disse, dando um passo à frente, forçando-a a recuar até que suas costas batessem na parede fria de azulejos. — Você fugiu. No momento em que as coisas ficaram reais, no momento em que eu parei de ser apenas o "Garrett do hóquei" e comecei a ser alguém que você realmente conhecia... você surtou.

— Eu não surtei! — Clara sentiu as lágrimas arderem em seus olhos. — Você nunca namora, Garrett. Todo mundo sabe disso. Eu não ia ser a garota que fica esperando você decidir se eu valho a pena ou não enquanto você desfila com metade do campus.

— Eu estava com você, não estava? — Ele colocou as mãos na parede, uma de cada lado da cabeça dela, prendendo-a. — Eu não estava com mais ninguém naquela época. Mas você não acreditou. Você preferiu acreditar nos boatos do que no que a gente tinha.

— O que a gente tinha era segredo! — ela rebateu. — Porque você tinha vergonha de mim? Porque eu não sou o tipo de garota que você costuma levar para os eventos do time?

O olhar de Garrett suavizou por um microssegundo antes de se tornar puro fogo.

— Você sabe que isso é mentira. Eu nunca tive vergonha de você. Foi você que pediu para manter segredo por causa do Logan. Não coloque isso em cima de mim.

A proximidade era agonizante. Clara podia sentir a respiração dele contra sua bochecha. O ódio e o desejo estavam tão entrelaçados que ela não conseguia mais distingui-los.

— Eu te odeio — ela sussurrou, embora suas mãos, traidoras, estivessem subindo para o peito dele, agarrando o tecido da sua camiseta.

— Odeia nada — Garrett murmurou, inclinando o rosto, a ponta do nariz roçando a dela. — Você está morrendo de ciúmes da Hannah. E você está morrendo de vontade de me beijar desde que entrou naquela sala.

— Você é um convencido...

— E você é uma mentirosa.

Garrett não esperou por outra resposta. Ele colou seus lábios nos dela em um beijo que não tinha nada de gentil. Era uma batalha de vontades, uma explosão de frustração acumulada durante semanas de silêncio e olhares atravessados. Clara gemeu contra a boca dele, suas mãos subindo para o cabelo dele, puxando-o com força, enquanto ele a suspendia pela cintura, sentando-a no balcão da pia.

— Garrett... a Hannah... — ela tentou dizer entre beijos sôfregos.

— Ela está lá embaixo. O Logan está lá embaixo — ele murmurou, descendo os beijos para o pescoço dela, encontrando aquele ponto sensível logo abaixo da orelha que a fazia perder a razão. — E você está aqui. Comigo.

Clara sabia que era errado. Sabia que isso só tornaria as coisas dez vezes mais complicadas no dia seguinte, quando eles voltariam a trocar insultos na frente de todos. Mas quando as mãos de Garrett deslizaram por baixo de sua blusa, encontrando a curva de sua cintura e apertando com uma possessividade que a fazia se sentir a única mulher no mundo, ela esqueceu Hannah. Esqueceu o blog. Esqueceu até o próprio irmão no andar de baixo.

— Você é minha — ele sussurrou contra a pele dela, a voz carregada de uma promessa sombria. — Não importa quem eu esteja namorando, não importa quem você tente encontrar para me substituir. Você sabe que é minha.

— Eu não sou de ninguém — ela respondeu, embora estivesse puxando a camiseta dele para cima, querendo sentir o calor da pele dele contra a sua.

— Veremos.

O som da respiração pesada e o atrito dos corpos eram os únicos ruídos no banheiro pequeno. A briga, como sempre acontecia quando estavam sozinhos, tinha se transformado em algo muito mais volátil e viciante. Eles se destruíam com palavras apenas para se reconstruírem com toques.

Minutos depois, ou talvez horas — o tempo não existia ali dentro —, Clara tentava ajeitar o cabelo no espelho, as bochechas coradas e os lábios inchados. Garrett estava encostado na porta, observando-a com um sorriso de satisfação que a fazia querer socá-lo e beijá-lo novamente.

— Você vai primeiro — ela disse, tentando recuperar a compostura. — E limpa esse sorriso da cara.

— Por que? — ele perguntou, aproximando-se e roubando um último selinho rápido. — Todo mundo sabe que a gente se odeia, Clara. Eles só vão achar que eu ganhei a discussão.

— Você é insuportável.

— E você está louca para repetir isso amanhã.

Garrett destrancou a porta e saiu, recomposto como se nada tivesse acontecido. Clara esperou alguns minutos, ouvindo o som dos passos dele descendo as escadas e a voz dele voltando ao tom casual enquanto falava com Hannah.

Ela respirou fundo, limpando um borrão de batom no canto da boca. O ciclo continuava. O ódio público, a paixão privada e a mentira que sustentava tudo aquilo. Ela sabia que precisava parar, que merecia mais do que ser um segredo guardado entre quatro paredes e brigas de fachada.

Mas enquanto caminhava de volta para a sala e via o olhar cúmplice e desafiador que Garrett lançou para ela por cima do ombro de Hannah, Clara soube que ainda não estava pronta para abrir mão daquele fogo. Mesmo que ele acabasse por queimá-la completamente.

— Tudo bem, Clara? — Hannah perguntou, com uma expressão de preocupação genuína quando Clara se sentou novamente. — Você parece um pouco... cansada.

Clara forçou um sorriso, sentindo o peso do olhar de Garrett sobre si.

— Estou bem, Hannah. Só um pouco de dor de cabeça. Algumas coisas são simplesmente difíceis de digerir.

— Eu imagino — Hannah sorriu, voltando a se encostar em Garrett. — Mas não deixe o Garrett te irritar tanto. Ele gosta de provocar quem ele gosta.

Clara sentiu um arrepio. Se Hannah soubesse o quanto Garrett gostava de provocá-la, a paz naquela casa terminaria em um segundo.

— Ah, eu sei exatamente o que ele gosta — Clara murmurou, pegando o celular novamente.

Do outro lado do sofá, Garrett soltou uma risada baixa, uma que só Clara entendeu. A guerra fria continuava, mas as batalhas noturnas eram o que realmente importava. E, por enquanto, Clara Logan estava disposta a ser a única a conhecer o verdadeiro Garrett Graham, mesmo que o preço fosse o seu próprio coração.

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