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Fandom: Nenhum

Criado: 10/08/2026

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RomanceDramaDor/ConfortoFatias de VidaHistória DomésticaGravidez Não Planejada/IndesejadaRealismo
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Entre Linhas e Laços de Cetim

O estúdio de Emanuel, localizado no vigésimo andar de um dos prédios mais luxuosos da cidade, cheirava a tinta fresca, antisséptico e ao perfume caro de Sara. Ele estava sentado em sua cadeira de couro, observando o movimento da rua lá embaixo através da parede de vidro. Aos vinte e cinco anos, Emanuel construíra um império. Seus estúdios de tatuagem eram referências mundiais, mas, naquele momento, sua mente não estava focada em negócios ou em novos designs de agulha.

— Você está pensando nela de novo, não está? — A voz de Sara ecoou pelo ambiente, carregada de uma ironia que, para quem não a conhecia, soaria como ataque, mas para Emanuel, era apenas a transparência absoluta que os unia.

Sara estava esparramada em um sofá de veludo vermelho. A gravidez de cinco meses já era bem visível sob o vestido justo de seda preta que ela usava. O decote era generoso, destacando o silicone e a pele bronzeada. Ela era o oposto da discrição: loira, vibrante, com lábios pintados de um vermelho escarlate e uma presença que preenchia cada centímetro do estúdio.

Emanuel virou a cadeira, o rosto sério e os olhos cansados encontrando os dela.

— Eu sempre penso nela, Sara. Você sabe disso.

— Eu sei, meu amor. E eu já te disse que não mordo... pelo menos não por causa disso — Sara riu, uma risada rouca e confiante. Ela se levantou com certa dificuldade, levando a mão à barriga onde Ágata crescia. — Eu amo você. E se a pequena Eduarda é o que completa esse seu coração sistemático e protetor, por que diabos a gente está perdendo tempo?

Emanuel suspirou, passando a mão pelo cabelo curto. Ele amava Sara com uma intensidade racional e carnal. Ela era sua âncora, a mulher que aguentava seus surtos de controle e sua rigidez. Mas Eduarda... Eduarda era o silêncio que ele precisava depois de um dia de barulho.

— Ela está grávida, Sara. O desgraçado do namorado sumiu assim que soube. Ela está frágil.

— Exatamente — Sara caminhou até ele, sentando-se em seu colo sem a menor cerimônia, ignorando o peso da barriga. Ela segurou o rosto dele com as mãos perfeitamente manicuradas. — Ela precisa de alguém como você. E, honestamente, eu gosto da garota. Ela é doce, não é uma ameaça para mim. Ela é como um passarinho que precisa de um ninho. E o nosso ninho é grande o suficiente, Emanuel. Conte para ela.

Emanuel fechou os olhos, sentindo o calor de Sara. A ideia de ter as duas, de proteger as duas, era o que realmente traria paz ao seu espírito controlador.


Do outro lado da cidade, no centro cultural onde funcionava a escola de ballet, Eduarda terminava de ajustar as sapatilhas de uma de suas alunas pequenas. O espelho da sala refletia uma imagem que ainda a assustava: a curva suave de sua barriga de cinco meses sob o collant de lycra rosa pálido.

Maya. Esse era o nome que ela escolhera.

Eduarda levantou-se lentamente, sentindo a leve dor nas costas que se tornara sua companheira constante. Aos vinte anos, cursando História da Arte e ensinando ballet, ela sentia que o mundo era pesado demais para seus ombros esguios. O abandono do pai de Maya a deixara em um estado de retração ainda maior do que sua timidez natural já impunha.

— Tudo bem por hoje, meninas. Podem ir — disse ela com sua voz suave, quase um sussurro.

Ela começou a guardar suas coisas quando a porta da sala se abriu. Emanuel estava parado ali. Ele parecia um gigante naquele ambiente de tules e fitas de cetim. Vestia uma camiseta preta simples que marcava seus braços tatuados e uma calça jeans escura. Sua presença trazia uma estabilidade imediata ao ar.

— Emanuel? — Eduarda sorriu, e o brilho em seus olhos castanhos era genuíno. — O que faz aqui?

— Vim te buscar — disse ele, aproximando-se com passos firmes. Ele parou a poucos centímetros dela, seus olhos descendo automaticamente para a barriga de Eduarda. — Você parece cansada, Duda.

— É a Maya. Ela resolveu que hoje era dia de chutar tudo o que encontra pela frente — ela comentou, encostando-se na barra de alongamento, buscando apoio.

Emanuel, sem pedir permissão, deu um passo à frente e colocou a mão sobre a barriga dela. Eduarda estremeceu levemente, não de medo, mas de uma sensação de segurança que só ele conseguia prover.

— Ela está agitada mesmo — Emanuel comentou, a voz ficando mais rouca. — Você não deveria estar fazendo tanto esforço.

— Eu preciso trabalhar, Manu. E os meus pais... eles ajudam, mas eu quero ser capaz de cuidar dela sozinha.

— Você não vai estar sozinha — ele afirmou, a rigidez de sua postura denunciando a seriedade do que estava prestes a dizer. — Nunca.

Emanuel pegou a bolsa dela.

— Vamos. A Sara está esperando a gente para jantar. Ela fez questão de que eu te levasse.

Eduarda hesitou. Ela adorava Sara, embora a personalidade extravagante da loira a deixasse um pouco intimidada às vezes. Sara era tudo o que Eduarda não era: segura, vocal, imponente.

— Ela tem certeza? Eu não quero atrapalhar o momento de vocês. A Ágata também deve estar exigindo atenção.

— Sara nunca fala nada que não tenha certeza, Duda. E ela sente sua falta.

O caminho até o apartamento de Emanuel e Sara foi silencioso, mas não desconfortável. Emanuel dirigia com uma mão no volante e a outra ocasionalmente repousando sobre o joelho de Eduarda, um gesto de proteção que ele sempre tivera, mas que agora parecia carregar um peso diferente.

Quando chegaram à cobertura, o cheiro de comida italiana preenchia o ar. Sara estava na cozinha, ou melhor, sentada na bancada da cozinha enquanto um chef particular terminava os preparativos. Ela brilhava sob as luzes de LED.

— A minha grávida favorita chegou! — Sara exclamou, descendo da bancada e indo abraçar Eduarda. O contraste era quase cômico: Sara com seu vestido justo e maquiagem impecável, e Eduarda com seu vestido de algodão solto, o cabelo preso em um coque frouxo e o rosto limpo.

— Oi, Sara — Eduarda respondeu, sendo envolvida pelo perfume forte da amiga. — Você está linda.

— Eu estou imensa, querida, mas obrigada pelo elogio. A Ágata decidiu que quer ser uma gigante como o pai — Sara piscou para Emanuel, que apenas observava as duas, encostado no batente da porta com os braços cruzados.

O jantar transcorreu entre risadas de Sara e observações pontuais de Emanuel. Eduarda sentia-se acolhida, mas havia uma tensão elétrica no ar que ela não conseguia identificar. Emanuel não tirava os olhos dela, e Sara parecia estar assistindo a um filme cujo final ela já conhecia e aprovava.

Depois da sobremesa, Sara levantou-se, fingindo um bocejo dramático.

— Eu vou me deitar um pouco. Meus pés estão parecendo dois pães italianos. Emanuel, por que você não leva a Duda para ver a vista da varanda? O céu está limpo hoje.

Ela passou por Emanuel e deu um beijo rápido em seus lábios, sussurrando algo no ouvido dele que fez o tatuador cerrar os punhos levemente. Em seguida, deu um beijo na bochecha de Eduarda.

— Fica tranquila, Duda. A casa é sua.

Quando Sara saiu, o silêncio caiu sobre a sala. Emanuel fez um sinal para a varanda e Eduarda o seguiu. O vento da noite balançou o vestido leve dela, e ela abraçou o próprio corpo, sentindo um calafrio.

Imediatamente, Emanuel estava atrás dela, envolvendo-a com seus braços, protegendo-a do vento. Eduarda relaxou o peso do corpo contra o peito dele. Era tão natural, tão certo.

— Duda — ele começou, a voz vibrando contra as costas dela. — Eu preciso te contar uma coisa. E eu preciso que você me ouça até o fim, sem se assustar.

Eduarda virou-se nos braços dele, o olhar intuitivo captando a seriedade e a vulnerabilidade rara nos olhos de Emanuel.

— O que foi, Manu? Aconteceu algo com o bebê? Com a Sara?

— Não. Está tudo bem com elas. O problema... ou a solução... sou eu.

Ele respirou fundo, a lógica lutando contra a emoção, mas desta vez, a proteção falava mais alto.

— Eu amo a Sara. Ela é a minha vida, a mãe da minha filha. Mas eu também amo você, Eduarda. De um jeito diferente, mas com a mesma intensidade. Eu passo os meus dias querendo saber se você comeu, se você está bem, se aquele idiota que te deixou ainda te faz chorar. Eu quero cuidar da Maya como se ela fosse minha, assim como cuido da Ágata.

Eduarda arregalou os olhos, a respiração falhando.

— Manu... a Sara... ela...

— Ela sabe — ele a interrompeu, segurando seu rosto com as duas mãos, os polegares acariciando suas maçãs do rosto. — Ela sabe e ela quer isso tanto quanto eu. Nós não queremos que você seja uma visita, Duda. Queremos que você seja parte disso. Parte de nós.

— Eu... eu não sei o que dizer — Eduarda gaguejou, sentindo as lágrimas inundarem seus olhos. — Eu sempre me senti segura com você, Emanuel. E eu sempre tive medo de que esse sentimento fosse errado porque você está com ela.

— Não é errado se todos nós quisermos a mesma coisa — ele encostou a testa na dela. — Eu sou um homem prático, Duda. E a prática me diz que eu não consigo mais viver sem ter vocês duas sob o meu teto, sob a minha proteção.

Eduarda olhou para a sala, onde Sara havia acabado de sair, e depois voltou para o homem à sua frente. A insegurança que sempre a perseguia parecia menor diante da solidez de Emanuel.

— Ela realmente não se importa? — perguntou Eduarda em voz baixa.

— Ela te incentivou a vir hoje. Ela quer que sejamos uma família.

Emanuel a puxou para um abraço apertado, e Eduarda escondeu o rosto em seu pescoço, chorando baixinho de alívio. Pela primeira vez em meses, o peso da gravidez solitária desapareceu.

— Eu quero — ela sussurrou contra a pele dele. — Eu quero muito.

Emanuel fechou os olhos, sentindo a tensão acumulada de semanas finalmente se esvair. Ele tinha o controle de novo, mas não um controle imposto, e sim um equilíbrio delicado.

Naquela noite, a casa de Emanuel não abrigava apenas um casal e uma promessa de futuro. Abrigava o início de algo complexo, incomum e profundamente honesto. Sara, observando da fresta da porta do quarto, sorriu para si mesma antes de se deitar. Ela sabia que a vida seria um caos com duas crianças e três adultos, mas seria o caos dela, e Emanuel finalmente teria a paz que tanto buscava.

Afinal, para um homem que desenhava o destino na pele das pessoas, ele finalmente tinha conseguido traçar o desenho perfeito para sua própria vida.

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