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amigas?

Fandom: não tem

Criado: 10/08/2026

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O Reflexo Além da Tela

O zumbido constante da turbina do avião parecia ditar o ritmo das batidas do coração de Sn. Ela apertou as mãos sobre o colo, sentindo a textura da calça jeans contra a pele, um lembrete físico de que não estava mais sonhando. Por três anos, sua vida tinha sido mediada por pixels, chamadas de vídeo de madrugada e mensagens de texto que preenchiam os vazios da solidão. Agora, o céu azul do lado de fora da janela estava prestes a ser substituído pelo chão firme da cidade de Lena.

Sn conferiu o reflexo na pequena janela. Seus cabelos lisos e escuros estavam um pouco bagunçados pela viagem, e os olhos amendoados carregavam uma mistura de exaustão e euforia. Ela sempre se sentira um pouco tímida em relação ao próprio corpo, mas hoje, vestindo sua blusa favorita que acentuava suas curvas, sentia-se pronta. Ou quase pronta.

Quando o avião finalmente tocou a pista, o estômago de Sn deu um solavanco.

— É agora — sussurrou para si mesma, pegando a mochila no compartimento superior.

O desembarque foi um borrão de rostos desconhecidos e anúncios de alto-falante. Cada passo em direção ao portão de saída parecia durar uma eternidade. O celular vibrou no bolso.

Lena: "Acabei de estacionar! Estou na frente do portão 4. Sn, eu tô tremendo!"

Sn sorriu, os dedos voando pelo teclado.

Sn: "Tô saindo agora. Procura a baixinha com cara de perdida."

Ao atravessar as portas automáticas, o ar condicionado do aeroporto foi substituído por uma brisa morna e o som caótico de reencontros. Sn parou por um segundo, varrendo o saguão com o olhar. E então, ela a viu.

Lena estava encostada em um pilar, segurando o celular com as duas mãos. Ela era exatamente como Sn imaginava, mas ao mesmo tempo, a realidade era muito mais vibrante. A pele branca parecia brilhar sob as luzes fluorescentes, e a franja reta emoldurava perfeitamente seus olhos amendoados, que buscavam freneticamente pela multidão. Ela usava um vestido justo que realçava seu corpo curvilíneo, e a baixa estatura a tornava ainda mais adorável pessoalmente.

Os olhos de Lena finalmente encontraram os de Sn. O tempo pareceu parar.

— Sn! — O grito de Lena foi abafado pelo barulho do aeroporto, mas Sn leu seus lábios.

Lena correu. Não foi uma corrida elegante de filme; foi um desespero alegre, tropeçando nos próprios pés até envolver Sn em um abraço que quase as derrubou. O cheiro de baunilha e shampoo de Lena invadiu os sentidos de Sn, tornando tudo real.

— Você está aqui — soluçou Lena, apertando o rosto no ombro de Sn. — Você é de verdade.

— Eu sou de verdade — respondeu Sn, enterrando as mãos nos cabelos lisos da amiga. — E você é muito mais bonita do que na câmera, Lena.

Elas se afastaram apenas o suficiente para se olharem. Lena tinha as bochechas coradas e um sorriso que parecia iluminar todo o saguão.

— E você é... meu Deus, Sn — disse Lena, descendo o olhar pelas curvas da amiga antes de voltar aos olhos dela. — Eu achei que a tela do meu celular te deixava bonita, mas eu estava errada. Você é perfeita.

— Vamos sair daqui antes que eu comece a chorar no meio do aeroporto — brincou Sn, embora sua voz estivesse embargada.

O caminho até a casa de Lena foi preenchido por uma conversa caótica. Elas tentavam falar tudo o que não tinham dito nas últimas horas, interrompendo-se constantemente com risadas e toques sutis no braço ou na mão, apenas para confirmar que a outra ainda estava ali.

Quando chegaram ao apartamento de Lena, um refúgio aconchegante cheio de plantas e livros, Sn sentiu um peso sair de seus ombros.

— Sinta-se em casa — disse Lena, jogando as chaves na mesa da entrada. — Bem, tecnicamente, esta é a sua casa pelos próximos dez dias.

Sn caminhou até a janela, observando a vista da cidade, enquanto Lena deixava a mala no quarto. O silêncio que se seguiu não era desconfortável, mas carregado de uma nova eletricidade. A distância tinha sido a barreira que as protegera de certas tensões, e agora, essa barreira tinha evaporado.

— O que foi? — perguntou Lena, aproximando-se e parando ao lado dela.

— É estranho — comentou Sn, virando-se para encarar a amiga. — Eu sinto que te conheço a vida inteira, mas ao mesmo tempo, quero redescobrir cada detalhe seu.

Lena sorriu, um brilho travesso surgindo em seus olhos amendoados. Ela deu um passo à frente, diminuindo o espaço entre elas. Ambas eram baixas, o que as deixava perfeitamente alinhadas.

— Podemos começar agora — sugeriu Lena em voz baixa.

— Por onde? — Sn sentiu o coração acelerar.

— Bom — Lena estendeu a mão, afastando uma mecha do cabelo liso de Sn para trás da orelha —, eu sempre quis saber se sua pele era tão macia quanto parece nas fotos.

Os dedos de Lena tocaram a bochecha de Sn, deslizando lentamente até o maxilar. O toque era leve, mas enviou arrepios por todo o corpo de Sn. Ela fechou os olhos por um momento, aproveitando a sensação.

— E então? — sussurrou Sn.

— É melhor — respondeu Lena, a voz agora um pouco mais rouca.

Sn tomou coragem e envolveu a cintura de Lena com os braços. A proximidade permitia que sentissem o calor uma da outra. A estrutura curvilínea de Lena se encaixava perfeitamente contra a dela, um quebra-cabeça que esperou anos para ser montado.

— Eu tive medo de que fosse estranho pessoalmente — admitiu Sn, olhando para a franja de Lena que agora estava levemente bagunçada.

— Estranho? — Lena riu baixinho, colocando as mãos nos ombros de Sn. — Sn, eu estou segurando o fôlego desde que você saiu daquele portão de desembarque.

— Eu também.

— Sabe o que é mais engraçado? — perguntou Lena, inclinando a cabeça.

— O quê?

— Que passamos tanto tempo conversando sobre tudo, mas agora que você está aqui, eu perdi as palavras.

Sn sorriu, sentindo uma onda de afeto e desejo que nunca tinha experimentado com tanta intensidade através de uma webcam. Ela deslizou as mãos pelas costas de Lena, sentindo a curva de sua silhueta.

— Talvez não precisemos de palavras agora — disse Sn.

Lena não respondeu com frases. Em vez disso, ela se inclinou, eliminando os últimos centímetros de distância. O beijo começou tímido, um teste de texturas e sabores, mas rapidamente se transformou em algo profundo e faminto. Era o encontro de duas almas que se conheciam intimamente, mas cujos corpos eram estranhos ansiosos por intimidade.

As mãos de Lena subiram para a nuca de Sn, puxando-a para mais perto, enquanto Sn a segurava com firmeza, temendo que, se soltasse, Lena pudesse desaparecer de volta para dentro de uma tela de computador.

Quando se separaram, ambas estavam arfantes, as testas encostadas uma na outra.

— Definitivamente melhor que a internet — ofegou Lena, abrindo um sorriso radiante.

— Muito melhor — concordou Sn, rindo.

Lena pegou a mão de Sn e a puxou em direção ao sofá.

— Vem, eu pedi pizza antes de ir buscar você. Deve chegar a qualquer momento. Vamos comer, colocar um filme ruim e apenas... ser a gente. Sem lag, sem conexão caindo.

— Apenas a gente — repetiu Sn, sentando-se ao lado dela e permitindo que Lena descansasse a cabeça em seu corpo.

Enquanto esperavam, Sn olhou para baixo, observando como suas mãos entrelaçadas pareciam certas. O cabelo liso de Lena espalhava-se por seu colo, e a sensação de ter a amiga — e talvez algo mais — ali, ao alcance do toque, era a melhor viagem que ela já fizera.

A distância tinha sido longa, os anos tinham sido de espera, mas ali, naquele pequeno apartamento, o mundo virtual finalmente tinha se tornado carne, osso e um amor que não precisava mais de sinal de Wi-Fi para existir.

— Sn? — chamou Lena, fechando os olhos enquanto recebia um carinho no rosto.

— Oi?

— Não vai embora nunca, tá?

Sn sorriu, beijando o topo da cabeça da amiga.

— Eu acabei de chegar, Lena. E, sinceramente? Acho que nunca estive tão em casa.

A campainha tocou, quebrando o momento, mas o sorriso que compartilharam antes de Lena se levantar para atender a porta dizia tudo. A jornada delas estava apenas começando, e desta vez, seria escrita lado a lado, curva a curva, olhar a olhar.

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