
HP
Fandom: Harry Potter
Criado: 10/08/2026
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O Preço da Proteção nas Sombras de Prata e Ouro
O corredor que levava ao Salão Principal de Hogwarts exalava um cheiro pesado de poder e submissão. Ron Weasley sentia o frio das pedras atravessar as meias 3/4 que cobriam suas coxas, mas não se atrevia a se mexer. Ele era uma estátua de porcelana ruiva, meticulosamente moldada pelos caprichos de Draco Malfoy. A saia xadrez, curta o suficiente para ser provocante e longa o suficiente para marcar seu status, roçava em sua pele pálida sempre que um calafrio o percorria.
Ron mantinha o olhar fixo no chão, contando as ranhuras nas pedras. Ele evitava olhar para o lado, onde o som ruidoso e úmido de um ômega da Corvinal sendo humilhado ecoava pelas paredes. Era um som que Ron conhecia bem — não por experiência própria, graças aos deuses, mas por testemunhar a nova ordem mundial da escola. Desde que o Ministério e a diretoria haviam sucumbido à "Lei da Natureza", Hogwarts havia se tornado um campo de caça. Alphas comuns usavam betas e ômegas como bem entendiam, descartando-os como pergaminhos velhos.
Mas Ron era diferente. Ele tinha uma coleira.
O couro verde-escuro, frio e apertado em seu pescoço, carregava as iniciais "DM" em prata legítima. Para qualquer outro estudante, aquilo era um símbolo de escravidão. Para Ron, naquele ambiente hostil, era seu único escudo. Ninguém tocava na propriedade de um Alpha Prime. Ninguém sequer ousava olhar por muito tempo para o que pertencia a Draco Malfoy.
Um movimento rápido ao seu lado o fez sobressaltar. O cheiro de sândalo e canela, misturado com um toque de ansiedade, denunciou o recém-chegado. Harry Potter encostou-se na parede ao lado de Ron, ofegante. O uniforme de Harry era idêntico ao de Ron, embora a saia do moreno fosse em tons de verde e prata, indicando sua ligação com a Sonserina.
— Ele já chegou? — sussurrou Harry, a voz falha enquanto tentava ajeitar os óculos que teimavam em escorregar.
— Ainda não — Ron respondeu em um fio de voz, sem levantar a cabeça. — Mas Blaise deve estar logo atrás dele. Você está atrasado, Harry. Sabe que ele odeia esperar.
Harry estremeceu, as mãos pequenas apertando o tecido da saia.
— O despertador não tocou... ou eu não ouvi. Se Blaise ficar zangado...
— Ele não vai — Ron tentou confortá-lo, embora soubesse que Alphas Primes eram imprevisíveis. — Ele adora você. Mas tente não olhar para o que está acontecendo ali no meio.
Ron indicou com um leve movimento de queixo o grupo da Grifinoria que agora se divertia com o pobre ômega da Corvinal. O choro abafado do garoto no chão era de partir o coração, mas a autopreservação falava mais alto. Se eles interferissem, seriam punidos não pelos agressores, mas pelos seus próprios Alphas por se envolverem em "assuntos de castas inferiores".
Subitamente, o ar no corredor pareceu ficar mais denso. A temperatura caiu alguns graus, e o burburinho dos outros alunos silenciou quase instantaneamente. O som de passos firmes e rítmicos ecoou, anunciando a chegada da realeza de Hogwarts.
Draco Malfoy liderava o grupo. Ele vestia o uniforme da Sonserina com uma elegância impecável, a capa negra flutuando atrás dele como as asas de um corvo. Seus olhos cinzentos, frios e calculistas, varreram o corredor, ignorando a cena de abuso no centro como se fosse apenas uma mancha na tapeçaria. Ao seu lado, Blaise Zabini exibia um sorriso arrogante, sua postura relaxada escondendo a força brutal de um Alpha Prime. E, completando o trio, Theodore Nott caminhava com uma energia selvagem, os olhos fixos em algo — ou alguém — com uma intensidade predatória.
O que chamou a atenção de Ron, no entanto, foi quem Theodore trazia pela mão.
Neville Longbottom, um beta que sempre fora conhecido por sua timidez e desajeito, caminhava ao lado de Nott. Neville usava uma saia semelhante à deles, as pernas trêmulas evidenciando seu desconforto, e uma coleira de couro preto com um "TN" gravado. Ele parecia em choque, como se ainda não tivesse processado que sua vida como um estudante comum havia acabado no momento em que Nott o reivindicara.
Draco parou exatamente na frente de Ron. O silêncio era absoluto.
— Olhe para mim, Weasley — a voz de Draco era um comando suave, mas carregado de uma autoridade que fazia os ossos de Ron vibrarem.
Ron obedeceu. Ele levantou a cabeça lentamente, encontrando o olhar de Draco. O Alpha estendeu a mão e tocou o queixo de Ron, virando o rosto do ruivo de um lado para o outro, inspecionando sua mercadoria.
— Você está impecável — comentou Draco, os dedos deslizando para a coleira verde, puxando-a levemente para que Ron desse um passo à frente. — O sapato incomoda?
— Um pouco, Draco — Ron admitiu, a voz sumindo sob o peso do olhar do outro. — Mas eu usei como você pediu.
— Bom garoto — Draco deu um sorriso de canto, um brilho de possessividade cruzando seus olhos. — Eu não tolero desobediência, você sabe disso. Mas eu premio a lealdade.
Ao lado deles, Blaise já havia envolvido Harry em um abraço possessivo por trás, enterrando o rosto no pescoço do moreno e inspirando profundamente.
— Você está atrasado, gatinho — Blaise murmurou, a voz vibrando contra a pele de Harry. — Sorte sua que eu estou de bom humor hoje.
Harry fechou os olhos, relaxando contra o peito de Blaise.
— Desculpe, Blaise. Não vai acontecer de novo.
Enquanto isso, Theodore Nott permanecia em silêncio, mas sua mão nunca soltava a de Neville. O beta parecia querer desaparecer, especialmente quando os dois Alphas comuns que estavam abusando do ômega da Corvinal olharam para Neville com deboche.
Um dos Alphas, um segundanista atrevido, riu baixo.
— Olha só, o Longbottom virou cadelinha do Nott. Quem diria que um beta sem sal serviria para...
O comentário morreu na garganta do garoto antes mesmo de ser finalizado. Em um borrão de movimento, Theodore Nott atravessou o espaço entre eles. Ele não sacou a varinha. Ele simplesmente agarrou o pescoço do Alpha comum e o prensou contra a parede com uma mão só, tirando os pés do garoto do chão.
— Repita — rosnou Theodore, a voz soando como um animal selvagem. — Repita o que você disse sobre o meu companheiro.
O garoto engasgou, o rosto ficando roxo. Os outros Alphas ao redor recuaram imediatamente, o medo estampado em seus rostos. Ninguém desafiava um Prime, especialmente o mais instintivo deles.
— Theo, pare — a voz de Neville soou pequena, mas firme. — Por favor. Não vale a pena.
Theodore lançou um último olhar de puro ódio ao garoto antes de soltá-lo. O Alpha comum caiu no chão, tossindo e tentando recuperar o fôlego, enquanto o ômega da Corvinal aproveitava a distração para fugir, trêmulo.
Nott voltou para o lado de Neville, passando um braço protetor pela cintura do beta e puxando-o para perto.
— Ele é meu — declarou Theodore para o corredor inteiro, sua voz ecoando. — Se alguém sequer respirar na direção dele sem minha permissão, eu garanto que não sobrará nada para ser enterrado.
Draco observou a cena com um tédio divertido. Ele voltou sua atenção para Ron, ajeitando uma mecha de cabelo ruivo que estava fora do lugar.
— Vamos? — Draco perguntou, embora não fosse realmente uma pergunta. — O café da manhã nos espera. E eu não gosto de ver o meu ômega perto dessa escória por muito tempo.
Ron assentiu, sentindo a mão de Draco descer para sua cintura, apertando-a com firmeza. Era um toque proprietário, mas, estranhamente, Ron sentiu um alívio percorrer seu corpo. Ali, sob a asa de Draco Malfoy, ele estava seguro. Ele não seria o garoto no chão do corredor. Ele não seria usado por dez Alphas diferentes em uma noite. Ele era de Draco, e Draco cuidava do que era seu.
Enquanto caminhavam em direção às portas duplas do Salão Principal, o mar de alunos se abria para deixá-los passar. Ron mantinha a cabeça erguida agora, a saia balançando levemente a cada passo dado nos saltos caros. Ele podia sentir os olhares de inveja e desejo, mas nenhum deles se atrevia a cruzar a linha invisível que Draco desenhara ao redor dele.
— Você está quieto, Ron — Draco comentou enquanto cruzavam o limiar do Salão. — No que está pensando?
— No quanto as coisas mudaram — Ron respondeu sinceramente, olhando para Harry e Neville que vinham logo atrás, cada um seguro pelo seu respectivo Alpha. — E no quanto eu odiava você há um ano.
Draco soltou uma risada curta e sem humor, parando perto da mesa da Sonserina, onde os lugares de honra estavam reservados para eles.
— O ódio é uma emoção muito próxima da obsessão, Weasley. Eu sempre soube que você acabaria nos meus braços. Só precisei esperar que o mundo mostrasse a você que o único lugar seguro é ao meu lado.
Ele puxou a cadeira para Ron, um gesto de cavalheirismo que contrastava brutalmente com a coleira no pescoço do ruivo.
— Sente-se. Coma. Você precisa estar bem alimentado para o que planejei para esta noite — sussurrou Draco no ouvido de Ron, fazendo um arrepio percorrer a espinha do ômega.
Ron sentou-se, sentindo o peso do olhar de Draco sobre ele. Ele olhou para Harry, que já estava sendo servido por Blaise, e para Neville, que parecia estar recebendo uma atenção silenciosa e intensa de Theodore.
Naquele novo mundo de castas e violência, o Salão Principal de Hogwarts não era mais apenas um lugar de refeição; era uma vitrine de poder. E Ron, com sua saia vermelha e sua coleira de prata, era a joia mais brilhante da coroa de Draco Malfoy. Ele odiava a submissão, mas amava a segurança. E, enquanto Draco acariciava sua nuca por cima do couro verde, Ron percebeu que, talvez, o preço da sua liberdade fosse um valor que ele não estava mais disposto a pagar se isso significasse perder a proteção do seu Alpha Prime.
— Obrigado, Draco — sussurrou Ron, pegando uma torrada.
Malfoy apenas sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos frios, mas que carregava toda a promessa de que, enquanto Ron fosse dele, ninguém no mundo ousaria tocar em um único fio de seu cabelo ruivo. E para Ron, naquele momento, isso era o suficiente.
