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Fandom: Magi

Criado: 10/08/2026

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RomanceDramaAngústiaCrimeRealismoEstudo de PersonagemLinguagem Explícita
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Entre o Desejo e o Perigo

O silêncio da sala era preenchido apenas pelo som das nossas respirações descompassadas. O "por favor" de Giovanna ainda ecoava nos meus ouvidos, desarmando a última barreira de resistência que eu tentava, desesperadamente, manter erguida. Ela não era apenas a filha da minha patroa, ou a mulher que impunha respeito naquele morro; naquele momento, ela era o incêndio que eu vinha tentando apagar com as mãos vazias há meses.

Senti meus dedos se enterrarem nos cabelos da nuca dela, puxando-a para mais perto, selando o convite que eu mal conseguia verbalizar.

— Pode... — sussurrei, a voz falhando enquanto eu me entregava ao inevitável.

Giovanna não perdeu tempo. Suas mãos, antes contidas, deslizaram com uma urgência possessiva por baixo do tecido da minha calcinha. O contato da pele quente dela com a minha me fez soltar um gemido baixo, que ela prontamente abafou com um beijo profundo, explorando minha boca com a mesma autoridade com que dominava as ruas lá fora. Mas ali, entre quatro paredes, não havia hierarquia. Havia apenas a eletricidade que nos consumia.

Ela começou a se movimentar com uma destreza que me fazia perder o contato com a realidade. Cada toque era calculado para me levar ao limite, uma tortura deliciosa que me fazia arquear as costas contra o sofá. Eu sentia o peso do corpo dela contra o meu, o calor que emanava de cada poro, e a certeza de que, depois daquela noite, nada mais seria o mesmo. Maya Manoela Garcia, a garota que sempre tentou seguir as regras, estava se perdendo nos braços da maior transgressão que já conhecera.

— Você é tão linda quando para de lutar contra o que quer — murmurou Giovanna entre beijos, a voz rouca de desejo, enquanto seus dedos encontravam o ritmo perfeito que me fazia ver estrelas.

Eu não conseguia responder. Minha mente era um borrão de sensações. O prazer subia como uma maré, forte e incontrolável, até que o mundo ao meu redor simplesmente desapareceu. Agarrei-me aos ombros dela, as unhas cravando levemente na sua pele, enquanto o ápice me atingia em ondas avassaladoras. Giovanna me segurou firme, sussurrando palavras desconexas no meu ouvido, garantindo que eu não caísse, exatamente como tinha prometido na varanda.

Quando a tempestade finalmente cedeu, deixando apenas o tremor residual nos meus membros, eu me escondi na curva do pescoço dela, tentando recuperar o fôlego. O cheiro dela — uma mistura de perfume caro e algo puramente selvagem — preenchia meus pulmões.

Giovanna me abraçou com uma ternura inesperada, beijando o topo da minha cabeça. Por um momento, o perigo que a cercava parecia distante. Mas o morro nunca dormia, e a realidade sempre batia à porta, mais cedo ou mais tarde.

— Maya... — ela começou, a voz agora suave, quase vulnerável.

— Não diz nada — pedi, levantando o rosto para encará-la. Os olhos azuis dela, antes intensos como o mar revolto, agora pareciam calmos, mas ainda carregavam aquela centelha de mistério. — Se você falar, eu vou lembrar de quem você é, de quem eu sou... e do quanto isso tudo é loucura.

Ela deu um sorriso triste, afastando uma mecha de cabelo do meu rosto.

— Você sabe que eu não posso mudar quem eu sou, nem de onde eu vim. Mas aqui dentro, com você... eu não sou a filha da dona do morro. Sou só a Giovanna que não consegue tirar você da cabeça.

Eu queria acreditar. Queria mergulhar naquela ilusão e nunca mais sair. Mas o som de um motor de moto roncando na rua de baixo me trouxe de volta. A vida no morro era feita de escolhas difíceis e consequências rápidas.

— O que a sua mãe diria se soubesse? — perguntei, sentindo um frio na espinha só de imaginar a reação da mulher para quem eu trabalhava.

Giovanna se ajeitou no sofá, me mantendo ainda em seu colo, como se quisesse me proteger do mundo exterior.

— Minha mãe sabe que eu faço o que eu quero. Mas ela também sabe que você é importante para o funcionamento da casa dela. Ela não é boba, Maya. Ela vê como você me olha... e como eu te procuro.

— Isso me assusta — confessei, baixando o olhar.

— Eu sei. Mas eu estou aqui, não estou? — Ela levantou meu queixo, obrigando-me a encará-la. — Eu não deixo nada acontecer com quem é meu. E você, Manoela... você é minha agora.

A possessividade na voz dela não me irritou dessa vez; trouxe um conforto estranho, uma sensação de segurança que eu não deveria sentir ao lado de alguém tão perigosa.

— Você tem que ir — falei, embora minhas mãos ainda estivessem presas na cintura dela. — A vizinhança comenta. Se alguém te vê saindo daqui a essa hora...

— Que comentem — deu de ombros, indiferente. — Ninguém tem coragem de falar na minha cara.

— Mas falam na minha! — rebati, a irritação voltando de leve. — Eu sou a "garota da limpeza", a irmã da Ana. Você é a herdeira. A corda sempre estoura no lado mais fraco, Giovanna.

Ela suspirou, levantando-se e me ajudando a ficar de pé. Ajeitou minha roupa com um cuidado quase doméstico, antes de segurar meu rosto com as duas mãos.

— Eu não vou deixar a corda estourar, Maya. Confia em mim.

— Confiar em você é como andar no escuro em um campo minado — murmurei, mas não me afastei quando ela me deu um selinho demorado.

— Então aprenda a seguir meus passos. Eu conheço o caminho — ela piscou, recuperando aquela aura de confiança inabalável.

Giovanna caminhou até a porta, mas antes de sair, virou-se uma última vez. A luz da lua que entrava pela janela destacava sua silhueta, tornando-a quase irreal.

— Amanhã, no mesmo horário? — perguntou, com aquele meio sorriso provocador.

— Você é impossível — revirei os olhos, mas não consegui conter o sorriso que brotou nos meus lábios.

— Eu sei. É por isso que você me ama.

Ela saiu antes que eu pudesse protestar contra o uso da palavra "amor". Fiquei parada no meio da sala, ouvindo seus passos se afastarem e o silêncio da noite retornar. Meu coração ainda batia forte, e o calor do toque dela ainda queimava na minha pele.

Caminhei até a janela e vi a luz da moto dela sumir na primeira curva da ladeira. Eu sabia que estava me metendo em um caminho sem volta. Envolver-se com o poder no morro era como assinar um contrato com o destino, onde as letras miúdas eram escritas com sangue e segredos.

Mas, enquanto eu fechava a porta e encostava a cabeça na madeira fria, só conseguia pensar no brilho daqueles olhos azuis e na promessa silenciosa que ela havia deixado para trás. A confusão tinha nome, sobrenome e um beijo que me fazia esquecer qualquer perigo. E, pela primeira vez na vida, eu não estava com pressa de ser salva.

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