
I fucking hate you ( i am Crazy for you)
Fandom: Alien stage
Criado: 11/08/2026
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Caos, Cigarros e Coxas Macias
O sinal da Escola Preparatória Anakt tocou com a sutileza de uma britadeira, mas para Mizi, era apenas ruído de fundo. Ela estava jogada na última carteira, a cabeça apoiada na mão e o olhar dourado fixo em absolutamente nada. Seu cabelo rosa, com as pontas azuis desbotando levemente, caía sobre os ombros de forma perfeitamente bagunçada. Ela era bonita pra caralho e sabia disso, mas a preguiça de existir naquele ambiente escolar superava qualquer vontade de manter as aparências.
— Puta que pariu, eu não aguento mais essa aula de física. O que eu vou usar de termodinâmica na minha vida? — Mizi resmungou, a voz saindo naquele tom baixo e rouco que fazia metade da escola suspirar, embora ela só quisesse mesmo era ir embora e dormir.
Ao lado dela, Ivan deu um sorriso de lado. Aquele sorriso irritante de quem sabia de um segredo que ninguém mais sabia. Ele era alto, pálido como um cadáver e estava, como sempre, mastigando uma bala de caramelo que deixava o hálito dele enjoativamente doce.
— Você vai usar pra calcular a temperatura do seu ódio pela baixinha ali na frente — Ivan provocou, apontando com o queixo para a primeira fileira.
Lá estava Sua. O cabelo preto curto, cortado numa franja impecável, as mãos segurando um livro de literatura russa como se sua vida dependesse daquilo. Ela parecia uma boneca de porcelana, se a boneca estivesse constantemente prestes a ter um colapso nervoso de tanto estresse.
Mizi sentiu o estômago dar um solavanco.
— Vai se foder, Ivan. Eu não odeio a Sua. Eu desprezo a existência dela. É diferente.
— Sei — Ivan riu, os olhos pretos brilhando de malícia. — Por isso que você passa 90% do tempo secando a nuca dela em vez de olhar pro quadro.
— Eu tô olhando pro quadro, o quadro tá atrás dela! — Mizi rebateu, a voz subindo um tom, atraindo olhares.
Na frente, Sua nem se virou, mas seus ombros ficaram visivelmente mais tensos. Ela odiava Mizi. Odiava o jeito sarcástico, a voz sedutora que parecia flutuar pela sala, a falta de compromisso com qualquer coisa séria. Para Sua, Mizi era o caos encarnado, e o caos era a última coisa que ela precisava em sua vida melancólica e organizada.
O intervalo finalmente chegou. O pátio da escola era dividido por fronteiras invisíveis, mas rígidas. De um lado, o grupo dos "esquisitos legais": Luka, o nerd loiro que parecia ter saído de um comercial de shampoo de luxo; Hyuna, a morena descolada que exalava uma aura de liderança; Till, o emo revoltado que parecia estar sempre a um passo de chutar uma lixeira; e, claro, Sua.
Luka estava ajustando os óculos enquanto lia um artigo científico no tablet.
— A densidade populacional deste pátio durante o recreio é inversamente proporcional à minha capacidade de concentração — comentou Luka, a voz formal e polida destoando completamente do barulho ao redor.
— Fala como gente, Luka, pelo amor de Deus — Hyuna riu, passando o braço pelo pescoço dele. Ela era a única que conseguia desarmar a postura rígida do namorado. — Relaxa, a gente só tem mais dois períodos.
Till, encostado na parede com os fones de ouvido no pescoço e o cabelo cinza todo espetado, bufou.
— Dois períodos é tempo demais pra ficar trancado com aquele bando de arrombado. Especialmente o Ivan. Aquele cara é um psicopata.
Sua, que estava sentada no banco ao lado, suspirou fundo.
— O Ivan é irritante, mas a Mizi é pior. Ela não tem um pingo de decência. Fica gritando na sala, fazendo piadinha... Eu não sei como ela ainda não foi expulsa.
Nesse exato momento, um garoto do segundo ano, alto e com cara de quem pedia desculpas por existir, se aproximou de Sua.
— Oi, Sua... Eu, hum, eu trouxe aquele livro que você comentou que queria ler.
Sua olhou para ele. Seus olhos roxos suavizaram um pouco, mas ainda mantinham aquela melancolia profunda.
— Ah, obrigada, Min-ho. É muita gentileza sua.
Mizi, que passava por perto com Ivan, viu a cena. O sangue dela ferveu. Ela parou bruscamente, as mãos nos bolsos da calça jeans larga.
— Olha só, a santinha tá recebendo oferendas — Mizi disparou, a voz carregada de um veneno que ela não conseguia controlar. — Cuidado, garoto, se você chegar muito perto, ela pode acabar te contagiando com essa depressão toda.
Sua se levantou num pulo, o rosto pálido ganhando um tom rosado de raiva.
— Mizi, será que dá pra você cuidar da sua vida de merda por cinco minutos? Ninguém te chamou aqui.
— Eu ando por onde eu quiser, tampinha. O pátio é público, sabia? Ou a sua arrogância também comprou o asfalto? — Mizi deu um passo à frente, ficando perigosamente perto de Sua.
— Você é patética — Sua sibilou, os olhos fofos agora faiscando de puro ódio. — Você é só uma preguiçosa que não vai ser nada na vida além de uma voz bonita e uma cara sarcástica.
— E você vai ser o quê? Uma bibliotecária amargurada que morre sozinha rodeada de gatos? — Mizi sorriu, mas por dentro, cada palavra de Sua doía como uma facada.
— Pelo menos eu não vou estar na sua companhia! — Sua gritou.
— Ótimo!
— Perfeito!
As duas viraram as costas uma para a outra ao mesmo tempo. Ivan e Till, que observavam a cena de lados opostos, trocaram um olhar rápido. Um olhar que ninguém percebeu. Um olhar que dizia: "Essas duas são um desastre".
Mais tarde, no final do dia, o sol começava a se pôr, pintando o céu de laranja e roxo. Mizi estava sentada sozinha na sala de música, que costumava ficar vazia a essa hora. Ela tinha o violão no colo, mas não tocava. Sua mente, contra sua vontade, começou a flutuar.
Ela fechou os olhos e o cenário mudou.
Ela não estava numa sala de aula fria. Ela estava num lugar quente, silencioso. No seu devaneio, Sua estava sentada em cima da mesa do professor, as pernas balançando levemente. Mizi não estava longe; ela estava entre as pernas de Sua, com os braços envolvidos na cintura fina da garota de cabelos pretos.
Mizi conseguia sentir o cheiro de papel antigo e lavanda que sempre emanava de Sua. No sonho, o ódio não existia. Mizi inclinava a cabeça e beijava as coxas pálidas de Sua, sentindo a maciez da pele contra seus lábios. Sua não reclamava, não gritava. Em vez disso, ela passava os dedos delicados pelos cabelos rosa de Mizi, puxando-a para mais perto.
— Eu te amo, Mizi — a voz de Sua sussurrava na imaginação dela, doce e sem o peso da melancolia.
Mizi encostava a cabeça no colo de Sua, suspirando de alívio, sentindo-se, pela primeira vez, protegida. Sem precisar ser a garota sarcástica, sem precisar ser a "bonitona" que não liga para nada. Apenas Mizi, a garota que pertencia à Sua.
Um barulho de porta batendo a trouxe de volta à realidade.
Mizi abriu os olhos rapidamente, o coração batendo na garganta. Ela limpou o canto do olho, irritada consigo mesma.
— Que porra eu tô fazendo da minha vida? — sussurrou para o vazio.
Enquanto isso, atrás do ginásio, escondidos pelas sombras das árvores, dois vultos se encontravam.
— Cara, elas quase se mataram hoje de novo — Till comentou, limpando o suor da testa. Ele estava sem a jaqueta, apenas com a camiseta preta.
Ivan, encostado na parede, deu aquele sorriso irritante, mas dessa vez era diferente. Era um sorriso genuíno.
— Deixa elas. O ódio é o combustível da Mizi. Se ela soubesse que eu tô aqui com você, ela teria um troço.
— E se a Sua soubesse que o melhor amigo dela fica com o "idiota do Ivan"? — Till provocou, puxando Ivan pela gola da camisa.
— Ela provavelmente escreveria um poema trágico sobre a traição da amizade — Ivan riu, antes de calar Till com um beijo.
Eles eram o segredo mais bem guardado da escola. O rebelde e o provocador, fingindo se odiar na frente de todos enquanto dividiam cigarros e beijos roubados nos cantos escuros.
No dia seguinte, a rotina recomeçou.
Mizi chegou na sala e viu Sua sentada em seu lugar habitual. A garota parecia mais cansada do que o normal, com olheiras leves sob os olhos roxos. O garoto do dia anterior, Min-ho, estava lá de novo, tentando puxar assunto.
— Sua, você quer ir tomar um sorvete depois da aula? — o garoto perguntou, esperançoso.
Mizi sentiu uma pontada de ciúme tão forte que quase a fez tropeçar. Ela passou pela mesa deles, batendo o ombro no de Min-ho "sem querer".
— Opa, mal aí, ô do sorvete. Não vi que tinha um poste no meio do caminho — Mizi disse, sem parar de andar.
— Mizi! — Sua exclamou, batendo a mão na mesa. — Você é simplesmente insuportável!
Mizi parou na frente da sua carteira e se virou, lançando um olhar predatório para Sua.
— E você é uma chata, Sua. Mas olha só... pelo menos eu não sou sem graça.
— Eu te odeio — Sua disse, as palavras saindo entre dentes, mas com uma intensidade que fez o ar entre elas vibrar.
— O sentimento é mútuo, bonequinha — Mizi piscou, sentando-se e abrindo um caderno qualquer apenas para fingir que não estava morrendo por dentro.
Luka, observando a cena de longe, suspirou e ajustou os óculos.
— A dinâmica interpessoal entre aquelas duas desafia as leis da lógica social — comentou ele para Hyuna.
— Ah, Luka... — Hyuna riu, dando um beijo na bochecha dele. — Às vezes a lógica não serve pra porra nenhuma quando o assunto é o que a gente sente.
Mizi olhou para a nuca de Sua mais uma vez. Ela sabia que nunca teria coragem de admitir. Sabia que a "coleira" de Sua era o único lugar onde ela realmente queria estar, mas o orgulho era uma prisão muito mais segura.
Ela pegou o celular e mandou uma mensagem para Ivan, que estava a dois metros de distância.
Mizi: O Till tá com uma cara de quem quer te matar hoje.
Ivan sentiu o celular vibrar, leu a mensagem e sorriu para a tela. Ele olhou para Till, que estava do outro lado da sala, e piscou discretamente.
Ivan: Ele sempre tá com essa cara. É o charme dos emos. E a Sua? Já tentou te morder hoje?
Mizi: Quase. Um dia eu ainda mato essa garota.
Mizi guardou o celular, suspirou e voltou a desenhar coxas pálidas e cabelos pretos curtos na margem do seu caderno de física, enquanto o professor falava sobre forças de atração que ela entendia muito bem, mas nunca saberia explicar.
