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Criado: 11/08/2026

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Equilíbrio do Caos e do Silêncio

O sinal para o intervalo ecoou pelos corredores do Colégio Konoha com a sutileza de uma britadeira, mas para Lis, era o som da liberdade. Ela fechou o caderno de matemática com uma força desnecessária, fazendo um estrondo que assustou o colega da frente.

— Matemática deveria ser considerada um crime contra os direitos humanos — resmungou ela, jogando a mochila de couro sintético, adornada com correntes e bottons de bandas de metal, sobre o ombro.

Ela saiu da sala em passos rápidos, o batom escuro destacando o sorriso debochado que surgiu assim que avistou a figura encostada no pilar do pátio central. Itachi estava lá, como sempre. Ele vestia o uniforme de forma impecável, com a camisa branca bem passada e um suéter azul-marinho por cima, segurando um exemplar de poesia clássica como se o caos escolar ao redor dele não existisse.

Lis se aproximou silenciosamente, ou o mais silencioso que suas botas de plataforma permitiam, e pulou nas costas dele sem aviso prévio.

— O gênio da literatura está pronto para dar atenção à plebeia? — sussurrou ela no ouvido dele, dando uma mordida de leve no lóbulo da orelha.

Itachi nem sequer vacilou. Ele fechou o livro com calma, marcando a página com um marcador de seda, e segurou as pernas de Lis para que ela não escorregasse.

— A "plebeia" está mais dramática do que o habitual hoje — disse ele, com aquela voz grave e aveludada que sempre fazia o estômago dela dar voltas. — Problemas com as equações de segundo grau?

— Problemas com a existência de números que se misturam com letras, Itachi! — Ela desceu das costas dele, parando à sua frente e cruzando os braços. — Por que você não pode simplesmente fazer meu dever de casa? Você é um gênio, eu sou uma artista incompreendida. É uma troca justa.

— Se eu fizer por você, você não aprende — ele respondeu, estendendo a mão para afastar uma mecha do cabelo preto e rebelde que caía sobre os olhos dela. — E eu prefiro que você use esse seu cérebro brilhante para algo além de bolar apelidos para os professores.

Lis revirou os olhos, mas não conseguiu evitar o sorriso quando ele entrelaçou os dedos nos dela. Eles caminharam em direção ao jardim, o lugar favorito deles. Itachi gostava do silêncio; Lis gostava de observar as pessoas para poder fofocar sobre elas depois.

— Olha só aquela garota do segundo ano — Lis sibilou, indicando com o queixo uma menina que acenava timidamente para Itachi do outro lado do pátio. — Ela está secando você faz dez minutos. Se ela continuar olhando, vou ter que ir lá perguntar se ela perdeu alguma coisa na sua cara.

Itachi sequer olhou na direção indicada.

— Você sabe que eu só tenho olhos para uma pessoa problemática e barulhenta — ele disse, puxando-a para sentar-se sob a sombra de uma grande árvore.

— Problemática? Eu? — Lis colocou a mão no peito, fingindo ofensa. — Eu sou um raio de sol, Itachi Uchiha. Você que é um poço de monotonia. Às vezes eu acho que você é um robô programado para ser perfeito.

— Eu não sou perfeito, Lis. — Ele se sentou, recostando a cabeça no tronco da árvore e puxando-a para se deitar entre suas pernas. — Eu só tenho muita paciência. Especialmente com você.

— Ah, é? Pois saiba que minha paciência com a sua calma está acabando. — Ela se virou de frente para ele, sentando-se em seu colo, ignorando completamente o fato de estarem em um ambiente escolar. — Você é muito parado. Às vezes dá vontade de te sacudir.

Itachi arqueou uma sobrancelha, um brilho de diversão surgindo em seus olhos escuros.

— E o que impede você?

Lis estreitou os olhos. Ela adorava quando ele a desafiava daquele jeito sutil. Ela se inclinou, aproximando o rosto do dele até que suas respirações se misturassem.

— O fato de que eu gosto de como você fica quando eu te tiro do sério — sussurrou ela, passando a ponta dos dedos pelo maxilar bem definido dele.

— Você raramente consegue me tirar do sério, Lis — ele provocou, a voz baixinha.

— Ah, é? Vamos ver.

Ela o beijou. Não foi um beijo casto de corredor de escola. Foi um beijo impulsivo, como tudo o que ela fazia, carregado de uma possessividade que dizia claramente para qualquer um que estivesse olhando que ele pertencia a ela. Itachi, apesar de sua reserva habitual, correspondeu imediatamente, as mãos grandes descendo para a cintura dela e apertando com firmeza.

Quando se separaram, Lis tinha um sorriso vitorioso.

— Seu batom está borrado — ele observou, embora sua própria respiração estivesse um pouco mais pesada que o normal.

— Combina com a sua expressão de quem perdeu o controle por cinco segundos — ela rebateu, limpando o canto da boca dele com o polegar.

O resto do dia passou entre trocas de bilhetes durante a aula de História — a favorita dela, onde ela prestava atenção enquanto ele lia livros que não tinham nada a ver com a matéria — e olhares cúmplices no corredor. No final da última aula, Lis esperou por ele no portão da escola.

Quando Itachi apareceu, acompanhado pelo irmão mais novo, Sasuke, que parecia estar de mau humor como sempre, Lis acenou freneticamente.

— Tchau, Sasuke! Tenta não morder ninguém no caminho de casa! — ela gritou, rindo quando o garoto apenas resmungou algo e apressou o passo.

Itachi parou diante dela, entregando-lhe o capacete da moto.

— Você não precisava provocar ele.

— É meu hobby favorito depois de provocar você — ela disse, subindo na garupa da moto preta de Itachi. — Agora vamos. Minha casa está vazia e eu me recuso a fazer aquele trabalho de sociologia sozinha.

O trajeto foi rápido. No quarto de Lis, o ambiente refletia sua personalidade: pôsteres de bandas, luzes de LED roxas, pilhas de discos e uma bagunça organizada. Itachi, como sempre, começou organizando a mesa de estudos dela antes de abrir os livros.

— Você é tão irritante com essa organização — Lis reclamou, jogando-se na cama. — Deita aqui logo. O trabalho pode esperar meia hora.

— Lis, se não começarmos agora, você vai se distrair e vamos acabar virando a noite — ele disse, mas já estava fechando a porta do quarto e caminhando em direção a ela.

— E qual o problema de virar a noite? — Ela se ajoelhou na cama, puxando-o pela gola da camisa. — Você estuda demais, Itachi. Precisa de um pouco de... caos na sua vida.

Itachi a olhou intensamente. Ele amava aquela garota. Amava o jeito que ela o desafiava, o jeito que ela não tinha medo de sentir as coisas intensamente, e até mesmo o ciúme bobo que ela sentia.

— Você é o meu caos favorito — ele admitiu, rendendo-se e subindo na cama.

Eles começaram com beijos lentos, uma exploração que eles já conheciam bem, mas que nunca perdia a novidade. A mão de Itachi deslizou por baixo da camiseta larga de Lis, sentindo a pele macia e arrepiada. Lis soltou um gemido baixo, puxando a camisa dele para fora da calça.

— Tem certeza? — ele perguntou, a voz rouca, parando por um segundo para olhar nos olhos dela. A paciência e o respeito de Itachi eram constantes, mesmo naqueles momentos.

— Se você perguntar de novo, eu te jogo da cama — ela respondeu, puxando-o para um beijo mais profundo.

O ambiente mudou. A calma de Itachi foi substituída por uma intensidade que ele só mostrava a ela entre quatro paredes. As roupas foram descartadas rapidamente, e o contraste entre eles era evidente até ali: a pele pálida de Lis contra a de Itachi, a agitação dela contra os movimentos precisos e calculados dele, que sabiam exatamente onde tocá-la para fazê-la perder a voz.

— Itachi... — ela arqueou as costas quando ele desceu os beijos pelo seu pescoço até os seios, as mãos dela se perdendo nos cabelos longos e escuros dele.

— Eu estou aqui — ele sussurrou contra a pele dela.

Quando ele entrou nela, Lis sentiu aquela conexão que ia além do físico. Era a mistura perfeita. Ela era o fogo, ele era a água. Ela era o grito, ele era o silêncio. Juntos, eles faziam sentido de uma forma que ninguém na escola entenderia.

Os movimentos eram ritmados, uma dança de entrega. Lis cravou as unhas nos ombros dele, abafando um grito no ombro de Itachi enquanto ele aumentava a intensidade, os olhos dele fixos nos dela, observando cada reação, cada prazer que ele causava.

Quando o ápice chegou, eles desabaram nos braços um do outro, os corações batendo no mesmo ritmo frenético.

Algum tempo depois, o quarto estava mergulhado no silêncio, exceto pelo som da chuva que começava a cair lá fora. Itachi estava encostado na cabeceira, com Lis aninhada em seu peito, ele traçando padrões sem sentido no braço dela.

— Itachi? — ela chamou baixinho.

— Hum?

— Você ainda vai me ajudar com o trabalho de sociologia?

Ele soltou uma risada curta, beijando o topo da cabeça dela.

— Vou, Lis. Mas só depois que você prometer que não vai tentar desenhar caricaturas do professor na margem da folha oficial.

— Não posso prometer o impossível — ela bocejou, fechando os olhos. — Mas posso prometer que te amo. Mesmo você sendo um nerd insuportável.

— Eu também te amo — ele respondeu, puxando o lençol para cobri-los. — Mesmo você sendo a pessoa mais dramática que eu já conheci.

E ali, no pequeno universo que criaram, as diferenças não importavam. Eles eram apenas Lis e Itachi, o equilíbrio perfeito entre o caos e a paz.

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