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Oliver!

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 11/08/2026

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O Gosto Amargo do Silêncio

A Paper School nunca foi exatamente um lugar de paz, mas para Oliver, ela era o seu parquinho particular. O corredor do segundo andar estava silencioso, exceto pelo som rítmico de seus passos e o estalo peculiar que seus dentes faziam ao morder algo que definitivamente não era comida.

Oliver segurava uma barra de sabão de lavanda com a mão esquerda, enquanto seu braço de lápis balançava ao lado do corpo. Ele deu uma mordida generosa, sentindo a textura cerosa e o sabor artificialmente perfumado inundarem sua boca. Para qualquer outra pessoa, aquilo seria motivo para uma lavagem estomacal; para Oliver, era apenas um lanche da tarde.

Ele tinha um sorriso travesso no rosto, o tipo de sorriso que indicava que alguém estava prestes a ter um dia muito ruim. Em seu bolso, ele carregava um frasco de cola instantânea e um punhado de tachinhas. O plano era simples: sabotar a cadeira da Senhorita Circle antes da próxima aula de geometria. Ele conseguia imaginar a cena perfeitamente, o caos que se seguiria e, claro, a sua própria risada ecoando pelos corredores.

— Hum, esse aqui está um pouco seco — resmungou Oliver para si mesmo, limpando um pouco de espuma branca do canto da boca com as costas da mão.

Ele estava tão distraído com a própria audácia que não percebeu a sombra se alongando atrás dele. O ar pareceu esfriar um grau ou dois. Oliver parou de andar, sentindo um arrepio subir pela sua espinha, mas antes que pudesse se virar para ver quem estava ali, uma mão enluvada e firme agarrou o colarinho de sua camisa preta.

— Ei! O que é isso? — Oliver exclamou, sua voz subindo um oitavo de tom pela surpresa. — Me solta! Você sabe com quem está mexendo?

Ele tentou se debater, usando seu braço de lápis para tentar cutucar o agressor, mas a força que o segurava era descomunal. O puxão foi violento, arrastando-o para trás com tanta rapidez que seus pés perderam o contato com o chão. A última coisa que ele viu antes da visão escurecer foi o brilho das luzes fluorescentes do corredor desaparecendo.

...

A consciência voltou para Oliver em ondas lentas e confusas. A primeira coisa que ele sentiu foi a dormência em seus braços. Ele tentou movê-los, mas sentiu a resistência áspera de cordas apertadas. Seus pulsos estavam presos atrás das costas, e a fricção do nó contra sua pele o fez soltar um gemido baixo.

Quando finalmente abriu os olhos, a claridade o cegou por um instante. O lugar era de um branco absoluto e estéril. Não havia janelas, nem portas visíveis, apenas paredes lisas que pareciam brilhar com uma luz própria e irritante. Ele estava sentado no chão frio, com as pernas esticadas e presas por mais cordas na altura dos tornozelos.

— Mmmph! Mmmph! — Oliver tentou gritar, mas o som morreu em sua garganta.

Um pano vermelho grosso estava amarrado firmemente em sua boca, agindo como uma mordaça eficaz. O gosto de sabão que ainda restava em sua língua agora parecia amargo e sufocante. Seus olhos se arregalaram, as pupilas dilatando conforme o choque inicial se transformava em uma irritação profunda.

Como alguém ousava fazer isso com ele? Ele era o valentão da Paper School! Ele era quem pregava as peças, não quem sofria as consequências de forma tão... extrema.

Ele começou a se debater violentamente. Oliver jogou o corpo para os lados, tentando afrouxar os nós em seus pulsos, mas as cordas pareciam apenas apertar mais a cada movimento. A marca de "A+" em seu cabelo balançava enquanto ele sacudia a cabeça em negação. Ele tentou usar a ponta afiada de seu braço de lápis para cortar as amarras, mas o ângulo era impossível; ele não conseguia alcançar as cordas atrás das costas sem deslocar o próprio ombro.

— Mmmph-nnn! — Ele soltou um som abafado de raiva, o rosto ficando vermelho pelo esforço.

O silêncio da sala branca era opressor. Não havia o som de relógios, nem o zumbido de ventiladores. Apenas a respiração pesada e abafada de Oliver. O medo, um sentimento que ele raramente permitia que se aproximasse, começou a rastejar por seu peito. Quem o trouxera para cá? A Senhorita Circle teria finalmente perdido a paciência? Ou seria algum dos alunos que ele atormentava diariamente?

Ele tentou gritar por socorro novamente, mas o pano vermelho apenas absorvia seus gritos, transformando-os em ruídos patéticos. Exausto, ele encostou a cabeça na parede fria, sentindo o peso de seus longos cabelos brancos. As horas pareciam se arrastar. O tempo naquele lugar não fazia sentido. Oliver fechou os olhos, sentindo uma lágrima de frustração escorrer, enquanto o pânico silencioso o envolvia.

...

No dia seguinte, a Paper School estava em um estado de confusão contida. Oliver não era exatamente o aluno mais amado, mas sua ausência era notada. Ele era uma constante barulhenta. Sem ele, os corredores pareciam vazios demais.

Edward e Zip caminhavam lado a lado perto do setor de salas de aula desativadas. Edward ajustava os óculos, parecendo genuinamente preocupado, enquanto Zip olhava em volta com sua energia caótica habitual, embora houvesse uma tensão óbvia em seus ombros.

— Ele não apareceu para a aula de artes e nem para o almoço — disse Edward, franzindo a testa. — E eu encontrei o sabonete dele caído no corredor perto do armário 402. Oliver nunca abandonaria um sabonete pela metade.

— Eu sei, é estranho — respondeu Zip, chutando uma pedrinha imaginária. — A gente já procurou no banheiro, atrás da escola e até no telhado. Se for uma pegadinha dele, ele está indo longe demais dessa vez.

— Espera — Edward parou de repente, levantando a mão para pedir silêncio. — Você ouviu isso?

Zip inclinou a cabeça, aguçando os ouvidos. Vindo de trás de uma porta de metal sem identificação, no final de um corredor sem saída, vinha um som rítmico.

Thump. Thump. Mmmph.

— Parece... alguém batendo? — Zip sussurrou, já começando a correr em direção à porta.

Eles forçaram a maçaneta, que estranhamente estava destrancada, e entraram em um pequeno vestíbulo que levava à sala branca. Assim que cruzaram o limiar, a luz intensa os fez piscar.

No centro da sala, Oliver estava uma bagunça. Seus cabelos brancos estavam desgrenhados, espalhados pelo chão como um manto sujo. Ele parecia exausto, com olheiras profundas, e seus olhos estavam arregalados e injetados. Assim que viu seus amigos, ele começou a se debater com uma energia renovada, emitindo sons abafados e desesperados.

— Oliver! — Zip gritou, correndo até ele. — Meu Deus, o que aconteceu com você?

— Calma, Oliver! A gente vai te tirar daí — Edward disse, ajoelhando-se rapidamente e puxando um canivete de bolso que usava para projetos de ciências.

Edward trabalhou rápido nas cordas dos tornozelos, enquanto Zip se posicionou atrás de Oliver para desatar o nó complexo que prendia seus pulsos. Oliver estava tremendo, um som de choro abafado escapando por trás da mordaça.

Assim que as cordas dos braços cederam, Zip não perdeu tempo e desamarrou o pano vermelho.

— Cof! Cof! — Oliver tossiu violentamente assim que a mordaça caiu. Ele respirou fundo, o ar entrando em seus pulmões como se fosse a primeira vez. — Aquilo... aquele... desgraçado...

— Oliver, respira — Edward pediu, terminando de cortar a última corda. — Quem fez isso?

Oliver tentou se levantar, mas suas pernas estavam dormentes e ele cambaleou, sendo segurado por Zip. Ele estava pálido, e a arrogância habitual havia sido substituída por um choque genuíno. Ele olhou para os amigos, a marca de "A+" em seu cabelo parecendo ironicamente deslocada naquele momento de vulnerabilidade.

— Eu não vi o rosto — Oliver disse, sua voz rouca e falha. — Foi muito rápido. Me puxaram pelo colarinho e tudo ficou preto. Eu fiquei aqui... eu não sei por quanto tempo. Eu tentei me soltar, eu juro que tentei.

Zip abraçou o amigo de lado, algo raro entre eles, mas necessário.

— Está tudo bem agora. A gente te achou. Vamos sair daqui antes que quem quer que tenha feito isso volte.

Oliver olhou em volta da sala branca uma última vez, sentindo um calafrio. Ele pegou o braço de lápis e o apertou contra o corpo, sentindo o peso da realidade.

— Eu vou descobrir quem foi — Oliver rosnou, recuperando um pouco de sua faísca habitual, embora sua mão ainda tremesse visivelmente. — E quando eu descobrir, eles vão desejar nunca terem tocado no meu colarinho.

— Primeiro, vamos te levar para a enfermaria — Edward insistiu, guiando-os para fora da sala. — Você está com cheiro de lavanda e suor, e parece que não dorme há dias.

Enquanto caminhavam de volta para a parte movimentada da escola, Oliver se manteve em silêncio por um tempo. A experiência o havia abalado mais do que ele gostaria de admitir. No entanto, ao passarem por um carrinho de limpeza no corredor, ele não resistiu. Com um movimento rápido de sua mão esquerda, ele surrupiou uma nova barra de sabão que estava na prateleira.

— Oliver, sério? — Zip perguntou, revirando os olhos, mas com um sorriso de alívio ao ver que ele estava voltando ao normal.

— O quê? — Oliver deu uma mordida pequena no sabão, sentindo o gosto químico acalmar seus nervos. — Eu preciso de glicose. E de vingança. Mas o sabão vem primeiro.

Eles seguiram pelo corredor, a silhueta de Oliver com seus chifres e seu longo rabo de cavalo voltando a ocupar o espaço que lhe pertencia, mas o mistério da sala branca permaneceria em sua mente, uma mancha escura em seu mundo de papel. A Paper School acabara de se tornar muito mais perigosa.

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