
Margret x Marvin
Fandom: Fundamental paper education FPE advanced class
Criado: 11/08/2026
Reflexos de Papel e Travessuras Inesperadas
O dormitório da Paper School estava mergulhado em um silêncio atípico para aquela tarde de terça-feira. A luz pálida que entrava pelas janelas retangulares realçava o contraste monocromático do ambiente, onde cada móvel parecia ter sido dobrado e colado com uma precisão cirúrgica. Marvin Sterling, no entanto, não estava prestando atenção na arquitetura do quarto. Ele estava sentado na beira da cama de sua irmã, Margret, concentrado em sua tarefa favorita: devorar uma barra de chocolate amargo que ele havia conseguido contrabandear para dentro da classe avançada.
Para Marvin, o chocolate não era apenas um doce; era o combustível que mantinha sua mente funcionando entre uma aula de geometria e outra de literatura macabra. Seus cabelos bicolores, metade pretos e metade brancos, caíam sobre os ombros enquanto ele mastigava, a marca triangular em seu cabelo parecendo vibrar levemente com sua satisfação.
— Você sabe que a Miss Circle vai te pendurar pelo teto se sentir o cheiro desse cacau no corredor, não sabe? — A voz de Margret surgiu do nada, fazendo Marvin dar um pequeno pulo.
Ele se virou, vendo a irmã parada perto da porta. Margret era a imagem da delicadeza perigosa. Seus cabelos brancos, tão longos que quase tocavam o chão, pareciam flutuar ao redor dela. A tesoura vermelha e cinza cravada em seu rosto, posicionada como um laço macabro, brilhava sob a luz fluorescente.
— Ela não vai sentir nada — murmurou Marvin, limpando um farelo de chocolate do canto da boca. — E, de qualquer forma, ela está ocupada demais afiando aquela bússola gigante dela. O que você quer, Margret?
Margret não respondeu de imediato. Ela caminhou com passos leves, suas pernas pretas terminando em espinhos que faziam um som rítmico de "clique-claque" contra o chão de papelão reforçado. Ela rodeou o irmão, seus olhos brancos cercados por linhas curvas expressando uma mistura de tédio e uma travessura iminente que Marvin conhecia muito bem.
— Eu estava pensando... — começou ela, parando exatamente atrás dele. — Nós somos gêmeos, mas somos tão diferentes em tudo. Até na forma como fomos "cortados".
Marvin franziu a testa, sentindo um calafrio percorrer sua espinha. Quando Margret ficava reflexiva demais, geralmente significava que alguém — geralmente ele — acabaria sendo o alvo de alguma brincadeira de gosto duvidoso.
— O que você quer dizer com isso? — perguntou ele, tentando manter o tom de voz casual enquanto guardava o restante do chocolate no bolso do colete branco.
— Quero dizer que a simetria é a base da perfeição na Paper School — disse Margret, sua voz soando perigosamente próxima ao ouvido dele. — Mas e a nossa simetria pessoal?
Antes que Marvin pudesse processar a pergunta ou se afastar, sentiu as mãos de Margret — as aberturas em seus braços pretos emitindo um leve som de sucção — agarrarem o cós de seu short branco. Com um movimento rápido e preciso, típico de quem lida com tesouras desde o nascimento, ela puxou o tecido para baixo.
O ar frio do quarto atingiu a pele pálida de Marvin instantaneamente. O short parou no meio de suas coxas, revelando sua cueca azul vibrante.
— Ei! O que você está fazendo?! — gritou Marvin, o rosto passando do pálido para um tom de vermelho carmim em questão de milésimos de segundo.
Ele tentou se levantar, mas Margret foi mais rápida. Em um movimento fluido e desavergonhado, ela levou as mãos à própria cintura. Com um puxão decidido, a saia plissada de seu vestido branco caiu, revelando que, por baixo daquela aparência de boneca de papel impecável, ela usava uma calcinha de um vermelho intenso, combinando com a cor da tesoura em seu rosto.
Marvin ficou paralisado, as mãos suspensas no ar, sem saber se puxava o short para cima ou se cobria os olhos. O choque de ver a irmã agir de forma tão errática o deixou momentaneamente sem fala.
— Veja só, Marvin — disse Margret, ignorando completamente o estado de choque do irmão. — Eu sabia!
Ela se posicionou de costas para o grande espelho de moldura preta que ficava na parede lateral, forçando Marvin a olhar para o reflexo de ambos. Ela empinou levemente o corpo, comparando o volume e o formato de seus traseiros cobertos pelas cores contrastantes, azul e vermelho.
— O meu é claramente mais bem desenhado — comentou ela, com uma seriedade científica que tornava a situação ainda mais absurda. — As linhas de corte da minha saia devem ter ajudado a manter a forma. O seu parece... mais retangular. Deve ser por causa de todo esse chocolate que você come.
Marvin sentia que seu cérebro estava prestes a entrar em curto-circuito. Ele olhou para o espelho, vendo a imagem surreal: ele, com o short nos joelhos e a cueca azul à mostra, e sua irmã, Margret, exibindo a calcinha vermelha com uma naturalidade desconcertante, comparando-os como se estivessem analisando um projeto de artes.
— Margret... você é louca! — Marvin finalmente conseguiu articular, a voz saindo em um tom agudo de puro desespero. — Alguém pode entrar! A Miss Bloomie pode passar por aqui!
— Ah, relaxa, Marvin — disse ela, virando-se para ele com um sorriso travesso, ainda sem fazer menção de subir a saia. — Estamos apenas fazendo uma análise anatômica comparativa. É educativo.
— Educativo?! — Marvin finalmente recuperou a coordenação motora e puxou o short para cima com tanta força que quase rasgou o tecido. — Você me traumatizou para o resto da vida! Eu nunca mais vou conseguir olhar para uma cueca azul sem lembrar disso!
Margret soltou uma risadinha cristalina, puxando sua saia de volta para o lugar e ajeitando as pregas com um toque elegante.
— Você é tão dramático — disse ela, dando um tapinha no ombro dele. — Além disso, o azul combina com você. Realça o preto do seu cabelo.
Marvin continuava vermelho, seu coração batendo acelerado contra as costelas de papel. Ele se afastou da irmã, caminhando em direção à porta com passos trôpegos, sua perna direita com a articulação triangular falhando levemente devido ao nervosismo.
— Eu vou embora — declarou ele, a mão na maçaneta. — Eu vou para a biblioteca. Lá, pelo menos, os livros não tentam comparar nádegas comigo.
— Não esqueça seu chocolate, Marvin! — gritou Margret enquanto ele saía apressado pelo corredor.
Ela ficou sozinha no quarto, olhando para o espelho e dando um último ajuste em seu cabelo branco infinito. Margret sabia que tinha passado dos limites, mas na Paper School, onde a sobrevivência dependia de notas altas e de evitar professores assassinos, um pouco de caos familiar era a única coisa que a mantinha sã.
Enquanto isso, Marvin corria pelo corredor, ignorando os olhares curiosos de outros alunos da classe avançada. Em sua mente, a imagem da calcinha vermelha de Margret e de sua própria cueca azul no espelho estava gravada como um selo de cera quente. Ele precisava de mais chocolate. Muito mais chocolate.
— Aquela garota... — resmungou ele, entrando na biblioteca e se escondendo atrás de uma prateleira de livros sobre geometria avançada. — Ela ainda vai me fazer ser expulso por indecência, e eu nem vou ter culpa disso.
Ele tirou o resto da barra de chocolate do bolso, mas, pela primeira vez na vida, o doce parecia ter um gosto amargo demais. Marvin suspirou, encostando a cabeça no papel frio da estante. Ele sabia que, apesar do trauma e do constrangimento, Margret era a única pessoa naquele lugar maluco que o tratava como algo além de apenas mais um aluno tentando não morrer.
Mas, da próxima vez, ele definitivamente trancaria a porta.
