
Madristas não se suportam.
Fandom: Futebol, Real madri.
Criado: 12/08/2026
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Ouro e Cinzas sob as Luzes de Madrid
A manchete do Marca na manhã de terça-feira não deixava dúvidas: "Duelo de Príncipes: Quem herdará o trono do Bernabéu?". Abaixo do título, uma foto de alta resolução capturava o momento exato em que Endrick e Leonardo Mozart discutiam após o terceiro gol contra o Atlético de Madrid. Endrick, com os músculos do pescoço tensos e o olhar fixo, apontava para o centro da área. Mozart, com seus 1,88 m de pura arrogância, apenas sorria de lado, ajeitando a braçadeira imaginária de quem se sentia o dono da cidade.
O vestiário do Real Madrid tinha um cheiro característico: uma mistura de grama cortada, linimento, perfumes caros e uma eletricidade estática que parecia emanar sempre que os dois atacantes brasileiros estavam a menos de cinco metros um do outro.
Endrick estava sentado em seu banco, enrolando as bandagens nos tornozelos com uma precisão cirúrgica. Aos 20 anos, ele já não era mais o garoto que chegou de braços abertos e olhos brilhando do Palmeiras. Ele era uma rocha. Compacto, forte, uma força da natureza que explodia em direção ao gol como se cada chute fosse uma questão de honra nacional.
Do outro lado do corredor, Leonardo Mozart — ou simplesmente "Da Vinci", como a imprensa espanhola adorava chamá-lo pela elegância plástica de seus movimentos — terminava de abotoar uma camisa de seda branca. Ele não usava o uniforme de treino até o último segundo possível. Mozart vivia em uma frequência diferente. Bilionário, formado em gastronomia em Paris, poliglota e dono de uma autoconfiança que beirava o patológico, ele olhava para o futebol não apenas como um esporte, mas como uma extensão de sua própria arte.
— Você deveria ter cruzado aquela bola no segundo tempo, Endrick — disse Mozart, a voz aveludada, mas carregada de uma provocação cortante. Ele nem olhou para o companheiro; estava ocupado demais conferindo o reflexo no pequeno espelho do armário. — Eu estava livre. E, convenhamos, meu ângulo era esteticamente superior.
Endrick soltou um riso seco, sem desviar os olhos de suas chuteiras.
— O ângulo era bom, Leo, mas o gol foi meu. O placar diz 3 a 1, não "3 a 0 e uma pintura não finalizada".
Mozart finalmente se virou, a altura impondo uma sombra sobre o espaço de Endrick. Ele sorriu, aquele sorriso que fazia as redes sociais entrarem em colapso e as marcas de luxo brigarem por contratos.
— Eficiência é o consolo de quem não tem visão, meu caro. Você joga como se estivesse em uma guerra. Eu jogo como se estivesse em um vernissage.
— Pois na próxima "exposição", tente não ficar impedido três vezes seguidas — rebateu Endrick, levantando-se e ficando frente a frente com o gigante. — Aqui é o Real Madrid. A gente ganha títulos, não curtidas no Instagram.
A tensão foi interrompida pela entrada de Bellingham, que soltou um suspiro cansado ao ver os dois atacantes em rota de colisão.
— Pelo amor de Deus, guardem isso para o treino — disse o inglês, em um espanhol arrastado. — Temos a festa de comemoração da Supercopa hoje à noite. Tentem não se matar antes do champanhe.
A noite de Madrid era um organismo vivo, pulsante e banhado em neon. A festa acontecia em uma cobertura exclusiva na Gran Vía, reservada apenas para a elite da elite. O som do deep house vibrava nas paredes de vidro, e o ar estava saturado com o cheiro de coquetéis caros e perfumes de grife.
Mozart circulava pelo ambiente como um tubarão em águas familiares. Ele segurava uma taça de cristal com um líquido âmbar, conversando fluentemente em francês com uma modelo de passarela e, simultaneamente, respondendo a um empresário em inglês. Ele era o centro gravitacional. Ele sabia disso. Ele precisava disso.
No canto oposto, perto da varanda que dava vista para as luzes da cidade, Endrick mantinha uma postura mais reservada. Ele segurava um copo de água mineral, observando o movimento. A fama nunca o tinha deixado confortável com a superficialidade. Ele preferia o calor do sol de Brasília ao brilho frio dos diamantes de Madrid.
Foi então que o celular de Endrick vibrou. Uma notificação do Twitter — agora X — que estava incendiando a internet.
"@RealMadridNews: Fontes indicam que a diretoria está considerando Mozart como o batedor oficial de faltas e pênaltis para a próxima temporada, deixando Endrick em segundo plano. O ego de Da Vinci finalmente venceu a força bruta do 'Pequeno Rei'?"
Endrick sentiu o sangue ferver. Não era pelo posto em si, mas pela narrativa. Ele odiava ser subestimado. Ele odiau ainda mais quando viu Mozart se aproximar, com aquele andar desleixado de quem é dono do mundo.
— Viu a manchete? — Mozart perguntou, parando ao lado dele e olhando para a vista, ignorando a mulher que o acompanhava momentos antes.
— Vi. Imagino que seu agente tenha pago caro por esse vazamento — respondeu Endrick, a voz baixa e perigosa.
Mozart soltou uma risada curta, genuinamente divertida.
— Meu agente não precisa plantar notícias, Endrick. O talento se autodenuncia. Eu sou o batedor melhor, você sabe disso. Meus pés são mais precisos que um bisturi.
— Sua precisão não vale nada se você não tiver coragem para bater quando o estádio inteiro está vaiando — Endrick virou-se para ele, os olhos brilhando com uma intensidade que faria qualquer outro recuar. — Você gosta do palco, Leo. Eu gosto da vitória. Essa é a diferença.
Mozart arqueou uma sobrancelha. Ele se aproximou um pouco mais, invadindo o espaço pessoal de Endrick, algo que ele raramente permitia que fizessem com ele.
— Você me vê como um boneco de luxo, não é? Um bilionário que joga bola por tédio.
— E eu estou errado? — Endrick deu de ombros, indiferente à aura magnética de Mozart. — Você fala quatro línguas, cozinha pratos de três estrelas Michelin e tem mais dinheiro que metade da liga. Por que você se importa com o que eu penso? Por que você se importa tanto em ser o número um aqui?
Pela primeira vez na noite, a máscara de Mozart vacilou. A arrogância deu lugar a algo mais afiado, mais cru.
— Porque o futebol é a única coisa que eu não pude comprar — disse Mozart, a voz agora desprovida de qualquer ironia. — Eu comprei a casa, o carro, a educação. Mas o respeito dentro daquelas quatro linhas? Isso eu tive que arrancar das pessoas. E você... você me olha como se eu fosse apenas um obstáculo no seu caminho.
— Porque você é — afirmou Endrick, sem pestanejar. — Para mim, você não é o "Da Vinci". Você não é o gênio da gastronomia. Você é o cara que veste a mesma camisa que eu e que, às vezes, esquece que o time é maior que o seu espelho.
Mozart ficou em silêncio por um longo momento. A música parecia distante. Ele olhou para Endrick, não com desprezo, mas com uma curiosidade renovada. A maioria das pessoas em Madrid — jogadores, modelos, diretores — tratava Leonardo como uma divindade ou um investimento. Endrick o tratava como um problema a ser resolvido. E, para alguém com o ego de Mozart, isso era irritante, ultrajante e, estranhamente, a coisa mais fascinante que ele encontrou na Espanha.
— Você é irritante, sabia? — Mozart finalmente disse, recuperando a compostura e tomando um gole de sua bebida.
— O sentimento é mútuo — respondeu Endrick, permitindo-se um pequeno sorriso de canto.
— Amanhã, no treino de faltas — Mozart propôs, o brilho competitivo voltando aos olhos. — Dez bolas. Quem errar mais, paga o jantar. E eu não estou falando de tapas em qualquer bar de esquina. Vou cozinhar para você. E garanto que será a refeição mais humilhante da sua vida, porque você terá que admitir que eu sou melhor em duas coisas na mesma noite.
Endrick estendeu a mão, a palma calejada contrastando com a pele impecável de Mozart.
— Fechado. Mas prepare-se, Mozart. Eu não como nada que venha com flores comestíveis ou espuma de ar. Eu quero comida de verdade.
— Veremos — Mozart apertou a mão dele, a pressão sendo devolvida com igual força. — Mas não se acostume com minha atenção, Endrick. Eu ainda pretendo ser o motivo de você ficar no banco na final da Champions.
— Tente a sorte, "Da Vinci". Eu estarei lá para garantir que você não estrague a foto do título.
Os dois se separaram, seguindo caminhos opostos na festa. Mozart voltou para o centro do salão, cercado por flashes e risadas, mas seu olhar voltava, ocasionalmente, para a varanda. Endrick, por sua vez, sentia a adrenalina da competição renovada.
Nas redes sociais, as fotos da festa começavam a circular. Em uma delas, tirada por um paparazzi de longe, os dois apareciam próximos, a tensão entre eles quase visível na imagem granulada.
"@MadridistaZone: Clima tenso na festa? Mozart e Endrick flagrados em discussão acalorada. A dupla de ataque mais cara do mundo está a um passo da guerra ou da glória?"
A resposta, ambos sabiam, viria no gramado do Valdebebas na manhã seguinte. Porque em Madrid, a glória era o único prato que Mozart aceitava servir, e a vitória era a única língua que Endrick fazia questão de falar fluentemente.
A rivalidade estava longe de acabar. Na verdade, sob o céu estrelado da capital espanhola, ela estava apenas começando a queimar. E enquanto o mundo tentava decidir quem era o melhor, eles continuariam se provocando, se testando e, acima de tudo, se forçando a atingir um nível que nenhum dos dois alcançaria sozinho.
— Ele realmente acha que vai ganhar de mim nas faltas — resmungou Endrick para si mesmo, saindo da festa e entrando em seu carro.
Do outro lado, Mozart entrava em sua Lamborghini, um sorriso predatório nos lábios.
— Ele não tem ideia do que eu sou capaz de fazer com uma bola... ou com um molho béarnaise.
Madrid estava pequena demais para os dois. E isso era exatamente o que tornava tudo tão perfeito.
