
Amor destinado
Fandom: House of dragões
Criado: 12/08/2026
Tags
O Sussurro das Sombras em Pedra do Dragão
As ondas do Mar Estreito batiam com fúria contra as falésias de obsidiana de Pedra do Dragão, um som que ecoava o tumulto que crescia no coração de Westeros. No alto da varanda da fortaleza, Daenerys Targaryen observava o horizonte. O vento fustigava seus longos cabelos prateados, que brilhavam sob a luz pálida da lua como fios de seda lunar.
Ela era pequena, quase frágil aos olhos de quem não a conhecia, mas a postura ereta e o olhar violeta carregavam o peso de uma coroa que lhe fora roubada. A usurpação em Porto Real era uma ferida aberta, um insulto ao sangue do dragão que corria em suas veias. Ao seu lado, o calor emanava de três formas colossais que repousavam nas rochas abaixo. Drogon, Rhaegal e Viserion, agora adultos e temíveis, eram a prova viva de que o destino não havia abandonado a Casa Targaryen.
— Eles estão inquietos esta noite — comentou uma voz profunda, vinda das sombras da arcada.
Daenerys não se sobressaltou. Ela já se acostumara com a presença dele, ou melhor, com a falta dela. Cedric Leonor movia-se como uma névoa, sem o som de batimentos cardíacos ou o ruído de respiração.
— O sangue deles ferve quando sentem a injustiça no ar — respondeu Daenerys, sem desviar os olhos do mar. — Ou talvez sintam o cheiro da morte que você carrega, Cedric.
O homem deu um passo à frente, entrando na luz fraca das tochas. Cedric era o oposto da princesa em quase tudo. Alto, com ombros largos e uma musculatura que denotava séculos de batalhas, ele possuía cabelos negros como a asa de um corvo e uma pele tão pálida quanto a dela, embora por motivos muito diferentes. Ele era um ser de eras passadas, um vampiro cujas lendas os plebeus sussurravam para assustar as crianças, mas que agora servia como o protetor mais improvável da herdeira legítima.
— A morte é uma companheira silenciosa, princesa — disse Cedric, aproximando-se o suficiente para que ela sentisse o frio que emanava dele. — Mas seus dragões não me temem. Eles sabem que meu destino está entrelaçado ao seu.
Daenerys finalmente se virou, encarando-o. Ela era alegre por natureza, dona de um riso que costumava iluminar os acampamentos, mas a guerra e a responsabilidade haviam temperado sua doçura com aço.
— Destino é uma palavra perigosa para um imortal — afirmou ela, com um meio sorriso. — Por que um príncipe das sombras se importaria com quem se senta em um trono de ferro forjado por fogo?
Cedric estreitou os olhos. Havia algo possessivo na forma como ele a observava, um instinto antigo que ia além da lealdade política.
— Porque o Trono de Ferro é apenas uma cadeira — declarou ele, a voz baixando para um tom quase inaudível. — Mas você... você é a chama que impede o mundo de mergulhar na escuridão eterna. E eu sempre fui atraído pelo fogo.
Um silêncio tenso se instalou entre eles. Não era o tipo de romance que se lia nos livros de cavalaria, com flores e canções. Era algo lento, construído em vigílias noturnas e segredos compartilhados entre uma nação poderosa que se erguia e um ser místico que já vira nações caírem. Daenerys sentia a intensidade dele, uma força gravitacional que a puxava, mas ela resistia. Ela tinha um reino para conquistar.
— As nações estão se armando, Cedric — disse ela, mudando de assunto para aliviar a tensão. — Os plebeus em Porto Real começam a se revoltar contra o usurpador, mas o exército dele é vasto. Precisaremos de mais do que fogo de dragão. Precisaremos de estratégia.
— E de aliados que não precisam dormir — completou Cedric, com um brilho sombrio nos olhos. — Meus irmãos de sangue estão prontos para se mover sob o comando da Rainha Dragão. Mas o preço da nossa intervenção é alto.
— Eu não venderei minha alma, se é isso que sugere — rebateu Daenerys prontamente.
Cedric soltou uma risada curta, um som raro e melódico.
— Sua alma já é sua, Daenerys. O que eu desejo não pode ser comprado, apenas conquistado.
Antes que ela pudesse responder, um rugido ensurdecedor rasgou o céu. Drogon levantou voo, suas asas negras obscurecendo as estrelas por um momento. O dragão circulou a torre, soltando uma lufada de fogo que iluminou o rosto de Daenerys, destacando sua determinação.
— Ele sente algo — murmurou ela, franzindo a testa.
— O inimigo não está apenas no continente — disse Cedric, subitamente alerta. Suas feições tornaram-se mais rígidas, os sentidos aguçados pela imortalidade. — Há algo vindo das profundezas. Algo que nem mesmo o fogo pode queimar facilmente.
Nos dias que se seguiram, Pedra do Dragão tornou-se o centro de uma aliança improvável. Príncipes de terras distantes chegavam para prestar juramento à herdeira legítima, enquanto figuras encapuzadas, servos de Cedric, moviam-se pelos túneis da ilha. O romance entre a princesa e o vampiro florescia nas frestas do caos, um toque de mãos demorado sobre um mapa de guerra, um olhar trocado durante o banquete onde a comida dela era vinho e carne, e a dele... algo que ela preferia não questionar.
Daenerys sentia-se cada vez mais atraída pela quietude de Cedric. Ele era o seu porto seguro em um mundo que queria sua morte.
— Você nunca me contou como se tornou o que é — disse ela, certa noite, enquanto revisavam relatórios de espiões na Mesa Pintada.
Cedric parou de ler, seus dedos longos tamborilando na madeira esculpida.
— Foi uma escolha feita por amor, há muitos séculos — revelou ele, a voz tingida de uma melancolia ancestral. — E foi o amor que me condenou a ver todos que eu prezava virarem pó. Até que eu vi você nas piras de Essos.
Daenerys sentiu um arrepio que não vinha do frio da sala.
— Você estava lá?
— Eu estava em todos os lugares, Daenerys. Seguindo o rastro da última Targaryen. As almas destinadas têm uma maneira curiosa de se encontrar, não importa quantos séculos passem.
Ela se aproximou dele, sua estatura pequena fazendo-a olhar muito para cima.
— E agora que me encontrou, o que pretende fazer?
Cedric estendeu a mão, tocando levemente uma mecha do cabelo prateado dela.
— Proteger a chama — sussurrou ele. — Mesmo que eu tenha que me queimar nela.
A guerra, no entanto, não esperaria por confissões de amor. A notícia chegou ao amanhecer: o usurpador não apenas fortalecera as defesas de Porto Real, mas invocara rituais antigos. Seres místicos, esquecidos pelo tempo, haviam sido despertados nas Criptas da Fortaleza Vermelha.
— Ele não está usando apenas homens — disse Sor Jorah, entrando na sala com urgência. — Khaleesi, os relatos dizem que sombras vivas estão dizimando as vilas vizinhas. Os plebeus estão fugindo para o norte, mas nada os detém.
Daenerys sentiu a raiva borbulhar.
— Ele ousa profanar o reino com magia negra para manter um trono que não lhe pertence? — Ela caminhou até a janela, chamando seus filhos com um grito agudo. — Preparem os navios. Nós partiremos ao anoitecer.
— Você não pode lutar contra sombras com espadas comuns — advertiu Cedric, surgindo ao lado dela. — Eu irei na vanguarda. Minha espécie conhece o escuro melhor do que qualquer homem.
A batalha por Westeros começou não com um cerco tradicional, mas com uma explosão de fogo e escuridão sobre a Baía da Água Negra. Daenerys montava Drogon, uma visão de majestade e terror, enquanto Rhaegal e Viserion flanqueavam a frota. Abaixo, nas águas e nas sombras das muralhas, Cedric e seus guerreiros imortais travavam uma guerra silenciosa e brutal contra as abominações do usurpador.
O romance, antes contido, tornou-se o combustível da princesa. A cada vez que ela via Cedric mergulhar em meio a uma horda de inimigos, seu coração apertava, uma sensação que ela nunca permitira sentir por ninguém. Ele era sua âncora e seu mistério.
No entanto, o destino guardava uma peça cruel.
No auge da batalha, quando as portas de Porto Real foram rompidas pelo fogo de dragão, Daenerys pousou Drogon no pátio da Fortaleza Vermelha. O usurpador a esperava, mas ele não estava sozinho. Ao seu lado, um homem de túnica vermelha segurava um artefato que pulsava com uma luz doentia.
— Você acha que os dragões são o poder máximo deste mundo? — gritou o usurpador, rindo loucamente. — O sangue Targaryen é a chave, Daenerys. Mas não a chave para o trono.
Cedric surgiu das sombras, avançando para o rei, mas parou bruscamente, caindo de joelhos e soltando um grito de agonia que gelou o sangue de Daenerys.
— Cedric! — ela gritou, tentando descer de Drogon, mas o dragão parecia paralisado por uma força invisível.
— O plot twist, minha querida princesa — disse o usurpador, aproximando-se de Cedric —, é que o seu protetor imortal não está aqui por destino ou amor. Ele está aqui porque o sangue dele é o único que pode selar o portal que eu abri.
Daenerys olhou para Cedric, cujos olhos negros agora brilhavam com uma dor insuportável.
— O que ele está dizendo? — perguntou ela, a voz trêmula.
Cedric olhou para ela, e pela primeira vez, ela viu medo naqueles olhos milenares.
— Daenerys... eu não sabia... — ele arquejou. — Eu procurei por você para restaurar sua casa, mas o preço... o preço sempre foi a minha existência vinculada à sua linhagem.
O usurpador explicou, com um sorriso cruel:
— Para que o Trono de Ferro seja verdadeiramente eterno, ele exige o sacrifício de um ser que nunca morre e o sangue daquela que nunca queima. Ele não é seu amante, Daenerys. Ele é a sua bateria. O amor que ele sente é uma maldição tecida pelos seus ancestrais para garantir que um guardião sempre estivesse ao lado do dragão, pronto para ser consumido quando o trono corresse perigo.
A revelação atingiu Daenerys como um golpe físico. O romance lento, a conexão de "almas destinadas", tudo fora uma manipulação mágica de séculos atrás, um plano de contingência da Casa Targaryen.
— Isso é mentira! — gritou ela, desembainhando sua adaga de aço valiriano. — Cedric, levante-se!
— Eu não consigo... — sussurrou ele. — O vínculo... está drenando tudo.
Daenerys olhou para o trono e depois para o homem que, apesar de ser uma criatura da noite, lhe ensinara sobre lealdade e desejo. O trono era seu direito de nascença, a razão de sua vida. Mas Cedric... Cedric era a primeira coisa que ela escolhera para si mesma, ou assim ela pensara.
A guerra lá fora rugia, mas no pátio, o tempo parecia ter parado.
— Se o meu sangue é a chave — disse Daenerys, sua voz tornando-se fria e cortante como o gelo —, então eu decido qual porta abrir.
Ela não atacou o usurpador. Em vez disso, ela caminhou até Cedric e cortou a própria palma da mão, pressionando-a contra a testa do vampiro.
— Eu renuncio ao trono dos meus antepassados se ele for construído sobre mentiras e correntes! — declarou ela, as palavras ecoando com o poder do alto valiriano.
Uma explosão de luz branca e fogo violeta consumiu o pátio. O artefato nas mãos do usurpador estilhaçou-se, e o portal que começava a se abrir no céu fechou-se com um estrondo de trovão.
Quando a poeira baixou, o usurpador estava morto, atingido pelos estilhaços da própria ganância. Daenerys estava caída sobre o peito de Cedric, exausta. O vampiro abriu os olhos, a cor negra voltando ao normal, mas o brilho possessivo fora substituído por algo novo: uma liberdade genuína.
O vínculo mágico fora quebrado, mas o sentimento que crescera entre eles no silêncio das noites de Pedra do Dragão permanecia.
— Você desistiu da sua coroa — murmurou Cedric, tocando o rosto dela com uma mão agora quente, um milagre da magia que acabara de ocorrer.
Daenerys sorriu, a alegria voltando aos seus olhos violetas apesar das cinzas ao redor.
— Eu não desisti de ser rainha, Cedric. Eu apenas decidi que não serei a rainha que eles planejaram.
Ela se levantou, pequena e poderosa, olhando para os seus três dragões que rugiam em triunfo nos céus de Porto Real. Os plebeus começavam a entrar nos portões, não como conquistados, mas como um povo libertado.
— E agora? — perguntou o vampiro, levantando-se ao lado dela.
— Agora — disse Daenerys Targaryen, a herdeira do trono e a senhora dos dragões —, nós construímos algo novo. E desta vez, será por nossa própria escolha.
O romance entre a chama e a sombra não era mais um destino imposto por fantasmas, mas uma estrada desconhecida que eles trilhariam juntos, enquanto o sol nascia sobre uma Westeros que nunca mais seria a mesma.
