
King k.rool e Diddy Kong
Fandom: Donkey kong
Criado: 12/08/2026
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O Labirinto de Escamas e Pelo
A folhagem densa da Ilha Donkey Kong chicoteava o rosto de Diddy Kong enquanto ele saltava entre raízes expostas e arbustos espinhosos. Ele estava ofegante, o boné vermelho quase caindo de sua cabeça a cada solavanco. O macaquinho tinha se afastado demais do resto da família Kong durante uma caçada a bananas raras e, agora, o sol poente projetava sombras longas e distorcidas que faziam qualquer tronco de árvore parecer um monstro à espreita.
— Só mais um pouco... — murmurou Diddy para si mesmo, tentando recuperar o fôlego. — Se eu passar por aquele desfiladeiro, chego na casa do Donkey antes do jantar.
Ele deu um salto desesperado para fora de uma moita, fechando os olhos por um segundo para se proteger dos galhos. No entanto, em vez de atingir o chão duro ou a grama macia, ele sentiu um impacto surdo contra algo vasto, firme e, ao mesmo tempo, estranhamente macio.
Diddy quicou para trás e caiu sentado. Ao olhar para cima, sua visão foi preenchida por uma parede de escamas douradas e uma barriga imensa que parecia uma couraça de metal polido, mas que cedia levemente ao toque. Seus olhos subiram, passando pelo manto vermelho real, até encontrarem o olho injetado e a mandíbula repleta de dentes afiados de King K. Rool.
O Rei dos Kremlings cruzou os braços sobre o peito maciço, soltando uma risada rouca que fez as folhas das árvores vibrarem.
— Oh, o que temos aqui? — rosnou K. Rool, com um sorriso predatório. — Um macaquinho travesso perdido no meu caminho.
Diddy Kong sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele tentou se levantar rapidamente, ajustando o boné com as mãos trêmulas.
— Espera, K. Rool! — exclamou o pequeno Kong, dando passos para trás. — Eu só estava de passagem, juro! Eu já estava saindo, não quero confusão hoje.
K. Rool deu um passo à frente, sua sombra engolindo o pequeno primata. A capa do vilão balançava com o vento noturno, e o brilho sinistro em seu olho bom indicava que ele não tinha intenção de deixar sua presa escapar tão facilmente.
— Saindo? Tão cedo? — K. Rool soltou uma gargalhada estrondosa. — A diversão está apenas começando, pequeno Diddy. Vem com o papai!
Antes que Diddy pudesse reagir ou disparar suas pistolas de amendoim, as mãos enormes de K. Rool avançaram. Com uma agilidade surpreendente para o seu tamanho, o rei crocodilo agarrou Diddy pela cintura. O macaquinho soltou um guincho de surpresa enquanto era erguido no ar como se não pesasse mais do que uma fruta.
— Me solta, seu lagarto gigante! — gritou Diddy, chutando o ar e tentando se desvencilhar.
— Guarde fôlego, pirralho — disse K. Rool, acomodando o macaquinho debaixo do braço, pressionando-o contra sua barriga grande e morna. — Você será um excelente refém, ou talvez apenas uma companhia divertida enquanto eu planejo meu próximo ataque.
K. Rool começou a caminhar pela floresta, ignorando os protestos de Diddy. O macaquinho estava firmemente preso entre o braço musculoso do rei e a superfície lisa e protuberante de sua barriga real. Por mais que tentasse se soltar, a força de K. Rool era absoluta.
— Você sabe que o Donkey vai vir atrás de mim, não sabe? — provocou Diddy, embora sua voz estivesse um pouco abafada pela lateral do corpo de K. Rool. — Ele vai te dar outra surra!
— Deixe que ele venha — respondeu o rei, subindo uma encosta rochosa que levava a uma parte desconhecida da ilha. — Até lá, você e eu temos muito o que conversar sobre como sua família é irritante.
Enquanto caminhavam, a conversa entre os dois era uma mistura estranha de insultos e observações sarcásticas. K. Rool parecia quase se divertir com a audácia do pequeno Kong, enquanto Diddy, apesar do medo, não conseguia manter a boca fechada.
— Por que você sempre usa essa coroa, K. Rool? — perguntou Diddy, tentando encontrar um ponto fraco. — Ela parece pesada e deixa você mais lento.
— É o peso da autoridade, seu primata insolente — retrucou K. Rool, bufando. — Coisa que você e seu amigo brutamontes nunca entenderiam, vivendo em cabanas de palha.
Eles estavam atravessando um antigo templo de pedra escondido sob as raízes de uma árvore gigante quando o chão começou a tremer. K. Rool parou bruscamente, seus olhos girando em direções opostas enquanto tentava identificar o perigo.
— O que foi isso? — perguntou Diddy, parando de lutar por um momento.
— Parece que o solo aqui é tão instável quanto a sua inteligência — rosnou K. Rool.
Antes que qualquer um deles pudesse se mover, o chão de pedra sob os pés massivos do rei cedeu completamente. Um estrondo ensurdecedor ecoou pelo templo enquanto o solo desmoronava em um abismo de escuridão. K. Rool soltou um rugido de surpresa, apertando Diddy contra si instintivamente para não perdê-lo na queda.
Os dois despencaram por vários metros, batendo em saliências de rocha e deslizando por um duto de pedra íngreme. Diddy sentiu o vento silvando em seus ouvidos e o calor das escamas de K. Rool protegendo-o dos impactos mais severos contra as paredes. Finalmente, eles atingiram o fundo com um baque seco que levantou uma nuvem de poeira milenar.
O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelo som da respiração pesada de K. Rool e pelos tosses de Diddy.
— Você... você está bem? — perguntou Diddy, saindo debaixo do braço do rei, que agora estava caído de costas no chão.
K. Rool gemeu, sentando-se devagar e massageando a nuca. Ele olhou ao redor, vendo apenas paredes de pedra lisa e uma pequena abertura no teto, lá no alto, por onde a luz da lua mal penetrava.
— Eu sou um rei, seu verme. Eu sou indestrutível — resmungou K. Rool, embora sua coroa estivesse torta. — Mas onde diabos estamos?
Diddy correu até a parede e tentou escalá-la, mas a pedra era úmida e coberta por um limo escorregadio. Ele caiu de volta ao chão após subir apenas alguns centímetros.
— Estamos presos — disse Diddy, o pânico começando a subir em sua voz. — É uma sala secreta, e a saída está muito alta!
K. Rool levantou-se e caminhou até uma inscrição na parede oposta, iluminada por um cristal fosforescente que brilhava fracamente no escuro. Ele estreitou o olho, lendo as runas antigas.
— "Aquele que cair no ventre da terra deverá aguardar o ciclo de três sóis para que o portal da paciência se abra novamente" — leu K. Rool em voz alta, sua voz falhando levemente no final.
Diddy arregalou os olhos.
— Três sóis? Isso quer dizer... três dias?
— Três dias — confirmou K. Rool, sentando-se pesadamente no chão, fazendo a sala inteira vibrar. — Três dias preso neste buraco com um macaco barulhento. Este é o meu pior pesadelo.
Diddy Kong sentou-se a alguns metros de distância, abraçando os próprios joelhos. A ficha estava caindo. Não havia comida, não havia como sair, e sua única companhia era seu maior inimigo.
— O Donkey vai me encontrar — afirmou Diddy, tentando soar confiante.
— Ninguém nos encontrará aqui, pequeno Kong — disse K. Rool, fechando o olho e encostando a cabeça na parede fria. — Este lugar foi projetado para esconder segredos. Agora, faça um favor ao seu rei e fique quieto. Eu preciso pensar em como não te devorar nas próximas setenta e duas horas.
As primeiras horas foram marcadas por um silêncio tenso. Diddy não conseguia parar de balançar as pernas, o som de suas mãos batendo no chão irritando K. Rool profundamente. O rei, por sua vez, soltava suspiros dramáticos e resmungava sobre como seus generais eram incompetentes por não terem mapeado aquele setor da ilha.
— K. Rool? — chamou Diddy, sua voz ecoando na sala vazia.
— O que é agora? — rosnou o crocodilo.
— Eu estou com fome.
— Coma o seu boné — respondeu K. Rool rudemente. — Eu também estou com fome, e você parece cada vez mais uma banana gigante para mim.
Diddy engoliu em seco e se afastou um pouco mais. No entanto, o frio da caverna começou a se infiltrar. Sem o sol da selva, a temperatura caiu drasticamente. Diddy começou a tremer, seus dentes batendo audivelmente.
K. Rool abriu um olho e observou o pequeno macaquinho se encolhendo em um canto. Ele soltou um bufo de desdém, mas algo em sua expressão mudou.
— Venha aqui, macaquinho — ordenou o rei.
— Para você me morder? Nem pensar! — disse Diddy, abraçando-se com mais força.
— Se eu quisesse te comer, já teria feito isso no momento em que caímos — disse K. Rool, estendendo um braço enorme. — Você está tremendo e o som está me irritando. Venha logo.
Hesitante, Diddy se aproximou. K. Rool o puxou para perto de sua barriga grande e macia, cobrindo-o parcialmente com sua capa vermelha de veludo. O calor que emanava do corpo massivo do rei era reconfortante. Diddy, exausto pelo estresse do dia, acabou relaxando contra as escamas douradas.
— Você não é tão ruim quando está calado — murmurou K. Rool, sua voz soando mais baixa e menos ameaçadora.
— E você é mais macio do que parece — respondeu Diddy, bocejando.
No segundo dia, a fome e o tédio começaram a cobrar seu preço. Eles passaram horas discutindo sobre as batalhas passadas. Diddy contava histórias sobre as travessuras de Dixie e as invenções de Funky, enquanto K. Rool, surpreendentemente, começou a falar sobre sua infância nos pântanos distantes e como ele sempre sentiu que precisava provar seu valor conquistando a ilha.
— Sabe, K. Rool — disse Diddy, brincando com uma pedrinha no chão —, se você não tentasse roubar nossas bananas o tempo todo, a gente até poderia ser amigo. Você é bom em contar histórias.
K. Rool soltou uma risada seca.
— Amigos? Um rei não tem amigos, Diddy Kong. Um rei tem súditos e inimigos. Mas... admito que suas histórias sobre o Donkey caindo em armadilhas de barris são levemente divertidas.
— Viu só! Você riu! — exclamou Diddy, apontando para o rosto do rei.
— Foi um espasmo muscular — mentiu K. Rool, embora um pequeno sorriso permanecesse em seus lábios.
Eles descobriram uma pequena goteira em um canto da sala que lhes fornecia água fresca, o que ajudou a manter suas forças. K. Rool usou sua força para mover algumas pedras e criar um assento mais confortável para ambos. A dinâmica entre eles havia mudado; a hostilidade bruta deu lugar a uma camaradagem forçada, mas genuína.
No terceiro dia, a fraqueza era evidente. Eles passavam a maior parte do tempo deitados, conservando energia. Diddy estava deitado sobre a barriga de K. Rool, que servia como um travesseiro vivo e quente. O rei, por sua vez, usava sua mão grande para dar tapinhas leves nas costas do macaco, um gesto inconsciente de conforto.
— K. Rool? — chamou Diddy, quase em um sussurro.
— Sim, macaquinho?
— Quando a porta abrir... a gente vai voltar a ser inimigo?
K. Rool ficou em silêncio por um longo tempo, olhando para o teto onde a luz do terceiro sol começava a brilhar com intensidade.
— O mundo lá fora espera que sejamos assim — disse o rei com uma nota de melancolia. — Eu tenho um império para liderar e você tem uma família para proteger.
— Mas a gente não precisa se odiar tanto, né? — insistiu Diddy.
K. Rool suspirou, o movimento de seu peito elevando Diddy alguns centímetros.
— Talvez... da próxima vez que eu tentar roubar seu estoque, eu deixe você escapar com um aviso. Apenas desta vez.
De repente, um som de engrenagens rangendo ecoou pelas paredes. A parede de pedra à frente deles começou a deslizar para o lado, revelando um túnel que levava de volta à superfície. O ar fresco da floresta inundou a sala, trazendo consigo o cheiro de flores e terra úmida.
K. Rool levantou-se lentamente, colocando Diddy no chão. O macaquinho correu para a saída, mas parou na entrada do túnel e olhou para trás. O rei estava parado no centro da sala, ajustando sua coroa e recuperando sua postura imponente e autoritária.
— Vá logo, Diddy Kong — disse K. Rool, sua voz voltando ao tom ríspido de sempre. — Antes que eu mude de ideia e decida que macaco assado é uma boa opção para o jantar.
Diddy sorriu, sabendo que era apenas uma fachada.
— Até a próxima, K. Rool! E obrigado por... você sabe, não me esmagar.
O macaquinho travesso saiu correndo pelo túnel, saltando de alegria ao ver a luz do dia. K. Rool observou-o partir até que ele desaparecesse de vista. O rei então olhou para sua própria barriga e soltou um suspiro curto, limpando um pouco de pelo de macaco que havia ficado grudado em suas escamas reais.
— Três dias perdidos... — resmungou K. Rool para as paredes vazias. — Ou talvez não tão perdidos assim.
Com um rugido de comando que ecoou pelas profundezas do templo, o Rei dos Kremlings caminhou em direção à sua própria fortaleza, já imaginando qual seria a desculpa que daria aos seus soldados por ter sumido por tanto tempo. Mas, no fundo de sua mente, ele sabia que aquela sala secreta guardaria para sempre o segredo de uma amizade improvável que floresceu na escuridão.
