
My obsessed wife
Fandom: EngLot
Criado: 13/08/2026
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O Labirinto de Vidro e Sangue
O silêncio na cobertura da Waraha Security era absoluto, interrompido apenas pelo clique seco e rítmico de um cubo mágico sendo manipulado com velocidade sobre-humana. Engfa Waraha estava sentada em sua poltrona de couro preto, os olhos escuros fixos no objeto, embora sua mente estivesse a quilômetros dali, monitorando cada movimento de Charlotte Austin através dos feeds de segurança privados que ela mesma instalara no prédio da Austin Tech.
Engfa tinha 1,80m de pura presença intimidadora. O cabelo castanho-escuro estava perfeitamente alinhado, e o terno sob medida escondia a tensão de um corpo que funcionava como uma arma carregada. Para o mundo, ela era a CEO brilhante e implacável que dominava o mercado de segurança global. Para si mesma, ela era apenas o satélite que orbitava o sol chamado Charlotte.
O cubo deu o último clique. Todas as cores no lugar. Engfa o deixou sobre a mesa e olhou para o relógio. 17h45. Era hora de buscar sua vida.
No caminho para a saída, seu secretário, um homem que tremia levemente sempre que Engfa o encarava por mais de dois segundos, tentou interceptá-la.
— Senhora Waraha, os investidores da rodada de Singapura estão aguardando na sala de conferências. Eles dizem que é urgente e...
Engfa parou. O movimento foi tão súbito que o homem quase colidiu com ela. Ela inclinou a cabeça, os olhos desprovidos de qualquer brilho de empatia humana, analisando-o como se decidisse qual parte dele seria mais fácil de quebrar.
— Eles são a Charlotte? — perguntou ela, a voz baixa e monocórdica.
— N-não, senhora.
— Então eles não são urgentes. Diga a eles que, se continuarem a desperdiçar meu tempo com a presença medíocre deles, eu pessoalmente revisarei os protocolos de segurança de suas casas. E eles sabem o que isso significa.
Sem esperar resposta, ela seguiu para o elevador privativo. No banco de trás do carro, já a aguardavam um buquê de rosas vermelhas colhidas naquela manhã e uma caixa de chocolates 50% amargos de uma chocolatier suíça exclusiva. Engfa tocou as pétalas com uma delicadeza que ninguém acreditaria que ela possuía. Aquelas mãos, que podiam traçar estratégias de guerra e silenciar inimigos sem remorso, agora só queriam acariciar as sardas no rosto de Charlotte.
Na Austin Tech, Charlotte terminava de revisar um código de inteligência artificial. Ela suspirou, passando a mão pelo cabelo castanho-claro ondulado. Estava exausta, mas um sorriso suave surgiu em seus lábios quando viu a notificação em seu celular. “Estou no saguão. Cinco minutos.”
Ela sabia que Engfa não gostava de esperar, não por impaciência comum, mas porque cada segundo longe de Charlotte era um erro sistemático na realidade de Engfa.
Ao descer, Charlotte encontrou a figura imponente de sua esposa encostada no carro preto blindado. A aura de perigo que emanava de Engfa desapareceu no instante em que seus olhos encontraram os de Charlotte. O desdém habitual foi substituído por uma adoração que beirava o religioso.
— Oi, meu amor — disse Charlotte, aproximando-se e sentindo os braços fortes de Engfa envolverem sua cintura imediatamente.
— Você está três minutos atrasada — murmurou Engfa, enterrando o rosto no pescoço de Charlotte, inalando seu perfume. — Eu quase subi para buscar você.
— Eu só estava fechando um arquivo, Engfa. Não precisa queimar o prédio por causa de três minutos — brincou Charlotte, embora soubesse que, no fundo, Engfa não achava graça.
Engfa se afastou apenas o suficiente para entregar as flores e os chocolates.
— Para você. Como foi o seu dia? Alguém te incomodou? Alguém olhou para você de um jeito que não deveria?
Charlotte suspirou, entrando no carro enquanto Engfa a seguia como uma sombra protetora.
— Foi tranquilo, Engfa. Tive uma reunião com o novo diretor de marketing, o senhor Smith. Ele é muito talentoso.
O clima dentro do carro esfriou instantaneamente. Charlotte sentiu a tensão irradiar do corpo de Engfa, que agora olhava para a janela com uma expressão gélida.
— Smith — repetiu Engfa, a palavra soando como uma sentença de morte. — O homem de trinta e poucos anos que se divorciou recentemente e tem o hábito irritante de tocar no ombro das pessoas quando fala?
Charlotte sentiu um arrepio. Ela nunca tinha mencionado esses detalhes para Engfa.
— Como você sabe disso? — perguntou Charlotte, embora já soubesse a resposta.
— Eu pesquiso qualquer um que respire o mesmo ar que você, Charlotte. É meu trabalho garantir que nada infecte o seu mundo.
— Engfa, ele é apenas um colega. Você prometeu que ia tentar socializar mais, ser mais... humana com as pessoas ao meu redor.
Engfa virou-se para ela, os olhos brilhando com uma intensidade possessiva que sempre fazia o coração de Charlotte oscilar entre o amor e o pavor.
— Eu não quero ser humana, Charlotte. Eu quero ser o que você precisar. Mas se esse homem tocar em você de novo, eu vou garantir que ele nunca mais consiga levantar um braço.
— Por favor, não machuque ninguém — pediu Charlotte, segurando a mão de Engfa. — Por mim?
Engfa olhou para as mãos entrelaçadas. O contraste era nítido: a pele macia e sardenta de Charlotte contra a mão firme e calejada de Engfa. Por um momento, a psicopata deu lugar à esposa devota.
— Por você — sussurrou Engfa, beijando os nós dos dedos de Charlotte. — Apenas por você.
Ao chegarem em casa, o santuário que Engfa construíra para as duas, o clima mudou. Era um refúgio de vidro e arte, onde os quadros pintados por Charlotte decoravam as paredes, trazendo cor à vida monocromática de Engfa.
Enquanto Charlotte se trocava, Engfa preparou o jantar. Ela era metódica na cozinha, cortando os vegetais com uma precisão cirúrgica. Ela não sentia prazer em comer, mas sentia prazer em ver Charlotte satisfeita.
— Engfa? — chamou Charlotte da sala.
— Estou aqui, pequena.
Charlotte apareceu na cozinha segurando uma câmera fotográfica.
— Fica parada. A luz está perfeita em você.
Engfa odiava ser fotografada. Odiava ser observada. Mas para Charlotte, ela era o modelo mais paciente do mundo. Ela parou, a faca ainda na mão, olhando diretamente para a lente com um olhar que Charlotte sabia que só ela recebia: uma entrega total.
Click.
— Linda — sorriu Charlotte, aproximando-se para mostrar a foto.
Engfa nem olhou para a tela. Ela envolveu a cintura de Charlotte, puxando-a para perto, sentindo o calor do corpo da esposa contra o seu.
— Você é a única coisa bonita nesta casa, Charlotte. Tudo o que eu faço, cada sistema que eu crio, cada pessoa que eu... neutralizo... é para que você possa continuar pintando e tirando fotos em paz.
Charlotte sentiu um nó na garganta. A devoção de Engfa era um peso de ouro. Era preciosa, mas às vezes a sufocava.
— Eu sei que você me ama, Engfa. Mas às vezes eu tenho medo do que você é capaz de fazer. O mundo não é um jogo de puzzle que você pode simplesmente forçar as peças a se encaixarem.
— Para mim, é — respondeu Engfa com uma sinceridade assustadora. — Se uma peça não se encaixa no quadro da sua felicidade, eu a descarto.
— E se a peça for eu? E se eu cometer um erro? — perguntou Charlotte em um sussurro, testando os limites daquela obsessão.
Engfa parou. Ela soltou a faca sobre a bancada e segurou o rosto de Charlotte com as duas mãos. Seus polegares acariciaram as sardas sob os olhos da esposa.
— Você é o quadro, Charlotte. Você não é uma peça. Você é a razão pela qual o jogo existe. Eu nunca, jamais, machucaria você. Eu preferiria arrancar meu próprio coração com as mãos do que ver uma lágrima de dor cair dos seus olhos por minha causa.
Charlotte fechou os olhos, deixando-se levar pelo sentimento. Ela sabia que Engfa falava a verdade. A Waraha era um monstro para o resto da humanidade, uma criatura sem alma que via pessoas como números ou obstáculos. Mas ali, naquele abraço, ela era apenas Engfa, a mulher que comprava chocolates amargos e rosas todos os dias.
— Amanhã temos aquele jantar beneficente da fundação de tecnologia — lembrou Charlotte, tentando mudar de assunto para algo mais leve. — Você prometeu que iria comigo. E prometeu que não ia assustar os doadores.
Engfa soltou um suspiro de desdém, encostando a testa na de Charlotte.
— Socializar. O passatempo favorito das pessoas medíocres que gostam de ouvir a própria voz.
— É importante para a minha empresa, Engfa. Por favor. Tente ser... gentil?
— Eu serei o que você quiser que eu seja — cedeu Engfa. — Mas se aquele diretor de marketing estiver lá e tentar falar com você por mais de cinco minutos, não garanto que ele sairá da festa com a mesma contagem de dentes.
— Engfa!
— Brincadeira — disse Engfa, embora o brilho em seus olhos sugerisse que não era brincadeira nenhuma. — Talvez.
Charlotte riu, uma risada clara que iluminou o rosto de Engfa. Era o som favorito da CEO. Ela faria qualquer coisa para mantê-lo assim.
Naquela noite, enquanto Charlotte dormia profundamente, Engfa permaneceu acordada, sentada na beira da cama, observando a respiração rítmica da esposa. Ela pegou seu tablet e abriu um relatório detalhado. O tal senhor Smith tinha algumas irregularidades fiscais em seu passado. Nada muito grave, mas o suficiente para que a Waraha Security pudesse "sugerir" uma transferência para outra filial, bem longe de Charlotte.
Engfa sorriu, um sorriso predatório e satisfeito.
— Ninguém chega perto do que é meu — sussurrou ela, inclinando-se para beijar a testa de Charlotte.
Ela voltou para o seu cubo mágico, resolvendo-o repetidamente no escuro, enquanto planejava como manter o mundo de Charlotte perfeito, mesmo que tivesse que manchar as próprias mãos de sangue para garantir que a esposa nunca visse nada além de flores e cores. Para Engfa, o amor não era um sentimento; era uma estratégia de proteção absoluta. E ela nunca perdia um jogo.
