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Mamar

Fandom: Jikook

Criado: 13/08/2026

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O Santuário dos Momentos Roubados

O silêncio na residência Park-Jeon era um artigo de luxo, uma joia rara que Jimin aprendera a valorizar acima de quase tudo. Ele passou a mão delicadamente pelos próprios cabelos ruivos flamejantes, sentindo os fios sedosos entre os dedos, enquanto observava o peito de Minji subir e descer suavemente. Sua filhotinha finalmente adormecera após um dia cheio de risadas, correrias e brincadeiras que pareciam não ter fim. A respiração dela era lenta e uniforme sob o cobertor aconchegante, um som que trazia uma paz imediata ao coração do alfa.

Do outro lado do quarto, Jungkook estava encolhido na cama grande, uma visão que sempre fazia o pulso de Jimin acelerar. As bochechas de seu ômega estavam rosadas, brilhando levemente sob a luz fraca do abajur de sal que iluminava o canto do cômodo. O coração de Jimin se encheu de uma alegria transbordante. Seu ômega estava em paz agora, mas ele sabia que esse silêncio não duraria muito. Minji, apesar de pequena, possuía uma energia inesgotável e uma percepção aguçada que rivalizava com a de qualquer adulto.

O desejo de Jimin era simples, mas profundo — ele só queria mamar em Jungkook. Não era apenas uma necessidade física de alfa, mas um anseio pela conexão íntima que acalmava sua alma e reafirmava o vínculo que os unia. No entanto, Minji era sua pequena guardiã. A menina era ferozmente protetora de Jungkook e parecia ter um sexto sentido para detectar quando Jimin tentava ter um momento a sós com seu ômega. Ela se enfiava entre eles, reivindicava o colo de Jungkook e olhava para Jimin com aqueles olhinhos determinados, como se dissesse que o ômega pertencia apenas a ela.

Agora, com Minji finalmente entregue ao mundo dos sonhos, Jimin atravessou o quarto na ponta dos pés, cada passo calculado para não fazer o assoalho de madeira ranger. Ele se ajoelhou ao lado de Jungkook, sentindo o calor que emanava do corpo do outro. Seus dedos traçaram padrões preguiçosos e ternos na pele macia do braço de Jungkook, um convite silencioso.

Os olhos de Jungkook se abriram lentamente, encontrando o olhar caloroso e faminto de Jimin. Um sorriso sonolento curvou os lábios do ômega.

— Ela está realmente dormindo? — Jungkook sussurrou, a voz quase um sopro, temendo que qualquer som mais alto pudesse quebrar o feitiço do sono da filha.

Jimin sorriu, inclinando-se para depositar um beijo gentil na têmpora de Jungkook, sentindo o perfume doce de baunilha e leite que sempre o embriagava.

— Por enquanto — respondeu Jimin no mesmo tom baixo. — Só por um tempo, meu amor.

Lentamente, Jungkook se acomodou melhor, abrindo espaço e puxando levemente a gola da camiseta. Jimin se inclinou, finalmente capaz de saciar aquela fome silenciosa que o acompanhara durante todo o dia. O mundo fora daquela pequena bolha de intimidade deixou de existir. Ali, naquele momento terno, eles não eram apenas pais ou pilares de uma casa; eram duas almas encontrando paz, nutrição e refúgio uma na outra.

Os minutos passaram como se fossem segundos. Enquanto Jimin se conectava a Jungkook, sentiu todo o barulho, o estresse e as responsabilidades do dia desaparecerem. Era como se o tempo tivesse parado para permitir que eles respirassem. Minji se mexeu suavemente em seu sono, soltando um murmúrio baixinho, mas não acordou. O tempo secreto deles permaneceu intocado, protegido pelas sombras suaves do quarto.

O cabelo ruivo de Jimin roçava suavemente na pele rosada de Jungkook, criando um contraste vibrante. Naquele quarto silencioso, envolto em um amor que não precisava de palavras, tudo parecia perfeito.

Por agora.

Jimin se afastou um pouco, sua respiração se misturando à de Jungkook enquanto descansavam próximos, as testas coladas. Seus dedos encontraram a mão de Jungkook, apertando-a com uma urgência carinhosa.

— Senti falta disso — murmurou Jimin, a voz carregada de uma emoção que fazia seu peito vibrar.

Jungkook sorriu timidamente, um leve rubor colorindo suas bochechas de forma ainda mais intensa sob o olhar ardente do alfa.

— Senti sua falta também, Jimin — confessou Jungkook, acariciando o rosto do marido. — Tem sido difícil com a Minji sempre por perto. Ela parece decidir que precisa de mim exatamente no momento em que você se aproxima.

Jimin assentiu, rindo baixo. Ele entendia perfeitamente. A filhotinha deles era um poço de energia e amor puro, mas tinha um jeito peculiar de sentir quando os pais precisavam de espaço — e então invadir o território sem qualquer aviso prévio. Era a dinâmica deles, lindamente caótica e exaustiva, mas eles não a trocariam por nada no mundo.

Nesse momento, um pequeno bocejo escapou dos lábios de Minji, seguido pelo som de lençóis sendo chutados. O coração de Jimin deu um pulo, o instinto de alerta disparando. Ele se afastou delicadamente, a contragosto, e depositou um último beijo na testa de Jungkook.

— Deveríamos voltar antes que ela acorde e perceba que o "território" dela foi invadido — brincou Jimin, embora houvesse um fundo de verdade em suas palavras.

Jungkook rolou para o lado, esticando o braço para envolver a cintura de Jimin, tentando prolongar o contato por mais alguns segundos.

— Promete que teremos mais momentos de silêncio como este? — pediu o ômega, os olhos brilhando com uma mistura de cansaço e adoração.

— Sempre que tivermos oportunidade — prometeu Jimin, selando o acordo com um beijo rápido nos lábios de Jungkook. — Eu vou caçar cada segundo de silêncio que essa pequena nos der.

Enquanto se recostavam nos travesseiros, com cuidado redobrado para não perturbar a filha, o quarto parecia vibrar com uma paz que só se encontra em lares construídos sobre alicerces de paciência e afeto. Os cabelos ruivos de Jimin refletiam a tênue luz da lua que agora filtrava pelas cortinas, e o brilho rosado de Jungkook parecia irradiar de dentro para fora, uma aura de contentamento.

Lá fora, o mundo continuava seu giro frenético, alheio ao que acontecia entre aquelas quatro paredes. Mas ali, naquela pequena sala cheia de promessas sussurradas e respirações coordenadas, o tempo havia desacelerado o suficiente para que eles pudessem saborear o que realmente importava.

Jimin sabia que, não importava o caos que o amanhecer trouxesse — e ele certamente traria, provavelmente na forma de uma Minji pulando na cama pedindo café da manhã —, aquela noite, aqueles minutos roubados, pertenceriam apenas aos dois.

O luar entrava pela janela entreaberta, projetando suaves padrões prateados no piso de madeira, como se a própria natureza estivesse decorando o santuário deles. Jimin estava encolhido ao lado de Jungkook, seus corpos se encaixando com uma perfeição que anos de convivência haviam refinado. Eram duas metades de um todo, encontrando equilíbrio no contato físico. O zumbido silencioso da noite os envolvia, um casulo macio protegendo sua frágil e preciosa paz.

Minji ainda dormia profundamente em seu berço próximo à cama, seu peito minúsculo subindo e descendo em um ritmo constante que servia como metrônomo para a tranquilidade do quarto. Normalmente, ela era um verdadeiro furacão — curiosa, travessa e, acima de tudo, a sombra de Jungkook. Mas a exaustão de um dia inteiro de descobertas finalmente a havia conquistado, dando a seus pais o raro presente da solidão compartilhada.

Os olhos de Jimin percorreram cada detalhe do rosto de Jungkook. O modo como seus cílios tremulavam levemente, como se ele estivesse sonhando acordado, e o aroma que emanava dele — uma mistura reconfortante de lavanda e o cheiro natural e doce de um ômega bem cuidado. Aquele cheiro amenizava uma fome que Jimin sentia na alma, uma necessidade de ser um com seu parceiro.

Ele se aproximou novamente, os lábios roçando a pele macia da clavícula de Jungkook, sentindo o calor da vida pulsando ali. A respiração de Jungkook engasgou por um momento, um arrepio visível percorrendo sua espinha enquanto os dedos de Jimin se enroscavam delicadamente em seus cabelos escuros, que pareciam brilhar sob a luz prateada. Havia uma ternura ali que nenhuma poesia seria capaz de descrever, uma linguagem que eles haviam desenvolvido no silêncio de muitas noites.

— Esperei o dia todo por isso — sussurrou Jimin, a voz rouca, carregada de um desejo que ia além do carnal. — Só para estar assim, sem ninguém entre nós, sentindo você.

Os olhos de Jungkook se abriram novamente, agora mais lúcidos, transbordando uma confiança absoluta.

— Eu sei, Mimi — respondeu Jungkook, usando o apelido carinhoso que sempre desarmava o alfa. — Eu também queria. Mas a Min... você sabe como ela é. Ela não gosta de dividir o que considera dela. E, para ela, eu sou o porto seguro exclusivo.

Jimin riu baixinho, o som vibrando contra o peito de Jungkook, agindo como um bálsamo para qualquer tensão remanescente.

— Nossa filha tem um coração imenso — disse Jimin —, mas ela herdou sua teimosia. Ela é feroz quando se trata de proteger quem ama.

Eles compartilharam um sorriso cúmplice, um daqueles momentos em que as palavras se tornam desnecessárias porque a alma já compreendeu tudo. Jimin se aproximou mais uma vez, sentindo a pulsação de Jungkook sob seus lábios, firme, segura e acolhedora. Enquanto ele se permitia aquele momento de nutrição e conexão, o mundo externo se dissipou completamente. As contas a pagar, as preocupações com o futuro, o barulho da cidade... tudo virou cinzas diante daquela realidade palpável.

Os minutos se transformaram em uma hora, e cada segundo era como um fio de ouro tecendo uma tapeçaria que os unia ainda mais. Jimin sentiu Jungkook relaxar completamente sob seu toque, as mãos do ômega repousando levemente em seus quadris, ancorando-o naquele momento de entrega. Aquilo era muito mais do que um ato físico; era uma comunhão, um ritual de pertencimento que renovava as forças de ambos.

De repente, um leve rangido vindo do berço os fez congelar instantaneamente. O instinto de pais falou mais alto que qualquer desejo. Os olhos de Minji, ainda pesados de sono, se abriram, e ela piscou algumas vezes, tentando focar a visão na penumbra. Jimin se afastou com movimentos lentos e fluidos, esticando o braço para afastar uma mecha de cabelo que caía sobre os olhos da pequena.

— Ei, filhotinha — sussurrou ele, a voz tornando-se instantaneamente doce e tranquilizadora. — Está tudo bem. Estamos aqui. O papai só estava cuidando do ômega dele.

Minji soltou um longo bocejo, esticando os bracinhos antes de se aconchegar novamente em seu cobertor de pelúcia. A proteção feroz que ela demonstrava durante o dia agora era apenas uma afeição sonolenta e vulnerável.

— Não deixe o papai sozinho... — murmurou a menina, a voz rouca pelo sono, as palavras se atropelando. — O ômega é meu também...

Jimin não pôde evitar o riso contido, beijando a mãozinha gorda da filha que se agarrava ao lençol.

— Nunca, pequena guardiã. Estamos todos juntos. Sempre.

Enquanto as pálpebras de Minji pesavam e ela voltava a mergulhar no sono profundo, Jimin e Jungkook trocaram um olhar carregado de significado. Era um voto silencioso, uma promessa de que, apesar dos desafios e da falta de tempo, eles sempre dariam um jeito de encontrar esses momentos roubados. Eles enfrentariam mil interrupções de sono se isso significasse manter aquela chama acesa.

Horas depois, quando a primeira e tímida luz do amanhecer começou a pintar as bordas das cortinas de um tom azulado, Jimin acordou. Jungkook ainda estava ali, aninhado contra ele, a respiração calma e ritmada. Minji, em seu berço, dormia pacificamente, parecendo um anjo que jamais causaria qualquer confusão. O quarto ainda vibrava com a magia silenciosa da noite anterior.

Jimin inclinou-se e deu um beijo suave na têmpora de Jungkook, sentindo a pele morna e o cheiro de casa.

— Pronto para mais um dia protegendo nosso mundinho? — perguntou ele em um sussurro, quando viu os olhos de Jungkook começarem a se abrir.

Jungkook sorriu, um sorriso que iluminou o quarto mais do que o sol nascente jamais conseguiria. Os olhos ainda estavam pesados, mas brilhavam com um amor inabalável.

— Sempre, Mimi — respondeu o ômega, puxando Jimin para um abraço apertado. — Com você e a Minji, eu já tenho tudo o que preciso. Estou em casa.

E naquela verdade simples, Jimin encontrou sua âncora. Ele tinha o amor feroz de sua filhotinha, a força terna e resiliente de seu ômega e a certeza de que, não importa o quão difícil fosse o dia, a noite sempre traria a promessa de um novo encontro silencioso.

Ele só queria aquele momento de conexão, e no final, ele teve muito mais do que isso. Ele tinha uma vida inteira para amar.

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