
I love you more than i love me
Fandom: Alien stage
Criado: 13/08/2026
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O Eco de um Beijo de Algodão-Doce
O sol entrava pela janela do quarto, pintando tudo com um tom dourado que parecia quente demais, real demais. Mizi estava sentada na beira da cama de Sua, os cabelos longos e rosados caindo como uma cascata de seda, as pontas azuis brilhando sob a luz. Ela sorria, aquele sorriso que fazia o coração de Sua errar a batida, e seus olhos dourados brilhavam com uma intensidade que beirava o hipnótico.
— Você fica tão linda quando está distraída, Sua — Mizi murmurou, a voz rouca, profunda e carregada de uma sensualidade natural que fazia a pele de Sua arrepiar.
Sua sentiu o toque das mãos de Mizi em seu rosto, a pele quente contra a sua palidez. Ela queria dizer algo, queria dizer que a amava desde o primeiro dia em que se viram no corredor do colégio, mas as palavras pareciam presas. Mizi se aproximou, o perfume de morango e algo cítrico invadindo os sentidos de Sua. O beijo foi suave, mas cheio de uma promessa que Sua desejou que durasse para sempre.
— Eu te amo — Mizi sussurrou contra seus lábios, o olhar sedutor fixo nos dela.
E então, o som estridente do despertador rasgou o silêncio do quarto.
Sua abriu os olhos abruptamente, encarando o teto branco e sem graça. O vazio no peito veio instantaneamente, seguido pelo peso familiar da melancolia. Ela suspirou, sentindo as lágrimas arderem nos cantos dos olhos roxos. "Pretty when I cry", Hyuna costumava brincar, mas Sua só se sentia exausta. Foi apenas mais um sonho. Mais um capítulo daquela fantasia que ela alimentava desde o primeiro ano do ensino médio.
— Droga... — sussurrou ela, a voz baixa e triste.
Ela se levantou, vestindo o uniforme escolar com a lentidão de quem carrega o mundo nas costas. Pegou seu livro de poesias, o único refúgio real que possuía, e saiu de casa.
O pátio da escola estava barulhento como sempre. No portão, ela encontrou seu grupo. Hyuna, com sua energia vibrante e estilo descolado, estava encostada na parede, enquanto Luka, alto e impecável com seus óculos e postura de nerd acadêmico, segurava a mochila dela. Os dois eram o casal perfeito, uma harmonia de opostos. Ao lado deles, Till parecia mais revoltado do que o normal, chutando uma pedrinha com seus coturnos, o cabelo cinza mais bagunçado que o de costume.
— Bom dia, raio de sol. Por que essa cara de quem acabou de ler um velório inteiro? — Hyuna perguntou, passando o braço pelos ombros de Sua.
— Só não dormi bem — mentiu Sua, forçando um sorriso pequeno.
— O sono é uma função biológica essencial para a manutenção cognitiva, Sua — Luka comentou, o vocabulário formal de sempre soando como uma palestra de biologia. — Você deveria priorizar o descanso.
— Ah, cala a boca, Luka — Till resmungou, cruzando os braços. — Todo mundo nessa porra de escola tá cansado. É o terceiro ano, caralho.
— Modere o vocabulário, Till — Luka rebateu, calmo. — A agressividade verbal não diminui a carga horária.
Eles caminharam para a sala de aula. Ao entrarem, o estômago de Sua deu um nó. Lá no fundo, no canto oposto, estava Mizi. Ela estava jogada na cadeira, a cabeça apoiada na mão, observando o movimento com aquele olhar que parecia enxergar a alma de qualquer um. Ao lado dela, Ivan ria de algo que ela havia dito. Ivan, com sua aparência social impecável e pele pálida, era o único que realmente parecia conseguir acompanhar o ritmo de Mizi.
Sua se sentou em seu lugar habitual no meio da sala, abrindo o livro para tentar se esconder. Mas era impossível não olhar.
Mizi era o sol da escola. Metade dos alunos era apaixonada por ela, e não era difícil entender o porquê. Ela era sarcástica, linda de doer e tinha uma aura de confiança que Sua nunca teria.
No fundo da sala, Mizi bocejou, esticando os braços.
— Puta que pariu, Ivan, eu vou morrer de tédio antes da primeira aula acabar — Mizi disse, a voz sedutora saindo arrastada pelo sono.
— Você dorme em todas as aulas, Mizi. Do que está reclamando? — Ivan respondeu, tirando um pirulito do bolso e começando a desembrulhar. — Quer um? É de uva.
— Quero. Me dá essa porra aqui — ela pegou o doce da mão dele, seus dedos roçando nos dele com a intimidade de quem compartilha segredos que ninguém mais sabe.
Mizi olhou para o lado e seus olhos dourados encontraram os de Sua por um breve segundo. Sua desviou o olhar imediatamente, o rosto queimando.
Ivan percebeu a interação e deu um sorriso de canto, inclinando-se para perto de Mizi.
— A garota gótica do grupo do Luka está te encarando de novo — sussurrou ele, a voz carregada de diversão.
— O nome dela é Sua, seu idiota — Mizi respondeu, mantendo o pirulito na boca, o olhar ainda fixo nas costas da menina de cabelos pretos. — E ela não é "gótica", ela só é... intensa.
— Sei. Você tem um tipo bem específico, hein? — Ivan provocou, rindo baixo. — Mas relaxa, sua identidade de sapatão oficial está segura comigo.
— E a sua de gay dramático está segura comigo — Mizi rebateu, dando um chute leve na canela dele por baixo da mesa. — Mas sério, ela é muito linda. Só que parece que está sempre prestes a desabar. Dá vontade de... sei lá.
— De cuidar? — Ivan arqueou uma sobrancelha.
— De morder — Mizi corrigiu com um sorriso malicioso, embora seus olhos tivessem um brilho de genuína curiosidade.
Enquanto isso, na fileira do meio, a tensão era diferente. Till estava rabiscando o caderno com força, claramente irritado com a presença de Ivan e Mizi no fundo.
— Aqueles dois não calam a boca — Till reclamou, a voz áspera. — O Ivan se acha o dono da escola só porque usa camisa passada.
— Deixa eles, Till — Hyuna disse, mexendo no celular. — O Ivan é gente boa, ele só gosta de encher o saco. E a Mizi... bem, a Mizi é a Mizi. Até eu ficaria com ela se não amasse esse loiro aguado aqui.
Luka apenas ajustou os óculos, ignorando o comentário.
— A popularidade é um fenômeno sociológico interessante, mas irrelevante para o nosso desempenho acadêmico — Luka afirmou, embora seus olhos acompanhassem o movimento de Ivan com uma pontada de desconfiedade.
Sua não ouvia nada disso. Ela estava presa na imagem de Mizi rindo com Ivan. A dor de saber que Mizi era inalcançável era constante, como uma melodia triste que tocava no fundo de sua mente. Ela sabia que Mizi não namorava ninguém, que recusava todos os convites, o que só aumentava o mistério e o desejo de todos. Sua nunca teria coragem de se aproximar. Ela era apenas a menina melancólica que lia poesias, enquanto Mizi era a rainha do sarcasmo e da beleza.
O professor entrou na sala, dando início a uma aula de literatura que Sua normalmente amaria, mas hoje as palavras pareciam vazias.
No meio da aula, um bilhete amassado caiu sobre o livro de Sua. Ela piscou, surpresa, e olhou para o lado. Hyuna e Till estavam prestando atenção (ou fingindo), e Luka anotava tudo. Ela olhou para trás.
Mizi estava olhando para ela, um sorriso de canto nos lábios e uma piscadela rápida que fez o coração de Sua disparar.
Sua abriu o papel com as mãos trêmulas.
"Você fica muito fofa quando está concentrada, mas parece que vai chorar a qualquer momento. Quer dividir um lanche no intervalo? O Ivan vai estar ocupado tentando irritar o Till e eu não quero morrer de tédio sozinha. — M."
Sua sentiu o ar faltar. Ela olhou para Mizi novamente, que agora estava desenhando algo no caderno de Ivan, fingindo que nada tinha acontecido. Ivan olhou para Sua e deu um tchauzinho irônico com os dedos.
— Ei, Sua — Hyuna sussurrou, notando o estado da amiga. — Você tá bem? Tá mais pálida que o normal.
— Estou... estou bem — Sua respondeu, guardando o bilhete rapidamente dentro do livro.
O resto da aula passou como um borrão. Quando o sinal tocou para o intervalo, Sua sentiu uma mistura de pânico e euforia. Ela se levantou lentamente, sentindo o olhar de seus amigos sobre ela.
— A gente vai para o pátio de sempre? — Till perguntou, ajeitando a mochila.
— Podem ir na frente — Sua disse, a voz falhando levemente. — Eu... eu preciso passar na biblioteca.
— Biblioteca de novo? — Hyuna riu. — Vai acabar virando um livro, Sua. A gente se vê lá.
Sua esperou que eles saíssem. O corredor estava esvaziando quando ela sentiu uma presença ao seu lado. O cheiro de morango.
— Então, biblioteca é o seu código para 'encontro secreto'? — A voz de Mizi soou bem perto de seu ouvido, profunda e provocante.
Sua se virou, dando de cara com Mizi. De perto, ela era ainda mais impressionante. A pele natural, os olhos dourados brilhando com uma malícia divertida e o cabelo rosado bagunçado de um jeito que parecia proposital.
— Eu... eu não sabia se você estava falando sério — Sua admitiu, apertando o livro contra o peito.
— Eu sempre falo sério quando o assunto é sair de perto do Ivan e do Till brigando — Mizi riu, e o som era música para os ouvidos de Sua. — E eu queria falar com você faz tempo. Você é muito misteriosa, sabia?
Mizi começou a caminhar, fazendo um sinal para que Sua a seguisse. Elas foram para uma área mais afastada, atrás do ginásio, onde poucos alunos costumavam ir.
— Você fala pouco, não é? — Mizi perguntou, sentando-se em um banco de madeira e batendo no lugar ao seu lado. — O Ivan diz que você é gótica, mas eu acho que você só é... profunda demais para esse lugar de merda.
— Eu só gosto de ler — Sua respondeu, sentando-se timidamente, mantendo uma distância segura. — E o vocabulário das pessoas aqui é... cansativo.
— Concordo plenamente. É tudo uma porra de um teatro — Mizi disse, esticando as pernas. — Mas você... você parece real. Até quando parece que vai desabar em lágrimas.
Sua olhou para as próprias mãos.
— Me desculpe por isso. Eu não queria parecer... melancólica.
— Não peça desculpas — Mizi se inclinou para frente, diminuindo a distância entre elas. — Eu gosto. É bonito. De um jeito triste, mas bonito.
O olhar de Mizi desceu para os lábios de Sua por um segundo antes de voltar para os seus olhos. O coração de Sua batia tão forte que ela tinha certeza de que Mizi podia ouvir.
— Você é muito bonita, Sua. Sabia que metade da escola morre de medo de falar com você porque você parece uma pintura intocável?
— E você? — Sua criou coragem para perguntar. — Você não tem medo?
Mizi soltou uma risadinha sedutora, aproximando o rosto do de Sua até que suas respirações se misturassem.
— Eu não tenho medo de nada que me interesse — Mizi sussurrou. — E você me interessa pra caralho desde o primeiro ano.
Sua sentiu o mundo girar. O sonho que tivera naquela manhã parecia estar se materializando, mas dessa vez, o sol era real, o banco era duro e o perfume de Mizi era palpável.
— Mizi... — Sua começou, mas foi interrompida pelo toque do celular de Mizi.
Mizi revirou os olhos e pegou o aparelho.
— É o Ivan. Aquele idiota deve ter se metido em briga com o seu amigo revoltado de cabelo cinza — Mizi suspirou, levantando-se, mas antes de sair, ela tocou o queixo de Sua com delicadeza. — A gente não terminou essa conversa. Me encontra aqui depois da última aula?
Sua apenas assentiu, incapaz de formular uma frase completa.
Mizi deu um sorriso radiante, aquele que desarmava qualquer um, e saiu caminhando com sua confiança habitual, deixando Sua para trás, com o coração acelerado e a sensação de que, talvez, os sonhos não fossem apenas fugas da realidade.
Enquanto caminhava de volta, Mizi encontrou Ivan encostado em uma pilastra, com os braços cruzados e um sorriso cúmplice.
— E aí? Avançou a base com a poetisa? — Ivan perguntou, jogando uma bala para cima e pegando-a com a boca.
— Vai se foder, Ivan — Mizi sorriu, mas não havia raiva em sua voz. — Ela é perfeita. E eu acho que ela finalmente notou que eu existo.
— Mizi, a escola inteira nota que você existe — Ivan riu, passando o braço pelo pescoço da amiga. — Mas fico feliz por você. Só não deixa o Till descobrir, ou ele vai ter um colapso nervoso de rebeldia.
— O Till que se foda — Mizi disse, olhando para trás uma última vez, onde Sua ainda estava sentada, processando o que acabara de acontecer. — Eu quero a Sua. E o que eu quero, eu consigo.
O dia escolar continuou, mas para Sua, o cinza da melancolia havia ganhado pontas rosadas e azuis, e o silêncio de seus livros agora tinha a voz sedutora de Mizi ecoando em cada página. Pela primeira vez em três anos, ela não queria que o dia acabasse. Ela queria ver onde aquele sonho acordado a levaria.
