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Fandom: Arcane

Criado: 13/08/2026

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O Eco das Cinzas e do Sangue

O ar de Zaun era pesado, saturado com o cheiro de metal oxidado e o brilho tóxico do Shimmer que corria pelas veias da Subferiferia. Violet corria, seus pulmões queimando a cada lufada de ar impuro. O som de seus passos pesados ecoava nas paredes de metal corrugado, um ritmo frenético que acompanhava as batidas descompassadas de seu coração. Ela não estava apenas caçando; ela estava tentando impedir que o mundo terminasse em chamas azuis.

À frente, uma silhueta esguia e errática saltava entre os dutos de ventilação. Jinx. O cabelo azul neon parecia um rastro de eletricidade na escuridão, e as risadas agudas que ela soltava cortavam o silêncio como navalhas.

— Você não consegue me pegar, Fatia! — a voz de Jinx ecoou, distorcida pela distância e pela loucura. — Você está ficando lenta! A Cupcake está te deixando mole?

Vi rosnou, apertando o passo. A menção a Caitlyn fez seu estômago dar um nó. Ela sentia o peso do distintivo que não carregava, mas que representava a vida que tentava construir em Piltover. Uma vida de ordem, de regras... e de um amor suave que parecia cada vez mais distante da realidade brutal de onde ela viera.

— Para com isso, Powder! — gritou Vi, a voz rouca de exaustão. — Acabou!

Jinx parou abruptamente na borda de uma plataforma suspensa sobre um abismo de névoa esverdeada. Ela se virou, os olhos rosados brilhando com uma intensidade maníaca, a metralhadora Pow-Pow descansando casualmente em seu ombro.

— Powder morreu, Vi. Você a deixou morrer naquele dia — Jinx inclinou a cabeça, um sorriso torto e quebrado surgindo em seus lábios. — Agora só sobrou a bagunça que você criou.

Vi parou a poucos metros, ofegante. O suor escorria por sua têmpora, destacando as linhas de seu rosto endurecido pelas lutas. Ela era uma força da natureza, a definição de uma beleza bruta e perigosa que Piltover nunca entenderia de verdade. Seus braços musculosos, marcados por cicatrizes e tatuagens, tremiam não de medo, mas de uma tensão acumulada que estava prestes a explodir.

— Eu nunca quis te deixar — disse Vi, dando um passo cauteloso à frente.

— Mas deixou. E correu para os braços daquela... daquela coisa azulada lá de cima — Jinx cuspiu as palavras, o ciúme e a paranoia distorcendo suas feições. — Você cheira a ela. Cheira a sabonete caro e a leis. Isso me dá nojo.

A tensão entre as duas era quase física, uma corda esticada ao máximo que vibrava com anos de abandono, culpa e um desejo distorcido de pertencimento. Jinx soltou a arma, deixando-a cair com um estrondo metálico, e avançou contra Vi.

Não foi um ataque para matar. Foi um impacto de corpos. Jinx colidiu contra o peito de Vi, empurrando-a contra uma parede de zinco. O impacto soltou um som surdo. Vi agarrou os pulsos da irmã, tentando contê-la, mas a força de Jinx, impulsionada pelo Shimmer e pelo puro delírio, era avassaladora.

— Me solta! — gritou Jinx, embora ela mesma estivesse se pressionando contra Vi.

— O que você quer de mim? — Vi rugiu, segurando-a com força, os rostos a centímetros de distância.

— Eu quero que você sinta! — Jinx sibilou, seus olhos fixos nos de Vi. — Eu quero que você lembre quem você é de verdade. Você não é uma guardiã. Você é um monstro da Subferiferia, igual a mim!

O ódio e a necessidade colidiram. Vi olhou para a irmã e, naquele momento, a imagem de Caitlyn — a calma, a ordem, o perfume de chá e papel limpo — desapareceu completamente. O que restava era o caos de Zaun, o calor da pele suada e a conexão tóxica que só as duas compartilhavam. A traição a Caitlyn não foi um pensamento consciente, foi um desmoronamento de barreiras morais diante de uma fome que Piltover jamais poderia saciar.

Vi soltou os pulsos de Jinx e, em vez de afastá-la, agarrou a nuca da irmã, puxando-a para um beijo que era mais uma colisão de dentes e desespero do que qualquer outra coisa.

Jinx soltou um gemido abafado, uma mistura de surpresa e triunfo. Suas mãos, frias e inquietas, agarraram a jaqueta de couro de Vi, puxando-a com uma urgência maníaca. Elas caíram no chão de metal frio da plataforma, cercadas pelo zumbido das máquinas e pelo brilho das luzes químicas.

— Você é minha — sussurrou Jinx contra os lábios de Vi, as pupilas dilatadas ocupando quase todo o rosa de seus olhos. — Só minha. A Cupcake não sabe o que fazer com você.

— Cala a boca — Vi respondeu, a voz carregada de uma luxúria sombria.

Ela não queria pensar. Ela queria destruir a dor. Vi arrancou a própria jaqueta, expondo os ombros largos e a pele quente. Ela dominou o corpo frágil, mas elétrico de Jinx, pressionando-a contra o metal. As mãos de Vi, acostumadas a esmagar crânios, agora exploravam o corpo da irmã com uma intensidade bruta, arrancando tiras de tecido e ignorando os protestos do bom senso.

O ato foi violento, desprovido da ternura que Vi encontrava nos braços de Caitlyn. Era uma batalha. Jinx cravava as unhas nas costas de Vi, deixando trilhas vermelhas na pele bronzeada, enquanto ria e soluçava simultaneamente. Cada toque era carregado de uma eletricidade estática, um curto-circuito de anos de repressão.

— Mais... — implorou Jinx, a voz quebrada pela loucura. — Quebra tudo, Vi! Me quebra!

Vi atendeu. O movimento de seus corpos era frenético, um ritmo ditado pela batida industrial do coração de Zaun. Não havia delicadeza, apenas a necessidade visceral de se sentirem vivas em meio às ruínas de suas vidas. Vi sentia o gosto do metal e do sal na pele de Jinx, um sabor que a ancorava na realidade cruel de onde ela nunca deveria ter saído.

A traição pesava no fundo de sua mente como um chumbo derretido, mas o prazer e a adrenalina eram mais fortes. Por um momento, Caitlyn Kiramman era apenas uma sombra pálida, uma fantasia de uma vida que Vi nunca poderia realmente possuir. Aqui, no escuro, com a irmã louca sob seus comandos e sob sua pele, Vi era ela mesma.

— Você nunca vai me deixar de novo — Jinx arquejou, as pernas envolvendo a cintura de Vi, puxando-a para mais perto, querendo fundir seus ossos.

— Eu não consigo — confessou Vi entre dentes, o suor pingando de seu queixo no peito de Jinx.

O ápice veio como uma explosão de Hextech, cego e devastador. Por alguns segundos, o mundo parou de girar. O som das máquinas silenciou. Só restou a respiração pesada e o calor irradiando de seus corpos entrelaçados no chão imundo.

Vi desabou sobre Jinx, o rosto escondido na curva do pescoço da irmã. O silêncio que se seguiu foi pesado, carregado com a percepção do que acabara de acontecer. O limite fora cruzado, e não havia caminho de volta para a luz de Piltover.

Jinx acariciou o cabelo curto de Vi com uma mão trêmula, um sorriso de satisfação genuína e perturbadora no rosto.

— Viu? — Jinx sussurrou, a voz subitamente infantil e doce. — A Cupcake nunca faria isso. Ela é muito... limpa.

Vi fechou os olhos com força, sentindo o peso do mundo esmagá-la novamente. Ela se levantou lentamente, sentindo o ar frio de Zaun atingir sua pele suada. Ela olhou para as próprias mãos, as mãos que protegiam e destruíam, agora manchadas pelo pecado daquela entrega.

— O que foi que a gente fez? — murmurou Vi, embora a resposta estivesse escrita em cada centímetro de seu corpo exausto.

Jinx se sentou, arrumando os restos de sua roupa com uma calma súbita, os olhos brilhando com uma clareza assustadora.

— Nós nos encontramos, maninha — Jinx disse, levantando-se e pegando Pow-Pow do chão. — Agora, você pode voltar para sua namoradinha... se conseguir olhar na cara dela sem sentir o meu cheiro.

Jinx deu um passo para trás, desaparecendo nas sombras da plataforma superior antes que Vi pudesse responder.

Vi ficou sozinha no escuro. Ela pegou sua jaqueta, vestindo-a para esconder as marcas da batalha carnal. Seu coração ainda martelava contra as costelas, um lembrete constante da traição e da conexão inquebrável que a prendia ao caos.

Ela caminhou até a borda da plataforma e olhou para cima, em direção às luzes distantes e limpas de Piltover. Ela pensou em Caitlyn, no sorriso gentil e na esperança que a Pacificadora representava. Mas, ao tocar o próprio lábio partido, Vi soube que o brilho de Piltover nunca seria suficiente para apagar as chamas que Jinx acabara de reacender em sua alma.

Zaun a tinha de volta. E desta vez, Vi não tinha certeza se queria ser resgatada.

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