Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Casamento

Fandom: Karinna e karen

Criado: 13/08/2026

Tags

RomanceFatias de VidaFofuraDor/ConfortoHistória DomésticaEstudo de PersonagemRealismo
Índice

Onde o "Não" se Transformou em "Para Sempre"

O sol da tarde filtrava-se através das copas das árvores, criando um mosaico de luz e sombra sobre o gramado impecável do jardim. O ar estava carregado com o perfume de jasmins e o som suave de um quarteto de cordas que tocava uma melodia lenta, quase etérea. Para Karinna, o mundo parecia ter desacelerado. Ela ajustou os óculos de armação escura e reta, um detalhe que trazia um ar de seriedade intelectual ao seu rosto pardo, e respirou fundo. O paletó bem cortado, de um tom azul-petróleo profundo, parecia subitamente apertado, não pelo tecido, mas pela magnitude do que estava prestes a acontecer.

Ao seu redor, rostos familiares sorriam. Amigos de longa data e familiares que testemunharam cada passo tortuoso daquela jornada estavam ali, ocupando as cadeiras de madeira rústica decoradas com ramos de oliveira. Mas nada disso importava quando a música mudou, as notas tornando-se mais solenes e vibrantes.

Foi então que ela a viu.

Karen surgiu na entrada do corredor de pétalas brancas, e Karinna sentiu o coração falhar uma batida. Karen era a personificação da feminilidade radiante. Sua pele negra brilhava sob o sol, contrastando lindamente com o vestido de seda marfim que abraçava suas curvas com elegância. O cabelo curto, estilizado com ondas precisas e adornado com pequenas pérolas, emoldurava seu rosto iluminado por um sorriso que Karinna conhecia bem — o sorriso de quem havia vencido uma guerra pacífica pela felicidade.

Enquanto Karen caminhava, seus olhos não deixaram os de Karinna nem por um segundo. Havia uma determinação suave em seu passo, a mesma persistência que a definira desde o primeiro encontro. Quando finalmente alcançou o altar improvisado, Karen entregou o buquê para uma madrinha e segurou as mãos de Karinna. As mãos de Karinna estavam frias, um contraste com o calor reconfortante de Karen.

O celebrante iniciou a cerimônia, mas as palavras pareciam um murmúrio distante. O foco de Karinna estava todo naquela mulher à sua frente. Quando chegou o momento dos votos, o silêncio caiu sobre o jardim, quebrado apenas pelo farfalhar das folhas.

Karen pigarreou, um brilho travesso surgindo em seus olhos escuros antes de começar a falar. Ela não pegou um papel; as palavras vinham de um lugar profundo e bem guardado.

— Karinna — começou ela, a voz firme, mas carregada de emoção —, se alguém me dissesse, cinco anos atrás, que estaríamos aqui hoje, eu provavelmente riria e diria: "Eu sei, só falta ela descobrir".

Uma risada leve percorreu os convidados. Karinna deu um sorriso tímido, ajustando os óculos com o dedo indicador, um tique nervoso que Karen adorava.

— Eu perdi a conta de quantas vezes você me deu um fora — continuou Karen, fazendo Karinna corar levemente. — Foram tantos "não faz meu tipo", tantos "eu não gosto de você desse jeito" e os clássicos "somos apenas boas amigas". Você erguia muros tão altos que eu precisava de uma escada nova a cada semana.

Karen apertou as mãos de Karinna, aproximando-se um pouco mais.

— Mas o que você não entendia, meu amor, é que eu via através desses muros. Eu via a Karinna que se escondia atrás dessa postura defensiva e desses óculos que você usa como escudo. Eu via a mulher que se preocupa com os detalhes, que tem o coração mais generoso que já conheci, mas que tinha medo de deixar alguém entrar e bagunçar a ordem que você tanto preservava.

— Você foi insistente — sussurrou Karinna, quase para si mesma, mas o microfone captou, arrancando novos sorrisos da plateia.

— Eu fui persistente — corrigiu Karen com um brilho de orgulho. — Porque eu sabia que o que tínhamos era raro. Eu esperei. Esperei você se sentir segura. Esperei você perceber que o amor não era uma invasão, mas um convite. E cada "não" que você me deu só me fez ter mais certeza de que, quando o "sim" finalmente viesse, ele seria o som mais bonito do mundo. E ele veio. Do "não gosto de você" passamos para o "não vivo sem você".

Lágrimas começaram a descer pelo rosto de Karinna, manchando as lentes de seus óculos. Karen esticou o polegar e limpou uma gota que escapava.

— Hoje, diante de todos que amamos, eu prometo continuar sendo sua persistência. Prometo ser o porto seguro para quando você quiser tirar a armadura. Eu amo você, Karinna, por tudo o que você é e por tudo o que você me permitiu ser ao seu lado.

O silêncio que se seguiu foi preenchido pelo som de fungadas discretas entre os convidados. Karinna respirou fundo, tentando recuperar a compostura. Ela olhou para Karen, a mulher que nunca desistira dela, mesmo quando ela mesma já havia desistido de acreditar no amor.

— Eu não trouxe um papel, Karen — disse Karinna, a voz embargada —, porque eu achei que não conseguiria ler nada se estivesse chorando. E eu estava certa.

— Respire — disse Karen suavemente. — Eu estou aqui.

— Você sempre esteve aqui — respondeu Karinna, ganhando confiança. — Esse é o ponto. Eu passei tanto tempo tentando me proteger de algo que eu achava que me machucaria, sem perceber que a única coisa que estava me machucando era a solidão de não ter você. Eu te dei foras, eu fui fria, eu tentei te afastar de todas as formas possíveis porque eu tinha medo da intensidade do que você me fazia sentir.

Karinna fez uma pausa, olhando nos olhos de Karen com uma honestidade crua.

— Mas você não foi embora. Você ficou no meu portão, você ficou nas minhas mensagens, você ficou na minha vida até que eu não tivesse mais para onde fugir a não ser para os seus braços. Você me ensinou que amar não é perder o controle, mas compartilhar o leme com alguém que confia no mar tanto quanto você.

— Eu sempre confiei em nós — disse Karen em voz baixa.

— E eu agradeço por isso todos os dias — continuou Karinna. — Hoje, eu não aceito apenas ser sua esposa. Eu aceito o desafio de te fazer tão feliz quanto você me faz. Eu te amo, Karen. Com todos os meus muros derrubados e com todo o meu coração.

O celebrante, visivelmente emocionado, procedeu com a troca das alianças. Os aros de ouro brilhavam contra o contraste das peles — o pardo suave de Karinna e o ébano profundo de Karen.

— Pelo poder a mim investido, eu as declaro casadas. Pode beijar a noiva.

Karinna não esperou. Ela envolveu a cintura de Karen, puxando-a para um beijo que selava anos de espera e meses de planejamento. A multidão explodiu em aplausos e gritos de alegria. Pétalas de rosas foram lançadas ao ar, criando uma chuva colorida sobre as duas.

Enquanto caminhavam de volta pelo corredor, agora como esposas, Karinna inclinou-se para o ouvido de Karen.

— Você venceu, sabe disso, né? — sussurrou ela com um sorriso lateral.

— Nós vencemos, Karinna — respondeu Karen, apertando sua mão com força. — E olha que eu nem precisei usar meu último argumento.

— E qual seria? — perguntou Karinna, curiosa.

— Eu ia dizer que seus óculos ficam muito melhor em cima da minha mesa de cabeceira do que em qualquer outro lugar — brincou Karen, fazendo ambas rirem enquanto se dirigiam para a festa.

A recepção foi uma explosão de cores e música brasileira. A decoração refletia a dualidade das duas: arranjos de flores tropicais vibrantes para Karen e detalhes geométricos e minimalistas para Karinna. Na pista de dança, a alegria era palpável.

— Você está bem? — perguntou uma das amigas próximas, aproximando-se de Karinna enquanto ela observava Karen dançar com a mãe.

— Estou maravilhosa — respondeu Karinna, ajustando os óculos. — Sabe, por muito tempo eu achei que o amor era algo que acontecia com os outros, algo em filmes ou livros que eu lia. Eu nunca achei que alguém teria a paciência de atravessar meu deserto.

— A Karen nunca viu um deserto — disse a amiga, rindo. — Ela sempre viu um jardim que só precisava de um pouco de água e muita, muita insistência.

Karinna sorriu, observando sua esposa. Karen era luz pura, o centro gravitacional de qualquer sala em que entrasse. E, de alguma forma, aquela luz havia escolhido brilhar especificamente para ela.

Mais tarde, durante o jantar, as duas sentaram-se à mesa principal, observando o caos feliz ao redor.

— Sabe de uma coisa? — disse Karen, pegando uma taça de espumante. — Aquela vez no café, três anos atrás, quando você disse que preferia ser atropelada por um caminhão a ter um encontro comigo...

— Karen! Não traga isso à tona agora — protestou Karinna, escondendo o rosto nas mãos, embora estivesse rindo.

— Eu só ia dizer — continuou Karen, os olhos brilhando de diversão — que aquele foi o momento em que eu tive certeza de que casaria com você.

— Por que? Porque eu fui rude? — perguntou Karinna, incrédula.

— Não — disse Karen, ficando séria por um momento, tocando o rosto de Karinna com carinho. — Porque você disse aquilo com tanta convicção que eu percebi o quanto você estava tentando se convencer do contrário. Ninguém é tão veemente contra algo que não lhe afeta.

— Você é impossível — disse Karinna, beijando a palma da mão de Karen.

— Eu sou persistente — corrigiu ela novamente. — E agora, eu sou sua.

— Para sempre — concordou Karinna.

A festa continuou pela noite adentro, uma celebração não apenas de um casamento, mas da vitória da paciência sobre o medo. Karinna, que sempre preferira o silêncio e a ordem, descobriu que o barulho da risada de Karen era a única trilha sonora que ela realmente precisava. E Karen, que sempre soube o que queria, finalmente tinha o mundo inteiro — ou melhor, a Karinna — em seus braços.

Ao final da noite, enquanto os últimos convidados se despediam e as luzes do jardim começavam a ser apagadas, as duas ficaram sozinhas por um momento sob o arco de flores onde haviam dito seus votos.

— Valeu a pena esperar? — perguntou Karen, encostando a cabeça no ombro de Karinna.

Karinna olhou para o céu estrelado, depois para a mulher maravilhosa ao seu lado. Ela retirou os óculos por um momento, limpando-os, e quando os colocou de volta, sua visão estava clara, focada no presente e no futuro que as aguardava.

— Valeu cada segundo de teimosia — respondeu Karinna. — Obrigada por não ter me ouvido todas as vezes que eu disse não.

— De nada — disse Karen com um sorriso vitorioso. — Agora, vamos começar o nosso "sim" oficial?

E de mãos dadas, elas caminharam para fora do jardim, prontas para viver cada capítulo da história que a persistência de uma e a abertura de coração da outra haviam escrito. O amor, afinal, não era sobre quem ganhava ou perdia, mas sobre quem ficava quando todos os outros iam embora. E elas haviam decidido ficar. Para sempre.

Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic