
Perseguição
Fandom: Arcane
Criado: 13/08/2026
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O Peso do Legado e da Carne
A chuva de Piltover batia ritmicamente contra as altas vidraças da propriedade Kiramman, um som metálico que ecoava pelo escritório silencioso. Caitlin estava parada diante da janela, observando as luzes da Cidade do Progresso se difundirem através do vidro embaçado. O uniforme de Pacificadora, impecavelmente passado, parecia pesar toneladas sobre seus ombros.
Ela pensou em Vi. Pensou na maneira como a namorada sorria, um misto de desafio e ternura, e no calor das mãos calejadas da subferina. Era uma vida que Caitlin escolhera, um amor que desafiava as convenções de sua linhagem. Mas, dentro daquela sala, cercada pelo mogno escuro e pelo cheiro de pergaminho antigo, a rebeldia parecia uma ilusão passageira.
A porta se abriu com um clique suave. Cassandra Kiramman entrou, a postura ereta e o olhar carregado de uma autoridade que nunca precisava ser vocalizada.
— Você está distraída, Caitlin — observou Cassandra, fechando a porta atrás de si. — O relatório do Conselho exige sua total atenção.
— Eu sei, mãe — respondeu Caitlin, sem se virar. — É apenas... muita coisa para processar.
Cassandra aproximou-se, seus passos silenciosos sobre o tapete luxuoso. Ela parou logo atrás da filha. O perfume de sândalo e poder que emanava dela envolveu Caitlin, um cheiro que remetia à infância, à segurança e, agora, a algo muito mais sombrio e irresistível.
— O fardo de ser uma Kiramman é pesado — disse Cassandra, colocando as mãos nos ombros da filha. — Eu a criei para ser perfeita. Para ser a extensão do meu próprio desejo de ordem.
Caitlin sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A pressão das mãos de Cassandra não era apenas materna; havia uma possessividade ali que fazia o sangue de Caitlin ferver. Ela sabia que deveria se afastar, que deveria voltar para o apartamento compartilhado com Vi, mas seus pés pareciam colados ao chão.
— Você pertence a este lugar, Caitlin — sussurrou Cassandra, aproximando os lábios da orelha da filha. — Não àquelas ruas sujas. Não àquela garota que não entende a complexidade do que você é.
— Eu a amo — murmurou Caitlin, embora a voz soasse fraca, desprovida de convicção diante da presença avassaladora da mãe.
Cassandra soltou um riso curto e seco, as mãos descendo lentamente pelas costas de Caitlin, sentindo a rigidez da musculatura sob o tecido do uniforme.
— O amor é uma ferramenta, minha querida. Mas o que temos aqui... isso é destino.
Com um movimento firme, Cassandra virou Caitlin de frente para si. A beleza da jovem Pacificadora era um reflexo aprimorado da sua própria, mas com uma vulnerabilidade que Cassandra sabia exatamente como explorar. Ela segurou o rosto da filha com as duas mãos, os polegares acariciando as maçãs do rosto.
— Você é minha criação mais preciosa — declarou Cassandra, os olhos brilhando com uma intensidade predatória. — E eu não permito que o que é meu seja desperdiçado.
Caitlin tentou protestar, mas o beijo de Cassandra silenciou qualquer palavra. Foi um beijo faminto, carregado de anos de expectativas sufocantes e um desejo proibido que fermentara nas sombras daquela mansão. Caitlin cedeu. A culpa por trair Vi foi momentaneamente esmagada pela necessidade visceral de ser validada pela mulher que definira cada aspecto de sua existência.
Cassandra a empurrou em direção à grande mesa de carvalho no centro da sala. Documentos e mapas foram varridos para o chão com um movimento brusco.
— Deite-se — ordenou Cassandra, a voz agora rouca, despida da polidez diplomática.
Caitlin obedeceu, o corpo agindo por puro instinto. Ela se apoiou na mesa, sentindo a madeira fria contra suas palmas. Cassandra não perdeu tempo. Com movimentos eficientes, ela desfez as fivelas e os fechos do uniforme de Caitlin, expondo a pele pálida da filha à luz suave dos candeeiros.
— Você é tão linda, Caitlin — sussurrou Cassandra, posicionando-se atrás dela. — Tão perfeita para ser corrompida apenas por mim.
A dor inicial foi aguda quando Cassandra a possuiu de forma súbita e intensa, mas foi rapidamente substituída por uma onda de prazer devastador que fez Caitlin arquear as costas e soltar um gemido abafado contra a superfície da mesa. O fardo da criação, a pressão de ser a herdeira perfeita, tudo se transformava em combustível para aquele ato de rendição.
— Diga que você é minha — comandou Cassandra, as mãos apertando os quadris de Caitlin com força, deixando marcas que durariam dias. — Diga que aquela subferina não é nada comparada ao que eu te dou.
— Eu sou... sua — arfou Caitlin, as lágrimas começando a embaçar sua visão enquanto o prazer a levava ao limite.
Cassandra inclinou-se sobre ela, o calor de seu corpo pressionando as costas de Caitlin. As palavras que ela sussurrou no ouvido da filha eram sujas, descrições cruas do que ela estava fazendo e do quanto desejava possuir cada centímetro da alma de Caitlin. Eram palavras que destruíam a imagem da Conselheira respeitável, revelando a mulher obsessiva por trás da máscara.
— Eu te amo de uma maneira que ninguém jamais entenderia — disse Cassandra, o ritmo tornando-se frenético. — Eu te amo porque você é a minha imagem, o meu sangue, a minha continuação. Você é a única que merece o meu fogo.
Caitlin fechou os olhos com força, entregando-se ao ritmo avassalador. Naquele momento, o mundo lá fora — Vi, o Conselho, a revolução iminente — deixou de existir. Havia apenas a dor, o prazer e a voz de sua mãe, ancorando-a em um abismo de luxúria e dever.
Quando o ápice finalmente as atingiu, Caitlin sentiu-se estilhaçar. O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pela respiração pesada das duas mulheres. Cassandra permaneceu abraçada a ela por um longo momento, beijando o ombro de Caitlin com uma ternura que era quase mais assustadora do que a agressividade de antes.
— Agora — disse Cassandra, recompondo-se e começando a ajustar suas próprias roupas com a mesma eficiência de sempre —, limpe-se. Temos uma reunião em dez minutos.
Caitlin permaneceu sobre a mesa por alguns segundos a mais, sentindo o vazio retornar com uma força avassaladora. Ela olhou para a aliança de compromisso que Vi lhe dera, ainda em seu dedo, um símbolo de uma promessa que ela acabara de quebrar da maneira mais profunda possível.
— Mãe... — começou Caitlin, a voz trêmula.
Cassandra parou junto à porta, olhando para trás com um sorriso sereno, como se nada tivesse acontecido.
— Sim, querida?
— Por que? — perguntou Caitlin, levantando-se e tentando recuperar sua dignidade enquanto vestia o uniforme amassado.
— Porque você precisava lembrar quem você realmente é — respondeu Cassandra suavemente. — E eu precisava garantir que você nunca se esqueça de quem te ama de verdade.
A porta se fechou, deixando Caitlin sozinha com o cheiro de sândalo e o peso insuportável de seu próprio reflexo no vidro da janela. A chuva continuava a cair, lavando as ruas de Piltover, mas Caitlin sabia que não havia água no mundo capaz de lavar o que acabara de acontecer naquela sala. Ela era uma Kiramman, e o preço de seu legado era a sua própria alma.
