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Oliver

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 13/08/2026

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O Preço do Giz e do Sangue

O corredor da Paper School estava estranhamente silencioso, um contraste gritante com o caos que costumava habitar aquelas paredes de celulose. O cheiro de grafite e papel velho parecia mais pesado do que o normal. Engel caminhava com passos leves, quase etéreos, suas botas pretas não emitindo som algum contra o chão branco. Seus olhos, antes cheios de uma bondade infinita, agora carregavam o brilho frio e metálico de uma determinação sombria.

Claire se fora. A garota que ele tentara proteger com cada fibra de seu ser havia sido reduzida a nada, e a culpa recaía sobre os ombros de uma única pessoa.

Oliver.

O valentão da escola, com seu braço de lápis e sua risada irritante, achava que tudo era uma grande piada. Engel sabia exatamente onde encontrá-lo. Oliver tinha o hábito bizarro de se esconder em cantos isolados para saborear sua "comida" favorita: barras de sabonete que ele roubava dos banheiros.

Engel o avistou no final de um corredor sem saída, perto dos armários de limpeza. Oliver estava de costas, os longos cabelos brancos presos no rabo de cavalo baixo balançando levemente enquanto ele levava um pedaço de sabonete azul à boca, mastigando com um prazer infantil e travesso. Ele parecia relaxado, alheio ao perigo que se aproximava.

O coração de Engel martelava contra as costelas, mas suas mãos estavam firmes. Ele segurava uma seringa carregada com um tranquilizante potente que havia "emprestado" da enfermaria. Com a agilidade de um predador, Engel avançou os últimos metros.

Em um movimento súbito, Engel envolveu o pescoço de Oliver com um braço e pressionou a outra mão firmemente sobre a boca do garoto.

— Mmmph?! — Oliver soltou um som abafado, os olhos arregalados de susto. Ele tentou se debater, seu braço de lápis arranhando o ar freneticamente, mas Engel era mais forte do que aparentava.

— Shhh... — sussurrou Engel no ouvido de Oliver, uma voz que não parecia a dele. — Isso vai acabar logo.

Sem hesitar, Engel cravou a agulha no pescoço de Oliver e empurrou o êmbolo. O valentão soltou um último suspiro trêmulo antes que seus músculos relaxassem completamente. O sabonete caiu no chão com um baque seco. Engel segurou o corpo desfalecido, um sorriso malicioso e vazio cruzando seu rosto. A vingança estava apenas começando.

...

O despertar foi lento e doloroso. Oliver sentiu a cabeça pesada, como se tivesse sido preenchida com chumbo. Quando finalmente conseguiu abrir os olhos, a escuridão o envolveu, quebrada apenas por uma lâmpada solitária e oscilante que pendia do teto. O cheiro de mofo e umidade indicava que ele estava em um porão.

Ele tentou mover os braços, mas sentiu a resistência áspera de cordas grossas. Ele estava amarrado a uma cadeira de madeira velha.

— Mas que diabos...? — Oliver resmungou, sua voz saindo rouca. — Ei! Quem está aí? Isso não tem graça! Alice? Zip? Edward? Se for uma pegadinha, eu juro que vou...

— Não é uma pegadinha, Oliver.

A voz veio das sombras. Engel deu um passo à frente, entrando no círculo de luz. Ele não usava mais sua expressão gentil. Seus olhos estavam fixos em Oliver com uma intensidade aterrorizante.

— Engel? — Oliver soltou uma risada nervosa, embora o suor frio já começasse a escorrer por sua testa. — Cara, você ficou louco? Me solta agora! Você sabe o que eu faço com garotos bonzinhos como você. Eu vou quebrar cada osso desse seu corpinho de papel!

Engel não respondeu de imediato. Ele se aproximou lentamente, parando atrás de Oliver. Com uma mão, ele começou a mexer nos longos cabelos brancos de Oliver, desfazendo o laço preto e deixando os fios caírem até o chão.

— Você sempre se achou tão superior, não é? — Engel comentou, passando os dedos pela marca de "A+" no cabelo do outro. — Brincando com a vida dos outros como se fossem rascunhos descartáveis. Você matou a Claire, Oliver. Você a entregou para a morte.

— Ela era fraca! — gritou Oliver, tentando se soltar, a cadeira rangendo perigosamente. — Na Paper School, ou você é o predador ou é a presa! Ela não aguentou o ritmo! Me solta, seu idiota!

Engel parou de mexer no cabelo dele. O silêncio que se seguiu foi mais assustador do que qualquer grito. Engel caminhou até uma mesa de trabalho próxima e pegou um objeto pesado. O metal brilhou sob a luz fraca. Era um machado de incêndio, a lâmina afiada e impecável.

Os olhos de Oliver se arregalaram. O pânico, algo que ele raramente sentia, subiu por sua garganta como bile.

— O que... o que você vai fazer com isso? — A voz de Oliver falhou. — Engel, para! Isso passou dos limites! Vamos conversar, eu posso te dar o que você quiser! Notas, sabonete, qualquer coisa!

— Eu quero o que você tirou de mim — disse Engel, erguendo o machado. — Eu quero justiça.

— NÃO! SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDA! — Oliver gritou desesperadamente, seus pulmões ardendo. Ele se sacudiu na cadeira, as cordas cortando sua pele, mas Engel estava decidido.

O primeiro golpe não foi para matar. Engel desceu o machado com precisão cirúrgica sobre o braço direito de Oliver. O som do grafite e da madeira se partindo ecoou pelo porão, seguido por um grito de agonia puríssima que rasgou o ar.

O braço de lápis de Oliver foi decepado, caindo no chão e rolando para longe. Sangue escuro começou a manchar a camisa preta de Oliver, misturando-se com as listras brancas.

— MEU BRAÇO! MEU BRAÇO! — Oliver soluçava, o rosto contorcido em uma máscara de dor e terror. Suas mechas de cabelo estavam grudadas no rosto pelo suor e pelas lágrimas.

— Isso foi pelo medo que ela sentiu — disse Engel, sua expressão permanecendo gélida, embora suas mãos tremessem levemente com a adrenalina.

— Por favor... Engel... para... — Oliver implorou, a arrogância completamente drenada de seu ser. Ele agora era apenas um garoto assustado, sujo de sangue e enfrentando as consequências de sua crueldade.

— Você deu o troco em todo mundo por tanto tempo, Oliver — Engel disse, aproximando-se novamente, o machado erguido para o golpe final. — Agora, é a minha vez de dar o troco.

— EU TE ODEIO! EU VOU TE MATAR! — Oliver gritou em um último surto de raiva e irritação, tentando usar o que restava de suas forças para intimidar o agressor.

Mas Engel não se intimidou. Ele viu o monstro que Oliver era, e viu que, naquele momento, ele mesmo estava se tornando algo diferente para garantir que o monstro nunca mais machucasse ninguém.

— Adeus, Oliver.

O machado desceu uma última vez. O grito de Oliver foi cortado abruptamente, deixando apenas o som do metal encontrando a madeira e o silêncio pesado do porão.

Engel soltou o machado, que caiu no chão com um som metálico. Ele olhou para as próprias mãos, manchadas com o sangue daquele que um dia foi o terror da escola. Ele sentia um vazio imenso, mas, ao mesmo tempo, um peso havia sido retirado de seus ombros.

Ele caminhou até a saída, deixando para trás o que restava do valentão da Paper School. A vingança de Claire estava completa, mas o preço havia sido a inocência de Engel, deixada para trás naquela escuridão, junto com os restos de papel e sangue.

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