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Fandom: formula 1

Criado: 13/08/2026

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O Silêncio Atrás do Sorriso

A luz da manhã em Mônaco tinha uma tonalidade dourada e suave, filtrando-se pelas persianas do apartamento da família Piastri. Oscar acordou com o peso familiar e reconfortante de Lucas sobre seu peito. O menino, que invadira o quarto dos pais no meio da noite após um pesadelo leve, agora dormia profundamente, com a respiração ritmada e um pequeno bico nos lábios.

Oscar passou a mão pelos cabelos castanhos do filho, notando como ele se parecia cada vez mais com uma versão em miniatura de si mesmo, embora tivesse herdado a doçura infinita do olhar de Lily. Ele não queria se mexer, mas o despertador mental de um piloto de Fórmula 1 raramente falhava.

— Ei, campeão — sussurrou Oscar, dando um beijo no topo da cabeça de Lucas. — Hora de acordar. A escola não vai esperar.

Lucas resmungou baixinho, apertando os dedos pequenos na camiseta de algodão do pai.

— Só mais cinco minutos, papai... — pediu a voz sonolenta.

— Se você levantar agora, eu deixo você escolher a música no carro — negociou Oscar, sentindo o filho relaxar um pouco mais antes de finalmente abrir os olhos claros.

Na cozinha, Lily já preparava o café. O ambiente era calmo, longe do caos das pistas. Ela sorriu ao ver os dois homens de sua vida entrando na sala, Lucas ainda esfregando os olhos e Oscar com aquele sorriso de lado que ele reservava apenas para dentro de casa.

— Bom dia, meus amores — disse Lily, entregando uma tigela de frutas para Lucas. — Dormiu bem, pequeno?

Lucas assentiu levemente, mas Oscar notou uma hesitação. O menino, normalmente tagarela sobre o que queria desenhar na escola, estava estranhamente quieto. Ele apenas cutucava os pedaços de morango com o garfo.

— Tudo bem, mate? — Oscar perguntou, inclinando a cabeça para buscar o olhar do filho.

— Tudo, papai. Só estou com um pouco de sono.

Oscar trocou um olhar rápido com Lily. Ela também percebera. Havia algo na postura de Lucas, um encolhimento de ombros que não combinava com a animação habitual de um menino de cinco anos que amava pintar e correr pelo pátio. Mas, com o horário apertado, Oscar decidiu não pressionar naquele momento.

O trajeto até a escola foi feito ao som de uma playlist infantil que Lucas adorava, mas o menino não cantou junto. Ele olhava pela janela do SUV, observando as ruas de Monte Carlo com uma expressão distante. Quando chegaram à porta da escola, Oscar desceu para ajudá-lo com a mochila.

Um grupo de pais e alguns fotógrafos amadores, que sempre rondavam a área na esperança de ver o piloto da McLaren, começaram a apontar e cochichar. Oscar sentiu a tensão imediata nos ombros de Lucas. Ele rapidamente se posicionou entre o filho e as câmeras de celular, bloqueando a visão da mídia.

— Vejo você à tarde, tá bom? — Oscar se abaixou, ficando na altura dos olhos de Lucas. — Se precisar de qualquer coisa, a mamãe está a um telefonema de distância.

Lucas deu um abraço apertado no pescoço do pai, um daqueles abraços que pareciam pedir para não ser solto.

— Eu te amo, papai.

— Também te amo, mate. Divirta-se.

Oscar observou o filho caminhar até a entrada. Lucas não acenou para os colegas. Ele apenas baixou a cabeça e entrou apressado.

De volta ao carro, o clima de preocupação seguiu Oscar até a academia. Ele se encontrou com Lily lá, já que ambos tentavam manter uma rotina de exercícios juntos quando ele não estava viajando. Enquanto corriam lado a lado nas esteiras, o silêncio de Lucas era o único assunto.

— Você notou como ele estava hoje? — perguntou Lily, ajustando a inclinação da máquina. — Ele nem quis levar o desenho que terminou ontem para mostrar para a professora.

— Notei — respondeu Oscar, o cenho franzido. — Ele parecia... assustado. Ou triste. Não sei. Aquele grupo de fotógrafos na porta também não ajuda. Ele é sensível demais para essa exposição toda, Lily.

— Eu sei, Oscar. Eu tento filtrar tudo, mas na escola não temos controle. As outras crianças falam, os pais comentam...

Após o treino, eles pararam em um café próximo. Oscar foi abordado por alguns fãs. Ele foi educado, como sempre, tirou fotos e autografou um boné da McLaren, mas sua mente estava a quilômetros dali. Ele se perguntava se Lucas estava sentado sozinho no recreio ou se alguém tinha dito algo sobre o fato de ele não querer ser um piloto de corrida como o pai.

O dia passou devagar. Quando chegou a hora de buscar Lucas, foi Lily quem foi até a escola, enquanto Oscar terminava algumas reuniões por vídeo com os engenheiros de Woking. Quando a porta do apartamento se abriu, Oscar esperava ouvir o grito clássico de "Papai!", mas o que ouviu foi o silêncio, seguido pelo som abafado de passos rápidos em direção ao quarto.

Oscar desligou o computador imediatamente e foi até o corredor. Lily estava parada perto da entrada, com a mochila de Lucas na mão e uma expressão de coração partido.

— O que aconteceu? — Oscar perguntou em voz baixa.

— Ele não disse uma palavra no carro — sussurrou Lily. — Ele saiu da escola com os olhos vermelhos, Oscar. Acho que ele estava chorando no banheiro antes de sair.

Oscar não esperou. Ele caminhou até o quarto de Lucas e bateu suavemente na porta.

— Mate? Posso entrar?

Não houve resposta, apenas um soluço contido. Oscar abriu a porta e encontrou Lucas encolhido em sua cama, o rosto escondido no travesseiro. O coração de Oscar apertou de uma forma que nenhuma derrota na pista jamais conseguira fazer.

Ele se sentou na beirada da cama e colocou a mão nas costas pequenas do filho, sentindo-as tremerem.

— Ei, olha para mim — pediu Oscar, com a voz carregada de ternura.

Lucas se virou devagar. Seus olhos estavam inchados e as bochechas, vermelhas. Ele parecia tão pequeno, tão vulnerável.

— O que houve na escola, Lucas? Alguém machucou você?

Lucas balançou a cabeça negativamente, mas as lágrimas voltaram a cair.

— Eles disseram... disseram que eu não sou seu filho de verdade — soluçou o menino.

Oscar sentiu o sangue ferver, mas manteve a calma exterior que era sua marca registrada.

— Por que eles diriam uma bobagem dessas?

— Porque eu não gosto de kart — disse Lucas, entre soluços. — O Leo disse que todo filho de piloto famoso tem que querer correr. Ele disse que você deve ter vergonha de mim porque eu prefiro pintar e que você só finge que gosta de mim para as fotos.

O silêncio que se seguiu no quarto foi pesado. Oscar sentiu uma mistura de raiva pura daqueles que plantavam esse tipo de ideia na cabeça de crianças e uma tristeza profunda por seu filho ter que carregar esse fardo.

— Vem cá — disse Oscar, puxando Lucas para o seu colo.

O menino se acomodou imediatamente, escondendo o rosto no peitoral do pai, exatamente como fazia desde que era bebê. Oscar o apertou contra si, balançando-o levemente.

— Escuta bem o que eu vou te dizer, Lucas — começou Oscar, a voz firme e segura. — Você não tem que dirigir um carro de corrida para ser meu filho. Você não tem que ser nada além do que você já é. Sabe por que eu corro?

Lucas negou com a cabeça, ainda escondido.

— Eu corro porque eu amo a velocidade. Mas sabe o que eu mais amo no mundo todo? — Oscar esperou até que Lucas olhasse para cima. — Eu amo os seus desenhos. Amo o jeito que você escolhe as cores. Amo o fato de você ser doce e gentil. Eu nunca, em toda a minha vida, teria vergonha de você.

— De verdade? — a voz de Lucas era um sussurro trêmulo.

— De verdade. Aqueles meninos não sabem do que estão falando. Eles veem o "Oscar Piastri da TV", mas eles não conhecem o seu papai. O seu papai é o homem que adora brincar de esconde-esconde com você e que acha que você é o menino mais corajoso do mundo.

Oscar limpou uma lágrima que escorria pelo rosto do filho.

— As pessoas vão sempre falar coisas, Lucas. Especialmente porque o papai tem um trabalho que aparece na televisão. Mas o que acontece dentro desta casa, entre eu, você e a mamãe... isso é a única verdade que importa. Você está seguro aqui.

Lucas suspirou, o corpo finalmente relaxando contra o de Oscar. O choro parou, substituído por aquela respiração pesada de quem está exausto emocionalmente.

— Você não vai ficar triste se eu nunca quiser pilotar um carro de corrida? — perguntou Lucas, fechando os olhos.

— Nem um pouco — garantiu Oscar, beijando a testa do menino. — Se você quiser ser um pintor, um astronauta ou um cozinheiro, eu vou estar na primeira fila torcendo por você, do mesmo jeito que você torce por mim.

Lily apareceu na porta, observando a cena com os olhos marejados. Ela se aproximou e sentou-se do outro lado de Lucas, acariciando suas pernas.

— A gente te ama muito, pequeno — ela disse suavemente. — Ninguém pode mudar isso.

Lucas não respondeu. O cansaço do dia e o alívio de ter colocado tudo para fora o venceram. Em poucos minutos, ele adormeceu nos braços de Oscar, com a mãozinha fechada sobre a camisa do pai.

Oscar permaneceu ali, imóvel, por muito tempo. Ele olhou para Lily, sua expressão endurecendo ligeiramente.

— Eu vou falar com a escola amanhã — disse ele, o tom de voz baixo, mas definitivo. — Não vou deixar que transformem a infância dele em um circo ou que o façam se sentir inferior por ser quem ele é. Se for preciso, tiramos ele de lá.

Lily assentiu, colocando a mão sobre a de Oscar.

— Nós vamos protegê-lo, Oscar. Sempre.

Oscar voltou a olhar para o filho dormindo em seu peito. A fama, os pódios, os contratos milionários... nada daquilo tinha valor perto daquele momento. Para o mundo, ele era o piloto frio e calculista da McLaren. Mas ali, naquele quarto silencioso em Mônaco, ele era apenas um pai disposto a enfrentar o mundo inteiro para garantir que seu filho pudesse continuar sendo apenas uma criança doce que adorava pintar e dormir em seus braços.

Ele ajeitou Lucas com cuidado, sem soltá-lo, e recostou a cabeça no travesseiro, fechando os olhos. A batalha contra a mídia e a maldade alheia continuaria no dia seguinte, mas, por enquanto, Lucas estava seguro. E isso era tudo o que importava.

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