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Love or obssesion?

Fandom: Alien stage

Criado: 14/08/2026

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O Labirinto de Armários e Segredos

O sinal da Escola Preparatória Anakt soou como um grito estridente, ecoando pelos corredores de ladrilhos frios. Para a maioria, era o som da liberdade, mas para Sua, era apenas o sinal de que ela teria que enfrentar o caos do corredor principal antes de conseguir se enfurnar na biblioteca.

Sua ajeitou os óculos e apertou seu exemplar surrado de poesia russa contra o peito. Ela caminhava com passos curtos e silenciosos, tentando ser o mais invisível possível. Sua palidez contrastava com o uniforme escuro, e seus olhos roxos, sempre carregados de uma melancolia profunda, escaneavam o ambiente em busca de uma rota de fuga.

— Ei, nanica! Vai ler no meio do caminho e acabar dando de cara com a parede? — A voz irritante de Ivan veio de algum lugar atrás dela.

Sua nem precisou se virar para saber que seu irmão estava com aquele sorriso sarcástico no rosto, provavelmente com a boca cheia de balas de goma. Ivan era alto, pálido como ela, mas tinha uma energia caótica que a esgotava em segundos.

— Me deixa em paz, Ivan — murmurou Sua, sem aumentar o tom de voz. — Vá encher o saco do Till. Sei que você adora ver ele espumando de raiva.

Ivan soltou uma risada anasalada e passou por ela, dando um peteleco na orelha da irmã antes de acelerar o passo para alcançar um garoto de cabelos cinzas bagunçados que tentava, sem sucesso, ignorar sua existência. Till estava com os fones de ouvido no volume máximo, mas mesmo assim parecia sentir a presença de Ivan como um ímã indesejado.

— Sai fora, Ivan! — Till rosnou, tirando um dos fones. — Já disse que não vou te dar as respostas de física.

— Quem disse que eu quero as respostas? Eu só quero ver se você consegue passar cinco minutos sem parecer um pinscher raivoso — Ivan provocou, encostando o ombro no de Till, que ficou instantaneamente vermelho de raiva (e talvez de algo mais que ele se recusava a admitir).

Sua suspirou, observando a cena de longe. Ela admirava a resiliência de Till, mas não tinha energia para lidar com o drama deles. Ela só queria silêncio. No entanto, o silêncio foi a última coisa que ela encontrou ao dobrar o corredor dos armários do terceiro ano.

Lá estava ela.

Mizi.

Mizi estava encostada em seu armário, cercada por um pequeno grupo de garotos que pareciam competir para ver quem conseguia ser mais patético. O cabelo longo e rosa de Mizi, com as pontas tingidas de um azul vibrante, caía como uma cascata sobre seus ombros. Ela era, sem dúvida, a garota mais bonita da escola, mas havia algo em seu olhar dourado que sugeria que ela preferia estar em qualquer outro lugar — preferencialmente dormindo.

— Sério, gente? — A voz de Mizi saiu baixa, rouca e absurdamente atraente, embora carregada de um sarcasmo cortante. — Se eu ganhar mais uma caixa de bombom, eu juro que vou começar a tacar na cabeça de vocês. Eu tenho cara de quem quer ter diabetes antes dos dezoito?

— Mas Mizi, é de uma marca importada... — tentou um dos pretendentes.

— Foda-se a marca — Mizi interrompeu, revirando os olhos com um charme que desarmaria um exército. — Eu quero paz. Eu quero dormir. Se não for pra me trazer um travesseiro de penas de ganso ou um passe livre pra matar aula, nem falem comigo.

Sua parou por um segundo, hipnotizada. Ela gostava de Mizi desde o primeiro ano, mas nunca teve coragem de dizer uma única palavra. Para Mizi, Sua era apenas a irmã quieta do Ivan ou a amiga nerd do Luka.

— Perdeu alguma coisa aqui, baixinha? — Hyuna apareceu de repente, passando o braço pelos ombros de Sua.

Hyuna era o oposto da melancolia de Sua. Morena, descolada, com olhos azuis que pareciam enxergar através das pessoas. Ela era a melhor amiga de Mizi e de Ivan, mas também circulava por todos os grupos.

— Não, eu só... estava passando — mentiu Sua, sentindo as bochechas esquentarem.

— Sei — Hyuna riu, dando uma piscadela. — A Mizi é um espetáculo, né? Mas tá de mau humor hoje. Muita gente enchendo o saco dela só porque ela nasceu com essa cara de anjo sedutor. Ela odeia isso.

— Eu imagino — disse Sua em voz baixa. — Deve ser cansativo ser vista só como um troféu.

Hyuna olhou para Sua com um interesse renovado.

— Você é esperta, Sua. É por isso que o Luka gosta de andar com você. Falando no loiro gélido, olha ele ali.

Luka vinha caminhando pelo corredor com a postura impecável de quem sempre tirava dez em tudo. Ele era alto, loiro e tinha um olhar tão frio que parecia resfriar o ambiente. Ele era o namorado de Hyuna, embora a dinâmica deles fosse um mistério para a maioria: a garota mais rebelde com o nerd mais frio da escola.

— Hyuna — Luka cumprimentou com um aceno de cabeça, parando ao lado delas. — Sua. Till está te procurando, Sua. Ele disse que você ficou com o caderno de partituras dele por engano.

— Ah, é verdade. Eu esqueci de devolver na aula de música — Sua disse, sentindo-se grata pela desculpa para sair dali.

— Vejo vocês depois — disse Luka, pegando a mão de Hyuna com uma delicadeza que ele só mostrava para ela.

Sua começou a se afastar, mas não resistiu a olhar para trás uma última vez. Mizi tinha conseguido se livrar dos pretendentes e agora caminhava em sua direção, parecendo exausta. O destino, ou talvez o azar, fez com que as duas se cruzassem bem em frente à saída do bloco B.

Mizi parou, bocejando sem cobrir a boca, e seus olhos dourados focaram em Sua.

— Ei — disse Mizi. — Você é a irmã do Ivan, não é? A que gosta de ler coisas depressivas?

Sua sentiu o coração falhar uma batida. A voz de Mizi, de perto, era ainda mais profunda e envolvente.

— Eu... eu leio poesia. Nem sempre é depressiva — Sua respondeu, tentando manter a voz firme. — E meu nome é Sua.

Mizi deu um sorriso de lado, um olhar preguiçoso e quase sedutor que fez os joelhos de Sua tremerem levemente.

— Eu sei seu nome, Sua. Só queria ver se você falava. Você é tão quieta que às vezes eu esqueço que você respira.

— É melhor do que falar demais e não dizer nada, como a maioria das pessoas que te cercam — Sua disparou, a irritação momentânea vencendo a timidez.

Mizi arregalou os olhos por um segundo, surpresa. Depois, soltou uma risada genuína, algo que raramente fazia no meio do corredor.

— Caralho... você é afiada — Mizi comentou, aproximando-se um pouco mais. — Gostei disso. Pelo menos você não tentou me elogiar ou me dar um urso de pelúcia ridículo.

— Eu nunca faria isso — disse Sua, recuperando sua aura melancólica, mas sustentando o olhar. — Seria um desperdício de tempo para nós duas.

Mizi inclinou a cabeça, observando Sua como se a estivesse vendo pela primeira vez de verdade.

— Você é interessante, Sua. A gente devia... sei lá, qualquer dia desses você me mostra o que tem de tão bom nesses seus livros. Talvez me ajude a pegar no sono.

— Se você quiser realmente ler, eu posso te emprestar algo. Se quiser só dormir, sugiro a aula de história do professor Varney.

Mizi soltou outra risada e, antes de sair, tocou levemente o ombro de Sua.

— A gente se vê por aí, nanica.

Sua ficou parada no corredor por um longo tempo depois que Mizi saiu. O cheiro do perfume dela — algo que lembrava chiclete e baunilha — ainda pairava no ar.

Enquanto isso, no pátio, a tensão era de outra natureza. Till estava sentado em um banco de cimento, tentando afinar sua guitarra, enquanto Ivan jogava bolinhas de papel nele.

— Para com essa porra, Ivan! — Till gritou, levantando-se de uma vez. — Qual é o seu problema?

— Meu problema é que você é muito fácil de irritar, Till — Ivan disse, levantando-se também. Ele era consideravelmente mais alto, o que obrigava Till a olhar para cima, algo que o deixava ainda mais enfurecido. — E você fica fofo quando está bravo.

Till sentiu o rosto queimar. Ele odiava o quanto Ivan conseguia desestabilizá-lo com apenas algumas palavras.

— Eu te odeio — Till sibilou, embora o aperto em sua guitarra não fosse de raiva, mas de um nervosismo que ele tentava enterrar.

— Odeia nada — Ivan deu um passo para frente, invadindo o espaço pessoal de Till. Ele tirou uma bala de menta do bolso e ofereceu. — Aceita? Pra refrescar esse seu humor de bosta.

Till olhou para a bala e depois para os olhos escuros e indecifráveis de Ivan. Ele pegou a bala da mão dele, seus dedos roçando rapidamente na palma de Ivan, enviando um choque elétrico pelo seu braço.

— Idiota — Till resmungou, mas não se afastou.

Longe dali, no terraço da escola, Hyuna e Luka observavam o movimento lá embaixo. Hyuna estava sentada no parapeito, balançando as pernas, enquanto Luka permanecia em pé ao lado dela, lendo um tablet.

— A Mizi falou com a Sua hoje — Hyuna comentou, olhando para o céu. — Acho que a nossa "rainha da escola" finalmente encontrou alguém que não se impressiona com a beleza dela.

Luka não tirou os olhos da tela.

— A Sua é profunda. A Mizi é intensa, mas está cansada da superfície. Era óbvio que elas se atrairiam eventualmente.

— Você é tão analítico, Luka — Hyuna riu, puxando-o pela gola da camisa para um beijo rápido. — Às vezes esqueço que você tem sentimentos.

Luka finalmente sorriu, um sorriso mínimo que apenas Hyuna conseguia arrancar.

— Eu guardo os sentimentos para o que realmente importa.

A escola Anakt podia parecer um ambiente comum, mas entre os armários, as salas de música e o pátio barulhento, fios invisíveis conectavam cada um deles. Mizi buscava algo real em um mundo de aparências; Sua buscava coragem para sair das sombras; Till e Ivan travavam uma guerra que encobria um desejo mútuo; e Hyuna e Luka observavam tudo, como os arquitetos silenciosos daquele caos adolescente.

No final do dia, enquanto o sol se punha e pintava o céu de laranja e roxo, Mizi estava deitada no banco de trás do carro de Hyuna, pensando nos olhos roxos e tristes de Sua. Pela primeira vez em muito tempo, ela não estava com sono. Ela estava curiosa.

E para Mizi, a curiosidade era um sentimento muito mais perigoso do que qualquer paixão de corredor.

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