
Luca hass
Fandom: Heated rivalry
Criado: 14/08/2026
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O Ninho dos Papais
A primeira coisa que Luca aprendeu ao ser draftado pelo Montreal foi que a NHL era muito mais rápida do que ele imaginava. A segunda coisa, e talvez a mais surpreendente, foi que ele não havia ganhado apenas dois mentores em Ilya Rozanov e Shane Hollander. Ele havia ganhado, para todos os efeitos práticos, dois pais extremamente superprotetores.
Tudo começou com pequenos gestos. Ilya corrigindo a posição do seu capacete com uma força desnecessária, ou Shane garantindo que ele tivesse comido vegetais suficientes no jantar da equipe. Mas a situação escalou quando a administração do time sugeriu que Luca, sendo o novato mais jovem da liga e parecendo ter doze anos apesar dos seus dezoito, não deveria morar sozinho em uma cidade tão agitada quanto Montreal.
Agora, Luca estava sentado no sofá imenso da cobertura de Shane e Ilya, encolhido entre duas montanhas de músculos e ego, sentindo-se exatamente como um recém-nascido em um ninho.
— Você terminou sua lição de casa do playbook, malysh? — perguntou Ilya, sua voz grave ressoando contra o peito enquanto ele passava o braço pelos ombros de Luca, puxando-o para mais perto.
— Eu não sou uma criança, Ilya. E sim, eu já decorei as jogadas de power play — resmungou Luca, embora não fizesse menção de se afastar do calor do russo.
— Ele parece cansado, Ilya — Shane comentou, surgindo da cozinha com um copo de leite morno e um prato de biscoitos. Ele colocou as guloseimas na mesa de centro e se sentou do outro lado de Luca, cercando-o completamente. — O treino de hoje foi pesado. O treinador pegou no pé dele nas transições.
— O treinador é um idiota — rosnou Ilya, apertando Luca um pouco mais. — Meu bebê foi o melhor no gelo.
Luca sentiu o rosto esquentar instantaneamente.
— Por favor, parem de me chamar assim. Se os caras do vestiário ouvirem isso, eu nunca mais vou ter paz.
— Ninguém no vestiário vai dizer um pio — Shane disse com um sorriso calmo, mas que carregava aquela faísca perigosa de capitão. — Eles sabem que, se mexerem com você, terão que passar por nós dois. Agora, beba o leite. Ajuda a relaxar os músculos.
— Eu prefiro um isotônico — tentou Luca, mas o olhar firme de Shane o fez ceder. Ele pegou o copo e deu um gole, sentindo-se ridículo e, ao mesmo tempo, estranhamente cuidado.
Morar com Shane e Ilya era uma experiência surreal. No gelo, eles eram a "Rivalidade Aquecida", dois titãs que passaram anos se odiando publicamente enquanto se amavam loucamente em segredo. Agora que o relacionamento era público e eles jogavam no mesmo time, a energia competitiva havia se transformado em uma frente unida de domesticidade agressiva. E Luca era o centro dessa nova dinâmica.
— Amanhã temos viagem para Nova York — lembrou Ilya, mexendo nos fios de cabelo de Luca, desfazendo o penteado que o jovem havia levado dez minutos para arrumar. — Eu já arrumei sua mala.
Luca engasgou com o leite.
— Você o quê? Ilya, eu sei arrumar minha própria mala!
— Você esqueceu seu protetor bucal da última vez — rebateu o russo, sem um pingo de remorso. — E Shane colocou aqueles moletons extras porque você sempre sente frio nos hotéis.
— São os moletons da sorte — Shane acrescentou, piscando para o novato. — Não queremos que nosso amuleto pegue um resfriado.
Luca suspirou, afundando-se nas almofadas. Era inútil lutar. Havia algo na combinação da autoridade silenciosa de Shane e da possessividade barulhenta de Ilya que o desarmava completamente. Ele se sentia seguro. Pela primeira vez desde que saíra da casa dos pais na Colúmbia Britânica, ele não sentia o peso da pressão de ser a "grande promessa". Ali, ele era apenas o Luca.
— O que vamos assistir? — perguntou Shane, pegando o controle remoto.
— Nada de documentários de hóquei — Ilya decretou. — Luca precisa desligar o cérebro. Desenhos?
— Eu tenho dezoito anos! — protestou Luca, embora seus olhos tenham brilhado quando Shane passou pelo canal que exibia uma maratona de animações clássicas.
— Shhh — Ilya murmurou, puxando uma manta felpuda sobre as pernas dos três. — Apenas descanse, malysh.
O silêncio se instalou na sala, quebrado apenas pelo som da televisão e pela respiração ritmada dos dois veteranos. Luca sentiu o sono começar a pesar. A mão de Ilya continuava em seu cabelo, um carinho rítmico e hipnótico, enquanto Shane repousava a mão em seu joelho, um âncora constante.
— Ele está dormindo? — a voz de Shane soou como um sussurro distante minutos depois.
— Quase — respondeu Ilya, sua voz ainda mais baixa, carregada de uma ternura que ele raramente mostrava ao mundo. — Ele é tão pequeno, Shane. Como eles deixam alguém tão jovem jogar contra aqueles brutos?
— Ele é forte, Ilya. Mas ele é nosso.
— Sim — concordou o russo. — Nosso.
Luca, em seu estado de semi-consciência, sorriu. Ele sabia que, no dia seguinte, no rinque, ele teria que patinar mais rápido que todos, aguentar os trancos e provar seu valor. Mas, por enquanto, ele podia ser apenas o bebê da casa.
— Ei, garoto — Shane chamou suavemente, percebendo que Luca estava prestes a apagar de vez. — Hora de ir para o quarto. Você tem uma cama de verdade, sabia?
— Não quero levantar — resmungou Luca, a voz abafada pelo peito de Ilya.
Ilya não perdeu tempo. Com uma facilidade que beirava o exibicionismo, ele passou os braços por baixo de Luca e o levantou como se ele não pesasse absolutamente nada.
— Ilya! Me coloca no chão! — Luca exclamou, embora suas mãos tenham se agarrado automaticamente ao pescoço do russo para não cair.
— Não faça barulho, é hora de dormir — Ilya repreendeu, começando a subir as escadas em direção aos quartos.
Shane vinha logo atrás, recolhendo o copo vazio e o prato de biscoitos, apagando as luzes pelo caminho.
— Vocês são loucos — Luca murmurou, desistindo de resistir e escondendo o rosto no pescoço de Ilya. O cheiro de Ilya — gelo, colônia cara e algo puramente másculo — era reconfortante.
— Somos apenas dedicados — corrigiu Shane, abrindo a porta do quarto de Luca.
O quarto era espaçoso, decorado com cores neutras e, para o constrangimento secreto de Luca, cheio de pelúcias que Ilya insistia que eram "presentes de fãs", mas que Luca suspeitava terem sido compradas pelo próprio russo.
Ilya o depositou na cama com uma delicadeza surpreendente, enquanto Shane puxava os lençóis.
— Precisa de alguma coisa? Água? Outro travesseiro? — Shane perguntou, inclinando-se para beijar a testa de Luca, um gesto tão natural que Luca nem teve forças para reclamar.
— Não, estou bem. Obrigado, Shane.
Ilya parou na porta, observando a cena com um olhar satisfeito.
— Durma bem, malysh. Se tiver pesadelos ou se a perna doer, sabe onde é o nosso quarto.
— Eu não vou ter pesadelos — Luca retrucou, já se enfiando debaixo das cobertas.
— Deixe a porta entreaberta, Ilya — Shane instruiu enquanto saíam.
— Já deixei.
Luca ouviu os passos dos dois se afastando pelo corredor, o som abafado de suas vozes enquanto entravam no próprio quarto. Ele olhou para o teto, a luz suave do corredor entrando pela fresta da porta.
Ele era um jogador profissional de hóquei. Ele ganhava mais dinheiro em um ano do que a maioria das pessoas em dez. Ele era um homem.
Mas, enquanto fechava os olhos e se sentia completamente protegido pelo cuidado exagerado de seus "pais" de aluguel, Luca decidiu que ser o bebê da equipe não era, de forma alguma, a pior coisa do mundo.
Na manhã seguinte, o despertador de Luca nem teve a chance de tocar. A porta do seu quarto foi aberta com entusiasmo às seis da manhã.
— Acorda, raio de sol! — a voz de Shane ecoou, seguida pelo som das cortinas sendo abertas. — O café da manhã está na mesa. Ovos, bacon e aquela vitamina de frutas que você gosta.
Luca gemeu, puxando o travesseiro sobre a cabeça.
— Mais cinco minutos...
— Nem um segundo a mais — Ilya disse, sentando-se na beirada da cama e começando a balançar o corpo de Luca. — Temos treino matinal. E você precisa de energia para não ser derrubado pelo Weber.
— Eu nunca sou derrubado pelo Weber — mentiu Luca, sentando-se com o cabelo todo bagunçado.
— Ontem você foi — lembrou Shane com um sorriso provocador. — Mas tudo bem, hoje vamos trabalhar no seu equilíbrio. Agora, vá se lavar. Ilya preparou suas roupas de treino. Estão em cima da cadeira.
Luca olhou para a cadeira. As roupas estavam perfeitamente dobradas, com as meias combinando e até mesmo um par de luvas extras caso esfriasse.
— Vocês dois são inacreditáveis — ele disse, levantando-se e caminhando em direção ao banheiro.
— Nós te amamos também, garoto! — Shane gritou de volta, já descendo as escadas.
Enquanto escovava os dentes, Luca se olhou no espelho. Ele parecia mais saudável, menos estressado. A vida com Shane e Ilya era uma bolha de proteção em um mundo que muitas vezes tentava mastigar e cuspir jovens talentos.
Ao descer para a cozinha, ele encontrou a cena clássica: Ilya lendo o jornal no tablet enquanto bebia café preto, e Shane terminando de empratar o café de Luca.
— Coma tudo — ordenou Ilya, sem desviar os olhos da tela. — E não esqueça suas vitaminas. Estão ao lado do prato.
— Sim, senhor — Luca respondeu, sentando-se e começando a comer. O café estava delicioso.
— O ônibus da equipe sai às dez — Shane explicou, sentando-se à mesa. — Nós vamos no meu carro até o centro. Ilya quer passar em uma loja de conveniência antes para comprar "lanchinhos de viagem" para você.
— Lanchinhos? — Luca perguntou com a boca cheia.
— Sim — Ilya interveio. — A comida do avião é horrível e você precisa manter o peso. Eu comprei aquelas barras de proteína que você gosta e algumas frutas secas.
— E chocolate — Shane acrescentou em um sussurro cúmplice. — Mas não conte para o nutricionista.
Luca riu, sentindo o calor no peito que não tinha nada a ver com o café quente.
— Obrigado, pessoal. De verdade.
Ilya finalmente baixou o tablet e olhou para Luca, seus olhos azuis suavizando.
— Não precisa agradecer, Luca. Você é parte da família agora. E família cuida um do outro.
— Exatamente — Shane concordou, colocando a mão sobre a de Luca. — Agora termine de comer. Temos um jogo para ganhar em Nova York, e o nosso novato estrela precisa estar no topo da sua forma.
A viagem para Nova York foi como qualquer outra, exceto pelo fato de que Luca não teve que se preocupar com absolutamente nada. Shane cuidou do check-in, Ilya garantiu que ele estivesse sentado entre eles no avião, e ambos monitoraram seu consumo de água como se fossem cientistas da NASA.
No vestiário do Madison Square Garden, os outros jogadores olhavam para o trio com sorrisos divertidos.
— Ei, Luca — chamou um dos defensores veteranos. — O papai Shane já trocou sua fralda hoje?
Antes que Luca pudesse responder, Ilya se levantou, sua presença ocupando metade do vestiário. O olhar que ele lançou ao colega de equipe foi o suficiente para fazer o homem engolir em seco e voltar a amarrar os patins em silêncio.
— Ignore-os — Shane disse baixinho no ouvido de Luca enquanto o ajudava a ajustar as ombreiras. — Eles estão apenas com inveja porque não têm ninguém para cuidar deles.
— Eu sei — Luca sorriu. — Mas eu realmente consigo apertar minhas próprias proteções, Shane.
— Eu sei que consegue. Mas eu gosto de ter certeza.
O jogo foi intenso. Luca marcou um gol e deu uma assistência, sendo eleito uma das estrelas da partida. No final, exausto e suado, ele mal teve forças para tirar o equipamento.
— Ótimo trabalho, malysh — Ilya disse, dando um tapinha encorajador em suas costas enquanto entravam no ônibus de volta para o hotel. — Você foi um guerreiro hoje.
— Estou morto — confessou Luca, encostando a cabeça no ombro de Ilya assim que se sentaram.
— Pode dormir — Shane disse, sentando-se do outro lado e jogando um casaco sobre as pernas de Luca. — Nós te acordamos quando chegarmos.
E assim, cercado por seus dois "pais", Luca adormeceu profundamente, sabendo que, não importa o quão difícil fosse a liga ou o quão grande fosse a pressão, ele sempre teria um ninho para onde voltar. Em Montreal, ele não era apenas o número 27. Ele era o garoto de Shane e Ilya. E isso era mais do que suficiente.
