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O amor no meio das sombras

Fandom: Animais fantásticos

Criado: 14/08/2026

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Sombras de Prata e Cetim

A névoa de Londres parecia mais espessa naquela noite, carregando o cheiro de carvão e a promessa silenciosa de perigo. Clara estava parada diante da lareira em seu pequeno apartamento, observando as chamas consumirem os restos de uma carta de Newt. Seu melhor amigo estava seguro, ou tão seguro quanto Newt Scamander poderia estar enquanto cuidava de criaturas incompreendidas, mas o peito de Clara ainda abrigava um vazio inquietante.

Ela se lembrava de Nova York. Lembrava-se de Percival Graves, o homem de olhar severo e elegância impecável que a tratara com uma deferência quase magnética. Durante meses, enquanto Newt corria atrás de seus animais, Clara se viu gravitando em torno do Diretor de Segurança Mágica. Ele era charmoso de uma forma sombria, inteligente e parecia ver nela algo que ninguém mais via. A revelação de que Graves era, na verdade, Gellert Grindelwald, o bruxo das trevas mais procurado do mundo, deveria ter gerado ódio. Mas, no fundo de sua alma, o que Clara sentia era uma saudade proibida.

Um estalo seco ecoou no centro da sala, deslocando o ar.

Clara se virou bruscamente, a varinha já em punho, mas seu braço fraquejou antes mesmo de ela pronunciar um feitiço. Parado ali, envolto em um sobretudo pesado e com o cabelo platinado desalinhado pelo vento, estava ele. Não mais com o rosto de Graves, mas com sua verdadeira face: pálida, com um olho de cada cor, emanando um poder que fazia as janelas vibrarem.

— Você demorou a me encontrar — disse ela, a voz falhando levemente, embora tentasse manter a postura.

Grindelwald deu um passo à frente, a luz do fogo refletindo-se em suas feições angulares. Ele não parecia um fugitivo, apesar de ter acabado de escapar do MACUSA em uma fuga que já estampava os jornais. Ele parecia um rei retornando para reclamar o que era seu.

— Eu tinha assuntos pendentes, minha querida Clara — respondeu ele, a voz rouca e aveludada, exatamente como ela se lembrava. — Mas você nunca saiu dos meus pensamentos. Mesmo naquela cela, o calor do seu sorriso era a única coisa que o frio não conseguia tocar.

Ele se aproximou o suficiente para que Clara sentisse o perfume dele: sândalo e algo que lembrava o ozônio que precede uma tempestade. Ele estendeu a mão, tocando o rosto dela com as costas dos dedos. O toque era frio, mas a pele de Clara ardeu sob o contato.

— Você enganou todo mundo. Enganou o Newt — murmurou ela, fechando os olhos por um breve segundo. — Por que está aqui?

— Porque entre todas as mentiras que contei em Nova York, o que senti por você foi a única verdade que me permiti ter — disse ele, inclinando-se para perto do ouvido dela. — Eu poderia ter ido para Paris. Poderia ter ido para as montanhas. Mas eu vim para você.

Clara abriu os olhos, encontrando aquele olhar heterocromático que parecia ler sua alma. Ela sabia que deveria gritar, que deveria aparatara dali ou lutar. Mas o carisma de Gellert era uma força da natureza, uma gravidade contra a qual ela não tinha defesa. Ela largou a varinha sobre a mesa lateral.

— Você é um homem perigoso, Gellert.

— E você é a única mulher que não teme o perigo — ele sorriu de lado, um sorriso predatório e ao mesmo tempo terno.

Ele a puxou pela cintura, colando seus corpos. O contraste entre o frio do sobretudo dele e o calor do vestido de seda dela era inebriante. Gellert selou seus lábios nos dela com uma urgência que não pedia permissão, mas sim reconhecimento. O beijo era profundo, carregado de meses de repressão e uma fome que transcendia o físico. Clara passou as mãos pelos cabelos dele, puxando-o para mais perto, sentindo a adrenalina correr por suas veias como fogo líquido.

Ele a ergueu com facilidade, levando-a para o quarto enquanto os lábios nunca se desconectavam. O ambiente estava imerso na penumbra, iluminado apenas pelo brilho lunar que atravessava as cortinas de renda. Gellert a deitou sobre os lençóis de cetim, desfazendo-se de seu próprio casaco com um movimento fluido.

— Eu senti falta disso — confessou ele, a voz vibrando contra o pescoço dela. — Do seu cheiro. Da forma como você treme quando eu te toco.

Ele começou a desabotoar o vestido dela com dedos ágeis, cada centímetro de pele revelada sendo batizado por seus beijos. Clara soltou um suspiro trêmulo quando as mãos grandes dele encontraram suas curvas, apertando-as com uma posse absoluta. Ela o ajudou a se livrar da camisa, maravilhada com a visão do homem por trás do mito. Ele era forte, marcado por batalhas, mas sua pele era macia sob as mãos dela.

Quando ele se posicionou entre as pernas dela, seus olhares se cruzaram novamente. Havia uma intensidade ali que queimava mais do que qualquer feitiço.

— Diga que você me quer — sussurrou ele, a respiração ofegante. — Diga que, apesar de tudo o que dizem de mim, você ainda me deseja.

— Eu sempre desejei — respondeu Clara, puxando-o para baixo. — Mesmo quando eu achava que você era outro homem, era a sua alma que eu buscava.

Ele penetrou nela com um impulso firme, arrancando um gemido alto de seus lábios. O ritmo que se seguiu era uma dança de poder e entrega. Gellert a possuía com a mesma determinação com que pretendia conquistar o mundo, mas havia uma vulnerabilidade em seus movimentos que ele só mostrava a ela. Clara arqueava as costas, as unhas cravando-se nos ombros dele, enquanto o prazer subia em ondas avassaladoras.

Cada estocada dele era um lembrete de que ele estava vivo, de que ele estava ali, e de que, naquele momento, o mundo lá fora — com seus ministérios, suas guerras e suas leis — não existia. Havia apenas o som da respiração pesada, o atrito das peles e o calor crescente que ameaçava consumi-los.

Grindelwald inclinou-se, beijando-a com uma paixão selvagem enquanto acelerava o ritmo. Clara sentiu o clímax se aproximando, uma tensão elétrica que percorria cada nervo de seu corpo. Ela chamou o nome dele, um lamento de puro êxtase, e ele respondeu da mesma forma, entregando-se ao prazer enquanto se derramava dentro dela, seu corpo tremendo contra o dela em uma exaustão triunfante.

Eles ficaram ali por um longo tempo, envoltos um no outro, enquanto a respiração voltava ao normal. Gellert acariciava os cabelos de Clara, observando-a com uma suavidade que poucos acreditariam que ele possuía.

— O que acontece agora? — perguntou ela em voz baixa, a cabeça apoiada no peito dele.

Gellert beijou o topo da cabeça dela, o olhar voltado para a janela, onde a aurora começava a tingir o céu de Londres.

— Agora, eu mudo o destino — disse ele, a voz recuperando a autoridade fria. — Mas você... você estará ao meu lado. Não como uma seguidora, Clara, mas como minha rainha.

— Newt nunca vai entender — murmurou ela, sentindo o peso da escolha que acabara de fazer.

— Newt Scamander vive em um mundo de criaturas pequenas e regras menores ainda — Grindelwald se levantou, a silhueta imponente contra a luz da manhã. — Nós fomos feitos para o extraordinário.

Ele se vestiu com a elegância habitual, mas antes de partir, ele se inclinou e beijou a testa de Clara.

— Espere pelo meu sinal. O mundo vai queimar, mas nas cinzas, nós construiremos algo eterno.

Com um estalo, ele desapareceu, deixando para trás apenas o perfume de sândalo nos lençóis e o coração acelerado de uma mulher que acabara de entregar sua alma ao bruxo mais perigoso da história. Clara olhou para a varinha sobre a mesa e soube que, a partir daquela noite, nada mais seria igual. Ela não era mais apenas a amiga de Newt; ela era a fraqueza e a força de Gellert Grindelwald.

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