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Entre amor e sangue

Fandom: A casa das sete mulheres

Criado: 14/08/2026

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RomanceDramaAngústiaHistóricoSombrioCrimeTragédiaMorte de PersonagemGótico Sulista
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O Pecado sob as Sombras do Pampa

A música da festa de noivado ainda ecoava nos ouvidos de Corte Real, um zumbido distante e irritante que parecia sublinhar a falsidade de cada brinde erguido naquela noite. O salão estava repleto de fardas impecáveis, vestidos de seda e o cheiro enjoativo de perfumes caros vindos do Rio de Janeiro. Ele havia sorrido, aceitado os cumprimentos pela união conveniente, mas sua alma estava a quilômetros dali, perdida entre os capins altos e o cheiro de terra molhada da estância.

Mal a última valsa terminou, ele se esquivou das atenções da noiva e dos oficiais. Montou seu cavalo com uma urgência que beirava o desespero. O galope pela noite escura era uma fuga de si mesmo, ou talvez uma corrida em direção à única verdade que ainda conseguia sentir, mesmo que essa verdade fosse construída sobre um alicerce de sangue e traição.

Ele chegou à pequena construção nos limites da propriedade de Estevão. A luz de uma única vela tremeluzia na janela. O coração de Corte Real martelou contra as costelas, não pelo esforço da cavalgada, mas pelo peso do segredo que carregava. Ele matara Estevão. O sangue do irmão dela ainda parecia manchar suas mãos, por mais que as tivesse lavado com obsessão. Mas Joana não sabia. Para ela, o irmão estava apenas desaparecido em combate, uma vítima das incertezas da guerra.

Ele desmontou e caminhou até a porta, batendo com suavidade.

— Sou eu — murmurou ele, a voz rouca.

A porta se abriu quase instantaneamente. Joana apareceu, os cabelos escuros soltos sobre os ombros, o rosto iluminado pela chama da vela que carregava. Seus olhos brilharam ao vê-lo, uma mistura de alívio e desejo que fez as entranhas de Corte Real se contraírem de culpa e paixão.

— Você veio — disse ela, dando um passo para trás para deixá-lo entrar. — Achei que a festa de noivado o prenderia até o amanhecer.

Corte Real fechou a porta atrás de si e a trancou. O silêncio da noite rural os envolveu, quebrado apenas pelo estalar da lenha na pequena lareira.

— Nenhuma festa, nenhum compromisso e nenhuma mulher poderiam me manter longe de você, Joana — ele disse, aproximando-se dela com passos lentos.

Ele a tomou nos braços com uma força quase violenta, escondendo o rosto no pescoço dela. O cheiro de Joana era de alfazema e pele limpa, um contraste brutal com o cheiro de pólvora e morte que ele sentia impregnado em sua própria existência.

— Você está trêmulo — notou ela, afastando-se um pouco para olhar em seus olhos. — O que aconteceu, meu amor? Notícias do meu irmão? Algum sinal de Estevão?

O nome dele foi como um golpe de adaga no peito de Corte Real. Ele sustentou o olhar dela, a mentira fluindo de seus lábios com a perícia de um soldado acostumado a estratégias.

— Ainda nada, Joana. As fronteiras estão um caos. Mas eu prometo que continuarei procurando.

Ele a puxou para um beijo profundo, tentando calar a própria consciência. Joana correspondeu com uma entrega total, seus dedos enroscando-se nos cabelos dele, puxando-o para mais perto. O beijo era urgente, faminto, como se ambos tentassem consumir um ao outro para esquecer o mundo lá fora.

— Eu não quero mais me esconder — disse ele entre os beijos, a voz falhando. — Joana, eu quero casar com você. Quero que seja minha esposa diante de todos, não importa o que digam, não importa o escândalo.

Joana soltou um suspiro trêmulo, as mãos espalmadas no peito dele, sentindo o ritmo frenético de seu coração.

— E a sua noiva? A corte? O seu nome?

— Nada disso vale um segundo do que sinto quando estou aqui — afirmou ele, a intensidade em seus olhos quase assustadora. — Eu vou desfazer tudo. Eu quero você. Só você.

Ele começou a desabotoar o dólman da farda com dedos impacientes, jogando a peça pesada no chão. Joana o ajudou, suas mãos pequenas deslizando pela camisa de linho dele, sentindo o calor do corpo do homem que ela acreditava ser seu salvador.

Corte Real a conduziu até a cama estreita no canto do quarto. A luz da vela projetava sombras dançantes nas paredes de pau-a-pique. Ele a despiu com uma reverência quase religiosa, cada centímetro de pele revelada sendo celebrado com beijos lentos e ardentes. Quando Joana estava nua diante dele, ele se permitiu um momento de pura adoração, esquecendo por um instante o cadáver que deixara para trás no campo de batalha.

— Você é a mulher mais linda que já pisou neste pampa — sussurrou ele, a voz vibrando de desejo.

Ele se juntou a ela na cama, o contraste entre a pele alva dela e a sua, bronzeada pelo sol e marcada por cicatrizes, era uma imagem de beleza bruta. Suas mãos percorreram as curvas de Joana, descobrindo cada ponto de sensibilidade, arrancando dela gemidos baixos que incendiavam seu sangue.

Joana arqueou o corpo quando a boca dele encontrou seus seios, a língua traçando círculos lentos que a faziam perder o fôlego.

— Corte Real... — ela arquejou, as unhas cravando-se nos ombros dele. — Por favor...

Ele não a fez esperar. Ele a possuiu com uma intensidade que era tanto um ato de amor quanto um pedido de perdão. Cada movimento era carregado de uma urgência desesperada, como se ele pudesse, através daquele ato carnal, fundir suas almas e apagar os pecados que os separavam.

O suor brilhava em seus corpos sob a luz bruxuleante. O som de suas respirações ofegantes preenchia o quarto, abafando o som do vento que uivava lá fora. Joana se entregava sem reservas, envolvendo-o com suas pernas, puxando-o para as profundezas de seu ser, onde Corte Real encontrava o único refúgio possível para sua alma atormentada.

No auge da paixão, ele gritou o nome dela, um som que carregava toda a dor e o prazer de sua existência. Eles desabaram juntos nos lençóis, os corações batendo em uníssono, a exaustão finalmente trazendo uma paz temporária.

Corte Real permaneceu abraçado a ela, o rosto enterrado em seus cabelos. Ele sabia que o tempo estava se esgotando. Sabia que a mentira sobre Estevão não poderia ser mantida para sempre. Mas, naquele momento, no calor dos braços de Joana, ele se permitiu acreditar que o amor poderia ser mais forte que a morte.

— Eu vou cuidar de você — prometeu ele, a voz um sussurro contra o ouvido dela. — Vou te levar para longe daqui, para um lugar onde ninguém nos conheça. Onde possamos começar do zero.

Joana sorriu, uma expressão de pura esperança que partiu o coração dele.

— E Estevão virá conosco? — perguntou ela, a inocência em sua voz sendo a tortura final.

Corte Real fechou os olhos com força, uma lágrima solitária escapando e se perdendo no travesseiro.

— Se Deus quiser, Joana — mentiu ele, apertando-a mais forte contra o peito. — Se Deus quiser.

Lá fora, o pampa permanecia indiferente aos dramas humanos, vasto e silencioso, guardando em suas entranhas os segredos de homens que amavam demais e matavam por dever, enquanto dentro daquela pequena cabana, o amor e o crime dormiam lado a lado, esperando pelo inevitável amanhecer.

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