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Simplesmente acontece

Fandom: Escola

Criado: 14/08/2026

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Entre Arquivos e Suspiros

O corredor do bloco C estava deserto, mergulhado naquele silêncio sepulcral que só o horário das aulas permitia. Sérgio caminhava a passos lentos, os dedos nervosos enroscando-se em um dos seus cachos escuros que teimava em cair sobre os olhos. Suas olheiras, marcas registradas de noites mal dormidas entre livros de física e jogos de computador, pareciam mais profundas sob a luz fluorescente e fria da escola.

Ele apertou contra o peito a pilha de relatórios que precisava entregar na sala do Grêmio Estudantil. O coração batia em um ritmo descompassado, não pelo peso do papel, mas pela pessoa que o esperava atrás daquela porta de madeira maciça.

Melissa.

Ela era a definição de problema em frasco pequeno. Baixinha, magra, com um corte de cabelo curto e repicado, tingido em mechas alternadas de um vermelho vibrante e um preto asfáltico. Como presidente do Grêmio, ela tinha o poder; como Melissa, ela tinha o controle.

Sérgio parou diante da porta e respirou fundo. Ele sabia que era o alvo favorito dela. Melissa gostava do jeito que ele gaguejava às vezes, da forma como ele abaixava o olhar, mas, acima de tudo, ela gostava de quando ele, mesmo tímido, resolvia enfrentá-la com um brilho atrevido nos olhos que contradizia sua postura submissa.

Ele bateu duas vezes.

— Entra, cachinhos — a voz dela ecoou, carregada de um tom divertido que fez os pelos da nuca de Sérgio se arrepiarem.

Ele empurrou a porta. A sala estava na penumbra, com as persianas semiabertas deixando passar apenas filetes de sol que iluminavam a poeira dançante no ar. Melissa estava sentada sobre a mesa principal, as pernas balançando no ar, usando aquele coturno pesado que parecia grande demais para o seu porte franzino.

— Trouxe os documentos da gincana — disse Sérgio, tentando manter a voz firme, embora seus olhos estivessem fixos nos lábios dela, pintados de um gloss escuro.

— Deixe aqui — ela deu dois tapinhas na superfície da mesa, bem ao lado de sua coxa. — E não tenha tanta pressa, Sérgio. A aula de história é um tédio, e eu estou me sentindo muito... desocupada.

Sérgio aproximou-se, sentindo o perfume dela — algo que lembrava cereja e couro. Ele colocou os papéis onde ela indicou, mas antes que pudesse se afastar, Melissa deslizou da mesa, parando a milímetros do peito dele. A diferença de altura era notável, mas a presença dela preenchia todo o espaço.

— Você está fugindo de mim? — perguntou ela, inclinando a cabeça para o lado. Os fios vermelhos brilharam. — Ou é só esse seu jeito de cachorrinho perdido que está tentando me convencer hoje?

Sérgio sentiu o rosto esquentar, mas não recuou. Pelo contrário, ele deu um passo à frente, forçando-a a encostar as costas na borda da mesa.

— Eu não estou fugindo, Melissa — ele murmurou, a voz subindo uma oitava, tornando-se mais densa. — Só achei que você estivesse ocupada demais mandando em todo mundo para notar a minha presença.

Melissa soltou uma risadinha anasalada, uma mão pequena e pálida subindo para tocar os cachos dele, puxando um deles com força suficiente para fazê-lo inclinar a cabeça em direção a ela.

— Eu sempre noto você. Especialmente quando você usa essa carinha de quem quer ser castigado por chegar atrasado.

— E você vai me castigar? — Sérgio perguntou, a audácia surgindo de algum lugar profundo, um desafio brilhando por trás das olheiras.

O sorriso dela se alargou, tornando-se algo predatório e excitante. Sem aviso, Melissa agarrou a gola da camisa de Sérgio e o puxou para baixo.

O beijo não foi calmo. Foi uma colisão.

Os lábios de Melissa eram quentes e exigentes, movendo-se contra os dele com uma urgência que pegou Sérgio de surpresa, mas não o intimidou. Ele soltou um suspiro abafado contra a boca dela, suas mãos descendo para a cintura fina de Melissa, puxando-a para mais perto, sentindo a fragilidade do corpo dela contrastar com a força da sua personalidade.

Era um beijo molhado, profundo, onde as línguas se buscavam em um duelo rítmico. Melissa soltou um gemido baixo quando sentiu as mãos de Sérgio apertarem seu quadril com uma possessividade que ele raramente demonstrava em público. Ela adorava aquilo — a dualidade dele. O garoto que aceitava suas provocações de cabeça baixa, mas que, entre quatro paredes, sabia exatamente como devolvê-las.

— Você... — ela arfou, afastando-se apenas alguns milímetros, os lábios brilhando pela troca de saliva — ...está muito atrevido hoje, Sérgio.

— É o efeito que você tem sobre mim — respondeu ele, a respiração pesada, os olhos fixos nos dela. — Você gosta de provocar, não gosta? Então aguenta.

Melissa riu, um som rouco e provocador, e voltou a atacá-lo. Ela o empurrou em direção à cadeira giratória da presidência, forçando-o a sentar, e logo em seguida subiu em seu colo, uma perna de cada lado. Sérgio sentiu o peso leve dela e a firmeza de suas coxas contra as dele.

Ele a envolveu, escondendo o rosto na curvatura do pescoço de Melissa, distribuindo beijos úmidos e mordidas leves na pele macia. Ela jogou a cabeça para trás, os dedos cravando-se nos ombros dele.

— Sérgio... — ela sussurrou, a voz carregada de desejo. — Alguém pode entrar...

— Deixa entrar — ele murmurou contra a pele dela, subindo os beijos até o lóbulo da orelha, onde deu uma mordida firme. — Você não é a dona da escola? Mande-os embora.

Melissa estremeceu. Aquela centelha de autoridade que ele exibia no meio de sua submissão era o que a deixava louca. Ela segurou o rosto dele com as duas mãos, obrigando-o a olhá-la. Os olhos de Sérgio estavam nublados, as pupilas dilatadas.

— Eu adoro quando você decide ser o dono da situação — ela confessou, antes de selar seus lábios novamente em um beijo longo e exploratório.

O som dos beijos molhados era o único ruído na sala, interrompido apenas pelo estalar suave da saliva e pelos suspiros que escapavam de ambos. As mãos de Melissa deslizaram por baixo da camiseta de Sérgio, sentindo a pele quente de suas costas, enquanto ele a pressionava contra si, desejando que aquele momento não tivesse fim.

A atmosfera estava carregada, a eletricidade entre o garoto tímido de cabelos cacheados e a líder rebelde do Grêmio ameaçando incendiar os arquivos de papel ao redor.

— Melissa — ele chamou entre beijos, a voz falhando.

— O quê? — ela respondeu, mordendo o lábio inferior dele e puxando levemente.

— A gente ainda tem que terminar aquele relatório.

Melissa parou por um segundo, olhou para a pilha de papéis jogada na mesa e depois voltou a olhar para Sérgio com um brilho travesso nos olhos. Ela desceu a mão lentamente pelo peito dele, parando no cós da calça.

— O relatório pode esperar — ela sussurrou, aproximando o rosto do dele até que seus narizes se tocassem. — Mas eu não.

Sérgio sorriu, um sorriso de lado, cúmplice e desejoso. Ele a puxou para mais um beijo, desta vez mais lento, mais profundo, saboreando cada segundo daquela rebeldia compartilhada no coração da escola. Ali, entre as sombras e o silêncio do Grêmio, eles não eram apenas o aluno exemplar e a presidente provocadora; eram apenas dois jovens perdidos na intensidade um do outro, transformando uma tarde comum em algo inesquecível.

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