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Barto

Fandom: Harry Potter

Criado: 14/08/2026

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O Polissuco da Obsessão

As paredes de pedra de Hogwarts pareciam pulsar com o ritmo dos segredos que escondiam. Para Bartô Crouch Jr., cada passo dado naqueles corredores sob a pele descascada e as cicatrizes de Alastor Moody era uma performance de mestre. Ele bebia o frasco de bolso com a precisão de um relógio, mantendo a farsa diante de Dumbledore e de todo o corpo docente. Mas havia uma variável que ele não previu em seu plano meticuloso: Stela.

Ela era um enigma envolto em seda verde e prata. Filha de Lucius Malfoy, um fruto de um passado que nem mesmo o patriarca da linhagem puro-sangue conhecia, Stela possuía a elegância gélida dos Malfoy, mas com uma chama selvagem nos olhos que Draco nunca ousaria ter. Aos dezesseis anos, cursando o sexto ano, ela era a força gravitacional da Sonserina. E para Bartô, ela se tornara uma fixação doentia.

Sentado em sua mesa na sala de Defesa Contra as Artes das Trevas, o olho mágico de Moody girava freneticamente, mas o seu olho real estava fixo em Stela. Ela estava sentada ao lado de Draco, a pena movendo-se com uma graça letal sobre o pergaminho. Bartô sentia o gosto do Polissuco amargar em sua língua, mas o que realmente o queimava era o desejo de ver aquela altivez quebrada, de possuir a mente e o corpo da garota que carregava o sangue de seu "velho amigo" de forma tão inconscientemente provocante.

A obsessão não era apenas física. Era o poder que emanava dela. Stela não era apenas uma estudante; ela era uma força da natureza. E Bartô, escondido atrás de uma máscara de velhice e paranoia, queria ser o único a domar aquele poder.

A noite caiu sobre o castelo, trazendo consigo uma tempestade que açoitava as janelas da torre. No escritório de Moody, Bartô relaxou por um breve momento. O efeito da poção estava no fim, e ele se permitiu a pequena indulgência de não tomar o próximo gole imediatamente. A fadiga de manter a transformação era exaustiva. Ele sentou-se na poltrona, sentindo os ossos mudarem, a pele esticar e suavizar, as cicatrizes desaparecerem até que o rosto jovem e pálido de Bartô Crouch Jr. surgisse sob a luz bruxuleante das velas.

Uma batida firme na porta o fez congelar.

— Professor Moody? — A voz de Stela ecoou do outro lado, clara e sem hesitação. — Eu sei que é tarde, mas a minha dúvida sobre a Maldição Imperius não pode esperar até amanhã. O Draco não soube me explicar, e eu preciso entender a mecânica da resistência.

Bartô sentiu o coração disparar. Ele deveria tomar o gole. Deveria se transformar de volta. Mas o perigo da situação, a adrenalina de ser descoberto por ela, agiu como um afrodisíaco. Ele não se moveu para o frasco. Em vez disso, ele se levantou, a varinha em punho, e com um aceno silencioso, a porta se abriu.

Stela entrou, fechando a porta atrás de si. Ela estava com o uniforme levemente desalinhado, o suéter da Sonserina jogado sobre os ombros. Ela não olhou para cima de imediato, guardando um pergaminho na bolsa.

— O senhor disse que a força de vontade é a chave, mas se o conjurador for... — Ela parou abruptamente quando levantou os olhos.

À sua frente não estava o velho auror caquético. Estava um homem jovem, de cabelos claros e bagunçados, olhos intensos e uma expressão que oscilava entre a loucura e o êxtase. Stela não recuou. Seus olhos se arregalaram, mas a mão dela foi instintivamente para a própria varinha.

— Você não é o Moody — afirmou ela, a voz baixa e perigosamente calma.

Bartô deu um passo à frente, um sorriso distorcido surgindo em seus lábios.

— Inteligente. Sempre soube que você era a mais brilhante desta escola, Stela.

— Quem é você? E o que fez com ele? — Ela deu um passo lateral, tentando avaliar a saída.

— O velho Alastor está bem guardado, eu garanto — disse Bartô, a voz agora suave, sem o rosnado áspero do disfarce. — E eu? Eu sou alguém que tem observado você há muito tempo. Alguém que admira como você despreza os fracos, assim como eu.

Stela estreitou os olhos. A curiosidade começou a superar o medo. Ela sentia a magia poderosa e instável emanando dele.

— Você é um Comensal da Morte. O infiltrado que todos procuram.

— E você é a filha que Lucius nunca teve a chance de corromper — Bartô aproximou-se, a distância entre eles diminuindo até que ele pudesse sentir o perfume de baunilha e pergaminho dela. — Mas eu posso fazer isso. Eu posso ensinar a você coisas que Dumbledore teme mencionar.

— Por que eu não gritaria agora? — perguntou ela, embora não fizesse menção de abrir a boca.

— Porque você quer saber — sussurrou ele, a mão subindo para tocar o rosto dela, os dedos roçando a pele macia. — Porque você sente o mesmo fogo que eu. Essa obsessão pelo que é proibido.

Stela sentiu um arrepio que não era de medo. Havia algo na intensidade daquele homem, na forma como ele a olhava — como se ela fosse o único objeto de valor em um mundo de lixo — que a prendia. Ela baixou a varinha, um desafio silencioso brilhando em seus olhos.

— Você é louco — disse ela, mas sua voz falhou levemente.

— Sou louco por você, Stela — Bartô confessou, a respiração quente contra o rosto dela. — Cada vez que você passava por mim naquele corredor, cada vez que eu tinha que fingir ser aquele velho decrépito para não te tomar ali mesmo... foi uma tortura deliciosa.

Ele a prensou contra a mesa de carvalho, as mãos dele segurando a cintura dela com uma força que beirava a dor. Stela soltou um suspiro curto, as mãos agarrando a camisa dele. A tensão entre o perigo e o desejo explodiu.

— Mostre-me — desafiou ela, puxando-o para mais perto. — Mostre-me quem você é de verdade.

Bartô não precisou de outro convite. Ele a beijou com uma ferocidade que cortou o fôlego dela. Era um beijo faminto, cheio de anos de repressão e meses de uma obsessão silenciosa. Stela respondeu com a mesma urgência, suas unhas cravando-se nos ombros dele, buscando a realidade sob a ilusão.

Ele a levantou, sentando-a na mesa, espalhando pergaminhos e instrumentos de metal pelo chão com um estrondo. Bartô enterrou o rosto no pescoço dela, inalando o cheiro de sua pele.

— Você pertence às sombras, Stela — ele murmurou, a voz rouca. — E eu vou te levar para lá.

— Então me leve — respondeu ela, a voz carregada de uma audácia sombria.

As mãos de Bartô eram rápidas e impacientes, desfazendo os botões da blusa dela enquanto Stela puxava o cabelo dele, forçando-o a olhar para ela. O prazer dele era misturado com uma necessidade quase masoquista de ser dominado por ela, mesmo enquanto ele a dominava. Ele gostava da dor das unhas dela em sua pele, da forma como ela não recuava diante de sua intensidade.

— Dói? — ela perguntou, vendo-o fechar os olhos quando ela apertou os ombros dele com força excessiva.

— Sim — ele gemeu, um sorriso de puro êxtase nos lábios. — Não pare.

O encontro foi uma tempestade de sentidos. No escritório cercado por artefatos das trevas e segredos mortais, Bartô Crouch Jr. finalmente possuía o que tanto cobiçava. Ele era bruto, mas havia uma reverência em seus movimentos, como se estivesse profanando algo sagrado e, ao mesmo tempo, adorando-o.

Stela, por sua vez, descobriu um poder que os livros de Hogwarts nunca poderiam ensinar. Ela sentia a escuridão dele se fundindo à sua, a linhagem Malfoy encontrando um eco na loucura dos Crouch. Cada toque dele era um selo de um pacto silencioso.

Quando o momento atingiu seu ápice, Bartô gritou o nome dela, um som que ecoou pelas paredes de pedra, abafado apenas pelo trovão lá fora. Ele desabou contra ela, o peito arfante, sentindo o calor do corpo de Stela contra o seu.

Minutos depois, o silêncio retornou, quebrado apenas pela chuva persistente. Bartô se afastou lentamente, olhando para Stela com uma expressão de possessividade absoluta. Ele pegou o frasco de polissuco na mesa, mas antes de beber, olhou para ela.

— Você não pode contar a ninguém — disse ele, a voz voltando à sua autoridade fria.

Stela arrumou a blusa, os olhos brilhando com uma nova compreensão. Ela se aproximou dele e tocou o lábio dele, onde um pequeno corte sangrava.

— Por que eu contaria? — ela sorriu, um sorriso que teria orgulhado Lucius e aterrorizado Draco. — Agora eu tenho o monstro de Hogwarts na palma da minha mão.

Bartô riu, um som seco e genuíno. Ele levou o frasco aos lábios e bebeu. Em segundos, o jovem homem desapareceu, substituído pelas feições grotescas de Alastor Moody.

— Vá para o seu dormitório, Srta. Malfoy — rosnou o "professor", o olho mágico girando de volta para a porta. — E não se atrase para a aula de amanhã. Temos muito o que praticar.

Stela caminhou até a porta, parando apenas por um segundo para olhar para trás.

— Boa noite, Professor — disse ela, com um tom de deboche que só ele entenderia.

Quando a porta se fechou, Bartô Crouch Jr. sentou-se em sua cadeira, sentindo o fantasma do toque dela em sua pele. A missão para o Lorde das Trevas continuava, mas agora, ele tinha um motivo muito mais pessoal para garantir que o mundo bruxo caísse. Ele queria o mundo, mas acima de tudo, ele queria Stela ao seu lado, nas cinzas.

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