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Barto

Fandom: Harry Potter

Criado: 14/08/2026

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Obsessão Sob a Máscara de Vidro

O Salão de Reuniões dos Sagrados Vinte e Oito não cheirava a sangue ou a morte, como as salas onde os Comensais da Morte se reuniam. Ali, o ar era pesado com o perfume de carvalho antigo, cera de abelha e o cheiro metálico de magia ancestral. Era um lugar de política, linhagens e segredos guardados a sete chaves.

Barto Crouch Júnior ajustou os punhos de sua túnica de seda escura. Ele não era mais o homem trêmulo escondido sob a capa de invisibilidade de seu pai, nem o impostor que mancara pelos corredores de Hogwarts sob a pele de Alastor Moody. Ele estava livre, restaurado e, aos olhos da sociedade bruxa que importava, um homem de influência recuperada. Mas seu coração, se é que ele ainda possuía um, batia em um ritmo errático desde que cruzara o limiar daquela sala.

Ele sentiu a presença dela antes mesmo de vê-la.

O aroma de jasmim e sândalo — o mesmo que o assombrava nas noites em que a loucura parecia ser sua única companhia — preencheu o ambiente. Barto virou-se lentamente, os olhos fixos na entrada.

Stela.

Ela não era mais a menina de dezesseis anos que invadira seu escritório em Hogwarts, interrompendo seu disfarce de Moody e descobrindo a verdade nua e crua sob a Poção Polissuco. Naquela noite, anos atrás, a curiosidade dela se transformara em paixão, e a obsessão dele se tornara uma âncora. O corpo dela, que ele possuíra com uma fome desesperada enquanto ela o arranhava e o chamava pelo seu verdadeiro nome, agora estava mais maduro, envolto em vestes de veludo verde-esmeralda que gritavam nobreza.

Mas ela não estava sozinha.

Ao lado dela, com uma mão possessiva em seu ombro, estava Sirius Black. O traidor do sangue, o homem que Stela havia salvado e com quem, segundo os boatos, ela vivia escondida.

O estômago de Barto revirou. O ciúme, uma criatura de dentes afiados que ele mantivera enjaulada por anos, começou a roer suas entranhas. Ele se lembrou da última vez que a vira: o brilho nos olhos dela quando o salvou do beijo do Dementador, apenas para desaparecer na escuridão logo em seguida, renegando tudo o que ele representava.

— Bartô? — A voz de Lucius Malfoy, fria e calculista, tirou-o de seu transe. — Você parece ter visto um fantasma.

— Pelo contrário, Lucius — respondeu Barto, sem desviar os olhos de Stela. — Eu vi uma ressurreição.

Stela sentiu o olhar dele. Era como uma marca de fogo em sua pele. Ela tentou manter a compostura, apertando a mão de Sirius, que sussurrava algo em seu ouvido. Ela estava ali representando sua mãe, Pandora Lestrange, e a família Nott, mas seu foco estava inteiramente no homem do outro lado da sala.

Barto caminhou em direção a eles, cada passo calculado.

— Stela — disse ele, a voz baixa, um rosnado elegante. — Faz muito tempo.

— Barto — ela respondeu, a voz firme, embora seu pulso acelerasse. — Vejo que a vida fora das sombras lhe cai bem.

— E vejo que você encontrou companhia... interessante — ele disparou, lançando um olhar de puro desprezo para Sirius.

— Ela está sob minha proteção, Crouch — Sirius interveio, dando um passo à frente.

Barto soltou uma risada seca, desprovida de humor.

— Proteção? Ela nunca precisou disso. Ela é mais poderosa do que você jamais será, Black.

O clima na sala tornou-se elétrico. Stela sabia que aquela tensão não era apenas política. Era o resíduo de noites passadas em segredo, de promessas quebradas e de uma obsessão que o tempo não conseguiu apagar.

— Sirius, por favor — Stela murmurou. — Vá falar com Kingsley. Eu preciso de um momento.

Sirius hesitou, olhando de Barto para Stela, mas finalmente assentiu e se afastou, embora não tenha ido para longe.

Assim que ficaram "sós" no canto da sala, Barto deu um passo para dentro do espaço pessoal dela. O calor que emanava dele era opressor.

— Você fugiu — sibilou ele. — Depois de tudo. Depois daquela noite no meu quarto em Hogwarts, quando você viu quem eu era e não gritou. Quando você me tocou e pediu por mais.

— Eu salvei sua vida, Barto — ela sussurrou, os olhos brilhando. — Isso deveria ter sido o suficiente. Eu não podia ficar. A guerra, Voldemort... você se perdeu nele.

— Eu me perdi em você! — Ele agarrou o pulso dela, os dedos apertando com uma força que beirava a dor, mas que Stela secretamente desejava. — Você é o meu pecado, Stela. E eu não sou um homem que se arrepende.

— Você está sendo observado — ela advertiu, embora não fizesse menção de se soltar.

— Deixe que olhem.

Sem mais palavras, ele a puxou em direção a uma das pesadas portas laterais que levavam à biblioteca privativa da mansão. Ninguém ousou impedi-los; o nome Crouch e o nome Lestrange ainda carregavam um peso de terror que silenciava qualquer protesto.

Assim que a porta se fechou e o feitiço de abafamento foi lançado, Barto a prensou contra a madeira fria. O contraste entre o frio da parede e o calor do corpo dele fez Stela soltar um arquejo.

— O que você quer, Barto? — ela perguntou, a respiração curta.

— O que é meu por direito — ele rosnou, enterrando o rosto no pescoço dela, aspirando o perfume que o torturara por anos. — Você acha que Black pode te ter? Você acha que ele conhece as profundezas da sua escuridão como eu conheço?

Ele mordeu o lóbulo da orelha dela, um gesto que a fez estremecer violentamente. Stela passou as mãos pelos cabelos dele, puxando-os com força, um gesto que ela sabia que ele adorava. Barto soltou um gemido baixo, uma mistura de dor e prazer. Seu masoquismo sempre fora o combustível para a dinâmica deles.

— Você é um monstro — ela sussurrou, puxando a cabeça dele para trás para que pudesse olhar nos olhos insanos dele.

— E você é a única que sabe como domar o monstro, ou como libertá-lo — ele respondeu, a mão subindo pela coxa dela, levantando o veludo esmeralda.

O beijo que se seguiu foi uma colisão de anos de repressão. Não havia doçura, apenas uma fome voraz. Barto a beijava como se quisesse consumi-la, sua língua explorando a boca dela com uma autoridade absoluta. Stela respondeu com a mesma intensidade, suas unhas cravando-se nos ombros dele, buscando a dor que ele tanto ansiava.

Ele a levantou, as pernas dela enlaçando sua cintura. O contato direto, mesmo através das camadas de tecido, era eletrizante. Barto a levou até a mesa de carvalho, afastando pergaminhos e tinteiros com um movimento brusco do braço.

— Diga que você é minha — ele exigiu, a voz rouca, enquanto desfazia os botões de sua própria túnica.

— Eu não pertenço a ninguém — ela provocou, arqueando as costas quando ele desceu os beijos para o seu decote.

Barto parou por um segundo, os olhos fixos nos dela. Ele pegou a mão dela e a colocou em seu próprio pescoço.

— Então me destrua, Stela. Se você não é minha, termine o que os Dementadores começaram. Mas enquanto você estiver aqui, você vai sentir cada grama da minha obsessão.

Ele a penetrou com uma urgência que tirou o fôlego de ambos. Stela soltou um grito abafado, a cabeça caindo para trás. O ritmo dele era frenético, beirando a violência, mas era exatamente o que ela precisava para se sentir viva novamente após anos de esconderijo e monotonia.

— Mais — ele pedia entre dentes, a testa encostada na dela, o suor misturando-se. — Use sua magia, Stela. Me machuque. Me ame.

Ela canalizou uma centelha de magia pura, enviando um choque leve através do corpo de ambos. O espasmo de prazer que se seguiu foi devastador. Barto se entregou ao clímax com um grito gutural, seu corpo tremendo sob o dela, enquanto Stela se perdia nas ondas de êxtase que a conectavam àquele homem quebrado e brilhante.

Minutos depois, o silêncio retornou à biblioteca, quebrado apenas pela respiração pesada de ambos. Barto ainda a segurava, o rosto escondido na curva do ombro dela.

— Você vai embora com ele? — perguntou ele, a voz agora desprovida de sua arrogância habitual, soando quase vulnerável.

Stela acariciou o cabelo dele, os olhos fixos no teto alto.

— Eu tenho que ir, Barto. Sirius é minha família agora. Mas você... — ela inclinou-se e beijou a testa dele — ...você é a minha ruína.

Ela se vestiu com movimentos graciosos, limpando qualquer vestígio do encontro com um aceno de sua varinha. Barto a observava, a obsessão em seus olhos agora temperada com uma melancolia profunda.

— Eu não vou parar, Stela — ele disse, enquanto ela se dirigia à porta. — Eu vou te encontrar de novo. Em cada sombra, em cada sonho. Você nunca estará realmente longe de mim.

Stela parou com a mão na maçaneta. Ela não olhou para trás, mas um pequeno sorriso brincou em seus lábios.

— Eu sei.

Ela saiu, retornando ao salão e ao lado de Sirius Black como se nada tivesse acontecido. Mas, enquanto atravessava a sala, ela ainda podia sentir o calor de Barto em sua pele e o peso de sua obsessão, uma corrente invisível que, ela sabia, jamais seria quebrada.

Barto Crouch Júnior permaneceu na biblioteca por um longo tempo, olhando para a porta fechada. Ele tocou o pescoço onde ela o apertara, um sorriso sombrio surgindo em seu rosto. A guerra estava longe de terminar, e ele tinha acabado de encontrar o único motivo pelo qual valia a pena lutar — ou queimar o mundo inteiro.

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