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Fandom: Avatar
Criado: 14/08/2026
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Brasas no Coração da Floresta
A selva de Pandora nunca estava realmente em silêncio. Havia o zumbido constante de insetos hexápodes, o farfalhar das folhas gigantescas e os gritos distantes de criaturas que Blade ainda estava aprendendo a identificar. O ar era pesado, úmido e carregado com o cheiro de musgo e flores bioluminescentes que ainda não haviam despertado para o brilho noturno.
Blade movia-se com uma agilidade cautelosa. Seus 170 centímetros de altura eram modestos para um Na’vi, mas ele compensava com uma curiosidade insaciável. Seus pés descalços mal faziam barulho contra as raízes expostas das árvores, e seus olhos amarelos escaneavam o ambiente em busca de algo que não pertencesse àquela harmonia natural. Ele estava longe do seu clã, explorando as fronteiras de um território que os anciãos descreviam como "instável".
O que ele não esperava era sentir o cheiro de fumaça. Não a fumaça doce de uma fogueira de acampamento Na’vi, mas algo acre, seco, que parecia consumir a própria umidade do ar.
Ele parou, a mão instintivamente buscando o punhal de osso em seu cinto. À frente, em uma clareira onde a luz do sol filtrava-se em raios sólidos, ele viu uma figura.
Não era um Na’vi. Era um Avatar — um daqueles corpos híbridos criados pelos "Povo do Céu". Mas este era diferente. Ele vestia trajes que pareciam reforçados para o combate, e a aura ao redor dele vibrava com uma intensidade perigosa.
Blade deu um passo à frente, uma folha seca estalou sob seu peso.
O movimento foi instantâneo. A figura na clareira girou sobre os calcanhares, e antes que Blade pudesse processar a ameaça, uma lança de ponta metálica e avermelhada estava apontada diretamente para sua garganta.
— Mais um passo e eu garanto que você não terá pulmões para respirar esse ar tóxico — rosnou o estranho.
Blade congelou. O homem diante dele era Kael. Ele era apenas um pouco mais alto que Blade, cerca de 172 centímetros, mas a energia que emanava dele era opressiva. Kael não parecia um cientista ou um explorador; ele parecia um soldado que havia sido forjado no próprio inferno. Seus olhos brilhavam com um ódio mal contido, e a ponta de sua lança tremeluzia com um calor sobrenatural.
— Eu não quero briga — disse Blade, levantando as mãos abertas para mostrar que não segurava armas. — Eu estava apenas explorando. Este é o território do meu povo.
— O seu povo? — Kael soltou uma risada seca, desprovida de qualquer humor. — Vocês, Avatares, adoram encher a boca para falar de "conexão" e "natureza", enquanto são apenas marionetes de carne feitas em laboratório.
Blade franziu a testa, a confusão nublando sua cautela inicial.
— Eu sou Na’vi. Eu pertenço a Eywa. Do que você está falando? Você também é um Avatar, não é?
Kael apertou o cabo da lança, os nós dos dedos ficando brancos.
— Não me compare a você. Eu sou um Avatar do Fogo. Eu não fui feito para abraçar árvores ou cantar para os animais. Eu fui feito para purificar. E eu odeio cada centímetro dessa farsa biológica que vocês chamam de vida.
— Você odeia a si mesmo? — perguntou Blade, a voz suave, mas carregada de uma percepção que irritou Kael.
— Eu odeio o que vocês representam! — gritou Kael, avançando.
Ele desferiu um golpe horizontal com a lança. Blade reagiu por instinto, agachando-se e rolando para o lado. Onde a ponta da lança passou, o ar pareceu distorcer pelo calor, e as folhas de uma samambaia próxima murcharam e ficaram pretas instantaneamente.
— Espere! — Blade exclamou, recuperando o equilíbrio. — Eu não sou seu inimigo. Por que tanto ódio?
— Porque vocês são fracos! — Kael atacou novamente, desta vez com uma estocada rápida. — Vocês se submetem a esse planeta, a essa mente coletiva. Eu vi o que acontece com tipos como você. Vocês se tornam moles, sentimentais.
Blade desviou novamente, mas desta vez Kael foi mais rápido. Ele usou a base da lança para rasteirar Blade, que caiu de costas no chão úmido. Antes que pudesse se levantar, a ponta aquecida da lança estava a centímetros de seu peito. O calor era insuportável, fazendo a pele azul de Blade suar instantaneamente.
— Você cheira a floresta e a flores — Kael cuspiu as palavras com nojo. — Eu cheiro a cinzas. E cinzas são a única coisa que resta no final.
Blade olhou nos olhos de Kael. Ele não viu apenas ódio; viu dor. Uma solidão profunda que havia sido transformada em uma arma.
— Você está com medo — disse Blade, sem desviar o olhar.
Kael estacou. A ponta da lança tremeu levemente.
— O que você disse?
— Você ataca primeiro porque tem medo de que, se parar, vai perceber que está sozinho — continuou Blade, a voz firme apesar da posição vulnerável. — Você odeia outros Avatares porque eles lembram você de que você poderia ter uma conexão. Mas você escolheu o fogo. E o fogo queima tudo ao redor, inclusive quem o carrega.
— Cale a boca! — Kael rugiu, e uma pequena labareda saltou da ponta da lança, chamuscando o chão ao lado do ombro de Blade. — Você não sabe nada sobre mim.
— Eu sei que você está aqui, no meio do nada, caçando fantasmas — Blade disse, começando a se levantar lentamente, empurrando o cano da lança para o lado com a palma da mão, apesar da dor do calor. — Se quisesse me matar, já teria feito. Você quer alguém para culpar pela sua raiva.
Kael rosnou, mas não atacou novamente. Ele recuou um passo, mantendo a lança em posição defensiva, mas a chama que envolvia a arma diminuiu até se tornar apenas um brilho avermelhado.
— Você é irritante — disse Kael, limpando o suor da testa com as costas da mão livre. — Todos vocês são. Sempre tentando encontrar um significado profundo em tudo.
— E você é exaustivo — rebateu Blade, sacudindo a terra de suas roupas. — Como consegue viver assim? Sempre esperando um ataque?
— É a única forma de sobreviver — respondeu Kael, sua voz voltando a um tom frio e monótono. — As pessoas traem. A natureza trai. O fogo... o fogo é honesto. Ele consome. Ele não mente sobre o que é.
Blade observou o homem à sua frente. Kael parecia deslocado, uma mancha de destruição em um mundo de criação. No entanto, havia algo magnético em sua fúria.
— Meu nome é Blade — disse o Na’vi, estendendo a mão, um gesto que era tanto um desafio quanto uma oferta de paz.
Kael olhou para a mão estendida como se fosse uma criatura venenosa. Ele soltou um suspiro pesado e prendeu a lança em suas costas, mas ignorou o aperto de mão.
— Kael. E se você me seguir, eu não vou errar o próximo golpe.
— Eu não estava seguindo você — mentiu Blade com um sorriso leve. — Eu estava explorando. Mas agora que sei que há um vulcão ambulante na minha floresta, acho que vou ficar por perto para garantir que você não queime tudo.
Kael lançou-lhe um olhar fulminante.
— Tente, e você será o primeiro a virar carvão.
— Veremos — disse Blade, começando a caminhar na direção oposta, mas parando após alguns metros. — A propósito, há um riacho a leste. A água é fria. Talvez ajude com esse seu temperamento.
Kael não respondeu, mas Blade ouviu o som de passos pesados seguindo na direção oposta. Ele sabia que aquele não seria o último encontro deles. Havia algo entre o fogo de Kael e a curiosidade de Blade que parecia destinado a colidir novamente.
Enquanto se embrenhava na mata, Blade sentiu o calor residual na pele. Kael era perigoso, instável e claramente odiava tudo o que Blade representava. Mas, em Pandora, até os incêndios florestais tinham um propósito: eles limpavam o velho para que o novo pudesse crescer.
Talvez, pensou Blade, Kael só precisasse de alguém que não tivesse medo de se queimar.
Distante dali, Kael parou perto de uma árvore imensa. Ele tocou o tronco com a mão enluvada, sentindo a vibração da vida que ele tanto desprezava. Ele fechou os olhos e, por um breve momento, a imagem do Na’vi de olhos amarelos e sorriso calmo passou por sua mente.
— Idiota — sussurrou Kael para o vazio.
Mas, pela primeira vez em muito tempo, ele não sentiu vontade de incinerar o que estava ao seu redor. Ele apenas sentiu o peso da lança e o silêncio da floresta, que agora parecia um pouco menos hostil e um pouco mais... expectante.
A jornada deles estava apenas começando, e o choque entre o fogo e a floresta prometia mudar ambos de maneiras que nenhum deles poderia prever. Blade continuou sua exploração, com os sentidos alertas, enquanto Kael desaparecia nas sombras, uma brasa solitária em um mundo de verde infinito.
