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Claire x Engel

Fandom: FPE Dormen dark au

Criado: 15/08/2026

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O Silêncio das Penas Quebradas

A penumbra do dormitório abandonado parecia absorver qualquer resquício de esperança que Claire ainda nutria. O ar estava pesado, saturado com o cheiro de poeira e o odor metálico de algo que ela não queria identificar. Sentada no chão frio de concreto, ela sentia as cordas ásperas queimarem seus pulsos e tornozelos, mantendo-a presa em uma posição humilhante e dolorosa.

O pano branco, amarrado com força excessiva em sua boca, abafava seus soluços, transformando seus gritos de socorro em ruídos baixos e guturais. Suas lágrimas escorriam incessantemente, traçando caminhos quentes e úmidos por suas bochechas pálidas até desaparecerem na gola de babados de sua camisa cinza.

À sua frente, a silhueta de Engel recortava a pouca luz que vinha do corredor. Ele não era mais o garoto que ela acreditava conhecer. Seus longos cabelos brancos, geralmente apenas desalinhados, agora pareciam uma juba selvagem, presos naquele rabo de cavalo baixo que balançava conforme ele se movia com uma graça predatória. As duas penas escuras e rasgadas em sua cabeça pareciam antenas captando o medo dela.

Engel deu um passo à frente. O som de seus sapatos pretos ecoando no chão era como o bater de um martelo em um caixão. Ele se inclinou, as mãos enfiadas nos bolsos do moletom cinza, observando-a com aqueles olhos pretos que pareciam dois abismos sem fundo.

— Fique quieta, Claire — disse ele, a voz saindo fria e cortante como uma lâmina de gelo. — Seus ruídos estão começando a me irritar. E você sabe o que acontece quando eu perco a paciência.

Claire arregalou os olhos, suas pupilas pretas tremendo contra o fundo branco de seus olhos. Ela tentou balançar a cabeça, um gesto desesperado de súplica, mas isso só fez com que Engel soltasse uma risada curta e sem humor. Era um som seco, desprovido de qualquer calor humano.

Ele se agachou diante dela, a curta distância permitindo que Claire visse os detalhes de seu rosto calculista. Engel estendeu a mão, revelando os quatro dedos longos e pontiagudos que terminavam em garras negras e afiadas. Ele passou o dorso da mão pelo rosto dela, quase com carinho, se não fosse a pressão ameaçadora das pontas das garras contra sua pele.

— Por que esse desespero todo? — provocou ele, aproximando o rosto do dela. Um sorriso malicioso e cruel brincava em seus lábios. — Nós sempre andamos juntos, não é? Você sempre me seguiu como uma sombra assustada. Eu achei que você gostaria de passar um tempo a sós comigo, longe dos olhares curiosos da escola.

Claire soltou um gemido abafado, tentando se afastar, mas as costas bateram contra a parede fria. O terror em seu peito era tão grande que ela sentia que seu coração poderia parar a qualquer momento.

— O que foi? O gato comeu sua língua? Ah, é verdade... — Engel riu novamente, o som ecoando pelas paredes descascadas. — Eu coloquei esse pano para que você pudesse ouvir melhor o que eu tenho a dizer. Você é tão frágil, Claire. Tão patética com essa sua saia preta e essa trança perfeitinha. Você realmente achou que sua timidez te protegeria de mim?

A irritação começou a substituir a diversão no rosto de Engel. Seus olhos brilharam com uma luz perigosa. Subitamente, ele avançou, fechando a mão em volta do pescoço fino de Claire. Não apertou o suficiente para sufocá-la, mas o toque de suas garras contra a pele sensível da garganta dela foi o suficiente para paralisá-la de pavor.

— Eu odeio quando você me olha assim — sibilou ele, a voz agora carregada de uma fúria contida. — Como se eu fosse um monstro. Como se você fosse melhor do que eu.

Claire soltou um grito de desespero abafado, um som que rasgou sua garganta e morreu no tecido branco da mordaça. Seus olhos imploravam por misericórdia, mas ela só encontrou o vazio gélido na expressão de Engel.

— Se você fizer mais um som — ameaçou ele, aproximando as garras do olho esquerdo dela —, eu vou marcar esse seu rostinho bonito para sempre. Eu vou rasgar sua pele até que você não consiga mais se reconhecer no espelho. Você quer isso, Claire? Quer que eu mostre a todos o quão quebrada você pode ser?

Ele soltou o pescoço dela bruscamente, fazendo a cabeça de Claire pender para o lado enquanto ela lutava para recuperar o fôlego, mesmo com a mordaça obstruindo sua respiração. Engel se levantou, limpando as mãos no moletom como se tivesse tocado em algo sujo.

— Você vai ficar aqui e vai aprender a ser silenciosa — continuou ele, voltando a caminhar ao redor dela, como um lobo cercando uma presa ferida. — O mundo lá fora é barulhento e caótico, Claire. Mas aqui... aqui eu sou a lei. E a minha lei exige silêncio.

Claire fechou os olhos, as lágrimas agora molhando o pano em sua boca. Ela se lembrou de quando Engel era apenas o garoto estranho e calado que a defendia nos corredores. Quando foi que a proteção se transformou em posse? Quando foi que o brilho nos olhos dele se tornou essa escuridão absoluta?

— Olhe para mim quando eu estiver falando com você! — ordenou Engel, chutando levemente o sapato dela.

Ela obedeceu, tremendo violentamente. O cachecol branco dele parecia um contraste irônico com a maldade que emanava de sua figura.

— Você acha que alguém vai vir te buscar? — perguntou ele, inclinando a cabeça, as penas rasgadas balançando. — Ninguém sabe que estamos aqui. Para eles, você é apenas a garota tímida que provavelmente fugiu de medo de alguma prova. E eu... eu sou apenas o seu fiel companheiro.

Ele se inclinou novamente, desta vez sussurrando diretamente em seu ouvido, o hálito frio arrepiando os pelos da nuca de Claire.

— Você é minha, Claire. E eu vou te moldar até que não reste nada dessa garota medrosa. Eu vou quebrar cada parte de você, e depois vou te reconstruir do jeito que eu quiser.

Engel se afastou, caminhando em direção à porta pesada de metal do dormitório. Antes de sair, ele parou e olhou por cima do ombro, um último olhar de desdém e controle.

— Tente não chorar muito. O sal das lágrimas pode irritar os cortes que eu pretendo fazer mais tarde se você não se comportar.

A porta se fechou com um estrondo metálico, e o som da chave girando na fechadura selou o destino de Claire. No silêncio opressor que se seguiu, a única coisa que podia ser ouvida eram os soluços abafados da garota, cujas penas de esperança haviam sido tão cruelmente arrancadas quanto as do topo da cabeça de seu captor.

Ela olhou para suas próprias mãos, presas e inúteis. A camisa cinza, outrora impecável, estava amassada e suja. Claire percebeu, com um horror crescente, que Engel não estava apenas brincando. Ele a queria ali, no escuro, onde o frio dele era a única coisa que ela poderia sentir. E, enquanto a escuridão do dormitório a abraçava, ela soube que o Engel que ela conhecia estava morto, e o que restou era algo muito mais perigoso do que qualquer pesadelo que ela já tivera.

O tempo parecia ter parado. Cada minuto na escuridão era uma eternidade de agonia. Claire tentou esfregar as cordas contra a quina de uma viga de metal próxima, mas o movimento só serviu para esfolar sua pele, fazendo o sangue manchar o punho de sua camisa. Ela parou, exausta, a cabeça pendida contra o peito.

Subitamente, passos ecoaram novamente no corredor. O coração de Claire disparou. Seria ele voltando? Ou alguém finalmente a encontrara?

A porta se abriu lentamente, rangendo. A silhueta de Engel reapareceu, mas desta vez ele carregava uma pequena lanterna que projetava sombras distorcidas pelas paredes. Ele não disse nada por um longo tempo, apenas ficou ali, observando o estado deplorável de sua prisioneira.

— Eu trouxe algo para você — disse ele, a voz estranhamente calma, o que era ainda mais aterrorizante.

Ele se aproximou e colocou um pequeno prato com pão seco no chão, fora do alcance dela.

— Mas você só vai comer quando aprender a me agradecer adequadamente. Sem gritos. Sem choro. Apenas obediência.

Ele se sentou no chão, a alguns metros dela, cruzando as pernas. A luz da lanterna batia de lado em seu rosto, destacando as olheiras profundas e o olhar fixo.

— Sabe, Claire... o mundo lá fora é cruel — começou ele, como se estivessem tendo uma conversa casual no pátio da escola. — As pessoas te julgam, te machucam. Eu estou apenas te protegendo da realidade. Aqui, você está segura. Comigo, você é necessária.

Claire soltou um ruído de protesto, balançando a cabeça freneticamente.

— Shhh — Engel colocou o dedo indicador, terminado em garra, sobre os próprios lábios. — O que eu disse sobre o silêncio?

Ele se levantou e caminhou até ela, pegando a ponta da mordaça. Por um momento, Claire achou que ele a soltaria, mas ele apenas apertou o nó ainda mais, fazendo-a soltar um gemido de dor lancinante.

— Você ainda tem muito que aprender, Claire. Mas não se preocupe. Nós temos todo o tempo do mundo.

Ele se virou e saiu novamente, deixando a lanterna acesa no chão, a luz fraca morrendo lentamente, assim como a vontade de Claire de lutar. Ela estava presa em um dormitório escuro, com um monstro que costumava chamar de amigo, e a única certeza que tinha era que o silêncio seria, a partir de agora, sua única companhia.

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