
Oliver
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 15/08/2026
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Correntes e Consequências
O som metálico e frio das correntes ecoou pelo quarto silencioso, um contraste gritante com a respiração pesada que preenchia o ambiente. Oliver sentiu o peso do metal frio em seus pulsos, mas o que mais o irritava era a restrição em seu braço esquerdo. O grande lápis, que geralmente era sua ferramenta de intimidação e travessura nos corredores da Paper School, agora estava firmemente preso, forçando-o a uma posição vulnerável de joelhos sobre o colchão macio.
Ele tentou puxar as mãos, os músculos de seus braços tensos sob a camisa preta, mas as correntes apenas rangeram contra a cabeceira da cama. O "A+" vermelho em seu cabelo parecia brilhar com sua indignação crescente. Oliver era o valentão, aquele que ria enquanto os outros fugiam, mas agora, o jogo havia virado de uma forma que ele não conseguia processar.
À sua frente, ajoelhados de forma relaxada e sem qualquer restrição, estavam seus dois melhores amigos. Zip e Edward. Mas eles não pareciam os comparsas de sempre, prontos para colar papéis nas costas de Abbie ou provocar Lana. Havia algo diferente no brilho dos olhos deles, algo malicioso que fazia o estômago de Oliver revirar — e não era por causa do sabonete que ele havia comido no café da manhã.
— Ora, ora... parece que o nosso grande líder está um pouco preso — Edward murmurou, um sorriso de canto surgindo em seu rosto.
Oliver rosnou, o som saindo abafado e rouco. Ele tentou se debater novamente, as longas mechas brancas de seu cabelo balançando e se espalhando pelos ombros até a altura dos tornozelos.
— Me soltem agora! — Oliver gritou, embora sua voz falhasse levemente pela posição desconfortável. — Isso não tem graça, Edward! Zip, pare de olhar assim!
Edward ignorou o protesto. Ele estendeu a mão e tocou deliberadamente a superfície de madeira do braço lápis de Oliver. O toque foi leve, mas o simbolismo de ter sua "arma" tocada enquanto ele estava indefeso fez o sangue de Oliver ferver.
— O quê? Está irritado? — Edward se inclinou para frente, diminuindo a distância entre eles. — Você sempre gosta de estar no controle, Oliver. Achamos que seria justo você saber como é estar do outro lado por uma vez.
Oliver tentou chutar, mas Zip foi mais rápida, segurando seus tornozelos com uma agilidade impressionante. A pele de Oliver esquentou, um tom de carmesim subindo por seu pescoço até as bochechas. Ele estava furioso, sim, mas havia um nervosismo novo, uma eletricidade que ele não sabia como desligar.
Edward se aproximou ainda mais, deslizando para o lado do pescoço de Oliver. Ele se inclinou e sussurrou algo diretamente em seu ouvido, uma frase baixa e carregada de promessas que fez o corpo do garoto de cabelos brancos congelar instantaneamente. O rosto de Oliver, que já estava vermelho, atingiu um tom quase neon.
— Não... — Oliver balbuciou, sua resistência vacilando por um segundo enquanto o ar parecia faltar em seus pulmões.
Enquanto Oliver tentava processar as palavras de Edward, Zip decidiu que era sua vez de participar. Com um olhar travesso, ela estendeu a mão e começou a traçar o contorno de um dos chifres pretos de Oliver. O contato nos chifres era estranhamente sensível, enviando arrepios por toda a espinha do valentão.
— Seus chifres são tão interessantes, Oliver — disse Zip, rindo baixinho. — Você sempre parece tão durão com eles, mas agora... você parece um gatinho acuado.
— Parem com isso! — Oliver tentou desviar a cabeça, mas o movimento só deu a Edward mais acesso.
Edward deslizou a mão pelo peito de Oliver, sentindo a batida acelerada do coração do amigo através do tecido da camisa listrada. A vulnerabilidade de Oliver era palpável. O garoto que costumava dominar a escola agora estava à mercê deles, e a expressão em seus olhos estava começando a mudar da raiva pura para algo que beirava o desespero.
— Seu coração está batendo tão rápido — observou Edward com uma voz aveludada. — Está com medo, Oliver? Ou está gostando da atenção?
Sem aviso, Edward apertou com força o mamilo de Oliver por cima da camisa.
— Ah! — O grito de Oliver foi agudo, um gemido de dor e surpresa que escapou antes que ele pudesse conter. Suas costas se arquearam e ele puxou as correntes com tanta força que os pulsos começaram a arder. — Para! Isso dói, seu idiota!
— Só dói porque você está tenso — Edward retrucou, mantendo a pressão por mais um segundo antes de soltar e começar a massagear o local, o que era quase pior para o autocontrole de Oliver.
Oliver sentiu as lágrimas pinçarem o canto de seus olhos. Não era apenas a dor física, era a perda total de poder. Ele, o grande Oliver, estava choramingando na frente das únicas pessoas que ele considerava iguais.
Zip, percebendo que Oliver estava chegando ao seu limite emocional, decidiu mudar a tática para algo mais... torturante de uma forma diferente. Ela deslizou para o pé da cama, onde os pés de Oliver estavam expostos, já que ele tinha perdido uma das botas na luta inicial para não ser acorrentado.
— Sabe, Oliver — começou Zip, seus dedos tamborilando perto da planta do pé dele —, você sempre corre tão rápido para fugir dos professores depois de uma pegadinha. Deve ser cansativo.
Oliver arregalou os olhos, uma nova onda de pânico surgindo.
— Zip, não ouse... Zip!
Mas ela já tinha começado. Com as pontas dos dedos, ela iniciou um movimento leve e rítmico de cócegas na planta do pé dele.
— Hahaha! Não! — Oliver disparou, tentando recolher as pernas, mas Zip as mantinha firmes. — Para! Por favor, eu... hahahaha... eu odeio isso!
O riso de Oliver era involuntário e desesperado. Ele se contorcia na cama, as correntes batendo violentamente contra a madeira da cabeceira, criando uma cacofonia de metal e risos forçados. O contraste entre a dor anterior e a sensação insuportável das cócegas o deixou completamente desorientado.
— Veja só — disse Edward, voltando a sussurrar em seu ouvido enquanto observava o amigo se debater sob o toque de Zip. — O grande valentão é sensível nos pés. Quem diria?
— Eu vou... hahahaha... eu vou matar vocês dois! — Oliver tentou ameaçar, mas não havia força em suas palavras, apenas o desespero de alguém que não aguentava mais o estímulo.
— Você não vai fazer nada, Oliver — Edward disse, sua mão voltando para o peito do garoto, sentindo os espasmos causados pelas cócegas. — Você vai ficar aqui e vai aceitar o que temos para você hoje.
Oliver sentiu o ar escapar de seus pulmões. O quarto parecia estar girando. O cheiro de papel e grafite, tão comum na escola, parecia mais intenso agora. Ele olhou para Zip, que continuava sua tortura implacável, e depois para Edward, cujos olhos brilhavam com uma possessividade que Oliver nunca tinha visto antes.
— Por favor... — Oliver finalmente cedeu, sua voz falhando enquanto uma lágrima solitária escorria por seu rosto, misturando-se com o suor. — Eu não aguento mais...
Edward parou por um momento, limpando a lágrima com o polegar. O gesto foi estranhamente carinhoso, o que assustou Oliver ainda mais do que a agressividade anterior.
— Nós estamos apenas começando, Oliver — sussurrou Edward. — Você nos deu tantas ideias ao longo dos anos. Agora é a nossa vez de colocar todas em prática.
Zip parou as cócegas, mas não soltou os pés dele, mantendo-o ancorado. O silêncio que se seguiu foi pesado, preenchido apenas pela respiração descompassada de Oliver e pelo tilintar ocasional das correntes quando ele tremia.
Oliver olhou para o próprio braço lápis, agora imóvel. Ele se sentia pequeno, apesar de sua altura. As mechas brancas de seu cabelo estavam bagunçadas sobre o lençol, e o laço preto que prendia seu rabo de cavalo estava frouxo.
— O que vocês querem de mim? — ele perguntou, a voz quase um sussurro.
Edward sorriu, um sorriso que não chegou a ser cruel, mas que prometia que a noite seria muito longa.
— Queremos que você aprenda a ouvir, Oliver. E queremos ver até onde esse seu orgulho consegue aguentar antes de se quebrar completamente.
Zip subiu novamente pela cama, posicionando-se do outro lado de Oliver, cercando-o.
— E queremos nos divertir — acrescentou ela, passando a mão pelo cabelo dele, desfazendo o laço de vez. — Afinal, você sempre diz que a Paper School é um lugar para aprender, não é?
Oliver fechou os olhos, sentindo o peso dos dois sobre a cama, um de cada lado. Ele estava acorrentado, estava vulnerável e, pela primeira vez em sua vida, ele não tinha um plano de fuga. Ele era apenas um garoto de papel em um mundo que, de repente, parecia muito disposto a dobrá-lo e amassá-lo da maneira que quisesse.
— Tudo bem... — ele murmurou, a rendição finalmente vencendo a raiva. — Façam o que quiserem.
Edward e Zip trocaram um olhar cúmplice. O jogo estava apenas começando, e Oliver, querendo ou não, era a peça principal do tabuleiro. As correntes rangeram uma última vez quando ele relaxou o corpo, entregando-se ao destino que seus melhores amigos haviam traçado para ele naquela tarde abafada dentro das paredes da escola.
