
nao consigo viver sem voce
Fandom: Harry Potter
Criado: 15/08/2026
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O Eco de um Coração Distante
As paredes de pedra de Hogwarts sempre pareceram sussurrar segredos para aqueles que sabiam ouvir, mas para Lily Zneimer, o castelo parecia estar em silêncio absoluto. Ela se sentava no parapeito de uma das janelas altas da Torre de Astronomia, observando o sol se pôr sobre a Floresta Proibida. O vento frio do outono bagunçava seus cabelos castanhos ondulados, mas ela não sentia frio. Na verdade, Lily raramente sentia as intempéries do clima. Havia sempre um calor suave, quase imperceptível, que emanava de sua própria pele, como um cobertor invisível.
Ela suspirou, abraçando os joelhos. Aos quinze anos, Lily era o que muitos chamariam de uma beleza serena. Seus olhos gentis carregavam uma profundidade que não condizia com sua idade, e seu sorriso, embora doce, raramente alcançava sua total plenitude nos últimos tempos. Ela se sentia... incompleta. Era uma sensação física, um vácuo no centro do peito que nenhuma conversa com Hermione ou brincadeira de Ron conseguia preencher.
— Lily? Você está aí em cima de novo? — A voz de Harry ecoou pela escadaria de pedra.
Lily se virou, oferecendo um sorriso tímido enquanto o amigo se aproximava.
— Só pensando, Harry. O pôr do sol está bonito hoje.
— Está sim — concordou Harry, parando ao lado dela. Ele a observou por um momento, notando a palidez de suas mãos contra o tecido da capa. — Você tem estado muito quieta. Mais do que o normal. Alguma coisa aconteceu nas aulas de Poções?
— Não, nada disso. É só... — Ela hesitou, passando os dedos pelo pulso esquerdo, onde uma marca singular, que lembrava o desenho de uma constelação desconhecida entrelaçada com linhas fluidas, decorava sua pele. — Você já sentiu como se estivesse esperando por algo, mas não soubesse o quê?
Harry franziu a testa, ajustando os óculos.
— Acho que todos nós nos sentimos assim às vezes, especialmente com tudo o que está acontecendo. Mas você parece diferente, Lily. Dumbledore olha para você de um jeito... protetor. Até mais do que olha para mim.
Lily riu baixinho, um som doce que pareceu vibrar no ar.
— Isso é bobagem. Eu sou apenas a Lily. Não sou a "Eleita", não sou um prodígio como a Mione. Eu tive sorte de entrar para Hogwarts, só isso.
Mal sabia ela que, a quilômetros dali, em uma cabana protegida por feitiços que nem mesmo o Ministério da Magia poderia romper, um homem fechava os olhos e inspirava profundamente, sentindo a vibração da risada dela ecoar em sua própria alma.
Oscar Piastri não era um homem comum. Se o mundo bruxo soubesse que ele ainda respirava, haveria feriados em seu nome e estátuas erguidas em cada praça. Ele fora o bruxo mais poderoso que o século já vira — mais do que Dumbledore, mais do que o próprio Voldemort, a quem ele enfrentara e "supostamente" perecera para conter. Sua voz era marcante, um barítono calmo que impunha respeito sem esforço, e seu corpo, forjado por anos de disciplina e batalhas, permanecia forte, apesar do isolamento.
Ele estava sentado diante de uma lareira apagada, mas seus sentidos estavam em Hogwarts. Ele sentia a melancolia de Lily, o vazio que ela descrevia. Cada batida do coração dela encontrava um eco no dele.
— Falta pouco, minha pequena — sussurrou Oscar para o vazio, sua voz carregada de uma promessa antiga.
A ligação de almas gêmeas era a magia mais arcaica e absoluta que existia. Não era sobre romance casual; era sobre duas metades de um mesmo poder que foram separadas pelo destino. Oscar sabia que sua existência era o que mantinha Lily segura. Cada vez que ela tropeçava e milagrosamente não se machucava, ou quando um feitiço perdido em um duelo de treino desviava dela como se houvesse uma parede de vidro, era a magia de Oscar agindo. Ele era o seu escudo silencioso, o guardião que o mundo pensava ter perdido.
Em Hogwarts, a noite caíra. Lily caminhava pelos corredores em direção ao Salão Comunal da Grifinória quando sentiu um solavanco repentino no peito. Não era dor, era uma presença. Uma sensação de ser observada, mas não de uma forma ameaçadora. Era como se alguém a estivesse abraçando à distância.
— Lily! — Hagrid apareceu no fim do corredor, sua figura imensa ocupando quase todo o espaço. Ele carregava um cesto de abóboras, mas parou imediatamente ao vê-la. — O que faz aqui sozinha a esta hora, pequena?
— Estava na torre, Hagrid. Já estou indo deitar — respondeu ela, sentindo-se estranhamente confortável perto do meio-gigante.
Hagrid a olhou com uma ternura que beirava a reverência. Ele era um dos poucos que sabia. Ele se lembrava do dia em que Oscar, com o olhar mais sério e determinado que Hagrid já vira, lhe pedira para vigiar a menina quando o momento chegasse. "Ela é tudo, Hagrid", Oscar dissera. "Se ela cair, o mundo cai comigo."
— Vá para a cama, Lily. Você precisa de descanso. E não se preocupe com esse vazio que sente — Hagrid disse, sua voz falhando levemente. — Algumas coisas levam tempo para se revelarem, mas você nunca está sozinha. Nunca.
Lily franziu a testa, curiosa com a escolha de palavras dele.
— Como você sabe que eu me sinto sozinha, Hagrid?
O gigante pigarreou, desviando o olhar para as abóboras.
— Ora, eu tenho olhos, não tenho? E Dumbledore sempre diz que você é uma alma sensível. Agora vá, antes que o Filch a pegue.
Lily obedeceu, mas enquanto subia as escadas, sua mão voltou ao pulso. A marca parecia estar levemente mais quente.
Naquela noite, Lily sonhou. Não foram sonhos confusos como os de costume. Ela viu um homem de ombros largos e cabelos escuros, parado em um campo de grama alta. Ele não dizia nada, mas seus olhos — claros, calmos e intensos — fixavam-se nela com uma adoração que a fez perder o fôlego. Ela sentiu a força dele, uma aura de poder tão vasta que fazia a magia de Hogwarts parecer uma faísca perto de um incêndio florestal.
— Quem é você? — ela perguntou no sonho.
O homem deu um passo à frente, e a voz que saiu de seus lábios foi como veludo sobre pedra, vibrando dentro dos ossos dela.
— Eu sou aquele que espera por você, Lily. Sempre esperei.
Ela acordou assustada, o coração martelando contra as costelas. O quarto das meninas estava silencioso, apenas a respiração ritmada de Hermione preenchia o ar. Lily sentou-se na cama, levando a mão ao rosto. Estava molhado. Ela estava chorando, mas não de tristeza. Era um choro de reconhecimento, como se tivesse finalmente ouvido uma nota musical que passara a vida inteira tentando cantar.
Longe dali, Oscar Piastri levantou-se de sua poltrona. Ele caminhou até a janela de sua cabana, olhando para o norte, na direção do castelo. Ele podia sentir o susto dela, a confusão e, finalmente, a centelha de curiosidade. O vínculo estava se fortalecendo. O tempo de se esconder estava chegando ao fim.
Ele não se importava com o Ministério, com as leis bruxas ou com o fato de que sua volta causaria um terremoto político. Ele já havia dado sua vida pelo mundo uma vez. Agora, ele só queria a vida que lhe pertencia por direito de alma.
— Mais um pouco, Lily — murmurou ele, e por um breve momento, a luz de sua magia iluminou a floresta ao redor, tão pura e poderosa que até as criaturas das trevas se curvaram em respeito. — Eu estou voltando para buscar o que é meu.
Na manhã seguinte, Lily desceu para o café da manhã sentindo-se diferente. O vazio ainda estava lá, mas agora tinha uma forma. Ela se sentou à mesa da Grifinória, entre Ron e Harry, e serviu-se de um pouco de suco de abóbora.
— Você está bem, Lily? — perguntou Ron, com a boca meio cheia de torrada. — Parece que viu um fantasma. E olha que aqui temos muitos.
— Estou bem, Ron. Só tive um sonho estranho.
— Sobre o quê? — Hermione perguntou, fechando seu livro de Runas Antigas e olhando-a com atenção.
Lily hesitou. Como explicar a sensação de uma presença que parecia mais real do que a própria mesa onde estavam sentados?
— Sobre um homem. Ele tinha uma voz... — Lily procurou a palavra certa. — Uma voz que parecia que podia parar o tempo. E ele me conhecia.
Harry e Ron trocaram um olhar confuso, mas Hermione empalideceu levemente. Ela passara muito tempo na Seção Restrita e lera sobre as lendas de vínculos de alma, embora fossem consideradas mitos por muitos historiadores modernos.
— Lily, você já mostrou essa marca no seu pulso para o Professor Dumbledore? — perguntou Hermione em voz baixa.
— Não. É só uma marca de nascimento, Mione. Por que o interesse agora?
— Porque marcas de nascimento não brilham, Lily — sussurrou Hermione, apontando para o pulso da amiga.
Lily olhou para baixo e sentiu o sangue fugir do rosto. Sob a luz do Salão Principal, as linhas finas em seu pulso estavam emitindo um brilho prateado suave, pulsando no mesmo ritmo de seu coração.
Nesse exato momento, as portas duplas do Salão Principal se abriram com um estrondo que não vinha de magia agressiva, mas de uma autoridade pura e absoluta. O silêncio caiu sobre as centenas de alunos como um manto pesado.
Dumbledore, que estava sentado em seu trono dourado, levantou-se lentamente, uma expressão de choque e, estranhamente, de alívio atravessando seu rosto envelhecido.
Um homem caminhava pelo corredor central. Ele não usava vestes de bruxo extravagantes, apenas trajes escuros e simples que realçavam seu porte físico imponente. Sua expressão era calma, quase serena, mas seus olhos estavam fixos em apenas um ponto da mesa da Grifinória.
— Não pode ser — sussurrou Harry, a mão indo automaticamente para a cicatriz, que não doía, mas vibrava. — Quem é ele?
Lily não conseguia responder. Ela não conseguia respirar. O homem do seu sonho estava ali, em carne e osso, caminhando em sua direção com a confiança de alguém que possuía o próprio solo que pisava.
Oscar parou a poucos metros da mesa. Ele ignorou os sussurros, ignorou as varinhas que alguns alunos mais velhos começaram a sacar por instinto defensivo. Ele apenas olhou para Lily.
— Você sentiu o chamado — não foi uma pergunta. A voz dele preencheu o Salão Principal, fazendo as chamas das velas vacilarem.
Lily se levantou, suas pernas tremendo.
— Você... você é o homem do campo.
Oscar inclinou levemente a cabeça, um meio sorriso surgindo em seus lábios, suavizando a dureza de suas feições.
— Eu sou Oscar. E eu prometi que voltaria quando você estivesse pronta para entender.
— Entender o quê? — ela perguntou, a voz mal saindo.
Oscar estendeu a mão, a palma para cima, esperando.
— Que você nunca esteve sozinha, Lily Zneimer. E que o mundo bruxo cometeu um erro ao pensar que eu os deixaria para sempre. Eu só estava esperando pelo meu motivo para retornar.
Dumbledore deu um passo à frente, sua voz ecoando do palanque.
— Oscar Piastri. O mundo pensa que você é uma lenda morta.
Oscar finalmente desviou o olhar de Lily para o diretor, sua expressão tornando-se séria e fria como o gelo.
— O mundo pensa muitas coisas, Alvo. Mas a única verdade que importa é o vínculo que me trouxe aqui hoje.
Ele voltou a olhar para Lily, e a intensidade em seus olhos fez o coração dela disparar.
— Lily, venha comigo. Há tanto que você precisa saber. Sobre quem você é, e sobre por que ninguém nunca conseguiu te machucar.
Lily olhou para Harry e Hermione. Harry parecia paralisado, e Hermione tinha os olhos arregalados, as mãos cobrindo a boca. Ela olhou de volta para Oscar. O vazio em seu peito estava desaparecendo, sendo substituído por uma plenitude avassaladora. A marca em seu pulso agora queimava com um calor reconfortante.
Sem dizer uma palavra, ela saiu de trás da mesa e caminhou até ele. Quando Lily colocou sua mão pequena na palma grande e forte de Oscar, um pulso de energia percorreu o castelo, fazendo as janelas vibrarem e as armaduras se curvarem.
— Eu não entendo nada disso — confessou Lily, olhando para cima, para o homem que parecia ser feito de poder e proteção.
Oscar fechou os dedos sobre os dela, um gesto de posse gentil e absoluto.
— Você não precisa entender tudo agora, Lily. Apenas saiba que, a partir deste momento, nada nem ninguém neste mundo poderá tirar você de perto de mim.
Ele a conduziu para fora do Salão Principal, sob o olhar atônito de toda a escola. O bruxo mais poderoso de todos os tempos havia retornado, não para a guerra, não para a política, mas por uma garota de olhos gentis que ele havia guardado nas sombras por quinze anos.
A jornada de Lily Zneimer estava apenas começando, e ela finalmente percebeu que a sorte que pensava ter tido para entrar em Hogwarts não era sorte. Era o destino, moldado pelas mãos do homem que agora segurava a sua.
