
Nunca desconfie de mim
Fandom: marido rico
Criado: 15/08/2026
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Entre o Poder e a Devoção
O sol de Mônaco refletia-se nas águas azuis do Mediterrâneo, mas dentro da cobertura triplex dos Piastri, a luz era filtrada por cortinas de seda pura que davam ao ambiente uma aura de serenidade. Lily Zneimer Piastri terminou de ajustar o broche de pérolas em seu blazer da Chanel. Ela observou seu reflexo no espelho do closet — um espaço que mais parecia uma boutique de luxo da Avenue Montaigne — e suspirou.
Oscar estava trabalhando demais. Como CEO de uma das maiores multinacionais de tecnologia e logística do mundo, seu marido era um homem cuja agenda era ditada por fusões bilionárias e reuniões em fusos horários diferentes. Mesmo sendo o homem calmo e reservado que ela amava, o peso da responsabilidade sobre aqueles ombros largos — que ela tanto gostava de massagear à noite — era imenso.
— Ele vai acabar esquecendo de comer de novo — murmurou Lily para si mesma, pegando sua bolsa Hermès.
Ela decidiu que não esperaria pelo jantar. Iria até a sede da Piastri Corp. O prédio, um gigante de vidro e aço que dominava o horizonte, ficava a poucos minutos de distância. Lily não costumava aparecer sem avisar, preferindo manter a discrição que tanto ela quanto Oscar prezavam, mas hoje sentia que ele precisava de um respiro.
Ao chegar à empresa, a imponência do lugar sempre a impressionava, apesar de ser tecnicamente dona de metade daquilo tudo. Os funcionários do saguão a cumprimentaram com acenos respeitosos; todos conheciam a "Sra. Piastri" e sua natureza gentil, sempre envolvida em causas filantrópicas que mudavam vidas.
No entanto, ao subir pelo elevador privativo até a cobertura executiva, Lily percebeu que algo estava diferente. A mesa da recepção antes ocupada por Sarah, a secretária que acompanhava Oscar há anos e que estava de licença-maternidade, agora era dominada por uma mulher mais jovem, de olhar afiado e postura excessivamente altiva.
Lily caminhou até a mesa com um sorriso doce.
— Bom dia. Eu gostaria de ver o Oscar, por favor.
A mulher nem sequer levantou os olhos da tela do computador de imediato. Quando o fez, percorreu Lily de cima a baixo com um olhar crítico, parando nas joias discretas, mas caríssimas.
— O Sr. Piastri está em uma reunião extremamente importante e não recebe ninguém sem agendamento prévio — disse a secretária, com uma voz carregada de um desdém mal disfarçado. — Quem é a senhora?
— Eu sou Lily. Acredito que ele terá um momento para mim, se você apenas avisar que estou aqui para o almoço.
A secretária soltou uma risadinha anasalada, recostando-se na cadeira ergonômica.
— Ouça, querida... Lily, não é? Recebemos dúzias de "Lilys" por semana tentando uma chance com o CEO. Você é o quê? Uma modelo de caridade? Uma prima distante da Austrália?
Lily piscou, surpresa com a audácia. Ela raramente perdia a paciência, mas a arrogância daquela mulher estava começando a atingir um nervo exposto.
— Eu sou a esposa dele — respondeu Lily, sua voz mantendo a calma, mas ganhando um tom mais firme.
A mulher soltou uma gargalhada aberta, atraindo o olhar de alguns estagiários que passavam pelo corredor.
— Esposa? Por favor. O Sr. Piastri é um homem jovem, poderoso e, vamos ser sinceras, incrivelmente sexy. Ele não teria uma esposa que aparece assim, sem ser anunciada, vestida como se fosse a um chá beneficente de idosas.
Lily sentiu o sangue subir às bochechas. Não pela crítica à sua roupa — que era alta-costura —, mas pelo desrespeito ao seu relacionamento.
— Sugiro que verifique seus arquivos ou simplesmente ligue para o ramal interno dele — disse Lily, aproximando-se da mesa.
— Eu não vou interromper o Oscar por causa de um delírio seu — a secretária inclinou-se para frente, baixando o tom de voz para algo venenoso. — E quer saber de uma coisa? Mesmo que ele fosse casado, homens como ele precisam de... estímulos diferentes. Ele e eu temos uma conexão que vai muito além de papéis. Ele me olha de um jeito que, bem, você nunca entenderia.
O choque percorreu Lily. Ela conhecia Oscar. Conhecia cada centímetro daquele homem, cada pensamento silencioso, cada demonstração de lealdade inabalável. A ideia de que aquela mulher estava insinuando um caso era tão absurda que chegava a ser cômica, mas o desrespeito era intolerável.
— Você está insinuando que tem um caso com o meu marido? — perguntou Lily, a voz agora gélida.
— Estou dizendo que ele merece alguém que esteja à altura do poder dele — a secretária sorriu, vitoriosa. — Agora, saia daqui antes que eu chame a segurança para remover você.
Nesse exato momento, a porta dupla de carvalho maciço do escritório principal se abriu. Oscar Piastri saiu de lá, segurando um tablet e conversando com um diretor financeiro. Ele estava impecável em um terno azul-marinho feito sob medida, que destacava seus ombros largos e sua postura atlética. Seu rosto, geralmente sério e focado, mantinha aquela expressão de autoridade que intimidava a maioria das pessoas.
A secretária mudou instantaneamente de postura, endireitando o decote e colocando um sorriso solícito no rosto.
— Sr. Piastri! Eu sinto muito pelo barulho, esta mulher insiste em dizer que o conhece e está tentando invadir sua sala...
Oscar parou abruptamente. Seus olhos claros, que momentos antes analisavam gráficos de lucro, focaram na figura parada diante da mesa. Em um segundo, toda a rigidez de seu rosto desapareceu, substituída por um brilho de adoração e surpresa.
— Lily? — A voz dele, profunda e calma, ecoou pelo corredor.
Ele ignorou completamente a secretária e caminhou em direção à esposa. O diretor financeiro, percebendo o clima, apenas acenou e se retirou rapidamente.
— Oi, querido — disse Lily, a voz ainda levemente trêmula pela raiva contida.
Oscar franziu a testa, percebendo imediatamente que algo estava errado. Ele envolveu a cintura dela com um braço protetor, puxando-a para perto de seu corpo. O calor dele era o porto seguro de Lily.
— O que aconteceu? Você está pálida — perguntou ele, ignorando o mundo ao redor.
— Sua nova secretária estava apenas me informando que você está muito ocupado para "Lilys" como eu — Lily lançou um olhar para a mulher atrás da mesa, que agora estava branca como papel. — E que você e ela têm uma... conexão especial.
O ar na sala pareceu esfriar dez graus. Oscar virou o rosto lentamente para a secretária. O olhar carinhoso que ele tinha para Lily desapareceu, dando lugar a uma frieza cortante que ele reservava apenas para seus adversários mais implacáveis nos negócios.
— Conexão, Srta. Miller? — perguntou Oscar. Sua voz era baixa, o que a tornava ainda mais aterrorizante.
— Sr. Piastri... eu... eu não sabia, ela não se identificou adequadamente e... — a mulher gaguejava, as mãos tremendo sobre o teclado.
— Minha esposa não precisa se identificar nesta empresa. Ela é a razão de tudo isso existir — disse Oscar, com uma calma mortal. — E quanto às suas insinuações sobre a nossa relação profissional... você está demitida. Efetivo imediatamente. Segurança!
Ele nem esperou a resposta. Apertou um botão no interfone da mesa e, em segundos, dois seguranças apareceram.
— Acompanhem a Srta. Miller até a saída. Ela não tem permissão para retirar nada além de seus pertences pessoais sob supervisão.
A mulher tentou falar, mas o olhar de Oscar era uma barreira intransponível. Ela foi escoltada para fora sob os olhares curiosos de todo o andar.
Oscar voltou sua atenção total para Lily. Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo castanho claro, e tocou o rosto da esposa com uma delicadeza extrema, contrastando totalmente com a dureza de segundos atrás.
— Sinto muito por isso, meu amor. Eu não fazia ideia de que ela era... assim.
Lily relaxou sob o toque dele, encostando a cabeça em seu peito largo.
— Eu só queria vir almoçar com você. Fiquei preocupada que você estivesse pulando refeições de novo.
Oscar deu um sorriso raro e charmoso, aquele que ele guardava apenas para os momentos privados entre os dois. Ele a beijou na testa, um beijo longo e protetor.
— Você é maravilhosa. E tem razão, eu esqueci completamente da hora.
Ele a conduziu para dentro do escritório, fechando a porta e trancando-a, isolando-os do império multibilionário lá fora. A sala era vasta, com janelas do chão ao teto mostrando Mônaco em todo o seu esplendor, mas para Oscar, a única coisa que importava era a mulher à sua frente.
Ele a puxou para um abraço apertado, sentindo o perfume doce dela. Oscar era um homem de poucas palavras, mas suas ações falavam volumes. Ele a ergueu levemente, fazendo Lily rir, e a sentou no canto de sua enorme mesa de mogno.
— Você está bem? — perguntou ele, ficando entre as pernas dela, as mãos repousando em seus quadris.
— Agora estou. Só fiquei irritada. Ela foi tão... atrevida.
— Ninguém desrespeita você. Nunca — afirmou ele, a seriedade voltando aos olhos por um momento. — Você é a pessoa mais importante da minha vida, Lily. Este prédio, o dinheiro, nada disso faz sentido se você não estiver ao meu lado.
Lily sorriu, passando as mãos pelo rosto dele, sentindo a leve textura da barba por fazer.
— Eu sei, Oscar. Eu também te amo. Mas agora, vamos comer. Eu trouxe algo ou vamos pedir?
— Vamos sair — disse ele, já pegando o paletó que havia deixado na cadeira. — Quero que todos vejam que o CEO da Piastri Corp. está saindo no meio do dia apenas para estar com a esposa dele. E depois... talvez possamos dar uma volta no iate? O trabalho pode esperar.
Lily brilhou com a proposta. Oscar era um homem ocupado, o mundo dependia de suas decisões, mas naquele momento, ele era apenas o seu Oscar. O homem que, apesar de toda a riqueza e poder, preferia a simplicidade de um momento a dois.
— O iate parece perfeito — concordou ela.
Oscar a ajudou a descer da mesa e a beijou com paixão, um beijo que selava qualquer dúvida, qualquer insegurança que a manhã pudesse ter trazido. Ele a conduziu pelo escritório, de mãos dadas, passando pela recepção agora vazia.
Enquanto caminhavam em direção ao elevador, todos os funcionários pararam para observar. O CEO, sempre tão reservado e sério, tinha um sorriso leve nos lábios enquanto ouvia atentamente o que sua esposa dizia.
Naquele mundo de negócios implacáveis, Oscar Piastri tinha uma única prioridade inegociável: Lily. E ele faria questão de que o mundo inteiro soubesse disso.
