
Oliver!!:3
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 16/08/2026
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Sombras e Grafite: O Jogo de Edward
O silêncio nos dormitórios da Paper School era algo raro, quase artificial. Geralmente, os corredores ecoavam com as risadas estridentes de Zip ou as explosões controladas de Edward, mas às três da manhã, até mesmo a escola parecia ter caído em um sono profundo e inquietante. Oliver, o valentão de cabelos brancos que costumava aterrorizar os alunos mais fracos com seu braço de lápis e seu sorriso presunçoso, estava profundamente adormecido. Seus longos cabelos brancos, que chegavam aos tornozelos, estavam espalhados pelo travesseiro como um lençol de papel, e seu braço mecânico repousava inerte ao lado do corpo.
O quarto estava mergulhado em uma escuridão absoluta, o tipo de breu que engole as formas e torna tudo indistinguível. Oliver respirava calmamente, sonhando talvez com a próxima pegadinha ou com o gosto alcalino e refrescante de uma barra de sabão — seu lanche favorito.
De repente, a escuridão foi rasgada por um feixe de luz branca e violenta.
Oliver sentiu as pálpebras queimarem. A luz da lanterna estava direcionada exatamente para seus olhos, cegando-o instantaneamente. Ele soltou um rosnado baixo, a irritação subindo pela garganta como bile.
— Mas que droga... — Oliver resmungou, cobrindo os olhos com a mão direita, enquanto tentava se sentar. — Quem é o idiota? Zip, se for você, eu juro que vou quebrar seus compassos!
Ele piscou várias vezes, tentando ajustar a visão, mas a luz continuava lá, firme e provocante. Oliver estava furioso. Ele era o mestre das travessuras, não a vítima. Ele tentou se levantar, pronto para desferir um golpe com seu braço de lápis, mas antes que pudesse proferir outra palavra de baixo calão, sentiu um toque firme e frio.
Um dedo foi pressionado contra seus lábios, silenciando-o abruptamente.
— Shhh... — A voz de Edward ecoou suave, mas carregada de uma malícia que Oliver raramente ouvia. — Fique quietinho, Oliver. Você não quer acordar a senhorita Circle, quer?
Oliver congelou. Ele reconheceria aquela voz em qualquer lugar. Edward, seu parceiro de crimes, o gênio inventor do grupo, estava parado ali, mas algo estava diferente. O brilho nos olhos de Edward, refletido pela luz da lanterna que ele agora apoiava na mesa de cabeceira, era predatório.
— Edward? O que diabos você está fazendo? — Oliver tentou sussurrar, sua voz saindo rouca de sono e raiva. — Apague essa luz e vá dormir, seu maníaco.
— Eu não estou com sono — Edward respondeu, aproximando-se mais. O sorriso no rosto dele era largo, revelando uma confiança que fez Oliver se sentir estranhamente vulnerável pela primeira vez em muito tempo. — E eu decidi que esta noite, as regras são minhas.
Antes que Oliver pudesse reagir ou empurrá-lo, Edward agiu com uma rapidez mecânica. Ele agarrou os pulsos de Oliver com uma força surpreendente. Oliver lutou, a marca de "A+" em seu cabelo balançando violentamente enquanto ele tentava se desvencilhar, mas o som metálico de correntes ecoou no quarto.
Em um movimento fluido, Edward prendeu os braços de Oliver e o forçou a sair da cama, empurrando-o até que o garoto de cabelos brancos estivesse ajoelhado no chão frio de linóleo.
— Ei! Me solta! — Oliver sibilou, puxando as correntes, o metal rangendo contra seu pulso de carne e seu braço de lápis. — Isso não tem graça, Edward! Que palhaçada é essa?
— Eu disse para ficar quieto — Edward repetiu, ajoelhando-se atrás dele.
Oliver tentou se mover, tentou usar sua força de valentão para derrubar o amigo, mas Edward conhecia seus pontos fracos. Ele pressionou um joelho nas costas de Oliver, mantendo-o imobilizado no chão. A frustração de Oliver estava atingindo o ponto de ebulição; ele era o predador da Paper School, não a presa.
Edward se inclinou para frente, aproximando o rosto do pescoço de Oliver. O calor da respiração de Edward contra sua pele fez os pelos da nuca de Oliver se arrepiarem.
— Você sempre fala tanto, Oliver — Edward sussurrou, sua voz deslizando pelo ouvido do outro como veneno doce. — Sempre mandando em todo mundo, sempre fazendo barulho. Mas aqui, agora... você é tão silencioso.
Oliver sentiu o rosto esquentar. Ele tentou desviar o olhar, mas o rubor em suas bochechas era inegável. A provocação de Edward tinha um peso diferente, algo que fazia o coração de Oliver martelar contra as costelas.
— Eu vou te matar quando eu sair dessa — Oliver rebateu, embora sua voz tivesse perdido um pouco da firmeza habitual.
— Você não vai a lugar nenhum — Edward disse, e Oliver pôde ouvir o som de tecido sendo rasgado ou dobrado.
Edward esticou o braço e pegou um pano preto que estava sobre a mesa. Ao ver o objeto, os olhos de Oliver se arregalaram. Um misto de susto e indignação tomou conta dele. Ele começou a se debater com mais vigor, suas botas pretas batendo no chão, o rabo de cavalo longo chicoteando o ar.
— Edward, não ouse! Se você colocar isso em mim... — Oliver começou, mas foi interrompido novamente.
— Eu mandei ficar quieto, não mandei? — O tom de Edward era autoritário, sem espaço para discussão.
Com uma mão, Edward segurou o queixo de Oliver com firmeza, forçando-o a abrir a boca. Oliver tentou morder, tentou protestar, mas o pano foi introduzido rapidamente. Ele sentiu o tecido áspero contra a língua e, antes que pudesse cuspir, Edward passou as pontas do pano por trás de sua cabeça, puxando com força para dar um nó apertado.
Oliver soltou um som abafado, um protesto que morreu na garganta. Ele caiu para o lado, perdendo o equilíbrio enquanto Edward soltava o peso sobre ele. Oliver rolou no chão, o peito subindo e descendo rapidamente, os olhos fixos no teto escuro, agora iluminado apenas pelo brilho residual da lanterna.
— Mmmph! Mmmph! — Oliver tentou gritar por socorro, mas o som era inútil, abafado pelo nó firme que Edward havia feito.
Edward ficou de pé, observando sua obra com uma satisfação fria. Ele caminhou ao redor do corpo de Oliver, que ainda tentava, inutilmente, soltar as mãos acorrentadas ou remover o pano da boca esfregando o rosto no chão.
— Olhe para você — Edward provocou, chutando levemente a bota de Oliver. — O grande valentão da escola, reduzido a isso. Ninguém vai te ouvir, Oliver. Zip está no quinto sono e os professores não vêm aqui a esta hora.
Oliver olhou para cima, seus olhos faiscando de ódio, mas também de algo que ele não queria admitir: confusão. Edward sempre fora seu aliado, seu cúmplice. Por que ele estava fazendo isso agora?
Edward se inclinou novamente, ficando de cócoras ao lado da cabeça de Oliver. Ele estendeu a mão e tocou a mecha arrepiada no topo da cabeça de Oliver, puxando-a levemente.
— Você fica muito melhor assim — Edward murmurou, um sorriso de canto aparecendo em seu rosto. — Sem insultos, sem piadinhas. Apenas você e o silêncio.
Oliver fechou os olhos com força, tentando processar a humilhação. Ele sentia o relógio em seu pulso esquerdo tiquetaquear, marcando os segundos de sua derrota. O metal das correntes estava frio, o pano em sua boca era desconfortável, mas o que mais o incomodava era o fato de que Edward parecia estar se divertindo genuinamente com o seu desespero.
Edward passou a mão pelo braço de lápis de Oliver, traçando as linhas do objeto com curiosidade.
— Sabe, Oliver, eu sempre me perguntei o que aconteceria se eu tirasse o seu controle. Você se acha tão poderoso com esse braço e sua atitude, mas agora... você é apenas papel nas minhas mãos. E eu posso te dobrar como eu quiser.
Oliver tentou chutar Edward, mas o inventor se esquivou com facilidade, rindo baixo. A risada de Edward era calma, o que tornava tudo ainda mais perturbador. Não era a risada maníaca de alguém que enlouqueceu, era a risada de alguém que finalmente tinha o que queria.
— Tente gritar de novo — Edward desafiou, inclinando a cabeça. — Vamos, Oliver. Mostre-me o quanto você quer ser salvo.
Oliver tentou. Ele forçou as cordas vocais, tentando emitir qualquer som que pudesse atravessar as paredes do dormitório, mas tudo o que saiu foram ruídos surdos e patéticos. Suas tentativas só serviram para deixar Edward mais entretido.
— Inútil — disse Edward, passando o dedo pela marca de "A+" no cabelo de Oliver. — Absolutamente inútil. Talvez eu te deixe assim até o amanhecer. O que você acha? Seria uma ótima surpresa para os outros alunos verem o Oliver ajoelhado e calado.
O pânico começou a surgir no fundo da mente de Oliver. A ideia de ser encontrado naquela situação por qualquer outra pessoa, especialmente por suas vítimas habituais, era pior do que qualquer castigo da senhorita Circle. Ele olhou para Edward com um olhar suplicante, algo que nunca pensou que faria.
Edward pareceu notar a mudança no olhar de Oliver. Ele suavizou o sorriso, mas a malícia não desapareceu de seus olhos.
— Ah, então você está começando a entender? — Edward sussurrou, aproximando o rosto do de Oliver novamente, até que suas testas se tocassem. — Você não está no comando aqui. E é melhor você se lembrar disso da próxima vez que tentar me dar ordens.
Oliver sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele estava furioso, sim, mas havia uma tensão elétrica no ar que ele não conseguia ignorar. Edward se afastou, pegando a lanterna e apagando-a, mergulhando o quarto de volta na escuridão total.
O som dos passos de Edward se afastando foi a única coisa que Oliver ouviu, seguido pelo rangido de uma cadeira.
— Tente dormir um pouco, Oliver — a voz de Edward veio do escuro, calma e controlada. — Eu estarei bem aqui, vigiando você.
Oliver ficou ali, deitado no chão frio, as mãos presas e a boca amordaçada. Ele tentou se mover uma última vez, mas o cansaço e a percepção de sua impotência começaram a pesar. Ele era o valentão da Paper School, o garoto que comia sabão e não temia ninguém. Mas naquela noite, nas sombras do dormitório, Edward havia reescrito as regras do jogo. E Oliver, pela primeira vez, não tinha outra escolha a não ser jogar.
