
Two alphas for one omega.
Fandom: EngLot FayeLot
Criado: 16/08/2026
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Entre Coroas e Carícias Proibidas
O som metálico das espadas colidindo ecoava pelo pátio de treinamento do Palácio Austin, um ritmo constante que acompanhava o calor da tarde. Faye Malisorn movia-se com uma elegância letal, o cabelo vermelho brilhando sob o sol como uma chama viva. Ela girou o pulso, desferindo um golpe rápido que Engfa Waraha bloqueou com um rosnado baixo, os dedos da mão livre estalando audivelmente.
— Você está tensa, pequena alfa — provocou Faye, um sorriso sarcástico dançando em seus lábios. — Se continuar estalando os dedos assim, vai acabar quebrando-os antes de conseguir me acertar.
Engfa estreitou os olhos castanhos, a postura imponente e rígida.
— Menos conversa, Malisorn. Mais ação.
A poucos metros dali, sentada sob a sombra de um gazebo adornado com trepadeiras, Charlotte Austin observava a cena com um sorriso sereno. Em seu colo, um caderno de desenhos repousava, mas seus olhos não estavam nas linhas que traçara; estavam nelas. Engfa, com sua aura protetora e explosiva, e Faye, a provocadora nata que parecia extrair prazer em testar os limites da paciência alheia.
Para o mundo exterior, aquele era um treinamento de rotina entre as herdeiras dos três reinos mais poderosos do continente. Para os reis Waraha e Malisorn, era uma competição velada pela mão da princesa Austin. Mas, dentro daquelas paredes, a realidade era um segredo doce e perigoso.
Faye avançou, não com a espada, mas com um movimento rápido que desarmou Engfa, prensando-a contra uma coluna de pedra próxima ao gazebo. As respirações estavam pesadas.
— Ganhei — sussurrou Faye, aproximando o rosto do de Engfa.
— Sorte — rebateu Engfa, embora não fizesse esforço nenhum para se afastar.
Charlotte fechou o caderno e caminhou até elas, a saia de seda de seu vestido azul balançando suavemente. Ela parou ao lado das duas alfas, o perfume de jasmim que emanava de sua pele ômega acalmando instantaneamente a tensão no ar.
— Vocês duas vão acabar se matando antes do jantar — disse Charlotte, a voz gentil, mas carregada de uma diversão inteligente. Ela estendeu a mão e tocou o ombro de Faye, antes de depositar um beijo casto na bochecha de Engfa. — E eu ficaria muito triste se perdesse minhas duas companheiras favoritas.
Engfa relaxou os ombros, o ciúme que sempre borbulhava em seu peito sendo substituído pela adoração que sentia por Charlotte. No entanto, Faye, sempre audaciosa, soltou a espada e envolveu a cintura de Engfa, puxando-a para mais perto.
— Ela precisa relaxar, Lottier — disse Faye, olhando para a ômega. — O pai dela a está pressionando de novo, não está?
Engfa desviou o olhar, o orgulho ferido.
— Ele quer que eu prove que sou a melhor escolha para Charlotte. Como se o amor fosse uma questão de mérito militar.
Faye riu, um som rico e provocador. Ela soltou a cintura de Engfa apenas para levar a mão às orelhas da herdeira Waraha. Engfa estremeceu visivelmente. Era seu ponto fraco, um segredo que apenas Faye e Charlotte conheciam. O Rei Waraha teria um colapso se soubesse que sua filha, a futura general e rainha, derretia-se sob o toque de uma Malisorn.
— Pare com isso — murmurou Engfa, embora sua cabeça já estivesse pendendo para o lado, buscando o contato.
— Por que eu pararia? — Faye provocou, começando a massagear a base da orelha de Engfa com o polegar. — Você adora.
Charlotte aproximou-se, abraçando Faye por trás e descansando o queixo em seu ombro, observando o efeito que a ruiva tinha sobre a morena.
— Deixe-a, Faye. Daqui a pouco ela vai começar a ronronar e o guarda na torre vai desconfiar.
— Deixe que desconfiem — Faye declarou, puxando Engfa para o seu colo enquanto se sentavam no banco de pedra ali mesmo.
Engfa, apesar de seus 1,75m e de sua personalidade explosiva, acomodou-se entre as pernas de Faye, permitindo que a alfa mais velha a envolvesse. O contraste era fascinante: a rigidez de Engfa desmoronando sob o carinho de Faye, enquanto Charlotte se aninhava ao lado delas, completando o círculo.
— Você é louca, Faye — disse Charlotte, rindo baixinho enquanto observava a audácia da ruiva. — Meu pai e o Rei Waraha podem aparecer a qualquer momento para a inspeção.
— Que venham — Faye respondeu, inclinando-se para cheirar o pescoço de Charlotte, sentindo o aroma doce que tanto amava. — O Senhor Waraha não pode me tocar sem causar um incidente diplomático, e ele sabe que eu sou a única que consegue manter a filhinha dele calma.
Engfa soltou um suspiro pesado, fechando os olhos enquanto Faye continuava o carinho em suas orelhas.
— Eu odeio o quanto você está certa — murmurou Engfa. Ela abriu os olhos e fixou-os em Charlotte. — Venha aqui.
Charlotte obedeceu prontamente, inclinando-se para que Engfa pudesse selar seus lábios nos dela. O beijo foi lento, possessivo, uma marca de território que fez Faye sorrir com orgulho. Quando se separaram, Engfa virou o rosto e cravou os dentes de leve no ombro de Faye, através do tecido da túnica de treino.
— Ai! — Faye exclamou, embora estivesse rindo. — Ciumenta.
— Você sabe que eu sou — Engfa retrucou, os olhos brilhando com uma intensidade selvagem.
— E é por isso que amamos você — Charlotte interveio, beijando a testa de Engfa e depois a ponta do nariz de Faye. — Mas Faye tem razão, Engfa. Você precisa parar de carregar o peso do reino inteiro nos ombros toda vez que nos vemos. Aqui, somos apenas nós.
— É difícil — confessou Engfa, a voz rouca. — Eles esperam que eu lute contra Faye por você. Eles querem um vencedor.
Faye apertou o abraço em torno de Engfa, sua expressão tornando-se momentaneamente séria, embora o brilho provocador nunca desaparecesse totalmente de seus olhos.
— Eles podem esperar o que quiserem. Enquanto eles discutem tratados e casamentos, nós já decidimos.
O momento de paz, no entanto, foi interrompido pelo som de passos pesados e vozes autoritárias vindas do corredor principal que levava ao pátio.
— É o meu pai — Engfa disse, ficando alerta instantaneamente. Ela tentou se levantar, mas Faye a segurou firme, mantendo-a em seu colo.
— Faye, solte-a! — Charlotte sussurrou, os olhos arregalados de preocupação, embora houvesse um brilho de adrenalina em seu rosto.
— Não — Faye disse, desafiadora. — Deixe que ele veja.
— Faye, você vai nos matar! — Charlotte exclamou, mas não resistiu a dar um selinho rápido nos lábios da ruiva, premiando sua coragem absurda.
O Rei Waraha surgiu no arco do pátio, seguido pelo Rei Austin. A visão que encontraram foi, no mínimo, inesperada. Engfa estava sentada no colo de Faye Malisorn, a expressão fingindo indiferença, enquanto Faye acariciava abertamente a orelha da herdeira Waraha. Charlotte estava sentada ao lado delas, segurando a mão de Engfa com uma naturalidade que beirava o escândalo.
O rosto do Rei Waraha ficou de um tom perigoso de púrpura.
— Engfa! O que significa isso? — a voz dele trovejou pelo pátio.
Engfa sentiu a vontade de estalar os dedos, a tensão subindo por sua espinha, mas a mão de Faye em sua orelha e o aperto de Charlotte em sua mão a mantiveram no lugar.
— Estamos descansando do treino, pai — respondeu Engfa, sua voz saindo mais firme e sarcástica do que ela pretendia. — Faye estava apenas... apontando uma fraqueza na minha guarda.
Faye deu um sorriso largo para o Rei Waraha, um brilho de puro deboche nos olhos.
— Exatamente, Majestade. Sua filha tem uma guarda muito alta, mas uma vez que você encontra a brecha certa... ela se torna muito dócil.
O Rei Austin pigarreou, tentando esconder um sorriso diante da audácia da princesa Malisorn, enquanto o Rei Waraha parecia prestes a explodir.
— Saia do colo dela agora, Engfa! E você, Malisorn, tenha mais respeito pela sua futura rival!
Faye não se moveu. Em vez disso, ela inclinou a cabeça e olhou para Charlotte.
— Rival? — Faye perguntou, voltando a olhar para os reis. — Receio que os senhores tenham entendido errado. Não há rivalidade onde há um acordo.
Charlotte levantou-se, a elegância de uma princesa Austin em cada movimento, mas a determinação de uma mulher que sabia o que queria.
— Pai, Rei Waraha — começou ela, a voz calma e sensata. — Vocês nos pediram para escolher. Vocês insistiram que o futuro de nossos reinos dependia de uma união.
— Sim, uma união entre você e a melhor alfa! — exclamou Waraha.
— E eu escolhi — Charlotte disse, aproximando-se das duas alfas que ainda estavam sentadas. Ela colocou uma mão no ombro de cada uma. — Eu escolhi as duas. E elas me escolheram.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. O Rei Waraha abriu a boca várias vezes, mas nenhuma palavra saiu. O Rei Austin apenas suspirou, parecendo aceitar que sua filha era inteligente demais para ser contida por tradições arcaicas.
Faye, aproveitando o choque, puxou Engfa para cima e ambas se levantaram. Engfa, recuperando sua postura imponente, deu um passo à frente, protegendo Charlotte e Faye com seu corpo, o instinto alfa dominando.
— Se quiserem discutir política, faremos isso na sala do conselho — disse Engfa, o tom de voz não deixando margem para discussões. — Mas não tentem nos separar. Eu não respondo por mim se alguém tentar tirar o que é meu.
Ela olhou para Faye por cima do ombro, e a ruiva piscou para ela, complementando a ameaça silenciosa.
— O que ela disse — Faye acrescentou, divertida. — E, entre nós, Senhor Waraha, sua filha fica muito mais bonita quando não está tentando esmurrar alguém. O carinho nas orelhas faz maravilhas.
O Rei Waraha soltou um som que parecia um engasgo e virou as costas, marchando para fora do pátio, possivelmente para evitar um crime de ódio contra a herdeira Malisorn. O Rei Austin deu um aceno discreto para Charlotte antes de seguir o colega.
Assim que eles desapareceram de vista, a tensão no pátio dissolveu-se em risadas.
— Você é absolutamente louca, Malisorn — Charlotte disse, jogando os braços em volta do pescoço de Faye e puxando-a para um abraço apertado.
— Mas funcionou, não funcionou? — Faye perguntou, retribuindo o abraço e enterrando o rosto no pescoço de Charlotte, inalando seu cheiro doce. — Ele não vai nos incomodar pelo resto do dia.
Engfa aproximou-se, envolvendo as duas em seus braços longos. Ela ainda sentia a adrenalina da explosão iminente, mas estar ali, com Charlotte e Faye, acalmava o fogo em seu sangue.
— Ele vai me fazer treinar até a exaustão amanhã por causa disso — resmungou Engfa, embora houvesse um sorriso raro em seus lábios.
— Então teremos que aproveitar bem a noite — sugeriu Faye, soltando Charlotte apenas para puxar Engfa pela nuca. — Eu ouvi dizer que os jardins do palácio são lindos sob a luz da lua. E eu ainda não terminei de provocar você.
Engfa estalou os dedos uma última vez, mas desta vez, não era por raiva. Era antecipação.
— Tente a sorte, Malisorn.
Charlotte riu, pegando a mão de cada uma e guiando-as para dentro do palácio.
— Venham, minhas alfas. Temos muito o que conversar... e muito mais para celebrar.
Enquanto caminhavam pelos corredores de pedra, o sol se pondo no horizonte, a promessa de um futuro incerto ainda pairava sobre elas. Mas, naquele momento, entre mordidas leves, carinhos nas orelhas e o perfume doce de uma ômega que se recusava a seguir as regras, Engfa, Faye e Charlotte sabiam que, juntas, eram mais poderosas do que qualquer coroa.
