
tudo por voce
Fandom: marido rico
Criado: 16/08/2026
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Sombra sob a Seda
O sol de Mônaco começava a se despedir no horizonte, tingindo o céu com tons de pêssego e dourado que refletiam nas águas calmas da marina. Dentro da cobertura de cinco andares dos Piastri, o clima era de uma agitação silenciosa e luxuosa. No andar dedicado exclusivamente aos closets e suítes principais, Lily Zneimer Piastri observava sua assistente pessoal, Agatha, organizar meticulosamente as malas de grife que seriam levadas para Ibiza na manhã seguinte.
— A senhora acha que o vestido de seda da Chanel é demais para um jantar na praia, Sra. Piastri? — perguntou Agatha, segurando a peça com luvas brancas para evitar qualquer marca no tecido delicado.
Lily sorriu suavemente, sentada em uma poltrona de veludo rosa seco, enquanto folheava uma revista de moda sem realmente prestar atenção. O closet era do tamanho de um apartamento de luxo, com prateleiras iluminadas por LEDs que exibiam coleções de bolsas e sapatos que valiam fortunas.
— Nunca é demais para comemorar quatro anos de casamento, Agatha — respondeu Lily com sua voz doce e melodiosa. — Oscar adora essa cor em mim. Ele diz que combina com o nascer do sol.
— O Sr. Piastri é um homem de muito bom gosto — comentou a assistente, dobrando a peça com perfeição. — E muito devoto. Poucos maridos com a agenda dele fariam questão de parar tudo por uma semana inteira.
Lily suspirou, um misto de orgulho e melancolia cruzando seu rosto. Ela sabia o quanto Oscar se esforçava. As últimas semanas haviam sido um teste de paciência. O episódio com a secretária substituta na sede da empresa ainda deixava um gosto amargo em sua boca. Ser barrada na recepção e tratada como uma intrusa no império do próprio marido fora humilhante, mas a reação de Oscar — a demissão imediata da funcionária e as flores que inundaram a cobertura no dia seguinte — reafirmou o que ela já sabia: para o mundo, ele era o CEO implacável; para ela, ele era apenas o seu Oscar.
Enquanto Agatha terminava de organizar os chapéus de abas largas, o celular de Lily vibrou sobre a mesa de mármore. O nome "Mamãe" brilhou na tela, e o coração de Lily deu um solavanco, perdendo o ritmo.
— Agatha, você poderia verificar se os cremes solares já foram embalados? Estão no gabinete do banheiro principal — pediu Lily, tentando manter a voz estável.
— Claro, senhora. Com licença.
Assim que a assistente saiu, Lily atendeu o telefone com as mãos levemente trêmulas.
— Alô? Mãe?
— Lily, querida — a voz de Anny soava cansada, mas havia aquela urgência manipuladora que Lily conhecia tão bem. — Eu não queria incomodar, eu sei que você está ocupada com suas viagens de luxo... mas as contas estouraram de novo. E o seu padrasto... ele precisa de medicamentos novos. A situação está difícil.
O estômago de Lily revirou. A simples menção ao padrasto trazia memórias que ela lutava diariamente para enterrar sob camadas de terapia e o amor protetor de Oscar. O abuso sofrido na infância era a ferida aberta que nunca cicatrizava totalmente. Oscar odiava aquele homem com todas as fibras de seu ser. Se ele soubesse que Anny ainda pedia dinheiro — e que Lily cedia —, ele provavelmente interviria de uma forma que Lily temia que causasse um rompimento definitivo com a única família de sangue que lhe restava.
— Eu já mandei dinheiro no mês passado, mãe — sussurrou Lily, olhando para a porta do closet para garantir que ninguém ouvia.
— Não foi o suficiente. Por favor, Lily. Você tem tanto... o que são alguns milhares para você?
— Tudo bem — interrompeu Lily, sentindo uma náusea crescente. — Eu vou transferir da minha conta privada. Não use o nome do Oscar. Por favor, não ligue mais hoje.
Ela desligou o telefone e, com os dedos rápidos, realizou a transferência. Era o preço que pagava pelo silêncio e por uma paz ilusória.
Alguns andares abaixo, no escritório envidraçado que dava para o porto, Oscar Piastri estava alheio ao drama familiar da esposa. Ele estava sentado atrás de uma mesa de carvalho maciço, a luz do monitor refletindo em seus olhos claros. Seus ombros eram largos, preenchendo o terno sob medida com uma imponência natural. Ele estava revisando o último contrato antes das férias. A seriedade em seu rosto era quase intimidante para qualquer um, menos para Lily.
Ele soltou um suspiro pesado, fechando o laptop. Seus pensamentos voaram para a mulher no andar de cima. Ele sabia que Lily era sensível, e o incidente na empresa o deixara em alerta máximo. Ele a protegia de tudo — da imprensa, de sócios gananciosos e até mesmo do cansaço. Ele só queria que ela fosse feliz em sua bolha de caridade e conforto.
Oscar levantou-se, ajeitando as abotoaduras de ouro. Ele era um homem de poucas palavras, mas de ações avassaladoras. As férias em Ibiza não eram apenas um desejo dela, eram uma necessidade dele de tê-la por perto, sem interrupções, sem e-mails, apenas o cheiro do perfume dela e o som de sua risada.
A noite caiu sobre Mônaco. O jantar foi silencioso e íntimo, servido por um dos chefs da casa. Oscar notou que Lily estava um pouco mais quieta que o habitual, mas atribuiu isso à ansiedade da viagem.
— Você está bem, querida? — perguntou ele, alcançando a mão dela sobre a mesa. A mão dele era grande, quente e transmitia uma segurança que quase fez Lily chorar ali mesmo.
— Só um pouco cansada, Oscar — mentiu ela, forçando um sorriso doce. — A arrumação das malas sempre me deixa elétrica.
— Amanhã, a essa hora, estaremos olhando para o Mediterrâneo sem nenhuma preocupação — disse ele, levando a mão dela aos lábios e beijando os nós dos dedos com uma ternura que contrastava com sua imagem de CEO frio. — Eu prometo.
Eles foram para a cama cedo. O quarto principal era um santuário de tons neutros e tecidos caros. Oscar abraçou Lily por trás, seu corpo atlético e protetor envolvendo o dela como uma armadura. Ele adormeceu rapidamente, exausto de semanas de trabalho dobrado para garantir a folga.
No entanto, Lily não conseguia encontrar o sono. As palavras da mãe ecoavam em sua mente, misturadas com flashes de memórias sombrias da infância — o medo, a sensação de impotência, a traição de quem deveria tê-la protegido.
Por volta das três da manhã, o silêncio da cobertura foi quebrado por um soluço abafado.
Lily estava sentada na beira da cama, com o rosto escondido nas mãos. O choro era contido, mas doloroso, sacudindo seus ombros magros. O peso do segredo, o dinheiro enviado para quem não merecia e o trauma que nunca ia embora haviam transbordado.
Imediatamente, o colchão se moveu. Oscar, cujo sono era leve quando se tratava de Lily, acordou no instante em que sentiu a agitação dela.
— Lily? — A voz dele estava rouca de sono, mas carregada de preocupação imediata.
Ele se sentou e a puxou para seus braços, trazendo-a para o seu colo como se ela fosse feita de porcelana.
— O que foi? O que aconteceu? Você teve um pesadelo? — Ele perguntou, afastando os cabelos castanhos do rosto dela, seus olhos claros agora totalmente alertas, brilhando na penumbra do quarto.
Lily não conseguia responder. Ela apenas enterrou o rosto no peito dele, sentindo o calor da pele dele e o batimento cardíaco constante. Oscar a apertou mais forte, suas mãos grandes acariciando as costas dela em movimentos circulares e lentos.
— Shhh, eu estou aqui. Eu peguei você — sussurrou ele, a voz profunda e calmante. — Ninguém vai te machucar. Eu estou aqui.
— Eu me sinto tão culpada, Oscar — ela conseguiu dizer entre soluços, a voz falhando.
Oscar franziu a testa, a expressão endurecendo levemente, não contra ela, mas contra qualquer coisa que estivesse causando aquele sofrimento.
— Culpada por quê, meu amor? Você é a pessoa mais pura que eu conheço.
— Minha mãe... ela ligou. E eu... — Ela hesitou, mas a honestidade nos olhos de Oscar sempre a desarmava. — Eu mandei dinheiro de novo. Para ele. Eu sei que você odeia, eu sei que ele não merece nada, mas ela disse que ele estava doente e eu não consigo... eu não consigo simplesmente dizer não e conviver com o medo de que algo aconteça e a culpa seja minha.
Oscar soltou um suspiro longo, fechando os olhos por um momento. Ele sentiu uma onda de fúria pelo padrasto dela e pela negligência da mãe de Lily, mas reprimiu tudo. Lily não precisava do seu julgamento agora; ela precisava do seu amor.
— Lily, olhe para mim — pediu ele, segurando o rosto dela com as duas mãos, obrigando-a a encontrar seu olhar sério e intenso. — O dinheiro não importa. Eu tenho todo o dinheiro do mundo, e ele é seu para fazer o que quiser. Se mandar esse dinheiro compra a sua paz de espírito por uma noite, então que assim seja.
— Mas ele é um homem horrível, Oscar. E eu sinto que estou traindo você escondendo isso.
— Você nunca poderia me trair, Lily — afirmou ele com uma convicção absoluta. — Você está tentando sobreviver a algo que ninguém deveria ter passado. Mas eu quero que você entenda uma coisa: você não deve nada a eles. A única pessoa a quem você deve algo é a si mesma... a sua felicidade.
Ele a beijou na testa, um beijo longo e protetor.
— Eu vou cuidar disso — continuou Oscar, o tom de voz mudando para aquele que ele usava em reuniões de diretoria, mas mantendo a suavidade para ela. — Vou mandar minha equipe jurídica verificar a situação deles discretamente. Se eles precisarem de ajuda médica, eles terão, mas através de canais oficiais, para que eles não tenham motivo para ligar para você e te chantagear emocionalmente. Eu não quero você chorando às três da manhã por causa de pessoas que não valem uma lágrima sua.
Lily limpou os olhos, sentindo o peso em seu peito diminuir um pouco.
— Você não está bravo?
Oscar deu um meio sorriso, aquele sorriso raro que ele reservava apenas para ela, que iluminava seu rosto geralmente sério.
— Eu estou bravo porque você está triste. Só isso. Agora, tente respirar. Nós vamos para Ibiza daqui a poucas horas. Eu vou desligar o seu celular e o meu. Vai ser apenas nós dois, está bem?
— Está bem — sussurrou ela, encostando a cabeça no ombro dele.
Oscar a deitou de volta na cama, cobrindo-a com o edredom de seda. Ele não voltou a dormir imediatamente. Ficou ali, vigiando o sono dela, a mão descansando protetoramente sobre a cintura de Lily. Ele era um homem de negócios, um estrategista, um bilionário. Mas, naquele momento, ele era apenas o escudo dela contra o mundo.
— Eu te amo, Lily — murmurou ele, quando a respiração dela finalmente se tornou pesada e regular.
Ele faria qualquer coisa para manter as sombras longe dela. Se o mundo tentasse feri-la, Oscar Piastri compraria o mundo e o destruiria, apenas para garantir que sua esposa pudesse sorrir novamente ao amanhecer.
Quando os primeiros raios de sol começaram a entrar pelas frestas das cortinas automáticas, o jato particular já estava sendo preparado na pista do aeroporto de Mônaco. As malas estavam prontas, o destino estava selado, e Oscar estava decidido: aquelas férias seriam o recomeço que Lily precisava.
— Pronta? — perguntou ele horas depois, já vestido com um terno casual de linho, estendendo a mão para ela enquanto saíam em direção ao elevador privativo.
Lily olhou para a mão dele, depois para o rosto dele — o homem que era seu porto seguro. Ela pegou a mão de Oscar e sorriu, desta vez de verdade.
— Pronta.
O elevador desceu silenciosamente, deixando para trás a tristeza da madrugada e levando-os em direção ao azul infinito do Mediterrâneo, onde, pelo menos por uma semana, o passado não teria permissão para entrar.
