
O amigo?
Fandom: the beginning after the end
Criado: 16/08/2026
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O Reencontro das Lendas e a Fragilidade de uma Princesa
O sol da tarde filtrava-se pelas copas das árvores da Clareira das Bestas, lançando sombras longas sobre o acampamento improvisado. Tessia Eralith estava sentada sobre um tronco caído, polindo cuidadosamente sua lâmina, embora seus pensamentos estivessem a quilômetros dali. Ao seu redor, o burburinho de seus novos companheiros de equipe preenchia o ar, uma distração que ela geralmente apreciava, mas que hoje parecia apenas ruído de fundo.
— Eu estou dizendo, Caria, é tudo exagero de bardo — exclamou Darvus Clarell, cruzando os braços musculosos sobre o peito. Ele ajeitou o machado nas costas com um movimento arrogante. — Um garoto da nossa idade, ou até mais novo, que derrota bestas de classe S e lidera exércitos nas sombras? Isso é história para fazer criança dormir e nobre se sentir seguro.
Caria Rede, que estava verificando suas manoplas, soltou um riso curto.
— Bem, os rumores dizem que ele é um prodígio sem precedentes. Mas concordo com o Darvus em uma coisa: a realidade raramente atende às expectativas. Provavelmente é algum filho de lorde que teve os feitos inflados pelos contatos do pai.
Stannard Berwick, o mais observador e técnico do grupo, ajustou os óculos enquanto consultava um pergaminho de mapeamento de mana.
— Os registros acadêmicos mencionam um desempenho fora da curva, mas os dados são vagos. Arthur Leywin... o nome soa quase como um mito urbano a este ponto.
Tessia apertou o cabo da espada, uma pontada de irritação subindo pelo seu peito. Ela já tinha ouvido aquela conversa dezenas de vezes nos últimos meses. Seus companheiros eram talentosos e leais, mas a ignorância deles sobre ele era algo que ela mal conseguia tolerar.
— Ele não é um mito — disse Tessia, sua voz saindo mais fria do que pretendia.
Darvus soltou uma gargalhada, aproximando-se da princesa com um sorriso provocador.
— Ah, Tess, você sempre fica na defensiva quando falamos dele. Sabemos que vocês cresceram juntos no reino dos elfos por um tempo, mas admita: a memória de infância costuma aumentar as coisas. Você provavelmente o via como um herói porque ele era o único humano por perto. Se ele aparecesse aqui agora, provavelmente seria apenas mais um mago tentando não ser devorado por uma Besta de Mana.
Tessia abriu a boca para retrucar, para dizer a Darvus que Arthur Leywin era capaz de reduzir aquele acampamento a cinzas antes mesmo de Darvus conseguir sacar o machado, mas um súbito arrepio percorreu sua espinha.
A atmosfera na clareira mudou instantaneamente. O vento, que antes soprava suave, pareceu estagnar. Os pássaros silenciaram. Não era uma pressão opressiva de malícia, mas sim uma densidade de mana tão pura e vasta que o ar parecia ter se tornado mais pesado para respirar.
— O que é isso? — Stannard levantou-se abruptamente, seus olhos arregalados enquanto olhava para a bússola de mana em sua mão. O ponteiro girava freneticamente antes de simplesmente travar.
— Alguma besta de alto nível? — Caria assumiu uma postura de combate, o corpo tenso.
Das sombras da floresta densa, uma figura emergiu.
Ele não corria, nem se escondia. Caminhava com uma calma que beirava a indiferença. O estranho vestia roupas de aventureiro em tons de preto e cinza, práticas, mas com um corte elegante que denotava funcionalidade. Seu físico era atlético, os ombros largos e a postura de alguém que carregava o peso de mundos sobre as costas. O cabelo castanho-avermelhado, curto e levemente despenteado, caía sobre a testa, emoldurando um rosto que possuía uma maturidade desconcertante para sua idade aparente.
Mas foram os olhos que paralisaram o trio. Azuis, profundos como o oceano e brilhantes como safiras encantadas, eles pareciam ler cada átomo de mana presente no ambiente.
Darvus deu um passo à frente, a mão no cabo do machado, tentando esconder o tremor nos dedos.
— Ei! Quem é você? Identifique-se! Esta área está sob jurisdição da...
As palavras de Darvus morreram em sua garganta. O estranho parou a poucos metros, ignorando completamente o guerreiro. Seus olhos azuis fixaram-se em uma única pessoa.
Tessia sentiu o mundo parar. O polidor de espada caiu de sua mão, atingindo o solo macio sem ruído. A respiração que ela não sabia que estava prendendo saiu em um soluço sufocado.
— Arthur? — sussurrou ela, a voz trêmula de incredulidade.
O jovem sorriu. Não era o sorriso de um guerreiro ou de um rei frio, mas o sorriso suave e genuíno que ele reservava apenas para aqueles que habitavam o núcleo de seu coração.
— Demorei muito, Tess? — perguntou ele, a voz profunda e calma.
O que aconteceu a seguir deixou Darvus, Caria e Stannard em estado de choque absoluto.
Tessia Eralith, a princesa dos elfos, a líder disciplinada, a maga de elite que raramente demonstrava fraqueza diante de seus subordinados, simplesmente desabou. Ela não caminhou; ela correu. Com uma velocidade que seus companheiros nunca a viram usar, ela atravessou a distância entre eles e se jogou nos braços do rapaz.
O impacto quase os derrubou, mas Arthur a segurou com uma firmeza inabalável, envolvendo-a em um abraço protetor. Tessia escondeu o rosto no peito dele, suas mãos agarrando o tecido de sua túnica preta como se ele fosse desaparecer se ela soltasse.
— Você é um idiota! — soluçou ela, os ombros tremendo enquanto as lágrimas molhavam a roupa dele. — Um idiota completo! Onde você estava? Por que demorou tanto?
Arthur fechou os olhos por um momento, descansando o queixo no topo da cabeça dela, respirando o aroma de floresta e jasmim que sempre a acompanhava. Ele ignorou os olhares boquiabertos do grupo de Tessia, focando apenas na garota que ele jurou proteger.
— Eu sinto muito — murmurou ele, sua mão acariciando os cabelos prateados dela. — Eu tive alguns problemas no caminho. Mas estou aqui agora. Eu prometo.
Darvus estava estático, a boca levemente aberta.
— Aquele... aquele é o Leywin? — perguntou ele, a voz falhando. — O "garoto" das histórias?
Caria não respondeu, seus olhos fixos na cicatriz que aparecia no pescoço do rapaz e na aura de autoridade natural que emanava dele mesmo em um momento de ternura. Ela sentiu o suor frio escorrer pelas costas. A pressão que sentiram antes não era uma ameaça; era apenas a presença passiva dele. Se aquilo era ele relaxado, ela não queria imaginar como seria ele em batalha.
Stannard, por outro lado, estava fascinado.
— A flutuação de mana ao redor dele... é como se o mundo estivesse se dobrando para acomodá-lo — sussurrou o pesquisador. — Ele não é apenas forte. Ele é... outra coisa.
Arthur finalmente levantou o olhar, encarando os três. O calor que demonstrava para Tessia desapareceu, substituído por uma avaliação fria e calculista, a mente de Rei Grey analisando cada força e fraqueza dos companheiros de sua amiga em segundos.
— Imagino que vocês sejam os novos companheiros da Tess — disse Arthur. Embora o tom fosse educado, havia um peso em cada palavra que fazia Darvus querer recuar. — Obrigado por cuidarem dela na minha ausência.
— Cuidar dela? — Darvus tentou recuperar sua compostura, embora o tom fosse menos arrogante do que antes. — Nós somos uma equipe. E quem é você para falar como se fosse o guardião dela?
Tessia se afastou ligeiramente de Arthur, embora ainda mantivesse uma mão firmemente presa ao braço dele, como se temesse que ele fosse uma miragem. Ela limpou as lágrimas, embora seus olhos ainda estivessem vermelhos e brilhantes.
— Darvus, pare — disse ela, sua voz recuperando a autoridade, mas com uma suavidade nova. — Este é Arthur Leywin. E eu sugiro que você meça suas palavras. Ele não é apenas um "mito de bardo".
Arthur deu um passo à frente, e a mana ao redor dele pareceu vibrar. Por um breve segundo, seus olhos brilharam com uma intensidade que fez o ar estalar com eletricidade estática.
— Eu não sou de me gabar — começou Arthur, olhando diretamente para Darvus —, mas as histórias que você ouviu... geralmente elas omitem as partes mais feias. Se você quer saber se sou forte o suficiente para estar aqui, sinta-se à vontade para tentar me mover um centímetro que seja.
Darvus sentiu um desafio silencioso, mas algo em seu instinto de sobrevivência, algo que ele aprimorou em anos de combate, gritou para que ele não aceitasse. Aquele jovem à sua frente não era apenas um mago talentoso. Era um predador no topo da cadeia alimentar, disfarçado em pele humana.
— Eu... eu acho que passo — resmungou Darvus, desviando o olhar, o que arrancou um sorriso seco de Arthur.
— Sensato — comentou Arthur, antes de se voltar novamente para Tessia, sua expressão suavizando instantaneamente. — Como está o vovô Virion? E sua mãe?
Tessia sorriu, o primeiro sorriso verdadeiramente radiante que seus companheiros viam em semanas.
— Estão todos bem, Arthur. Mas todos sentiram sua falta. Especialmente eu.
— Eu também senti a sua — admitiu ele, ignorando a pontada de culpa que sempre sentia por se permitir ser tão vulnerável. Na sua vida passada, como Rei Grey, ele nunca teria permitido que alguém se aproximasse tanto. Mas aqui, neste mundo, cercado por pessoas que dariam a vida por ele, Arthur estava aprendendo que a verdadeira força não vinha apenas do núcleo de mana, mas dos laços que ele lutava para manter.
Caria aproximou-se cautelosamente.
— Então, é verdade? Você realmente lutou contra um Guardião das Bestas sozinho aos doze anos?
Arthur deu de ombros, um gesto casual que desmentia a magnitude do feito.
— Foi um dia longo. Mas não estou aqui para falar do passado. Estou aqui porque as coisas estão prestes a ficar muito mais perigosas.
O tom de Arthur mudou, e a atmosfera de reencontro deu lugar a uma seriedade sombria. Darvus e os outros perceberam que a diversão e os jogos de treinamento haviam acabado. A presença de Arthur Leywin não trazia apenas alívio, trazia a confirmação de que a guerra que todos temiam estava mais próxima do que imaginavam.
— Stannard, Caria, Darvus — disse Tessia, assumindo sua posição de líder, mas agora com Arthur ao seu lado como um pilar de suporte. — Arthur ficará conosco por enquanto. Se vocês tinham dúvidas sobre o que um verdadeiro mago de elite é capaz, sugiro que prestem atenção. Vocês terão a chance de aprender com o melhor.
Arthur olhou para o horizonte, onde as nuvens começavam a escurecer. Ele sentiu o peso de Sylvie em seu vínculo mental, a pequena dragão descansando e observando tudo. Ele sabia que o tempo de paz era curto, mas, naquele momento, vendo Tessia finalmente sorrir e sentindo a mana vibrar em suas veias, ele sentiu que, talvez, pudesse ser mais do que apenas uma arma.
— Vamos nos preparar — disse Arthur, sua voz carregando a autoridade de um rei e a determinação de um protetor. — O mundo está mudando, e não pretendo deixar ninguém que eu amo para trás desta vez.
Darvus, que antes zombava, apenas assentiu em silêncio, finalmente entendendo que as lendas não eram exageradas. Elas eram, na verdade, apenas a ponta do iceberg do que Arthur Leywin realmente representava. E enquanto o grupo se organizava, Tessia não soltou a mão de Arthur nem por um segundo, encontrando na palma quente e calejada dele a segurança que nenhum título ou exército jamais poderia lhe dar.
