
Irmão?
Fandom: the beginning after the end
Criado: 16/08/2026
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O Equilíbrio Entre o Rei e o Irmão
O acampamento dos aventureiros e magos estava incomumente agitado naquela manhã. O sol mal havia cruzado a linha do horizonte, banhando as árvores com tons alaranjados, quando uma figura pequena e energética cruzou o perímetro de segurança.
— Art! Art! Onde você está? — O grito agudo e animado de Eleanor Leywin ecoou entre as tendas, fazendo com que vários soldados parassem o que estavam fazendo.
Arthur Leywin, que estava polindo sua espada curta perto de um tronco caído, levantou o rosto instantaneamente. Seus olhos azuis intensos, que normalmente carregavam o peso de décadas de estratégia e batalhas sangrentas, suavizaram-se no mesmo milésimo de segundo. Ele se levantou, limpando a poeira das calças escuras.
— Ellie? — Ele mal teve tempo de abrir os braços antes que o pequeno furacão de cabelos castanhos colidisse contra seu peito.
— Você demorou demais para mandar notícias! — reclamou a menina, afastando-se apenas o suficiente para dar um soco no braço musculoso do irmão. — Mamãe estava quase vindo aqui te buscar pela orelha!
Arthur riu, uma risada genuína que poucos ali tinham o privilégio de ouvir. Ele bagunçou o cabelo da irmã com força, ignorando os protestos dela.
— Eu estava ocupado garantindo que o mundo não acabasse, tampinha. O que faz aqui?
— Vim com o comboio de suprimentos. E não me chame de tampinha! — Ela bufou, mas logo se derreteu quando Arthur a puxou para um abraço de urso, tirando-a do chão.
Observando de longe, alguns soldados cochichavam. Eles conheciam Arthur como o prodígio frio, o estrategista cujos olhos brilhavam com uma mana aterrorizante no campo de batalha. Ver aquele guerreiro implacável agindo como um bobo por causa de uma criança era... desconcertante.
— Quem é aquele garoto olhando para você? — A voz de Arthur mudou subitamente. O tom caloroso desapareceu, substituído por uma frieza cortante. Ele estreitou os olhos para um jovem recruta que apenas passava por perto.
— Art, ele só está andando! — Ellie revirou os olhos, puxando a manga da túnica do irmão.
— Ele olhou por dois segundos a mais do que o necessário — rosnou Arthur, sua aura de mana oscilando levemente, o suficiente para fazer o recruta tropeçar nos próprios pés e sair correndo.
— Você é impossível — disse Ellie, mas havia um sorriso no rosto dela. Ela sabia que, para o mundo, ele era um Rei, mas para ela, era apenas o irmão superprotetor que ela podia dobrar com um olhar.
— Ellie! Que bom que você chegou! — Tessia Eralith surgiu por entre as árvores, seu rosto iluminando-se ao ver a menina.
A princesa elfa não perdeu tempo. Ela ignorou Arthur completamente por um momento, abraçando Ellie e começando a enchê-la de elogios e mimos.
— Veja só como você cresceu! Trouxe aqueles doces que você gosta da capital, estão na minha tenda — disse Tessia, pegando a mão da menina.
— Sério, Tess? Você é a melhor! — Ellie exclamou, lançando um olhar vitorioso para Arthur.
Arthur cruzou os braços, fingindo indignação.
— Ah, claro. Ela chega e eu sou descartado. E você, Tessia, pare de mimar ela. Ela já é convencida o suficiente.
— Deixe ela em paz, Arthur — Tessia respondeu, piscando para ele com uma cumplicidade que fez o coração do ruivo falhar uma batida. — Ela merece ser tratada como uma rainha.
Arthur observou as duas se afastarem, conversando animadamente. Ele sentiu uma pontada de ciúmes — tanto da atenção de Ellie quanto da de Tessia —, mas o sentimento foi rapidamente substituído por uma satisfação profunda. Aquelas eram as pessoas que ele jurou proteger, o motivo pelo qual ele não permitia que a frieza do Rei Grey consumisse sua alma por completo.
A tarde passou entre treinos e risadas. Arthur, apesar de sua postura autoritária, não conseguia negar nada a Ellie. Quando ela pediu para que ele carregasse suas coisas, ele o fez. Quando ela exigiu que ele a ajudasse com o controle de mana, ele parou tudo o que estava fazendo para orientá-la com uma paciência infinita, embora não deixasse de implicar com cada pequeno erro dela, apenas para vê-la fazer bico.
— Você é péssima nisso, Ellie. Até um rato de mana faria melhor — ele provocou, desviando de um chute que ela tentou desferir em sua canela.
— Eu te odeio! — ela gritou, rindo logo em seguida.
No entanto, quando a noite caiu e o acampamento silenciou sob o manto das estrelas, a atmosfera mudou. Ellie já estava dormindo na tenda das mulheres, e a maioria dos guardas estava em seus postos ou descansando.
Arthur entrou em sua tenda particular, esperando encontrar apenas o silêncio. Em vez disso, encontrou Tessia. Ela estava sentada em sua cama improvisada, vestindo uma túnica de seda fina que ele nunca a tinha visto usar antes. Era curta, revelando as pernas torneadas da elfa, e o decote era... perigoso.
— O que é isso? — Arthur perguntou, sua voz falhando levemente enquanto fechava a entrada da tenda e selava o ambiente com uma barreira de som.
Tessia levantou-se lentamente, caminhando até ele com uma graça felina.
— Você passou o dia inteiro dando atenção para a Ellie. Achei que o "Rei" precisasse de uma recompensa por ser um irmão tão bom — ela sussurrou, passando os braços pelo pescoço dele.
O controle que Arthur mantinha durante o dia desmoronou. Ele a puxou pela cintura, colando seus corpos. O desejo que ele reprimia diante dos outros explodiu com uma intensidade avassaladora. Ele não era apenas o irmão de Ellie ou o general de Dicathen naquele momento; ele era um homem consumido pela mulher em seus braços.
Eles não perderam tempo com palavras. Arthur a beijou com uma fome selvagem, suas mãos explorando cada curva que a seda tentava esconder. Ele a jogou na cama, e o que se seguiu foi uma sucessão de rodadas intensas, onde a paixão beirava a possessividade. Arthur era forte, rápido e incansável, e Tessia correspondia a cada movimento, seus gemidos abafados pelo feitiço de silêncio enquanto ele a possuía repetidamente, perdendo-se no calor da pele dela.
Foram três vezes, uma após a outra, até que ambos estivessem exaustos e suados, o ar na tenda pesado com o cheiro de sexo e mana.
Após o último ápice, Arthur deitou-se de costas, tentando recuperar o fôlego. Tessia se acomodou sobre o peito dele, traçando as cicatrizes em seu ombro com os dedos trêmulos.
— Você quase me quebrou desta vez — ela murmurou, com um sorriso satisfeito nos lábios.
Arthur virou o rosto para beijar a testa dela.
— Você que provoca, Tess.
— Arthur... — Ela hesitou por um momento, levando a mão ao próprio ventre de forma quase inconsciente. — Eu estive me sentindo estranha ultimamente. Um pouco de enjoo pela manhã.
Arthur congelou, seus olhos azuis focando nela com uma intensidade renovada.
— Você acha que...?
Tessia balançou a cabeça, forçando um sorriso leve.
— Talvez seja apenas o estresse da guerra. Ou a comida do acampamento. Vamos ignorar isso por enquanto, não quero me preocupar antes da hora.
Arthur sentiu um turbilhão de emoções. A ideia de um filho, de uma extensão deles dois, era ao mesmo tempo aterrorizante e a coisa mais maravilhosa que ele poderia imaginar. Mas ele sabia que Tessia tinha razão; no meio de uma guerra, a incerteza era sua única constante.
— Se for verdade... eu nunca vou deixar nada acontecer com vocês — ele prometeu, a voz rouca de emoção.
— Eu sei que não — ela respondeu.
Eles ficaram em silêncio por alguns minutos, aproveitando a calma após a tempestade. Como era rotina entre eles, Tessia se ajoelhou entre as pernas dele. Arthur fechou os olhos, soltando um suspiro longo enquanto sentia o calor da boca dela, um gesto de intimidade que ela sempre fazia questão de oferecer antes de dormirem. Em troca, quando ela terminou e se deitou ao seu lado, Arthur a puxou para perto, seus lábios encontrando os seios dela, sugando-os com uma ternura que contrastava com a selvageria de minutos atrás. Era o ritual deles, a forma como se conectavam e se acalmavam antes que o mundo lá fora exigisse que voltassem a ser soldados.
Na manhã seguinte, o sol nasceu como se nada tivesse acontecido.
Arthur saiu da tenda primeiro, vestindo sua armadura de aventureiro preta, o rosto calmo e a expressão estrategicamente neutra. Ninguém desconfiava de nada. Para os soldados, ele era o General Leywin.
Pouco depois, Tessia saiu, parecendo radiante e revigorada. Ela se juntou a Ellie, que já estava correndo pelo acampamento com Sylvie, o vínculo dragão de Arthur, em sua forma de pequena raposa preta.
— Bom dia, dorminhoca! — Ellie exclamou, abraçando a cintura de Tessia. — Vamos treinar arco e flecha hoje?
— Claro, Ellie. Mas primeiro, vamos tomar café — Tessia respondeu, rindo e lançando um olhar rápido para Arthur.
Arthur estava parado perto da mesa de mapas, conversando com alguns oficiais. Ele sentiu o olhar dela e deu um leve aceno de cabeça. Por dentro, ele estava em paz. Ele tinha sua irmã, tinha a mulher que amava e, talvez, um futuro que ele nunca ousou sonhar.
— Ei, Art! — Ellie gritou do outro lado do pátio. — Você está com uma cara de bobo!
Arthur franziu a testa, a máscara de General caindo por um segundo.
— Vá comer seu mingau, Eleanor, antes que eu te coloque para correr dez quilômetros!
— Tente me pegar, vovô Grey! — ela provocou, saindo correndo enquanto Tessia ria abertamente.
Arthur balançou a cabeça, um sorriso de lado aparecendo em seu rosto. O Rei Grey poderia ter sido solitário, mas Arthur Leywin tinha tudo o que importava. E ele queimaria o mundo inteiro antes de deixar que tirassem isso dele.
