
Amor
Fandom: Michael Jackson
Criado: 16/08/2026
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Acordes de Vidro e Veludo
O ar no clube underground de Los Angeles estava saturado com o cheiro de suor, cerveja barata e uma fumaça densa que parecia pulsar no ritmo dos amplificadores. Michael Jackson, escondido sob a aba de um chapéu de feltro e óculos escuros que pareciam grandes demais para seu rosto delicado, sentia-se um intruso naquele santuário de caos. Ele estava ali por um motivo: Quincy Jones lhe dissera que ele precisava de "fogo" para a nova faixa que estavam produzindo.
E o fogo estava bem ali, no centro do palco.
Maddy Perez não tocava a guitarra; ela a dominava. Seus dedos, adornados com anéis de prata, deslizavam pelas cordas com uma agressividade que beirava o erótico. Ela usava um top de renda preta que revelava mais do que escondia e uma calça de couro tão justa que parecia uma segunda pele. Entre um solo e outro, ela jogava a cabeça para trás, os cabelos escuros chicoteando o ar, e soltava uma risada que ninguém conseguia ouvir, mas que todos sentiam.
Michael estava hipnotizado. Ele nunca tinha visto alguém tão... livre. E tão perigosa.
— Ela é incrível, não é? — sussurrou Frank, seu segurança, tentando ser ouvido acima do barulho.
Michael apenas assentiu, incapaz de desviar o olhar. Quando o show terminou, ele sabia que não podia simplesmente ir embora. Ele precisava daquela energia em Beat It.
O camarim era um cubículo imundo. Maddy estava sentada em um amplificador, limpando o suor do pescoço com uma toalha suja enquanto acendia um cigarro. A porta se abriu e ela nem se deu ao trabalho de olhar.
— Se for o dono do bar querendo o aluguel, diga que ele pode ir para o inferno — disse ela, a voz rouca e carregada de desdém.
— Na verdade... eu não sou o dono do bar.
Maddy congelou. Aquela voz era suave, quase um sussurro, melódica demais para aquele ambiente. Ela levantou os olhos, as pálpebras pesadas pela maquiagem borrada e, talvez, por algo mais forte que a nicotina. Diante dela estava o homem mais famoso do planeta, parecendo um cervo assustado em meio a lobos.
— Puta merda — Maddy soltou uma lufada de fumaça, um sorriso lento e predatório surgindo em seus lábios. — Você é o garoto do comercial de Pepsi.
Michael corou instantaneamente, a ponta de seus dedos brincando com a borda da jaqueta vermelha.
— Eu sou o Michael. Eu... eu vi você tocar. Você é extraordinária.
Maddy se levantou, caminhando até ele com uma confiança que o fez recuar um passo. Ela cheirava a perfume caro, tabaco e algo químico. Ela parou a centímetros dele, soprando a fumaça deliberadamente no rosto dele. Michael tossiu levemente, mas não desviou o olhar.
— E o que o Rei do Pop quer com uma guitarrista de sarjeta como eu, Michael? — Ela pronunciou o nome dele como se estivesse provando um doce proibido.
— Eu estou gravando uma música. Chama-se Beat It. Ela precisa de um solo... algo que soe como uma briga de rua, mas com alma. Eu quero que você toque nela.
Maddy soltou uma risada curta, jogando a cabeça para trás.
— Você quer que eu limpe minha guitarra para tocar em um álbum de disco?
— Não é disco — ele disse, com uma súbita firmeza na voz que a surpreendeu. — É rock. É fogo. E eu acho que você é a única pessoa que pode me dar isso.
Maddy o observou por um longo tempo. Ele era tão doce, tão puro, com aqueles olhos grandes e expressivos que pareciam pedir proteção. Ela sentiu uma vontade súbita de corrompê-lo, de ver o que aconteceria se ela arrastasse aquele anjo para o seu inferno particular.
— Tudo bem, Michael. Eu aceito. Mas aviso logo: eu não sigo regras.
As sessões de gravação no Westlake Studios tornaram-se o ponto alto e, ao mesmo tempo, o mais aterrorizante da vida de Michael. Maddy chegava sempre atrasada, muitas vezes com as pupilas dilatadas e um humor volátil. Ela trazia consigo uma aura de perigo que Michael achava viciante.
— Você está tenso, Applehead — disse Maddy, entrando na cabine de gravação onde Michael praticava alguns passos.
Ela se aproximou dele, segurando um pequeno frasco de pó branco. Michael franziu a testa, a preocupação estampada em seu rosto jovem.
— Maddy, você não deveria... isso faz mal para você.
— O que faz mal é viver nessa bolha de plástico que você chama de vida — ela retrucou, guardando o frasco e puxando-o pela gola da jaqueta. — Você precisa relaxar. O mundo não vai acabar se você perder o controle por um segundo.
— Eu não gosto de perder o controle — ele sussurrou, a respiração falhando enquanto o rosto dela se aproximava do dele.
— Eu sei. É por isso que é tão divertido assistir.
Ela o beijou. Foi um choque térmico. O beijo de Maddy tinha gosto de menta e perigo. Michael, que sempre fora tão contido, sentiu um calor desconhecido subir por sua espinha. Suas mãos, trêmulas, encontraram a cintura dela, puxando-a para mais perto. Maddy soltou um gemido baixo, a mão descendo para a nuca dele, os dedos se enroscando nos cachos pretos.
Naquele momento, o mundo lá fora — as vendas, a imprensa, a pressão — desapareceu. Só existia o caos dela e a necessidade dele.
No entanto, a bolha de Michael não era habitada apenas por ele. Poucos dias depois, Prince, o rival que a mídia adorava alimentar, apareceu no estúdio para uma visita "cortesia". Prince exalava uma sensualidade andrógina e uma confiança que rivalizava com a de Maddy.
Maddy estava encostada na mesa de som, afinando sua Fender, quando Prince entrou. Ele a olhou de cima a baixo, um sorriso de lado brincando em seus lábios.
— Então você é a nova arma secreta do Michael? — perguntou Prince, a voz aveludada carregada de segundas intenções.
— E você deve ser o cara que acha que roxo é a única cor do arco-íris — rebateu Maddy, sem sequer olhar para ele.
Prince riu, aproximando-se dela. Ele estendeu a mão e tocou uma das cordas da guitarra dela, os dedos roçando nos dela.
— Você tem técnica. Mas falta um pouco de... tempero. Eu poderia te mostrar algumas coisas.
Michael, que observava da cabine de vidro, sentiu o sangue ferver. Ele nunca fora um homem de confrontos, mas ver a maneira como Prince olhava para Maddy, a forma como ele invadia o espaço dela, despertou algo primitivo em seu peito. Ele saiu da cabine rapidamente.
— Prince — disse Michael, a voz mais fria do que o normal. — Nós estamos no meio de uma sessão.
— Calma, Mike. Só estava dando as boas-vindas à moça — Prince se virou, mas não antes de piscar para Maddy. — Nos vemos por aí, guitarrista.
Quando Prince saiu, o silêncio no estúdio era pesado. Michael caminhou até Maddy, seus olhos escuros brilhando com uma intensidade que ela nunca vira.
— O que foi aquilo? — perguntou ele.
— O quê? Ele estava só sendo um idiota — Maddy deu de ombros, embora estivesse secretamente gostando da reação dele.
— Ele estava tocando em você.
— Você está com ciúmes, Michael? — Ela sorriu, deixando a guitarra de lado e caminhando até ele.
— Eu não gosto que as pessoas toquem no que é... — Ele parou, a palavra "meu" morrendo em sua garganta.
Maddy o prensou contra a mesa de som, suas mãos subindo pelo peito dele, sentindo o coração de Michael martelar descontrolado.
— No que é seu? — ela provocou, a voz caindo para um sussurro rouco. — Então prove que eu sou sua.
Michael não hesitou dessa vez. Ele a pegou pela cintura e a sentou sobre a mesa de som, derrubando alguns papéis com letras de músicas no chão. O beijo foi urgente, faminto. Ele estava cansado de ser o "garoto fofo". Com Maddy, ele podia ser o homem que guardava trancado sob camadas de timidez.
Ele puxou a blusa dela, revelando a pele pálida marcada por pequenas tatuagens. Suas mãos, tão famosas por sua delicadeza na dança, agora exploravam o corpo de Maddy com uma possessividade nova. Maddy arqueou as costas, suas unhas cravando-se nos ombros de Michael através da jaqueta.
— Michael... — ela arfou, surpresa com a força dele.
— Shhh — ele murmurou contra o pescoço dela, deixando beijos úmidos que a faziam estremecer. — Esqueça o Prince. Esqueça o mundo.
Ele a despiu com uma urgência que contrastava com sua imagem pública. No estúdio escuro, iluminado apenas pelas luzes vermelhas e verdes da mesa de som, Michael mergulhou no caos de Maddy. Ele a possuiu com uma intensidade que a deixou sem fôlego, um encontro de dois mundos opostos que, por um momento, faziam todo o sentido do mundo.
Maddy sentia o suor dele contra sua pele, o ritmo dele que era tão perfeito quanto suas batidas de dança. Ela percebeu que, por trás daquela fachada de inocência, havia um homem com uma profundidade que ela nunca seria capaz de esgotar.
Horas depois, deitados no chão do estúdio sobre um cobertor improvisado, Maddy acendeu outro cigarro, a luz da ponta acesa refletindo nos olhos de Michael.
— Você vai se arrepender disso amanhã — disse ela, soprando a fumaça para o teto. — Você é o anjo da América, Michael. E eu sou a garota que usa drogas e toca rock pesado.
Michael se inclinou, beijando o ombro dela, o olhar suave novamente, mas com uma nova centelha de determinação.
— Talvez os anjos precisem aprender a voar no escuro às vezes, Maddy.
Ela sorriu, passando a mão pelo rosto dele. Ela sabia que aquele relacionamento era um desastre anunciado, uma colisão de planetas que deixaria apenas destroços. Mas, enquanto a música de Beat It ecoava em suas mentes, nenhum dos dois se importava.
— Toca para mim de novo — pediu Michael, apontando para a guitarra.
Maddy se levantou, nua e magnífica na penumbra, e pegou o instrumento. O primeiro acorde que ela tocou foi distorcido, sujo e absolutamente perfeito. Michael sorriu. Ele tinha encontrado seu fogo. E, embora soubesse que poderia se queimar, ele nunca estivera tão disposto a arder.
