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Amor à três

Fandom: Marvel

Criado: 17/08/2026

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RomanceDramaOmegaversoSombrioEstudo de PersonagemRealismo
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Investimento de Risco

O bar The Gilded Cage não era o tipo de lugar onde se encontrava pessoas comuns. Localizado na cobertura de um dos edifícios mais caros de Manhattan, o ambiente era uma sinfonia de veludo azul-petróleo, iluminação âmbar e o tilintar discreto de cristais Baccarat. Joel Burguês, no entanto, não era um homem comum. Como CEO da Burguês International, ele exalava o tipo de autoridade que fazia o ar ao seu redor parecer mais denso. Seu aroma de alfa — sândalo, couro e o cheiro metálico de poder — era uma assinatura silenciosa que afastava os fracos e atraía os ambiciosos.

Joel girou o líquido âmbar em seu copo de uísque envelhecido, observando o movimento através da parede de vidro que revelava as luzes da cidade. Ele não estava ali para negócios, nem para prazer, apenas para o silêncio. Mas o silêncio foi interrompido por uma risada, algo genuíno e vibrante que cortou a atmosfera austera do lounge.

Ele virou o rosto levemente e os viu.

Eram dois. Um contraste fascinante. O primeiro, Victor, tinha uma presença magnética, com ombros largos e um olhar que parecia desafiar o mundo, embora suas roupas — um blazer de linho um pouco gasto demais nas cotovelos — denunciassem que ele não pertencia àquele estrato social. O segundo, Daniel, era mais suave, com olhos expressivos e um sorriso que parecia iluminar o canto escuro onde estavam sentados. Eles dividiam um único coquetel, revezando o canudo enquanto conferiam o que parecia ser uma planilha de gastos no celular.

Joel sentiu um puxão instintivo. Não era apenas atração física; era a percepção de potencial não lapidado. Ele se levantou, ajeitando o paletó sob medida de três mil dólares, e caminhou até a mesa deles com a calma de um predador que já sabe que a presa não tem para onde ir.

— É um erro estratégico dividir uma bebida quando a carta deste bar oferece experiências muito melhores individualmente — disse Joel, sua voz um barítono rico que fez os dois jovens olharem para cima imediatamente.

Victor estreitou os olhos, a postura defensiva de quem já tinha sido humilhado por homens de terno antes.

— O senhor está fiscalizando nossa conta ou apenas gosta de dar conselhos não solicitados? — perguntou Victor, embora houvesse uma nota de curiosidade sob o sarcasmo.

Joel sorriu, um gesto lento que não chegou aos olhos, mas que carregava uma promessa.

— Eu sou um investidor, meu jovem. E reconheço quando algo, ou alguém, está operando abaixo de sua capacidade por falta de capital.

Ele fez um sinal para o garçom, que apareceu instantaneamente, como se tivesse sido conjurado.

— Traga uma garrafa do Macallan 1946 e dois dos coquetéis mais complexos que seu mixologista puder preparar. E coloque na minha conta.

Daniel abriu a boca, surpreso, enquanto Victor tentava manter a fachada de indiferença.

— Nós não pedimos isso — murmurou Daniel, a voz suave carregada de uma timidez que fez o instinto protetor de Joel vibrar.

— Considerem um adiantamento — Joel puxou uma cadeira e sentou-se, cruzando as pernas com elegância. — Eu sou Joel Burguês. E vocês dois são a coisa mais interessante que vi neste prédio nos últimos seis meses.

— Victor — disse o mais alto, ainda cauteloso, mas claramente intrigado pelo nome que dominava as manchetes do setor financeiro. — E este é o Daniel.

— Muito prazer — Joel estendeu a mão, e o toque, quando apertaram as mãos, foi carregado de uma eletricidade estática que fez Daniel corar até a raiz do cabelo. — Diga-me, o que dois rapazes como vocês fazem num lugar onde o gelo custa mais que o jantar de um homem comum?

— Viemos comemorar — explicou Daniel, ganhando confiança. — O Victor conseguiu uma entrevista numa empresa de tecnologia e eu... bem, eu passei em mais um semestre da faculdade de artes.

— Comemorar com um único copo? — Joel arqueou uma sobrancelha. — Isso é quase um insulto ao sucesso de vocês.

— É o que o orçamento permite — rebateu Victor, recostando-se na cadeira. — Nem todo mundo nasce com um império, Sr. Burguês.

— Joel, por favor — corrigiu ele. — E eu concordo. O esforço é louvável, mas a escassez é um freio para o talento. Victor, você tem mãos de quem trabalha duro, mas olhos de quem quer comandar. E Daniel, você tem a aura de alguém que deveria estar criando obras-primas, não contando moedas para o metrô.

O garçom retornou com as bebidas. Joel serviu o uísque para si e observou os dois experimentarem os coquetéis caros. O brilho nos olhos deles ao sentirem o sabor da verdadeira qualidade foi o suficiente para selar a decisão de Joel.

— Eu tenho uma proposta para vocês — disse Joel, baixando o tom de voz, tornando o momento subitamente íntimo.

— Que tipo de proposta? — Victor perguntou, a voz ficando mais rouca.

— Eu não gosto de ver potencial desperdiçado. E, francamente, eu tenho mais recursos do que tempo para gastá-los. Quero ser o patrono de vocês.

Daniel franziu a testa, confuso.

— Como um... investidor anjo?

— Mais como um Sugar Daddy, se quisermos usar o vernáculo moderno — Joel foi direto, observando a reação deles. — Eu cuido das contas. Apartamento, roupas, mensalidades, as melhores ferramentas para o seu trabalho. Em troca, eu quero a companhia de vocês. Quero ver o crescimento de ambos de perto. Quero ser o Alfa que provê, enquanto vocês se tornam as melhores versões de si mesmos sob minha asa.

O silêncio caiu sobre a mesa. Victor olhou para Daniel, uma conversa silenciosa passando entre eles. Havia orgulho ali, mas também o cansaço de quem lutava contra a maré todos os dias.

— Por que nós? — Victor perguntou finalmente. — Você poderia ter qualquer um.

— Porque vocês têm fogo — Joel inclinou-se para a frente, o aroma de sândalo envolvendo os dois. — E porque eu não quero alguém que já tenha tudo. Eu quero ser o homem que dá o mundo a vocês e observa como vocês o conquistam.

Daniel mordeu o lábio inferior, olhando para o luxo ao redor e depois para o homem imponente à sua frente.

— E o que exatamente você espera de nós... na intimidade? — Daniel perguntou, o rosto queimando.

— Espero lealdade. Espero verdade. E espero que, quando estivermos a portas fechadas, vocês me permitam cuidar de cada necessidade que vocês sequer sabiam que tinham — Joel estendeu a mão sobre a mesa, a palma voltada para cima. — Não é apenas sobre sexo, embora eu garanto que nenhum de nós ficará insatisfeito. É sobre um novo estilo de vida. Sem preocupações. Apenas ascensão.

Victor olhou para a mão de Joel e depois para Daniel. Ele viu a esperança nos olhos do amigo, a chance de parar de se preocupar com o aluguel atrasado e focar no que realmente importava. Victor colocou sua mão sobre a de Joel.

— E se a gente aceitar? O que acontece amanhã?

Joel sorriu, desta vez de forma predatória e satisfeita.

— Amanhã, vocês deixam suas malas onde estão. Um carro virá buscá-los às dez. Vamos renovar o guarda-roupa de vocês na Quinta Avenida e depois visitaremos o novo apartamento de vocês no Upper East Side.

Daniel colocou sua mão por cima da de Victor e Joel, fechando o círculo.

— Isso parece... um sonho — sussurrou Daniel.

— Não, querido — Joel disse, fechando os dedos sobre as mãos deles, prendendo-os em seu domínio. — Isso é apenas o começo do nosso contrato.

O resto da noite foi um borrão de luxo e promessas. Joel os levou para jantar em um restaurante que exigia reservas com meses de antecedência, mas que abriu uma mesa privada assim que ele apareceu na porta. Ele observou, com um prazer quase paternal misturado com uma possessividade crescente, enquanto eles provavam iguarias que mal sabiam pronunciar.

— Vocês dois formam uma bela dupla — comentou Joel, observando como Victor protegia Daniel, e como Daniel trazia uma suavidade que equilibrava a agressividade de Victor. — Eu acho que nos daremos muito bem.

— Você é sempre assim? — Victor perguntou, relaxado pelo vinho caro. — Tão... no controle?

— É o meu estado natural — Joel respondeu, fixando o olhar em Victor. — Mas estou ansioso para ver como vocês vão me desafiar. Um Alfa precisa de estímulo, Victor. E eu sinto que você vai me dar muito trabalho.

Victor deu um sorriso de lado, um desafio silencioso aceito.

— E quanto a mim? — Daniel perguntou, sentindo-se um pouco deixado de lado na troca de faíscas entre os dois Alfas (embora Victor fosse um Beta com atitude de Alfa).

Joel estendeu a mão e acariciou o rosto de Daniel com o polegar.

— Você, Daniel, será o meu refúgio. A beleza que eu vou proteger a todo custo.

Ao final da noite, na calçada enquanto o Bentley de Joel encostava, ele entregou a cada um um cartão preto, sem limites.

— Usem para o que precisarem até amanhã. Não quero ver vocês economizando em nada.

— Joel... — Daniel começou, olhando para o cartão como se fosse um artefato alienígena.

— Não comece a contestar agora, Daniel — Joel interrompeu com um tom de comando suave. — A partir de hoje, a palavra "caro" não faz mais parte do vocabulário de vocês.

Ele se aproximou e deu um beijo casto na testa de Daniel e um aperto firme no ombro de Victor, um gesto que marcou sua reivindicação sobre ambos diante das luzes de Nova York.

— Até amanhã, rapazes. Estejam prontos para mudar de vida.

Enquanto o carro se afastava, Victor e Daniel ficaram parados na calçada, segurando os cartões que pesavam mais do que qualquer coisa que já tivessem possuído.

— O que a gente acabou de fazer? — Daniel perguntou, a voz trêmula entre o medo e a excitação.

Victor olhou para o cartão e depois para a direção onde o carro de Joel desaparecera.

— A gente acabou de ganhar a loteria, Dani. E acho que o preço vai ser muito mais prazeroso do que a gente imagina.

Joel, no banco de trás do carro, observava os dois pelo retrovisor até sumirem de vista. Ele abriu o tablet e começou a cancelar as reuniões da manhã seguinte. Ele tinha novos investimentos para cuidar, e estes eram, de longe, os mais promissores de sua vasta carreira. Ele seria o mestre, o provedor e o amante deles. E, no mundo de Joel Burguês, ele sempre conseguia o que queria.

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