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voce e meu

Fandom: marido rico

Criado: 17/08/2026

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O Reflexo de um Novo Destino

O closet principal da mansão em Mônaco era maior do que o antigo quarto de Lily na casa de seus pais. As paredes revestidas de camurça clara, a iluminação embutida suave e as prateleiras de vidro exibiam uma coleção de roupas e acessórios que Lily, às vezes, ainda tinha dificuldade de acreditar que eram seus. Não pelo valor monetário — embora as etiquetas fossem de grifes renomadas —, mas pelo que representavam: a liberdade de ser quem ela quisesse, sem o peso das críticas que a perseguiram na juventude.

Lily deslizou os dedos por um vestido de seda em tom creme, mas seu coração batia um pouco mais rápido que o normal. Hoje não era um dia comum. Hoje era o aniversário de Antonio, seu sobrinho, filho de Lexi. Lexi e sua mãe, Hanah, eram os únicos portos seguros em uma família que, por anos, a tratou como um acessório sem brilho, uma peça que não se encaixava no quebra-cabeça de sucesso que os Zneimer ostentavam.

— A senhora está deslumbrante, dona Lily. Mas esse vestido azul-marinho que a senhora separou antes... acho que combinaria perfeitamente com as safiras que o senhor Piastri lhe deu no Natal.

Lily virou-se, abrindo um sorriso doce para Agatha. A governanta era mais do que uma funcionária; era a confidente que presenciava a rotina tranquila do casal quando as portas se fechavam para o mundo exterior.

— Você acha, Agatha? — Lily suspirou, olhando para a peça azul. — Eu não quero parecer... demais. Sabe como eles são. Se eu apareço simples, dizem que não estou à altura do Oscar. Se apareço elegante, dizem que estou tentando ostentar o dinheiro dele.

Agatha aproximou-se, pegando as mãos de Lily com carinho.

— Com todo o respeito, minha querida, a senhora não precisa provar nada. O brilho que a senhora tem não vem do cofre do banco. E o senhor Oscar... bem, ele ficaria orgulhoso de vê-la até de pijama, mas sabemos que ele adora quando a senhora se sente poderosa.

Lily riu baixo, a tensão nos ombros diminuindo um pouco. Ela olhou para a caixa de presente sobre a poltrona: um conjunto de pistas de corrida motorizadas e um relógio infantil de colecionador para Antonio. Ela sabia que os outros familiares olhariam torto, mas Lexi ficaria feliz.

Nesse momento, o som suave do elevador privativo ecoou pelo corredor, seguido por passos firmes e calmos. Lily não precisou olhar para saber quem era. O ar parecia mudar quando Oscar chegava; havia uma sensação de segurança que a envolvia instantaneamente.

Oscar Jack Piastri entrou no closet, desfazendo o nó da gravata de seda cinza. Ele ainda vestia o terno do trabalho, um corte italiano impecável que abraçava seus ombros atléticos. Ao ver a esposa, seus olhos claros, geralmente analíticos e frios nas mesas de negociação, suavizaram-se em uma expressão de pura adoração.

— Oi, querida — disse ele, caminhando até ela e depositando um beijo terno em sua testa, ignorando completamente a presença de Agatha, que se retirou com um aceno discreto.

— Você chegou cedo — Lily comentou, ajeitando a gola da camisa dele. — Achei que a reunião com os investidores de Cingapura fosse durar até mais tarde.

— Eu disse a eles que tinha um compromisso inadiável — Oscar respondeu, envolvendo a cintura dela com os braços, puxando-a para perto. — O aniversário do meu sobrinho favorito e, mais importante, o bem-estar da minha esposa.

Lily encostou a cabeça no peito dele, sentindo o perfume familiar de sândalo e sucesso.

— Oscar... eu estou nervosa. Você sabe como é o clima com meus tios e primos. Eles sempre encontram um jeito de me fazer sentir pequena.

Oscar afastou-se apenas o suficiente para olhar nos olhos dela. Sua expressão era séria, mas carregada de uma doçura que ele reservava apenas para ela.

— Lily, olhe para mim. — Ele esperou que ela focasse em seus olhos. — Você é Lily Zneimer Piastri. Você é a mulher mais inteligente, gentil e incrível que eu conheço. Se alguém naquela festa ousar dizer o contrário, eles não estarão apenas insultando você, estarão demonstrando a própria ignorância. Eu estarei lá o tempo todo. Se você quiser ir embora em cinco minutos, nós iremos. Mas não deixe que eles tirem o seu brilho.

— Você sempre sabe o que dizer — sussurrou ela, sentindo-se um pouco mais corajosa.

— Eu apenas digo a verdade — ele sorriu, dando um beijo rápido em seus lábios. — Agora, dê-me dez minutos para um banho e para trocar de roupa. Vou usar algo mais casual para não assustar tanto as crianças, o que acha?

— Um "casual" da sua parte ainda é um conjunto de linho que custa mais que o carro de muita gente, Oscar — ela brincou, empurrando-o levemente em direção ao banheiro.

— Detalhes, querida. Apenas detalhes.


Cerca de uma hora depois, o Bentley preto de Oscar parou em frente à propriedade da família Zneimer. O jardim estava decorado para a festa de Antonio, e o som de conversas altas e música ambiente chegava até o carro.

Oscar saiu primeiro, contornando o veículo para abrir a porta para Lily. Ele estendeu a mão, ajudando-a a descer com a elegância de um cavalheiro de outra época. Lily usava o vestido azul-marinho, seus cabelos castanhos ondulados caíam perfeitamente sobre os ombros e a câmera fotográfica — sua fiel companheira — estava pendurada no ombro.

— Pronta? — perguntou Oscar, posicionando a mão firmemente na base das costas dela, um gesto de proteção que ele sempre fazia em público.

— Pronta — ela respirou fundo.

Assim que entraram no jardim, o burburinho diminuiu por um instante. A presença de Oscar Piastri nunca passava despercebida. Ele era o homem cujas decisões movimentavam mercados, o CEO que todos queriam ter como aliado. Mas ali, ele era apenas o marido de Lily.

— Lily! Você veio! — Lexi correu ao encontro da irmã, abraçando-a com força. — E Oscar, que prazer ver você.

— Parabéns pelo Antonio, Lexi — disse Oscar com um sorriso genuíno. — Onde está o pequeno campeão?

Enquanto Lexi guiava Lily para ver o sobrinho, Oscar permaneceu um passo atrás, observando. Ele notou imediatamente os olhares atravessados de uma tia de Lily e os sussurros de dois primos no canto do bar.

— Ora, se não é a nossa Lily — disse a Tia Margareth, aproximando-se com um sorriso que não chegava aos olhos. — E trouxe o marido famoso. Espero que ele não esteja muito entediado em uma festa tão... familiar. Afinal, deve ser difícil sair de Mônaco para vir a um subúrbio.

Lily apertou a alça da bolsa, sentindo a velha timidez querer aflorar.

— Mônaco é apenas onde moramos, tia. A família da Lexi é o que importa hoje.

— Claro, claro — Margareth continuou, olhando para o vestido de Lily. — Bonito vestido. É de alguma coleção passada? Lembro-me de ter visto algo parecido em uma liquidação.

Antes que Lily pudesse se sentir diminuída, a voz de Oscar soou, calma e fria como aço.

— Na verdade, Margareth — Oscar deu um passo à frente, a mão ainda nas costas de Lily —, este vestido foi feito sob medida para Lily por um estilista amigo nosso em Paris. É uma peça única, assim como ela. E quanto a estarmos aqui, eu não trocaria este momento por nenhum evento de gala no mundo. Lily fala com tanto carinho da irmã e do sobrinho que eu fiz questão de desmarcar minha agenda.

A tia engoliu em seco, intimidada pela autoridade natural que Oscar emanava sem sequer elevar o tom de voz.

— Ah, sim... claro, Oscar. Lily sempre teve sorte.

— Sorte não — corrigiu Oscar, olhando para a esposa com orgulho. — Mérito. Ela construiu a vida dela com uma dignidade que poucos aqui conseguem compreender. Com licença, vamos ver o aniversariante.

Eles se afastaram, e Lily soltou um suspiro de alívio.

— Obrigada por isso.

— Eu não fiz nada além de pontuar o óbvio — Oscar sussurrou no ouvido dela. — Agora, por que você não tira algumas fotos? Vi que a luz perto das macieiras está perfeita para o que você gosta de fotografar.

Lily sorriu, animada. Ela adorava fotografia e tinha um olhar sensível para momentos espontâneos. Durante a hora seguinte, ela se perdeu na arte, capturando o riso de Antonio, a alegria de Lexi e até a serenidade de sua mãe, Hanah.

Oscar, por sua vez, agia como o suporte perfeito. Ele conversava educadamente com quem se aproximava, mas seus olhos nunca perdiam Lily de vista. Quando um empresário local tentou abordá-lo para falar de negócios, Oscar foi educado, mas firme.

— Sinto muito, senhor, mas hoje não sou o CEO da Piastri Holdings. Hoje sou apenas o marido da Lily e o tio do Antonio. Podemos marcar uma reunião com minha secretária na segunda-feira.

Lily, que ouvia de longe enquanto ajustava o foco da câmera, sentiu o coração transbordar. Ele não precisava ser o homem mais poderoso da sala, mas fazia questão de ser o homem que ela merecia.

Mais tarde, quando a festa estava chegando ao fim e Antonio já estava exausto de tanto brincar com as pistas de corrida que o tio lhe dera, Lily e Oscar se despediram de Lexi e Hanah.

— Você foi incrível hoje — disse Hanah, abraçando a filha. — E obrigada, Oscar, por cuidar tão bem dela.

— É a minha missão favorita, Hanah — respondeu ele sinceramente.

Já no carro, voltando para o silêncio luxuoso de sua casa, Lily encostou a cabeça no ombro de Oscar. O motorista dirigia suavemente pelas ruas sinuosas.

— Sabe — começou Lily, a voz baixa —, por muito tempo eu acreditei no que eles diziam. Que eu não teria ninguém, que eu era... insuficiente.

Oscar pegou a mão dela e beijou os nós dos dedos.

— Eles projetavam em você as próprias frustrações, Lily. Eles viam a sua luz e tentavam apagá-la porque ela revelava a sombra deles.

— Eu sei disso agora. Porque você me mostrou.

— Eu não mostrei nada, querida. Eu apenas segurei o espelho para que você pudesse se ver como eu te vejo.

Lily sorriu, sentindo-se em paz. Ela pegou sua câmera e começou a passar as fotos que tirara durante o dia. Havia uma, em especial, que a fez parar. Era uma foto espontânea de Oscar. Ele estava distraído, olhando para ela de longe enquanto ela brincava com Antonio. A expressão em seu rosto era de um amor tão profundo e absoluto que não precisava de palavras, mansões ou bilhões de dólares para ser explicado.

— Essa é a minha favorita — ela disse, mostrando a tela para ele.

Oscar olhou para a imagem e depois para a mulher ao seu lado.

— E a minha favorita — ele disse, puxando-a para um beijo — é a que eu vejo agora.

Para o mundo, ele era o império. Para ela, ele era o lar. E naquela noite, sob o céu estrelado de Mônaco, Lily Zneimer Piastri teve a certeza de que a maior riqueza que possuíam não estava nos bancos, mas na lealdade silenciosa e eterna que compartilhavam.

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