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meu amor por voce

Fandom: pais ricos e amorosos

Criado: 18/08/2026

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O Refúgio nos Braços do Papai

O sol de Mônaco filtrava-se suavemente pelas enormes janelas de vidro do triplex da família Piastri, banhando a sala de estar em tons de dourado. No entanto, dentro da imensa residência, o clima era de uma quietude atípica e cautelosa. Oscar Piastri, geralmente o primeiro a sair para o complexo de escritórios de sua holding bilionária, havia decidido despachar de casa naquele dia. O motivo não era uma crise no mercado financeiro, mas sim uma pequena crise doméstica: Anna, sua filha de sete anos, acordara com febre, coriza e uma sensibilidade sensorial aguçada pela gripe.

No quinto andar, onde ficava o escritório principal de Oscar, o silêncio era absoluto, interrompido apenas pelo som rítmico de seus dedos no teclado e pelo zumbido suave do ar-condicionado central. Oscar ajustou os óculos e suspirou, tentando se concentrar em um contrato de fusão, mas seus ouvidos estavam atentos a qualquer som vindo do andar de baixo.

Enquanto isso, no terceiro andar, a situação era mais delicada. Anna estava encolhida em seu ninho de mantas de seda e algodão orgânico no sofá da sala de TV. Seus olhos claros estavam marejados e o narizinho, levemente avermelhado, denunciava o mal-estar.

— Querida, tente tomar só mais um pouquinho de suco de maçã? — Lily Zneimer pediu com a voz mais doce que conseguia projetar, ajoelhada ao lado da filha. Ela segurava um copo de transição com canudo, sabendo que a textura do vidro poderia incomodar Anna naquele momento.

Anna balançou a cabeça negativamente, escondendo o rosto em uma almofada de veludo.

— Não, mamãe. Dói.

— Eu sei que dói, meu anjo — Lily acariciou os cabelos castanhos claros da menina, sentindo o calor da febre sob a palma da mão. — Mas o suco vai ajudar a garganta a esfriar.

Agatha, a governanta de longa data da família e uma presença constante e reconfortante, aproximou-se silenciosamente com uma toalha úmida e fresca.

— Senhora Piastri, preparei a compressa que o médico sugeriu — disse Agatha em um tom baixo, respeitando a hipersensibilidade auditiva de Anna. — Quer que eu tente colocar nela?

Lily olhou para a governanta com um sorriso cansado, mas grato.

— Obrigada, Agatha. Vamos tentar.

Mas, assim que a toalha fresca tocou a testa de Anna, a menina se encolheu ainda mais. O choque térmico, embora leve, foi demais para seu sistema nervoso já sobrecarregado pela doença.

— Não! Papai... eu quero o papai — Anna murmurou, a voz embargada pelo choro iminente.

Lily sentiu um aperto no coração. Ela amava a conexão profunda que Anna tinha com Oscar, mas sabia que o marido estava em uma videoconferência importante com investidores de Cingapura.

— O papai está trabalhando lá em cima, meu amor. Ele precisa terminar uma reunião — explicou Lily, tentando puxar a filha para um abraço. — A mamãe está aqui. Vamos ler aquele livro sobre as estrelas que você gosta?

Anna começou a balançar o corpo levemente, um sinal claro de que estava entrando em uma sobrecarga sensorial. As luzes da sala, embora dimerizadas, pareciam brilhantes demais; o toque do lençol parecia áspero.

— Papai... segurança... eu quero o papai — Anna insistiu, as lágrimas agora rolando livremente.

Lily olhou para Agatha, que suspirou com simpatia.

— Ele disse que não queria ser interrompido, a menos que fosse uma emergência — lembrou a governanta.

— Para ela, isso é uma emergência — Lily disse, levantando-se com decisão. — Agatha, por favor, prepare aquele chá de camomila morno que ela tolera. Eu vou ver se o Oscar pode fazer uma pausa.

Lily subiu os dois lances de escada, evitando o elevador interno para não fazer barulho. Ao chegar à porta pesada de carvalho do escritório, ela hesitou por um segundo antes de girar a maçaneta lentamente.

Lá dentro, Oscar estava diante de três monitores gigantes, usando fones de ouvido com cancelamento de ruído. Ele parecia a imagem da eficiência corporativa, mas, no momento em que a porta se abriu e ele viu a expressão no rosto de Lily, sua postura mudou instantaneamente. Ele levantou um dedo para a câmera, sinalizando um "um momento" para os executivos do outro lado do mundo, e silenciou o microfone.

— O que houve? A febre aumentou? — perguntou ele, a voz carregada de preocupação imediata.

— Não, a temperatura está estável, mas ela entrou naquele estado de crise — Lily explicou, aproximando-se da mesa. — Ela não quer comer, não quer o remédio e está chamando por você. Eu tentei de tudo, Oscar, mas ela está muito sobrecarregada.

Oscar olhou para os gráficos de bilhões de dólares em suas telas e depois para a esposa. Não houve hesitação.

— Senhores, surgiu um imprevisto familiar inadiável. Retomamos em uma hora — disse ele em inglês para a tela, desligando a chamada antes mesmo de ouvir uma resposta.

Ele se levantou, tirando o paletó e jogando-o sobre a cadeira de couro.

— Onde ela está? — perguntou ele, já caminhando em direção à porta.

— Na sala de TV com a Agatha.

Eles desceram rapidamente. Quando entraram no ambiente, encontraram Anna sentada no chão, entre o sofá e a parede, um lugar que ela sempre buscava quando o mundo parecia "grande demais". Agatha estava a alguns metros de distância, vigiando silenciosamente.

Ao ver a figura alta e familiar do pai, os olhos de Anna brilharam através das lágrimas.

— Papai...

Oscar não disse nada de imediato. Ele se ajoelhou no tapete felpudo e estendeu os braços. Anna praticamente se jogou contra o peito dele, escondendo o rosto no pescoço do pai. Oscar a envolveu em um abraço firme — a pressão profunda que ele sabia que a acalmava quando ela estava desregulada.

— Shhh... eu estou aqui, passarinho — sussurrou Oscar, balançando-a suavemente de um lado para o outro. — O papai está aqui. O mundo está muito barulhento hoje, não é?

Anna assentiu contra a camisa social dele, suas mãos pequenas agarrando o tecido com força.

— Dói tudo — ela soluçou.

— Eu sei que dói. Mas nós vamos cuidar disso juntos — Oscar olhou para Lily e fez um sinal com a cabeça.

Lily entendeu o comando silencioso. Ela se aproximou com o copo de suco e a pequena dose de antitérmico que precisava ser administrada.

— Anna, olha para o papai — Oscar pediu suavemente, afastando-a apenas o suficiente para olhar em seus olhos claros, tão parecidos com os dele. — Você confia em mim?

— Confio — ela respondeu com a voz rouca.

— Então você vai tomar o "suco mágico" que a mamãe trouxe. Se você tomar, o papai leva você para o meu escritório e você pode dormir na minha poltrona grande enquanto eu trabalho. O que acha?

Anna considerou a proposta. O escritório do pai era seu lugar favorito na casa; era silencioso, tinha cheiro de papel novo e madeira, e ela se sentia invencível lá dentro.

— Promete? — ela perguntou, estendendo o dedinho mindinho.

— Promessa de Piastri — Oscar selou o pacto com o próprio mindinho.

Com a segurança da presença do pai, Anna aceitou o remédio e tomou alguns goles generosos do suco. Lily observava a cena com o coração transbordando. Ela nunca sentia ciúmes dessa conexão; pelo contrário, sentia um alívio profundo por saber que Anna tinha um porto seguro tão sólido no pai.

Oscar pegou a filha no colo, como se ela não pesasse nada, e olhou para a esposa.

— Lily, você pode pedir para a Agatha levar aquela manta pesada dela para o escritório? E talvez um pouco de sopa para mais tarde?

— Claro, querido. Vou providenciar tudo — Lily sorriu, aproximando-se para dar um beijo na testa de Anna e depois um selinho rápido em Oscar. — Obrigada por parar tudo por ela.

— Não precisa agradecer — Oscar disse seriamente. — Nada que eu faça naquele computador é mais importante do que ela se sentir segura.

Pelos próximos quarenta minutos, o escritório bilionário de Oscar Piastri transformou-se em uma enfermaria de luxo. Ele acomodou Anna em uma poltrona de camurça extra larga ao lado de sua mesa. Lily trouxe a manta pesada, que ajudava a acalmar o sistema nervoso de Anna, e Agatha trouxe um pequeno vaporizador com essência de lavanda.

Anna ficou ali, observando o pai trabalhar em silêncio. O som suave das teclas sendo pressionadas era, para ela, como uma canção de ninar. De vez em quando, Oscar esticava a mão e acariciava o pé da filha por cima da manta, apenas para lembrá-la de que ele ainda estava ali.

Lily entrou no quarto cerca de uma hora depois, trazendo uma bandeja com chá para Oscar e uma tigela de caldo morno para Anna. Ela parou à porta, observando a cena: o homem mais temido do setor de investimentos estava agora digitando com apenas uma das mãos, porque a outra estava sendo segurada por uma menina de pijama de coelhinhos que acabara de pegar no sono.

Lily caminhou silenciosamente e colocou a bandeja na mesa.

— Ela dormiu? — sussurrou Lily.

— Finalmente — Oscar respondeu, mantendo a voz no volume mínimo. — A febre parece estar baixando. O rosto dela está menos corado.

Lily deu a volta na mesa e parou atrás da cadeira de Oscar, massageando seus ombros.

— Você é um pai maravilhoso, sabia? Eu sei o quanto aquela reunião era importante.

Oscar inclinou a cabeça para trás, fechando os olhos por um momento para aproveitar o toque da esposa.

— Importante é relativo, Lily. O mercado vai estar lá amanhã. O crescimento dela, a confiança que ela tem na gente... isso não espera. Eu não quero que ela cresça achando que o trabalho do pai é uma barreira entre nós.

— Ela nunca vai achar isso — Lily afirmou com convicção. — Ela sabe que é o centro do nosso mundo.

— E você também é — Oscar disse, pegando a mão de Lily e beijando a palma. — Como você está? Sei que é exaustivo quando ela entra em crise e você tenta ajudar e ela recua.

Lily suspirou, sentando-se no braço da cadeira de Oscar.

— Às vezes é difícil não levar para o lado pessoal, mas eu entendo a neurodivergência dela. Eu sei que, naqueles momentos, ela não está me rejeitando; ela está apenas tentando sobreviver a um ambiente que se tornou hostil para os sentidos dela. Ver você acalmá-la me dá paz, não tristeza.

Oscar sorriu, admirando a maturidade e a doçura da mulher que escolhera para dividir a vida.

— Nós formamos um bom time, Sra. Piastri.

— O melhor — ela concordou.

Anna se mexeu na poltrona, soltando um suspiro baixinho. O efeito do remédio estava fazendo seu trabalho, e a respiração da menina estava mais profunda e regular. O ambiente no escritório era de uma serenidade absoluta, um contraste gritante com a agitação da cidade de Mônaco que pulsava lá fora.

— Vou deixar vocês dois — Lily disse, levantando-se. — Vou ajudar Agatha com o jantar. Quer que eu traga o seu aqui para cima?

— Por favor. Não quero sair do lado dela caso ela acorde assustada.

Lily deu um beijo no topo da cabeça de Oscar e depois se inclinou para beijar a bochecha de Anna, que nem se mexeu.

Enquanto Lily descia, ela se sentia imensamente grata. Anos atrás, sua própria família dizia que ela nunca encontraria alguém que a entendesse, que ela seria "demais" para qualquer homem suportar com sua sensibilidade. E agora, ali estava ela, em uma casa cheia de amor, casada com um homem que não apenas a entendia, mas que protegia com unhas e dentes a filha que era o reflexo de toda a doçura e complexidade deles.

No escritório, Oscar voltou sua atenção para a tela, mas seu foco principal continuava sendo o pequeno volume sob a manta pesada ao seu lado. Ele reduziu o brilho dos monitores para não incomodar o sono da filha e continuou seu trabalho em um silêncio reverente.

Para o mundo, ele era o CEO bilionário, o estrategista frio, o homem de negócios implacável. Mas ali, naquela sala, ele era apenas o papai da Anna, o homem que pararia o tempo se isso significasse que sua pequena passarinha pudesse dormir sem dor por mais uma hora.

A riqueza dos Piastri não estava nos cofres de Mônaco ou nas ações da bolsa de Nova York. Estava naquele silêncio compartilhado, na segurança de um abraço e na certeza de que, não importa o quão barulhento o mundo se tornasse, dentro daquelas paredes, Anna sempre encontraria o silêncio e o amor de que precisava para florescer.

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