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Jujutsu kaisen juai

Fandom: Jujutsu Kaisen

Criado: 18/08/2026

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Fios Vermelhos e Almas de Palha

O céu de Tóquio estava tingido por um cinza melancólico, a promessa de uma chuva que se recusava a cair. Para Hitoshi Konami, aquele clima era o reflexo perfeito de seu estado de espírito. Ele caminhava ao lado de Nobara Kugisaki, seus passos ecoando no asfalto úmido enquanto se aproximavam da entrada da Escola Jujutsu de Tóquio.

Hitoshi passou a mão pelos cabelos ruivos, sentindo a textura áspera da tinta que já começava a ceder. As raízes pretas estavam bem visíveis agora, um contraste gritante com o vermelho vibrante que ele escolhera meses atrás. Seus olhos, de um carmesim claro e afiado, varriam o ambiente com uma apatia calculada. Ele não dormia bem há dias — as olheiras profundas eram testemunhas silenciosas de sua insônia crônica.

— Você está com aquela cara de novo, Hitoshi — comentou Nobara, ajustando o cinto de suas ferramentas. — Parece que está carregando o peso do mundo nas costas. Anima-se, é o nosso primeiro dia oficial.

Hitoshi soltou um suspiro pesado, o som saindo como um chiado cansado.

— Não é peso, Nobara. É só... tédio. E falta de café.

Eles não tiveram muito tempo para apresentações formais. Assim que cruzaram os portões, foram recebidos por Satoru Gojo. O homem era uma presença impossível de ignorar, com sua venda branca e um sorriso que Hitoshi achou, de imediato, irritante demais para alguém que trabalhava com exorcismo de maldições.

— Que energia maravilhosa! — exclamou Gojo, batendo as palmas das mãos. — Nada como o frescor da juventude. Konami-kun, Kugisaki-san, bem-vindos. Mas não desfaçam as malas ainda. Temos um "teste de boas-vindas" em um prédio abandonado aqui perto. Uma criança desapareceu.

Hitoshi estreitou os olhos.

— Já? — perguntou ele, a voz fria e monocórdica. — Nem um formulário de admissão antes de arriscarmos a vida?

— O mundo das maldições não espera pela burocracia, meu caro! — Gojo deu um tapinha no ombro de Hitoshi, que se encolheu levemente com o contato.

No local da missão, a atmosfera mudou. O prédio cheirava a mofo e a algo muito pior: o odor metálico de medo humano acumulado. Hitoshi sentiu um calafrio percorrer sua espinha, mas não de pavor. Era uma sensação familiar, quase reconfortante em sua morbidez. Ele era um masoquista, afinal; a dor e o desconforto eram os únicos momentos em que se sentia verdadeiramente acordado.

Lá dentro, encontraram os outros dois calouros. Megumi Fushiguro mantinha uma postura rígida e séria, algo que Hitoshi respeitou imediatamente. Já Yuji Itadori era um turbilhão de energia caótica.

— Então vocês são os novos? Prazer, sou o Itadori! — O garoto de cabelos rosados sorriu, mas Hitoshi estacou.

Ele sentiu. No fundo da alma de Itadori, algo vasto, sombrio e infinitamente maligno espreitava. Uma presença que fazia seus próprios instintos de manipulação emocional vibrarem como cordas de violão tensionadas. Ryomen Sukuna estava ali.

— Você é... barulhento — disse Hitoshi, desviando o olhar para Megumi. — E você parece o único com bom senso aqui.

— Eu tento — respondeu Megumi, breve.

Enquanto exploravam o prédio, Itadori soltou um comentário impensado sobre Nobara, chamando-a de "meio chata e mandona" por causa de suas exigências sobre as compras em Tóquio.

Hitoshi parou de andar. Ele se virou para Itadori, seus olhos vermelhos brilhando com uma intensidade perigosa sob a luz fraca das lanternas.

— Retire o que disse — disse Hitoshi, a voz baixa, mas carregada de uma autoridade gélida.

— Hein? Eu só estava brincando... — Itadori começou, confuso.

— Ela é minha prima. E, ao contrário de você, ela tem um propósito claro aqui. Se falar dela assim de novo, eu vou garantir que a próxima emoção que você sinta seja um desespero tão profundo que vai esquecer como se respira.

O clima pesou. Até Itadori engoliu em seco, percebendo que o ruivo não estava brincando. Nobara, por sua vez, deu um sorriso de canto, cruzando os braços.

— Deixa pra lá, Hitoshi. Ele é só um idiota. Vamos focar na criança.

Hitoshi fechou os olhos por um segundo, sintonizando sua técnica amaldiçoada. Ele não via apenas a energia amaldiçoada; ele sentia o rastro de terror deixado pelas vítimas.

— Ali — apontou Hitoshi para um armário embutido no final do corredor. — O medo dela está estagnado. Está paralisada.

Ele caminhou até o local e abriu a porta. Uma menina de cerca de seis anos estava encolhida, os olhos arregalados. Antes que ela pudesse gritar, Hitoshi colocou a mão suavemente sobre o ar à frente dela.

— Calma — sussurrou ele. — Saturação de Serenidade.

Uma onda invisível de energia emanou de seus dedos. O terror nos olhos da menina foi substituído por uma calma súbita e artificial, permitindo que ela soltasse o ar que prendia.

— Pegue-a, Nobara — ordenou ele.

Assim que Nobara protegeu a criança, a maldição se revelou. Era uma criatura disforme, composta por membros alongados e uma boca que murmurava lamentos incompreensíveis. Ela saltou do teto, pronta para atacar.

Hitoshi não recuou. Ele estendeu a mão, seus dedos se movendo como se estivessem puxando fios invisíveis no ar.

— Você está com muita raiva, não está? — Hitoshi perguntou à maldição, um sorriso mínimo e sombrio surgindo em seus lábios. — Vamos transformar isso em... melancolia.

A técnica de Manipulação de Sentimentos agiu instantaneamente. A maldição, que antes avançava com fúria assassina, subitamente parou. Seus ombros caíram. A agressividade desapareceu, substituída por uma apatia tão avassaladora que a criatura simplesmente se sentou no chão, emitindo um som que lembrava um soluço.

— Agora, Nobara! — gritou Hitoshi.

Nobara não perdeu tempo. Ela sacou seu boneco de palha e um prego, posicionando-os com precisão cirúrgica.

— Técnica Amaldiçoada: Ressonância! — bradou ela, martelando o prego com força.

O impacto foi imediato. A maldição explodiu em energia escura, sendo exorcizada instantaneamente enquanto ainda estava mergulhada na depressão induzida por Hitoshi.

Lá fora, a luz do entardecer começava a sumir. Gojo os esperava encostado em um carro preto.

— Trabalho impecável! — disse o mestre, batendo palmas. — Vocês formam uma dupla e tanto. Konami-kun, sua manipulação é realmente refinada.

Hitoshi apenas bufou, desviando o olhar enquanto guardava as mãos nos bolsos da calça.

— Aff, que saco. Podemos ir embora agora? Meu corpo dói e eu quero dormir, embora eu saiba que não vou conseguir.

— Ah, não seja tão ranzinza! — Gojo riu, ignorando o tom cortante do rapaz.

Enquanto caminhavam de volta para os limites da escola, o grupo seguia na frente, conversando animadamente sobre onde iriam jantar. Hitoshi, no entanto, desacelerou o passo. Ele parou diante do grande portão torii que marcava a entrada da instituição.

O peso da depressão, que ele costumava mascarar com frieza, subitamente pareceu mais denso. Ele olhou para as próprias mãos, sentindo o formigamento da energia amaldiçoada.

— O que foi? — Nobara parou e olhou para trás, percebendo a hesitação do primo.

Hitoshi olhou para as construções antigas e o vasto terreno da escola.

— Eu não acho que esse seja o meu lugar, Nobara — disse ele, a voz carregada de uma incerteza rara. — Eu sou quebrado. Minha técnica lida com a podridão emocional das pessoas porque é só isso que eu conheço. Eu vou acabar atraindo mais sombras para cá.

Nobara caminhou até ele. Ela não era do tipo que dava abraços melosos, mas colocou a mão firmemente no ombro dele, apertando-o até quase doer — exatamente o tipo de estímulo que Hitoshi precisava para se sentir presente.

— Escuta aqui, seu idiota ruivo — disse ela, olhando-o nos olhos. — Ninguém aqui é "normal". Aquele ali tem um demônio na barriga, o outro fala com cachorros de sombra e o professor é um maluco de venda. Se você é quebrado, está no lugar certo.

Hitoshi piscou, surpreso com a franqueza dela.

— Além disso — continuou Nobara, suavizando um pouco o tom —, você não está sozinho. Eu estou aqui. Se você começar a afundar demais, eu te dou uma martelada pra você acordar. Estamos juntos nessa, entendeu?

Um pequeno e genuíno sorriso, quase imperceptível para qualquer um que não o conhecesse bem, surgiu no rosto de Hitoshi. A sensação de isolamento que o acompanhava desde a infância pareceu diminuir um milímetro.

— Uma martelada parece um pouco excessivo — comentou ele, voltando a caminhar.

— Para um masoquista como você? Acho que é o incentivo ideal — provocou ela, rindo.

— Talvez você tenha razão.

Eles cruzaram o portão juntos. Hitoshi ainda sentia a insônia rondando sua mente e a melancolia em seu peito, mas, pela primeira vez em muito tempo, o caminho à frente não parecia tão escuro. Ele era um feiticeiro jujutsu agora. E, de alguma forma, o caos daquela escola parecia o único remédio possível para sua alma inquieta.

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