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entre galpaos e amores

Fandom: fazendeiro e rico

Criado: 18/08/2026

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Onde o Ouro Encontra o Trigo

O sol da tarde na Austrália tinha uma tonalidade específica, um dourado profundo que parecia incendiar as copas das árvores de eucalipto e refletir o brilho das plantações de trigo que se estendiam até onde a vista alcançava. Para Oscar Piastri, aos quatorze anos, aquele cenário era mais do que uma herança; era o seu refúgio. Mas, acima de tudo, era o cenário da sua maior e mais doce cumplicidade.

Oscar ajustou o chapéu, sentindo o suor leve na testa enquanto caminhava em direção aos estábulos. Ele já era alto para a idade, com ombros que começavam a ganhar a definição do trabalho físico e um olhar que carregava uma serenidade incomum para um adolescente. Seus pais, Chris e Nicole, estavam ocupados na sede com compradores de gado vindos de Melbourne, o que significava que a vigilância sobre o herdeiro estava, momentaneamente, relaxada.

Ele assobiou baixo, um sinal que apenas uma pessoa reconheceria.

Segundos depois, uma figura familiar surgiu por trás das portas do celeiro de feno. Lily Zneimer, com seus treze anos e cabelos loiros presos em uma trança lateral um tanto desfeita, sorriu ao vê-lo. Ela usava um vestido simples de algodão e botas de montaria gastas, marcas de uma vida passada entre a terra e os animais.

— Achei que seu pai fosse te segurar naquelas planilhas a tarde toda — disse Lily, aproximando-se com passos leves.

— Ele tentou — Oscar deu um meio sorriso, aquele jeito reservado que só se abria completamente para ela. — Mas eu disse que precisava verificar o estado dos cascos do Thunder. Ele acreditou.

— Mentir para o patrão, Oscar? Que feio — ela brincou, parando a poucos centímetros dele.

— Eu não menti. Eu realmente vou verificar o Thunder... depois.

Oscar estendeu a mão e Lily a segurou sem hesitar. O toque era natural, uma extensão da amizade que nascera quando eles mal sabiam falar. Mas, desde aquele beijo casto e desajeitado aos onze anos, atrás do pomar de macieiras, o toque de suas mãos carregava uma eletricidade nova, algo que fazia o coração de Oscar bater em um ritmo diferente do galope de seus cavalos.

— Para onde vamos hoje? — perguntou ela, a voz baixinha, ciente de que seus próprios pais, os funcionários mais leais da propriedade, poderiam estar por perto.

— Para o antigo moinho — sussurrou Oscar. — Ninguém vai lá desde a última colheita.

Eles correram. Não por necessidade, mas pela pura alegria da liberdade. Cruzaram o pasto leste, escondendo-se atrás das cercas de madeira sempre que viam a caminhonete de algum funcionário passar ao longe. Para o mundo, Oscar era o futuro dono de tudo aquilo. Para Lily, ele era apenas o menino que dividia seus sonhos e que, às vezes, cheirava a feno e sabão.

Quando chegaram ao moinho desativado, o silêncio era absoluto, quebrado apenas pelo som do vento nas folhas secas. Eles subiram a escada de madeira rangente até o sótão, onde a luz do sol entrava em feixes diagonais, iluminando a poeira que dançava no ar.

— Aqui estamos — disse Oscar, soltando a mão dela apenas para limpar um pouco de palha de um caixote antigo, oferecendo-lhe um lugar para sentar.

— É perfeito — Lily suspirou, sentando-se e olhando para ele. — Você tem estado tão ocupado, Oscar. Às vezes acho que as terras estão te roubando de mim.

Oscar ajoelhou-se na frente dela, seus olhos claros fixos nos dela com uma intensidade que a fazia perder o fôlego.

— Nada pode me roubar de você, Lily. Eu posso ter mil fazendas no meu nome, mas nenhuma delas vale o que você vale.

— Você fala como um cavalheiro de livro — ela riu, mas suas bochechas ganharam um tom rosado.

— Eu falo a verdade — ele rebateu, aproximando o rosto.

O beijo foi suave, com gosto de juventude e promessas silenciosas. Oscar colocou as mãos delicadamente no rosto de Lily, os polegares acariciando suas maçãs do rosto. Era um refúgio. Ali, naquele sótão empoeirado, não havia patrão ou empregada, não havia herança ou obrigações. Havia apenas dois corações tentando entender a imensidão do que sentiam.

— Oscar... — Lily murmurou contra seus lábios quando se afastaram um pouco. — E se alguém descobrir? Meus pais ficariam tão preocupados. Eles têm medo que... que as pessoas pensem que eu estou me aproveitando da sua posição.

— Eu não me importo com o que as pessoas pensam — Oscar disse com a determinação que se tornaria sua marca registrada. — Eu te conheço desde que éramos bebês, Lily. Você é a única pessoa que me vê de verdade. Não o "Sr. Piastri", mas o Oscar. Eu nunca vou deixar ninguém te tratar de forma diferente por causa de quem nossos pais são.

Ela sorriu, encostando a testa na dele.

— Às vezes você parece muito mais velho do que quatorze anos.

— É a responsabilidade, eu acho — ele brincou, roubando mais um beijo rápido. — Mas com você, eu sinto que posso ter a minha idade.

Algumas horas depois, o sol começou a se pôr, pintando o céu de roxo e laranja. Eles sabiam que precisavam voltar antes que notassem sua ausência. Desceram do moinho e caminharam de volta pela trilha menos percorrida, contornando o riacho que cortava a propriedade.

Perto das cocheiras, eles pararam sob a sombra de um grande carvalho.

— Espera — disse Oscar, puxando-a para trás do tronco largo quando viu a luz da varanda da casa principal se acender.

— O que foi? — perguntou Lily, em um sussurro.

— Só mais um. Antes de voltarmos para a realidade.

Ele a envolveu em seus braços, protegendo-a do vento fresco da noite que começava a soprar. Lily se aninhou no peito dele, ouvindo o coração de Oscar bater forte. Ele inclinou a cabeça e a beijou com mais urgência desta vez, um beijo que falava de saudade antes mesmo da despedida.

— Eu te amo, Lily — Oscar confessou, as palavras saindo naturais, como se estivessem guardadas ali há séculos.

Lily paralisou por um segundo, seus olhos brilhando na penumbra.

— Eu também te amo, Oscar. Desde sempre.

Eles se separaram com relutância. Lily seguiu para a pequena e aconchegante casa dos fundos, onde o cheiro do jantar de sua mãe já escapava pelas janelas. Oscar ficou ali por um momento, observando-a entrar, antes de seguir para a imponente mansão dos Piastri.

Ao entrar pela porta da frente, encontrou o pai na sala de estar, revisando alguns documentos.

— Oscar? Onde esteve? — perguntou Chris, sem tirar os olhos do papel.

— Estava no estábulo, pai. Como eu disse. Thunder está bem, só precisava de um pouco de atenção.

— Bom — disse o pai, finalmente olhando para o filho com um orgulho contido. — Você está crescendo, Oscar. Em breve, toda essa terra será sua responsabilidade. É bom que você aprenda a cuidar do que é nosso.

Oscar assentiu, sentindo o peso das palavras do pai. Mas, enquanto subia as escadas para seu quarto, ele não pensava nos hectares de terra ou nas cabeças de gado. Ele pensava no brilho dos olhos de Lily e no calor de sua mão na dele.

Ele sabia que a fortuna da família Piastri era vasta, mas o seu verdadeiro tesouro estava escondido em uma casa simples nos fundos da propriedade, esperando pelo momento em que eles poderiam fugir novamente para onde o mundo não pudesse alcançá-los. Para Oscar, ser rico não era sobre o que ele possuía, mas sobre quem ele tinha a coragem de amar. E ele amaria Lily Zneimer com cada fibra de seu ser, hoje, amanhã e em cada pôr do sol que ainda viria sobre aquelas terras.

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