
Jujutsu kaisen juai 2
Fandom: Jujutsu Kaisen
Criado: 18/08/2026
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Entre o Prazer e o Caos
O sol estava se pondo, pintando o céu com tons de laranja e roxo que pareciam sangrar sobre a linha do horizonte. Hitoshi Konami caminhava pela floresta densa nos arredores de Tóquio, o som de seus passos esmagando as folhas secas sendo o único ruído em meio ao silêncio tenso da tarde. Suas raízes pretas contrastavam fortemente com o ruído artificial de seu cabelo, e seus olhos vermelhos, profundos e cansados, buscavam o refúgio que ele mesmo havia construído.
A casa na árvore não era apenas um esconderijo; era um santuário de segredos. O acordo com Mahito era perigoso, uma dança na beira de um precipício. A maldição não o transfiguraria, contanto que pudesse observar de perto o sofrimento de Hitoshi, a sua depressão latente e o vazio que ele carregava no peito. Era um jogo sádico, mas Hitoshi, com suas tendências masoquistas e sua alma exausta, aceitara os termos.
Ao subir a escada de corda, ele encontrou Mahito já lá dentro, balançando as pernas e folheando uma revista de super-heróis que Hitoshi havia deixado na semana anterior.
— Demorou, Hitoshi-kun! — exclamou a maldição, com aquele sorriso infantil e retalhado que escondia uma maldade infinita. — Eu estava quase descendo para ver se você tinha sido comido por algum outro espírito.
— Eu tive que despistar o Itadori — respondeu Hitoshi, sentando-se no chão de madeira e soltando um suspiro pesado. — Ele está ficando... persistente. Carinhoso demais. É difícil sair sem que ele queira vir junto.
Mahito riu, um som seco e divertido.
— O receptáculo do Sukuna é um tédio de bondade. Prefiro você, Konami. Você tem um gosto mais amargo, mais interessante.
Hitoshi ignorou o comentário e começou a organizar os pacotes de salgadinhos e doces que trouxera. O ambiente era confortável, cheio de revistas, almofadas e o cheiro de madeira velha. Era o único lugar onde ele não precisava ser o feiticeiro frio e reservado que todos esperavam.
Mahito continuou a mexer na pilha de revistas até que seus olhos brilharam com algo diferente. Ele puxou uma revista que estava escondida sob uma edição de mangá shonen. A capa era explícita, mostrando corpos entrelaçados em posições que nada tinham a ver com lutas de super-heróis.
— O que é isso, Hitoshi? — Mahito inclinou a cabeça, a curiosidade genuína brilhando em seus olhos heterocromáticos.
O coração de Hitoshi deu um salto. Ele avançou, tentando arrancar a revista das mãos da maldição.
— Não é nada! Me dá isso aqui! — O rosto do ruivo ardeu em um tom de vermelho que rivalizava com seus olhos.
— Tarde demais, eu já vi — disse Mahito, mantendo a revista fora do alcance do rapaz. — Parece que os humanos estão se reproduzindo aqui. Mas por que eles estão fazendo essas caras? Parece que estão sentindo dor... ou algo assim.
Hitoshi parou de tentar lutar e cobriu o rosto com as mãos, sentindo a insônia pesar ainda mais sob o peso da vergonha.
— Não é só para reprodução, Mahito. Humanos... nós fazemos isso porque é bom. É uma forma de prazer.
— Prazer? — Mahito analisou a página com interesse clínico. — Eu conheço o prazer de matar, de transfigurar almas. Mas isso parece... diferente. Eu quero experimentar.
Hitoshi congelou. Ele olhou para a maldição, que mantinha uma expressão de criança pedindo um brinquedo novo.
— Agora? — perguntou Hitoshi, a voz falhando levemente.
— É, por que não? — Mahito deu de ombros.
— Porque... bem, normalmente as pessoas fazem isso em lugares mais confortáveis. Aqui é só madeira e...
Antes que Hitoshi pudesse terminar, Mahito saltou da casa na árvore com uma agilidade sobre-humana. Hitoshi ficou parado, atônito, por cerca de dez minutos, até que a maldição retornou carregando uma pilha de travesseiros luxuosos e lençóis de seda que claramente haviam sido roubados de alguma mansão próxima.
— Pronto — disse Mahito, jogando tudo no chão da cabana com um sorriso vitorioso. — Agora está confortável. Vamos começar.
Hitoshi sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Sua técnica de manipular sentimentos geralmente o tornava distante das próprias emoções, mas ali, diante daquela criatura imprevisível, ele se sentia vulnerável. E, no fundo de sua mente depressiva e masoquista, aquela vulnerabilidade era excitante.
— Certo... — sussurrou Hitoshi. — Eu vou te guiar. Mas você precisa me ouvir.
Ele se aproximou de Mahito, que estava sentado sobre os travesseiros roubados. Hitoshi começou com calma, embora suas mãos tremessem levemente. Ele se inclinou e depositou um beijo suave no pescoço da maldição, sentindo a pele fria e as cicatrizes sob seus lábios.
— Isso é o que chamamos de preliminares — explicou Hitoshi, sua voz ficando mais baixa, mais rouca.
Ele deslizou a mão pela coxa de Mahito, mostrando onde e como tocar. A maldição observava tudo com uma intensidade assustadora, aprendendo cada movimento, cada reação do corpo de Hitoshi. O feiticeiro, geralmente tão frio, começou a se soltar, provocando Mahito com toques estratégicos, querendo ver até onde a curiosidade da maldição o levaria.
De repente, a forma de Mahito começou a mudar. Sua silhueta se tornou mais esguia, as curvas mais acentuadas, e seus cabelos cresceram. Ele havia se transformado em uma versão feminina de si mesmo.
— Assim é melhor para os humanos, não é? — perguntou Mahito com uma voz suave.
Hitoshi franziu o cenho, afastando-se um pouco.
— Para ser sincero... não é muito a minha praia. Eu prefiro a sua forma original.
Mahito piscou, parecendo surpreso por um segundo, antes de rir.
— Entendi! Então, como vamos fazer se eu tiver um corpo masculino?
— Apenas se transforme e eu te mostro — desafiou Hitoshi, o brilho masoquista em seus olhos se tornando mais evidente.
Mahito voltou à sua forma masculina habitual, mas com uma constituição que permitia o que Hitoshi pretendia. Quando Hitoshi finalmente se posicionou e a união ocorreu, Mahito soltou um som de surpresa, uma mistura de choque e descoberta.
— Isso... dói um pouco — murmurou Mahito, as unhas cravando-se nos ombros de Hitoshi. — Mas é uma dor interessante.
Hitoshi não foi delicado. Ele nunca fora alguém de meios-termos. Sua frieza habitual deu lugar a uma intensidade crua, quase violenta. No entanto, estranhamente, ele se tornou completamente submisso aos desejos de Mahito.
— Mais forte — ordenou a maldição, os olhos brilhando com uma nova forma de êxtase. — Me morda, Hitoshi! Deixe marcas!
— Sim, mestre... — murmurou Hitoshi, entregando-se totalmente ao comando da maldição.
As palavras saíram sem pensar, um reflexo de sua necessidade de ser dominado, de sentir algo que preenchesse o vazio de sua depressão. Ele mordeu o ombro de Mahito, sentindo o gosto metálico da energia amaldiçoada, enquanto seus movimentos se tornavam mais frenéticos sob as ordens da criatura.
Mahito parecia estar em transe. Ele descrevia em voz alta como a sensação de ter sua alma e corpo tocados daquela maneira era diferente de tudo o que já sentira.
— É como se... como se a minha essência estivesse vibrando junto com a sua — dizia Mahito entre respirações ofegantes. — Os humanos são realmente criaturas fascinantes para inventarem algo assim.
O tempo pareceu parar dentro daquela pequena casa na árvore. O suor misturava-se ao cheiro de madeira e ao ar frio da noite que entrava pelas frestas. Quando tudo terminou, ambos desabaram sobre os travesseiros roubados, exaustos.
Hitoshi sentiu o peso da insônia finalmente ceder ao cansaço extremo. Pela primeira vez em semanas, ele fechou os olhos e mergulhou em um sono profundo e sem sonhos, com Mahito enrolado ao seu lado como uma criança curiosa que acabara de descobrir um segredo do universo.
O sol já estava alto quando Hitoshi acordou sobressaltado. Ele olhou para o relógio de pulso que estava jogado no chão.
— Merda! — exclamou ele, levantando-se às pressas e tentando encontrar suas roupas. — Eu estou muito atrasado! O Gojo-sensei vai me matar, ou pior, o Itadori vai vir atrás de mim!
Mahito, que ainda estava deitado, abriu um olho preguiçosamente. Ele fez um biquinho, parecendo uma criança mimada a quem tiraram o doce.
— Já vai? Mas eu queria mais... — reclamou a maldição, esticando um braço para tentar puxar Hitoshi de volta. — Aquilo foi muito melhor do que ler revistas.
Hitoshi terminou de calçar as botas, o rosto ainda levemente corado pelas lembranças da noite. Ele olhou para Mahito, vendo a marca de seus dentes no ombro da maldição, uma prova real do que havia acontecido.
— Eu tenho que ir, Mahito. Se me pegarem aqui com você, é o fim para nós dois.
— Você volta? — perguntou Mahito, sua voz perdendo o tom lúdico e tornando-se quase possessiva.
Hitoshi parou na porta da cabana, olhando para trás uma última vez.
— Eu volto. Eu sempre volto — disse ele, antes de descer rapidamente pela escada de corda e desaparecer entre as árvores, deixando para trás a maldição e o único lugar onde ele se sentia, de alguma forma distorcida, vivo.
