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Liberdade e boas novas

Fandom: Crias de sp

Criado: 19/08/2026

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RomanceDramaFatias de VidaDor/ConfortoFofuraHistória DomésticaCrimeGravidez Não Planejada/IndesejadaCiúmes
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Entre a Lei e o Asfalto: O Brilho do Recomeço

A cobertura no Morumbi parecia mais silenciosa do que o habitual, apesar do luxo que a cercava. Karen observava o pôr do sol através da parede de vidro, enquanto o reflexo de seus próprios olhos denunciava a exaustão de meses difíceis. Filha de um dos advogados mais renomados da capital paulista e de uma corretora de imóveis cujas placas de "Vendido" decoravam os bairros mais caros de São Paulo, Karen sempre viveu em uma bolha de privilégios. Mas seu coração, teimoso e vibrante, havia escolhido bater fora daquela redoma.

Tudo começou em um desses "rolês" aleatórios que a vida insiste em armar. Seu pai, Dr. Marcelo, já cuidava dos interesses jurídicos da família de Buzeira há algum tempo. Quando o irmão do Gui acabou sendo detido em um episódio de injustiça que parou a internet, a proximidade entre as famílias se tornou inevitável. E foi ali, entre reuniões tensas no escritório e visitas ao centro de detenção, que os olhos de Karen encontraram os de Guieira.

Ele era o oposto do que seus pais esperavam, mas exatamente o que ela precisava. Gui tinha o brilho da periferia, a garra de quem conquistou o mundo no asfalto e uma lealdade que Karen nunca vira nos garotos de sua faculdade de Direito.

A porta da sala se abriu, interrompendo seus pensamentos. Era Gui. Ele parecia mais leve, mas o ciúme possessivo que era sua marca registrada ainda transparecia no modo como ele a rodeou com os braços, apertando-a contra o peito como se alguém pudesse roubá-la dali a qualquer segundo.

— Tá pensando em quê, loira? — sussurrou ele, escondendo o rosto no pescoço dela. — Mó cota que você tá aí parada olhando pro nada.

Karen sorriu, virando-se nos braços dele.

— Estava lembrando de como a gente chegou até aqui, Gui. De como tudo mudou desde que seu irmão saiu daquele lugar.

Gui suspirou, o semblante ficando sério por um momento.

— Se não fosse por você e pelo seu coroa, eu não sei o que teria sido da minha família. Você foi o alicerce, Karen. Segurou a barra da minha mãe, não largou a Hilary nem por um minuto... Eu sou louco por você, sabe disso.

— Eu sei, meu ciumento favorito — brincou ela, passando a mão pelos cabelos dele. — Mas agora as coisas vão ser diferentes. A paz voltou.

— Paz? — Gui riu, aquele riso malandro que ela amava. — Comigo e com o Buzeira na pista, a paz é relativa. Mas agora que ele tá solto, o foco é outro. Quero estruturar nossas paradas. Quero você do meu lado em tudo.

Karen sentiu um frio na barriga. Ela sabia que aquele era o momento. Havia guardado o segredo por três dias, esperando o turbilhão da soltura de Buzeira passar para que a notícia tivesse o brilho que merecia.

— Gui, eu preciso te contar uma coisa. É sério.

O corpo de Guieira ficou tenso instantaneamente. O ciúme, sempre à espreita, brilhou nos olhos escuros.

— O que foi? Alguém te mandou mensagem? Algum daqueles caras da sua faculdade ficou te encarando de novo?

— Não, Gui! Não tem nada a ver com ciúme — ela riu, embora soubesse que aquele traço da personalidade dele era difícil de controlar. — É sobre nós. Sobre o que a gente queria construir.

Ela pegou a mão dele e a levou lentamente até o seu ventre, ainda plano sob o vestido de seda.

— O Buzeira saiu da cadeia e trouxe a liberdade de volta pra família — disse ela com a voz embargada. — E eu estou trazendo a vida. Eu estou grávida, Gui.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Guieira, sempre tão rápido nas palavras e nas reações, parecia ter congelado. Seus olhos desceram para a mão de Karen sobre a barriga dela e depois voltaram para o rosto da namorada.

— Você tá falando sério? — a voz dele saiu falha, um sussurro carregado de emoção. — Um mini Guieira? Ou uma princesinha?

— Um bebê, Gui. Nosso bebê.

Ele a pegou no colo, girando-a pela sala enquanto soltava um grito de alegria que ecoou por todo o apartamento.

— Eu vou ser pai, caralho! — exclamou ele, as lágrimas começando a descer sem cerimônia. — O meu irmão solto e agora isso... É a melhor fase da minha vida!

— Calma, Gui! — Karen ria e chorava ao mesmo tempo. — A gente precisa contar pra todo mundo. Sua mãe vai surtar de alegria.

— Minha mãe vai querer te colocar numa redoma de ouro — disse ele, finalmente colocando-a no chão, mas sem soltá-la. — E eu também. Ninguém encosta em você, ouviu? Agora o cuidado é dobrado.

— Eu sei, eu sei — ela o acalmou. — Mas agora vamos lá na casa do seu irmão. Eles estão comemorando a liberdade, e nada melhor do que celebrar a vida também.


A chegada na mansão de Buzeira foi marcada pelo som do funk e o cheiro de churrasco. O clima era de vitória. Hilary, a melhor amiga de Karen e irmã de consideração, correu para abraçá-la assim que a viu cruzar o portão.

— Amiga! Que bom que você veio — disse Hilary, puxando-a para perto. — O Buzeira não para de falar o quanto o seu pai foi monstro nesse processo.

— Ele só fez o trabalho dele, Hi. Mas a gente sabe que a justiça demorou, mas veio — respondeu Karen, trocando um olhar cúmplice com Gui.

Buzeira estava no centro do jardim, cercado por amigos e pela mãe, que não escondia o sorriso de alívio por ter o filho de volta. Quando viu Gui e Karen, ele se aproximou com os braços abertos.

— E aí, casal nota um milhão! — exclamou Buzeira, abraçando o irmão e depois dando um beijo na testa de Karen. — Cunhada, você é parte dessa vitória. Valeu por não ter deixado o Gui surtar enquanto eu tava lá dentro.

— Ele deu trabalho, Buzeira — brincou Karen. — O ciúme dele quase me deixou louca, mas a gente deu um jeito.

— É o jeito dele, você sabe — disse a sogra de Karen, aproximando-se e pegando as mãos da nora. — Mas ele te ama mais que tudo. Você foi o nosso porto seguro, minha filha.

Gui limpou a garganta, chamando a atenção de todos. O som da música foi baixado por um dos amigos.

— Família, aproveitando que tá todo mundo aqui, que o meu irmão tá de volta pro lugar de onde nunca devia ter saído... Eu e a Karen temos um anúncio.

O olhar de Gui para Karen era puro orgulho.

— A família vai crescer. A Karen tá grávida.

O grito que Buzeira deu poderia ser ouvido em outro bairro. Ele levantou o irmão do chão, enquanto Hilary e a mãe de Gui cercavam Karen em um abraço coletivo regado a lágrimas.

— Eu vou ser tio! — gritava Buzeira. — O herdeiro da tropa tá vindo!

— Ou a herdeira — corrigiu Hilary, já planejando o chá revelação. — Imagina se for uma menina? Vai ser a cara da Karen, toda estudada e elegante, mas com o pique dos Crias.

No meio daquela euforia, Gui se aproximou de Karen e a puxou para um canto mais reservado do jardim.

— Viu só? — perguntou ele, apontando para a família celebrando. — Isso tudo é por sua causa. Você uniu os mundos, Karen. A filha do doutor e o moleque do asfalto.

— A gente se uniu, Gui — corrigiu ela, encostando a cabeça no ombro dele. — E nada vai separar a gente. Nem o seu ciúme bobo, nem as diferenças de onde a gente veio.

— Eu vou cuidar de vocês dois com a minha vida — prometeu ele, a voz séria agora. — Ninguém vai chegar perto da minha família.

— Eu sei que vai — disse ela, fechando os olhos e sentindo a brisa da noite. — Mas agora, tenta relaxar um pouco. O Buzeira tá solto, o bebê tá a caminho e a gente tem uma vida inteira pela frente.

— É... uma vida inteira — repetiu Gui, observando o irmão abrir uma garrafa de champanhe para brindar. — E pode ter certeza, loira, vai ser a melhor história que São Paulo já viu.

A festa continuou pela madrugada, um misto de celebração pela liberdade e pela promessa de um futuro que, embora tivesse começado entre tribunais e incertezas, agora brilhava com a luz de uma nova vida. Karen, a menina bem estudada da elite, havia encontrado seu lugar no mundo: nos braços de Guieira, no coração de uma família que a acolheu como uma rainha, e no amor que agora crescia dentro dela, pronto para ser o novo capítulo daquela história de superação.

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