Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Shes my woman

Fandom: Alien stage

Criado: 20/08/2026

Tags

DramaAngústiaFatias de VidaPsicológicoEstudo de PersonagemCiúmesCenário CanônicoSombrioViolência GráficaLinguagem Explícita
Índice

Eco de uma Traição Inexistente

O sol da manhã entrava pelas janelas da sala de aula do 3º ano, iluminando as partículas de poeira que dançavam no ar. No lado esquerdo da sala, o ambiente era leve, preenchido por risadas baixas e o som de embalagens de lanches sendo abertas. Mizi estava sentada de lado em sua cadeira, com a gravata frouxa e o primeiro botão da camisa branca aberto, exibindo a postura despojada que se tornara sua marca registrada. Seus cabelos, uma cascata rosa com pontas azul-bebê, caíam sobre os ombros enquanto ela observava Marty ajustar os inúmeros anéis de prata em seus dedos.

— Sério, Mizi, como você aguenta olhar para aquela fileira todo santo dia sem tacar um estojo neles? — perguntou Vianna, enrolando uma mecha de seu cabelo preto ondulado no dedo. Ela lançou um olhar rápido para o lado direito da sala, onde o "outro grupo" conversava em tons baixos.

Mizi soltou um suspiro curto, um sorriso sarcástico brincando no canto dos lábios. Ela se inclinou para frente, apoiando os cotovelos na mesa. Lexy, que estava sentada ao lado dela, manteve os olhos azuis atentos, embora permanecesse em seu silêncio reservado habitual.

— Eu já passei da fase de querer tacar coisas, Vi — disse Mizi, a voz carregada de um desdém cansado. — Agora eu só sinto... nada. Ou talvez um pouco de nojo.

Marty, com seu corte wolf cut bege perfeitamente bagunçado, parou de mexer nos anéis e encarou a amiga.

— Você nunca contou os detalhes, sabe? — comentou ele, com a suavidade que lhe era característica. — A gente sabe que deu ruim no primeiro ano, que vocês eram grudados e que, do nada, eles viraram a cara. Mas o que aquela garota realmente disse?

Mizi olhou para o teto, puxando a memória que tentava manter trancada em uma caixa no fundo da mente.

— Foi um plano perfeito, se você parar para pensar — começou Mizi, a voz agora mais séria. — No primeiro ano, eu e a Sua... a gente era o casal da escola. Eu achava que era real. Ivan e Till estavam naquela tensão de "vai não vai", o Luka e a Hyuna já estavam juntos. Éramos um grupo fechado. Até que surgiu aquela garota.

— A tal "fura-olho" profissional? — Lexy perguntou baixinho, falando pela primeira vez.

— Exatamente. Ela começou a espalhar que eu estava traindo a Sua. E não parou por aí. Ela disse para o Luka que eu achava ele um nerd insuportável e que só andava com ele por pena. Disse para a Hyuna que eu ria do jeito dela pelas costas. E o pior... — Mizi fez uma pausa, sentindo um nó seco na garganta que ela rapidamente engoliu. — Ela disse para a Sua que eu a chamava de "fardo" e que estava com ela só por status, esperando alguém melhor aparecer.

Vianna arregalou os olhos pretos, indignada.

— E eles acreditaram? Assim, sem mais nem menos?

— Acreditaram — respondeu Mizi, soltando uma risada amarga. — A Sua nem sequer me deixou explicar. Ela simplesmente me olhou com aquele olhar melancólico de sempre, mas dessa vez tinha um desprezo que me cortou no meio. O grupo inteiro se fechou. O Ivan, que eu considerava um irmão, nem olhava na minha cara. O Till, aquele rebelde de araque, agiu como se eu fosse um lixo radioativo.

— Que bando de idiotas — resmungou Marty, cruzando os braços. — Como alguém que te conhece há anos acredita em uma estranha em vez de você?

— Esse é o ponto, Marty — Mizi disse, endireitando o corpo e olhando seriamente para os três novos amigos. — Foi aí que eu percebi. Se eles realmente fossem meus amigos, se a Sua realmente me amasse, eles teriam vindo falar comigo. Teriam me dado o benefício da dúvida. Mas eles preferiram a versão mais dramática e cruel. Eles escolheram não confiar em mim.

Mizi sentiu a mão pequena e fria de Lexy tocar a sua sobre a mesa em um gesto de apoio.

— Por isso eu não quero voltar — continuou Mizi. — As pessoas acham que eu estou sofrendo ou que quero o perdão deles. Eu não quero o perdão de quem nunca teve a decência de me ouvir. Eu odeio todos eles. Não pelo que a garota disse, mas pelo que eles fizeram com essa informação.

— Você está muito melhor com a gente, de qualquer forma — disse Vianna, tentando aliviar o clima com uma piscadinha. — A gente é muito mais bonito e menos problemático.

Mizi riu, desta vez de forma genuína.

— Com certeza. E o Marty tem anéis melhores que os do Till.

— Ei! Os meus são de prata legítima, não são aquelas porcarias de latão que o Till usa — brincou Marty, fazendo o grupo rir.

Enquanto o lado esquerdo da sala se perdia em conversas sobre o que fariam no intervalo, o lado direito mantinha uma atmosfera consideravelmente mais densa.

Sua estava sentada com a postura impecável, seus longos cabelos pretos caindo retos como uma cortina. Ela segurava um livro de poesias, mas seus olhos roxos não se moviam pelas linhas há vários minutos. Ao lado dela, Acorn, seu namorado, mexia no celular, ocasionalmente passando o braço pelos ombros dela em um gesto possessivo.

— Você está muito distraída hoje, Sua — comentou Luka, ajustando os óculos no rosto. Ele tinha um livro de física avançada aberto, mas sua atenção estava voltada para o grupo. — É o simulado de amanhã?

— Não é isso, Luka — respondeu Sua, a voz baixa e suave, carregada de sua melancolia habitual. — Só estou... cansada.

— Deve ser o clima — interveio Hyuna, encostada na parede com os braços cruzados. Seus cabelos marrons estavam presos em um rabo de cavalo alto. — Ou talvez seja a presença de certas pessoas que não sabem o próprio lugar.

Ela lançou um olhar enviesado para o outro lado da sala, especificamente para onde Mizi ria de algo que Marty dissera.

Till, que estava desenhando formas agressivas no verso de seu caderno, soltou um estalo com a língua. Seus cabelos cinzas estavam mais bagunçados que o normal e seus olhos verdes pareciam permanentemente irritados.

— Por que a gente ainda se importa? — resmungou Till. — Ela seguiu em frente com aquele grupinho de esquisitos. A gente devia fazer o mesmo.

Ivan, que estava ocupado desembrulhando um pirulito de cereja com uma calma irritante, deu um sorriso de lado, embora seus olhos pretos permanecessem frios.

— O Till tem razão, embora a delicadeza dele seja a de um trator — disse Ivan, colocando o doce na boca. — Mas é difícil ignorar o fato de que ela parece estar se divertindo muito para alguém que fez o que fez.

— Ela sempre foi uma ótima atriz — disse Luka de forma pragmática. — A capacidade de dissimulação dela no primeiro ano foi o que mais me impressionou. É lógico que ela agiria como se nada tivesse acontecido.

Sua fechou o livro com um estalo seco. O som fez Acorn olhar para ela.

— Está tudo bem, amor? — perguntou ele, com um sorriso que não chegava aos olhos.

— Sim, Acorn. Só perdi o fio da meada — mentiu Sua.

Ela olhou de relance para Mizi. Viu a ex-namorada jogar a cabeça para trás ao rir, o cabelo bicolor brilhando sob a luz do sol. Uma pontada de algo que Sua se recusava a chamar de saudade atingiu seu peito, sendo imediatamente substituída pela memória das palavras daquela garota no primeiro ano. As ofensas, a traição, a falsidade.

— Eu não entendo como ela consegue — murmurou Sua, quase para si mesma.

— Consegue o quê? — perguntou Hyuna.

— Fingir que não nos destruiu — respondeu Sua, os olhos roxos voltando-se para o próprio colo. — Ela age como se nós fôssemos os errados. Como se ela fosse a vítima de toda a história.

— É o que pessoas como ela fazem, Sua — disse Ivan, levantando-se quando o sinal para o início da aula tocou. — Elas criam a própria realidade e esperam que o resto do mundo acredite. Mas a gente sabe a verdade.

O professor entrou na sala, e o silêncio se instalou. Dois mundos distintos coexistiam naquele espaço retangular, separados por um corredor de azulejos frios e dois anos de mágoas não resolvidas. Mizi abriu seu caderno, sentindo-se leve pela primeira vez em muito tempo após ter contado tudo aos seus verdadeiros amigos. Do outro lado, Sua sentia o peso de uma mentira que ela aceitara como verdade absoluta, segurando a mão de um namorado que mal conhecia sua alma.

A aula começou, mas a verdadeira prova daquele ano ainda estava longe de ser aplicada.

Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic