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AMOR & ODIO.

Fandom: BTS.

Criado: 20/08/2026

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A Voltagem do Ódio

O corredor do departamento de Artes da Universidade Nacional de Seul parecia subitamente estreito demais para Park Jimin. Ele caminhava com a elegância de quem nasceu sob os holofotes, os cabelos loiros amanteigados perfeitamente alinhados, exceto por aquela mecha rebelde que insistia em abraçar sua testa. Sua pele, de uma alvura quase irreal, brilhava sob as luzes fluorescentes, conferindo-lhe uma aura de pintura renascentista que destoava completamente do caos interno que ele sentia.

O motivo do seu desequilíbrio tinha nome, sobrenome e um porte físico que ocupava espaço demais na realidade de Jimin: Jeon Jungkook.

Lá estava ele, encostado nos armários de metal, cercado por dois colegas do time de futebol. Jungkook era a antítese da delicadeza de Jimin. Usava uma jaqueta do time que destacava seus ombros largos e um sorriso insolente que era o pesadelo de qualquer pessoa com juízo. Ele era o "hétero de ouro" do campus, o conquistador invicto que nunca deixava uma cama esfriar.

Quando os olhos castanho-claros de Jimin encontraram os de Jungkook, o ar ao redor deles pareceu crepitar. A conversa dos jogadores morreu no ar.

— Olha só quem resolveu aparecer — Jungkook disse, sua voz saindo em um tom grave que vibrou na base da coluna de Jimin. — O pequeno cisne parece meio cansado hoje. Ensaiou demais ou esqueceu como se dorme?

Jimin parou a poucos centímetros dele. O perfume amadeirado de Jungkook, misturado ao cheiro de amaciante de roupas, invadiu seus sentidos, trazendo memórias indesejadas de lençóis revirados e respirações ofegantes.

— Se eu pareço cansado, Jeon, é porque o esforço de ter que olhar para a sua cara todos os dias drena minha energia vital — Jimin respondeu, a voz doce carregada de um veneno refinado. — E você? Parece que o cérebro finalmente atrofiou de tanto bater a cabeça na bola.

Jungkook deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Jimin. Era uma tática de intimidação que eles usavam há anos, mas que agora tinha um peso diferente. A eletricidade entre eles era quase palpável, uma corrente de alta voltagem que ameaçava explodir a qualquer segundo.

— Cuidado com a língua, Park. Você sabe que eu não tenho muita paciência com gente arrogante.

— E eu não tenho paciência com gente medíocre — Jimin rebateu, inclinando a cabeça, o pescoço longo e fino exposto de uma forma que fez os olhos de Jungkook escurecerem por um breve momento. — Agora, se me der licença, tenho coisas mais importantes para fazer do que ouvir seus grunhidos.

Jimin passou por ele, fazendo questão de esbarrar o ombro no peito de Jungkook. O toque foi breve, mas o suficiente para que ambos sentissem o choque térmico que sempre os acompanhava.

O dia seguiu como um borrão de hostilidades. Nas aulas, trocavam olhares que destilavam desprezo. No refeitório, Jimin ignorava a presença barulhenta de Jungkook enquanto este fazia questão de rir mais alto sempre que o loiro passava. Para todos, eles eram óleo e água. Incompatíveis. Inimigos mortais.

Ninguém desconfiava que, três noites atrás, Jimin estivera de joelhos no chão do apartamento de Jungkook, com as mãos do jogador cravadas em seus cabelos amanteigados, implorando por algo que nenhum deles conseguia nomear. Ninguém sabia que Jungkook, o hétero convicto, tinha passado a madrugada inteira explorando cada curva da pele de Jimin com um desespero que beirava a loucura.

O sol se pôs, e a tensão que acumulavam durante o dia atingiu o ponto de ebulição. Jimin estava saindo da biblioteca quando uma mão forte agarrou seu pulso e o puxou para o vão escuro entre dois prédios do campus.

— Ficou louco? — Jimin sibilou, tentando se soltar, embora seu corpo já estivesse reagindo à proximidade.

Jungkook o prensou contra a parede de tijolos, as mãos prendendo os pulsos de Jimin acima de sua cabeça. O rosto do jogador estava a milímetros do seu, a respiração quente batendo contra os lábios rosados de Jimin.

— Você não para, não é? — Jungkook rosnou, o ódio brilhando em seus olhos escuros. — Aquela provocação no corredor... você estava pedindo por isso.

— Pedindo pelo quê, Jeon? — Jimin desafiou, a voz trêmula apesar da audácia. — Por mais uma de suas crises de identidade? Ou você vai fingir de novo que não gosta do que a gente faz quando ninguém está olhando?

Jungkook soltou um riso amargo, apertando ainda mais os pulsos de Jimin.

— Eu odeio você, Park. Odeio o jeito que você caminha, odeio esse seu olhar de quem é melhor que todo mundo.

— Então me solta — sussurrou Jimin, aproximando o rosto, os lábios quase roçando os dele. — Me solta e vai embora. Volta para as suas garotas e para a sua vida perfeita.

Jungkook não se moveu. Pelo contrário, ele afundou o rosto no pescoço de Jimin, aspirando o cheiro de baunilha e suor leve que emanava da pele clara. Jimin soltou um gemido baixo, sua resistência desmoronando como um castelo de cartas.

— Eu não consigo — Jungkook confessou contra a pele dele, a voz rouca de frustração. — Eu odeio o fato de que eu não consigo parar de pensar naquela noite. Quatro vezes, Jimin. Quatro vezes e eu ainda sinto que vou morrer se não tocar em você de novo.

— Isso é um problema seu, não meu — Jimin disse, embora suas pernas estivessem bambas. — Eu não sou um dos seus troféus, Jeon. Eu não sou um segredo que você esconde porque tem medo do que os seus amigos vão pensar.

Jungkook levantou a cabeça, encarando-o com uma intensidade feroz.

— Isso não tem nada a ver com eles. Tem a ver com o fato de que você é a última pessoa no mundo que deveria me fazer sentir assim.

— E como você se sente? — Jimin provocou, o coração martelando contra as costelas.

A resposta de Jungkook não veio em palavras. Ele atacou os lábios de Jimin com uma brutalidade faminta, um beijo que não tinha nada de romântico e tudo de desesperado. Era uma luta por domínio, uma colisão de dentes e línguas que queimava mais do que qualquer insulto que já tivessem trocado.

Jimin envolveu o pescoço de Jungkook com os braços, puxando-o para mais perto, querendo fundir seus corpos até que não restasse espaço para o ódio. Eles se moviam com uma urgência animalesca, as mãos de Jungkook descendo para apertar a cintura de Jimin, puxando-o para cima, enquanto Jimin envolvia as pernas na cintura do jogador.

— Meu apartamento. Agora — Jungkook ordenou entre beijos curtos e ofegantes.

— Eu odeio você — Jimin murmurou, mordendo o lábio inferior de Jungkook com força suficiente para tirar sangue.

— Eu sei — respondeu Jungkook, um sorriso sombrio surgindo em seu rosto. — Eu também odeio você.

O trajeto até o apartamento foi um silêncio carregado, uma bomba-relógio prestes a detonar. Assim que a porta se fechou, as roupas começaram a voar pelo chão. Não havia delicadeza, não havia preliminares gentis. Era uma guerra de sentidos.

Jungkook jogou Jimin sobre a cama, seguindo-o imediatamente. Suas mãos, calejadas pelos treinos, contrastavam drasticamente com a suavidade da pele de Jimin. Ele traçou o caminho das costelas de Jimin com uma possessividade assustadora, deixando marcas vermelhas que seriam difíceis de esconder no dia seguinte.

— Diz meu nome — Jungkook exigiu, a voz enterrada no ouvido de Jimin enquanto se movia contra ele.

Jimin arqueou as costas, os olhos castanhos perdendo o foco, as unhas cravando-se nos ombros largos de Jungkook.

— Jungkook... Jeon Jungkook... — O nome saiu como uma prece profana.

— De novo.

— Jungkook!

Eles se perderam um no outro naquela noite, mais uma vez. Foram horas de um consumo mútuo, onde o ódio alimentava o prazer e o prazer justificava o ódio. No espelho do banheiro, as marcas de mãos embaçadas pelo vapor contavam a história de uma paixão que nenhum deles queria admitir.

Quando a primeira luz da manhã começou a filtrar pelas cortinas, o silêncio voltou a ser pesado. Jungkook estava sentado na beira da cama, com a cabeça entre as mãos, a imagem perfeita da confusão. Jimin, enrolado nos lençóis de seda cinza, observava as costas musculosas do homem que, horas antes, o tinha tratado como se ele fosse a única coisa importante no universo.

— Você vai embora antes que o sol suba totalmente? — Jimin perguntou, sua voz mantendo a calma educada que era sua marca registrada, embora seus olhos revelassem a dor latente.

Jungkook suspirou, virando-se para olhá-lo. A beleza de Jimin sob a luz da manhã era quase insuportável. Ele parecia uma miragem, algo precioso demais para alguém tão bruto quanto Jungkook.

— Você sabe como isso funciona, Jimin. Foi um erro. De novo.

Jimin sentiu a lâmina fria daquelas palavras cortarem seu peito, mas ele apenas sorriu, um sorriso pequeno e triste que não chegou aos olhos.

— Claro. O grande Jeon Jungkook não pode ser visto com o "estudante de dança contemporânea". Seria o fim da sua reputação de pegador, não é?

— Não é sobre reputação! — Jungkook explodiu, levantando-se. — É sobre eu não entender o que diabos está acontecendo comigo! Eu gosto de mulheres, Jimin. Eu sempre gostei!

— Então por que você continua voltando para a minha cama? — Jimin levantou-se também, o lençol caindo, revelando as marcas que Jungkook deixara em seu corpo. — Por que você me olha daquele jeito no corredor? Por que você não consegue ficar longe de mim?

Jungkook deu um passo atrás, como se a visão de Jimin fosse demais para ele suportar.

— Porque você é um vício, Park. E vícios matam as pessoas.

— Então morra, Jeon — Jimin disse, a voz agora fria como gelo. — Mas não me use como sua válvula de escape e depois finja que eu não existo.

Jimin começou a se vestir com movimentos rápidos e precisos. Ele recuperou sua máscara de elegância, ajeitando os cabelos amanteigados diante do espelho, ignorando a mecha que insistia em cair.

— O acordo continua o mesmo? — Jungkook perguntou quando Jimin já estava na porta.

Jimin parou, a mão na maçaneta. Ele olhou por cima do ombro, a luz do sol iluminando seus traços esculpidos.

— O acordo de nos odiarmos em público e nos devorarmos no escuro? — Jimin soltou uma risada seca. — Sim, Jungkook. O acordo continua. Mas lembre-se de uma coisa: quanto mais você tenta fugir do que sente, mais fundo você se afoga. E eu não vou estar lá para te salvar quando você perceber que o ódio não é mais o que nos une.

Jimin saiu, fechando a porta com um clique suave, deixando Jungkook sozinho com o cheiro de baunilha que ainda impregnava o quarto.

No campus, poucas horas depois, o ciclo recomeçou.

— Olha por onde anda, Park! — Jungkook gritou no meio do pátio, depois de "acidentalmente" esbarrar em Jimin na frente de metade da faculdade.

Jimin virou-se, os olhos brilhando com uma fúria que, para qualquer observador casual, era puro ódio.

— Aprenda a usar essas pernas de tronco de árvore para algo além de correr atrás de uma bola, Jeon! — Jimin rebateu, a voz projetada para que todos ouvissem.

Eles se encararam por longos segundos. Para os estudantes que passavam, era apenas mais um episódio da rivalidade lendária entre o dançarino e o jogador. Mas, no fundo daqueles olhares, a voltagem era tão alta que o ar parecia prestes a entrar em combustão.

Atrás da máscara de desprezo de Jimin, havia o triunfo de saber que Jungkook estava desmoronando. E atrás da agressividade de Jungkook, havia o desespero de um homem que sabia que, na próxima noite, ele estaria batendo na porta de Jimin novamente, implorando pelo veneno que se tornara sua única cura.

A distância entre eles era de apenas alguns metros, mas o abismo que criaram era vasto. E, no entanto, ambos sabiam que bastaria um beijo, um único toque no escuro, para que toda aquela estrutura de ódio desabasse, revelando a verdade perigosa que nenhum deles estava pronto para enfrentar.

O jogo continuava. E, naquela partida, não haveria vencedores, apenas dois corações incendiados pela química mais destrutiva que a Universidade de Seul já vira.

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